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sábado, 2 de dezembro de 2017
Terror - Uma Definição
Terror: Uma definição - Certa vez, durante um programa de TV, perguntaram a Rubens Francisco Lucchetti como ele definia o Terror. Lucchetti pensou um pouco e respondeu:
- "Você comprando numa loja de antiguidades um daqueles velhos telefones magnetos e o instalando, como simples adorno, na sua sala de estar e certa tarde, de calor causticante, quando você calmamente instalado na sua poltrona predileta, lendo e saboreando sua bebida preferida, o tal telefone toca ...".
Lucchetti é um ficcionista, desenhista, articulista e roteirista de filmes, histórias em quadrinhos e fotonovelas. Em 1966 iniciou parceria com o cineasta José Mojica Marins, para o qual escreveu quase duas dezenas de roteiros de longas-metragens.
Fontes: Revista "Coleção Contos de Terror", 1973. Editora Taika Ltda, São Paulo; Wikipédia.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Cadeia da Vida
A alma de Roberto vagava sem descanso na dimensão dos mortos. Não havia mais dor. A morte fora-lhe um alívio, pois a doença que o consumira durante anos tornara sua vida um verdadeiro inferno.
Roberto não alcançara, entretanto, a paz. Voltava aos lugares que conhecia, procurava os amigos, tentava se comunicar. Não havia como. Do outro lado, vê-se o mundo dos vivos, mas o inverso não ocorre, a não ser em situações muito especiais.
Observando as pessoas morrendo, via o instante do desligamento entre corpo e alma. Novos espíritos, a princípios cegos, juntavam-se a ele. Logo, enxergavam a nova dimensão. Muitos, rapidamente se afastavam, atraídos por uma força maior, outros ficavam perambulando pela vastidão sem fim, como que procurando uma porta de volta ao reino dos vivos. Era o caso de Roberto.
Olhando seus filhos crescerem na sua ausência, chorava com saudades. Sua filha casara-se e ele não a levara pela mão. Agora, ela esperava um filho, o neto que ele nunca teria no colo. Aquelas cenas, como se fosse um cinema contínuo, apesar de alegres, causavam nele melancolia, ao ver inacessíveis seus desejos mais simples.
De repente, Roberto sente dor, como nunca em vida sentira. Sente-se despedaçado e, em desespero, teme que exista morte também para o espírito. É puxado para um turbilhão cósmico e sugado para a escuridão.
Suas lembranças começam a se dissipar e o último som que ouve é um choro de criança, o seu choro. Roberto era agora seu próprio neto, seguindo a cadeia interminável da morte e da vida.
Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.
A Curva dos Neves
Chovia muito. A família Almeida seguia pela estrada, sinuosa e enlameada. Antônio guiava, preocupado; a mulher e os dois filhos procuravam ajudá-lo, olhando pelos vidros, procurando por alguma indicação. Lá fora a escuridão total, de uma via pouco cuidada, onde o mato cobria as poucas placas que ainda restavam.
Um carro veio buzinando pela outra mão, e fez com que Antônio parasse. Pelas janelas, as duas famílias conversavam. Os Neves, que vinham do outro lado, disseram que uma barreira havia caído, logo depois da curva próxima a eles. Aconselharam a Antônio que desse meia volta e rumasse com sua família até uma cidadezinha próxima, até que a tempestade passasse.
Antônio agradeceu e fez como lhe foi dito. Antes, porém, aproximou-se cautelosamente da curva e observou, apesar da dificuldade de visão, a enorme cratera aberta na pista. Realmente, na velocidade em que se encontrava antes do aviso, talvez não tivesse tido tempo de desviar-se. Poderia ter caído barranco abaixo. Aquela advertência havia salvo a sua vida, e a da sua família.
Ao chegar a cidadezinha sugerida, parou num pequeno hotel, logo na estrada, talvez o único daquele lugar. Encontrou mais duas famílias, esperando por hospedagem naquela noite. Coincidentemente, estavam ali nas mesmas circunstâncias: haviam sido avisados pelos Neves sobre a queda da barreira.
Antônio contou, então, o que vira na estrada, fazendo com que todos se conscientizassem da extensão do perigo que haviam se livrado graças ao aviso em tempo. Outro motorista disse que seguiu atrás do carro que o alertou até a entrada da cidade, perdendo-o de vista, então. Provavelmente aquela gente seria habitante do lugar.
Todos ficaram curiosos, e ao mesmo tempo desejosos de agradecer pessoalmente àquelas pessoas que haviam se dado ao trabalho de parar cada um daqueles carros, sob forte chuva, para alertá-los de um provável acidente.
Como o dono do hotel chegara para atendê-los, perguntaram sobre a família Neves, descrevendo com alguns detalhes o carro em que estavam e a aparência das pessoas dentro dele.
O hoteleiro riu. Só poderiam estar brincando, ele disse. Os Neves realmente haviam morado ali, mas não existiam mais. A família havia morria 5 anos antes, soterrada num desbarrancamento, perto dali, numa noite de chuva como aquela.
Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.
O Político
Ele era um político de sucesso. Sua energia e disposição fizera com que, cargo a cargo, atingisse tal poder que decidia sobre destinos como se escolhesse a cor da camisa que usaria.
Na sua subida, corrompeu-se de tal forma que já não recusava qualquer trato. Desviava verbas, favorecia hipócritas e demagogos, cercava-se de abutres. O poder o cegava.
Afinal, havia chegado o dia de realizar o negócio de sua vida. Havia tanto envolvido, que sua força seria inigualável. Poderia comprar tudo e todos, nada mais o deteria. Chegaria ao topo, nada mais poderia detê-lo.
Havia escondido de todos aquele negócio. Não poderia confiar tamanho segredo a ninguém. Foi, então, sozinho, ao encontro decisivo. Estranho encontro aquele, à noite, num cemitério. Mas como ele mesmo dizia, as paredes tinham ouvidos. Seus parceiros tinham razão.
Não encontrou, porém, as pessoas que esperava.
Logo, corpos, cadáveres, zumbis, o rodeavam. E um deles falou, até onde permitia a boca, já carcomida pelos vermes.
Aquela gente havia morrido de fome, pela comida que não viera, morrido de frio, pelo agasalho trocado por ouro. Havia morrido por doenças que simples remédios curariam.
De todas aquelas mortes ele era acusado.
O político então notou, em cima de uma tumba, uma urna. Seria uma eleição onde os mortos votariam o seu destino. A última eleição.
Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
O Compromisso
A paixão que existia entre Carla e Armando era tanta que os amantes não mais se contentavam em jurar amor apenas por toda vida. Prometiam fidelidade para além da morte. Se um deles morresse, viria buscar o outro, para ficarem juntos pela eternidade.
O destino quis que Armando se fosse primeiro. Uma doença rara, em poucos meses, acabara com sua vida.
A princípio, Carla pensou em suicídio, mas logo percebeu que seu amor pela vida era ainda maior que sua dedicação pelo marido.
A promessa feita, contudo, não a deixava em paz. Passou a ouvir ruídos, distinguir passos. Tinha pesadelos com o cadáver do ex-marido perseguindo-a, puxando-a para debaixo da terra.
Uma noite, despertou sentindo um hálito quente na nuca, uma língua áspera a lamber-lhe o rosto. Gritou o mais alto que seus pulmões permitiam. O gato, seu bichinho de estimação, pulou da cama, saindo correndo do quarto. Fora apenas um susto.
Carla percebeu então, que seus nervos estavam, realmente, em estado deplorável. Não poderia mais ficar sozinha naquela casa, em que cada objeto parecia lembrar-lhe as juras feitas. Arrumou rapidamente uma pequena mala, decidida a voltar, pelo menos por um tempo, para a casa dos pais.
Retirou o carro da garagem, acelerou fundo e partiu. Repentinamente, sentiu um forte puxão no seu braço. Não conseguiu mais controlar o carro, que se despedaçou contra uma árvore, numa curva que conhecia muito.
Morrendo percebeu que, sob aquela árvore, ela e Armando haviam trocado seu primeiro beijo.
Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.
O Engano
Cíntia andava rapidamente. Já ia entardecendo e não havia sinal de pessoas as quais pudesse pedir por socorro. Ouvia o barulho das folhas secas sendo pisadas, como se estivesse sendo seguida. Receosa, começa a correr, ao que os passos também se apressam. O pânico toma conta da moça, que corre desorientada.
À sua frente, surgindo de trás de uma árvore, um homem. Assemelhava-se a um zumbi, a pele escura e enrugada, os olhos sem vida, um verdadeiro cadáver ambulante. Ela retorna, em fuga, mas de todas as direções aquelas figuras vão aparecendo, cercando-a. Parecia um filme de terror, como dezenas que já havia assistido. Os mortos se levantavam e iriam levá-la.
Paralisada, Cíntia olha aqueles seres que se aproximam. As roupas em retalhos, lábios, orelhas e narizes meio comidos pelos vermes. Pedaços de carne pendurados àqueles corpos, imensas crateras nos rostos, eles a queriam.
Apontam para ela, mas, estranhamente, não pareciam inamistosos. Mantêm distância, como que respeitando seu pavor. Ela percebe, então, que eles têm algo a dizer.
Somente então ela percebe. Há sangue em sua roupa.
Tomada por repentina consciência, leva as mãos à cabeça: seu crânio, estourado, deixava escapar um líquido viscoso, que vazava do seu cérebro. Ela havia sofrido um acidente, seu carro caíra num barranco.
Aqueles cadáveres não iriam fazer-lhe mal. Ao contrário, davam-lhe as boas-vindas ao reino dos mortos.
Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficiente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Necrofilia
A necrofilia é uma atração erótica por cadáveres e essa atividade é diagnosticada como “parafilia não especificada”, embora muitos auto-professos necrófilos rejeitam tal abordagem superficial do que eles sentem e fazem. Segundo o Dr. Jonathan Rosman e Dr. Phillip Resnick, existem três tipos básicos de “verdadeira” necrofilia: necrofilia-homicídio, que é o assassinato para obter um cadáver; necrofilia-comum, que é o uso de corpos já mortos para o prazer sexual; e fantasia-necrófila, prevendo os atos, mas não agindo sobre eles.
Casos de necrofilia remontam aos tempos bíblicos, mas já aparece em uma lenda lá por 37 a.C., quando do reinado de Herodes. Foram os romanos que o colocaram no trono (um "laranja") e, no entanto, ele era estrangeiro; seu pai era edomita e sua mãe, uma princesa árabe. Não possuía títulos, nem direito de assumir o trono judaico. Em conseqüência disso, sua posição era muito instável, e ele vivia aterrorizado por seus rivais. Quando identificava um, tratava de liquidá-lo de imediato, numa paranóia total.
Ele se casou com Mariane, uma princesa hasmoniana, neta do sumo-sacerdote Hircano II. Em um acesso de ciúmes Herodes a matou (além de mandar degolar dois de seus filhos, acusando-os de participarem de uma suposta conspiração), e a lenda diz que continuou a ter relações sexuais com o cadáver da esposa por sete anos.
A História oferece outras lendas sobre essa atividade, incluindo o medo de que os antigos egípcios expressavam de que embalsamadores violassem suas esposas falecidas, e por isso, eles as mantinham em casa até que a decomposição fosse evidente.
Outro famoso caso é o de Sir John Price (circa 1502-1555). Após a morte da sua mulher, ele logo se casou novamente. Sua falecida esposa foi embalsamada e mantida na mesma cama em que ele e sua nova noiva gozavam as núpcias. Depois que sua segunda esposa morreu, ele também a embalsamou e a acrescentou para a sua coleção macabra, dormindo ao lado desses cadáveres. Diz-se que ele continuou com esse comportamento até sua morte.
O popularíssimo escritor francês e libertino, Marquês de Sade, escrevia contos eróticos, misturando sexo, tortura, dor e morte e o assunto necrofilia em seus livros.Não podia faltar, não é?
Os casos mais comuns relatados aconteceram e ainda acontecem com os trabalhadores (com o distúrbio) do setor funerário, como, por exemplo, serventes de hospital, atendentes de necrotérios, auxiliares de funerárias, os clérigos e funcionários de cemitérios.
Já houve casos de homens sendo presos por estuprar mortos. O francês Henri Blot foi preso por estuprar uma série de cadáveres exumados em 1886 . Era coveiro e explicou que não tinha ninguém, nem sequer uma esposa para satisfazê-lo sexualmente, para o que sentiu que não estava prejudicando ninguém quando se divertia com os cadáveres em sua solidão...
Em um artigo, o Dr. Paul J. Rio documenta o caso de um coveiro italiano que começou a se masturbar enquanto trabalhava, sempre que tinha que enterrar uma jovem mulher bonita. Para ajudá-lo a atingir o clímax, ele ia tocar o cadáver. Com o tempo, começou a ter relações sexuais com os mortos, quando ninguém estava por perto. Quando apanhado com a boca na região genital de uma mulher falecida, admitiu ter violado centenas de cadáveres. Dr. Rio o diagnostica (e todos os necrófilos) como um psicopata.
Ele cita outro caso de um trabalhador mortuário que tocava seu pênis contra as coxas de cadáveres, enquanto trabalhava com eles. Logo ele foi fazendo sexo com quatro ou cinco corpos a cada semana. Com uma adolescente, ele chupou o sangue e urina dela, e queria muito mastigar partes de seu corpo. Em vez disso, mordeu as nádegas e, em seguida a sodomizou.
Supostamente (se é possível julgar o tal segredo uma atividade), necrófilos são principalmente do sexo masculino (cerca de 90%), mas uma aprendiz de embalsamador, afirmou que durante os primeiros quatro meses do seu emprego, teve relações sexuais com um número de cadáveres. Ela admitiu que não poderia alcançar a satisfação com a vida, em parte porque tinha sido molestada uma vez e depois estuprada. Ela poderia se expressar sem medo de cadáveres.
Finalmente, na arte cinematográfica temos a visão antecipada do nosso mestre do terror José Mojica Marins, em "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", de 1968, filme que inclui a necrofilia. O Zé teve que mudar o final para a censura aprovar naquela época. ___________________________________________________________________________ Fontes: Eu Quero o Seu Corpo - Necrofilia; Love After Death - True Tales Of Necrophilia; A Fúria de Herodes - John Stott; Wikipédia; Revista Superinteressante
quinta-feira, 17 de março de 2011
Mojica Marins comemora 75 anos
Em uma palestra para alunos de cinema da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo há quase duas décadas, o cineasta José Mojica Marins, que completou 75 anos no domingo (13/3/2011), urgenciou: “Tem tanta coisa assustadora no folclore brasileiro, Sacis, Curupiras, Cucas, não entendo porque não fazem fitas de terror com esses temas”.
Em uma entrevista recente à Globo News essa semana, ele revela que entre seus futuros projetos está a história que leu em um jornal do interior que um assassino em série foi morto e enterrado e os crimes voltaram a acontecer, quando reabriram o caixão, ele estava vazio.
Desses dois exemplos podemos perceber onde o criador do Zé do Caixão tira suas histórias e inspirações. Ele não olha para fora, numa espécie de colonialismo cultural que estamos tão acostumados a obedecer e sim, mergulha numa espécie de alma - penada- brasileira para iluminar suas trevas cinematográficas.
sábado, 5 de março de 2011
O Enterrado
Em sua vida, só tinha medo de uma coisa: ser enterrado vivo. E havia acontecido. Deveria ter tido um ataque cardíaco ou coisa parecida, deram-no como morto e o sepultaram. A família não respeitara sua vontade, haviam trancado o caixão, jogado terra sobre ele.
E havia pouco tempo, agora. se não saísse logo o ar lhe faltaria e ele teria a mais horrível das mortes. mas ele não desistiria. iria até o fim, lutando, mesmo no auge do desespero.
E, tanto bateu, tanto forçou, que sentiu a tampa do caixão se esfacelando. pela primeira vez agradeceu aos céus ser pobre. nem um caixão de qualidade puderam comprar-lhe.
Para ele era um milagre. conseguiu firmar-se no chão e escavava a terra. o ar não lhe faltava, deveria entrar pelo solo seco. sentia a s unhas soltando-se dos dedos, na certa ensanguentados, pela força que fazia. mas não desistiria. já ouvia vozes, deveria ser dia ainda. talvez fosse seu próprio enterro, pois não poderia estar ali, vivo, por mais de algumas horas.
Conseguiu por uma das mãos para fora. percebeu gritos, pessoas assustadas. Ele ria, pensando que, de seu lado, já fora de perigo, a situação passava a ser até engraçada. finalmente, colocou o corpo para fora. havia terra em seus olhos,mas podia ouvir os gritos de extremo terror, os desmaios…
Ele procurou gritar, acalmar o povo, mas a voz não lhe saia. os olhos não se abriam. as pessoas corriam. o padre benzendo-se avançava contra ele com uma cruz.
Aí, olhou para si, e gritou, apesar do silêncio que continuou na sua boca, pois não havia cordas vocais. de todo o seu corpo saiam vermes, pedaços podres caiam no chão. sim, ele estava morto, apodrecendo a muito tempo, apesar de lhe restar, talvez por maldição, alguma forma odiosa de vida.
Obs.: o leitor pode notar que, o corpo apesar de não ter olhos, pode olhar para si, ver os vermes e, momentos antes, ver o padre vindo em sua direção.
Escrito por: Zé do Caixão
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
A Face da Morte
Ângela julgava-se a mais infeliz das mortais. No espaço de 5 anos havia perdido três das pessoas as quais mais amava: o pai, a mãe e o marido. Não ficara sozinha no mundo, entretanto, possuía uma grande família, que sempre fora unida e, o mais importante, tinha três filhos que seriam o orgulho para qualquer mãe. No entanto, ela preferia as lembranças, vivendo uma espécie de passado permanente, chorando seus mortos.
Ela implorava às almas de seus entes queridos para que não a abandonassem. Maldizia anjos e santos por terem tirado tão cedo de sua presença pessoas que lhe faziam tanta falta.
Certa noite, um vento zuniu mais forte e um clarão iluminou o quarto de Ângela. Lá estava seu pai, sua mãe, seu marido, decompostos , os ossos à mostra, tentando abraça-la, confortá-la. Seu amado não tinha mais olhos, apenas buracos no rosto. Sua mãe, ainda lembrava muito do que fora, mas o corpo estava coberto de manchas coloridas, sua pele enrugada e o cheiro insuportável.
Ângela mal podia respirar, aquele odor nauseabundo ocupando cada espaço nos seus pulmões. Ela gritou para que fossem embora, mas eles ficaram encarando-a com uma ternura resignada. Ela implorou, suplicou, mas as carcaças desfiguradas não se mexiam; elas simplesmente não poderiam mais ir embora.
O desespero de Ângela havia chamado a atenção de forças poderosas. Aquelas almas sem descanso a acompanhariam por onde fosse, até o fim da sua vida.
Escrito por: Zé do Caixão
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O Prisioneiro dos Sonhos
Marcelo corria, perseguido por um enorme monstro, uma estranha criatura que iria devorá-lo, se o alcançasse. Seu braço sangrava, havia ali um ferimento profundo. Marcelo tropeça e cai, a fera avança contra ele, que grita e… acorda.
Havia sido um sonho, estava na cama com a namorada, que, assustada, dizia ter tido ele um pesadelo. Para acalma-lo ela o beija com ardor. Ele logo se excita, começando uma troca de carícias cada vez mais íntimas. Vai esquecendo o pesadelo, imerso em beijos. Fecha os olhos, em êxtase, mas ao abri-los, uma horrenda bruxa, o corpo flácido e enrugado, o semblante maligno, a risada estridente. Ele grita, sentindo o braço ferido pela serva de satã.
A mãe o sacode. Não há bruxa,havia sido outro pesadelo. Marcelo vê que os pais e irmãos, atraídos pelos gritos, estão no seu quarto. Ele chora. A mãe, carinhosamente, o abraça. Sob o lençol, centenas de vermes. Sua família se transforma em cadáveres decompostos. O pai não mais possui olhos, a língua do irmão mais velho cai da boca, enquanto todos procuram abraçá-lo. No seu próprio braço ele vê um buraco, uma enorme ferida, e grita com toda a força dos seus pulmões.
Marcelo acorda, mas está no nada. Está num pesadelo dentro de um pesadelo,numa seqüência que não sabe aonde acaba. Agora só há uma névoa, e ele, um filete de sangue escorrendo do braço.
Então ele se recorda. Lembra da sua tentativa de fugir da realidade, desinteressante, tediosa, e entrar no mundo dos sonhos. Queria “entrar na onda”, como diziam os colegas. Lembra-se da droga,da seringa,da picada… Talvez fosse uma overdose, não havia como saber. Talvez estivesse entre a vida e a morte.
Certeza mesmo, restava apenas uma: da névoa a sua frente surgiria o próximo monstro, o próximo grito, o próximo acordar, o próximo pesadelo, talvez por toda a eternidade.
Escrito por: Zé do Caixão
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Vida de Mojica vai para as telas
José Mojica Marins, conhecido por interpretar Zé do Caixão, terá sua história contada em um filme, segundo sua entrevista ao jornal Extra.
Maldito, baseado na biografia de 1988 feita pelos jornalistas Ivan Finotti e André Barcinki, irá para as telonas com a direção de Vitor Mafra. O ator Matheus Nachtergaele já foi chamado para representar o ícone do terror brasileiro.
Prestes a completar 75 anos, Zé do Caixão prepara um longa chamado Sete ventres para o demônio. Sua série O Estranho Mundo de Zé do Caixão, no Canal Brasil, inicia sua quarta temporada em março. E, em ritmo de folia, ele será o homenageado da escola Unidos da Tijuca no Carnaval carioca deste ano. Abram alas!
Fonte: Canal Brasil - CineJornal - 14/2/2011.
O Quadro
Aquele quadro havia, de certa forma, enfeitiçado Aírton. Colecionador de arte, orgulhava-se de conhecer a obra de grandes mestres como poucos. Era capaz de, com um simples olhar, distinguir entre a obra prima e a falsificação, mesmo que quase perfeita. Mesmo assim, aquela tela desafiava seu poder de discernimento.
Na pintura, uma linda mulher entre flores . Um tema muito explorado entre pintores, de iniciantes a gênios universais. Os volumes, as nuances de cores, as diferenças de brilho, tornavam aquela tela especial. Aquela figura feminina exalava vida. Era assim que Aírton definira para si mesmo o quadro.
O que espantava é que a tela simplesmente não tinha história. Não havia assinaturas. O dono da galeria havia encontrado num velho sebo, junto com mobílias antigas. Encantando-se com a obra, comprara-a e trocara a moldura, nitidamente inferior. Aírton não se importou em colocar a pintura desconhecida junto à suas valiosas aquisições, e comprou-a, sem discutir o preço.
Aírton colocou a anônima obra-prima num lugar de destaque, na sala e , obcecado, dedicava, todas as noites, horas a contemplá-lo. Estava apaixonado pela figura daquela mulher, e já nem conseguia trabalhar, ou mesmo comer direito.
Uma noite, adormeceu aos pés do quadro, desejando dar sua vida para que aquela perfeição realmente existisse. Quando acordou, não estava na mesma sala. A seu redor havia flores. Quis mover-se, mas não conseguia. Estava preso.
Era ele que, então, estava no quadro. Era sua vez de esperar a libertação, pelo amor de alguém que o quisesse tanto a ponto de trocar sua vida pelo cárcere daquele mágico quadro.
Escrito por: Zé do Caixão
terça-feira, 28 de outubro de 2008
A Bruxa
Cristina era uma socióloga respeitada. Especializou-se no estudo da época da inquisição, quando, sob o manto da igreja, pessoas eram queimadas sob acusação de bruxaria. Através de suas pesquisas concluiu que, na maioria das vezes a perseguição era política, os acusados nunca haviam se envolvido com satanismo. Alguns casos pareciam típicos de doentes mentais, que mais deveriam ir para o sanatório que para fogueira.
Um caso, contudo, chamou-lhe a atenção: Catarina, uma mulher do século XVII, queimada num povoado do interior, conhecida como a maior das feiticeiras. As lendas que dela se contavam perduravam até os dias atuais, sobre seu poder e maldade. Morrera queimada, jurando vingança.
Cristina viajara para a cidade que se desenvolvera perto do antigo povoado onde a bruxa teve seu fim. Verificou que ,apesar dos séculos, as pessoas conheciam histórias sobre ela, havendo inclusive aqueles que jurassem ter visto reunião de demônios comandados por Catarina em um vale próximo. Cristina ia assim juntando material para uma nova tese, sobre o imaginário popular.
Algumas coincidências, porém, logo chamaram-lhe a atenção. De tempos em tempos sumiam crianças na região, que nunca eram encontradas. Assim como começavam, os desaparecimentos terminavam. Catarina era considerada culpada, mesmo séculos após ter morrido. O fato é que nunca qualquer pista foi encontrada.
Justamente após sua chegada na cidade, crianças começam a sumir, sem deixar vestígios. Havia mais de cinqüenta anos que aquilo não acontecia, portanto não poderia ser a mesma pessoa. Três garotos estavam desaparecidos. Não havia pista alguma, uma testemunha que fosse.
Cristina envolveu-se com as investigações. Sentia que, se desvenda-se aquele crime, poderia explicar a estranha influência que aquela lenda exercia sobre a população daquele lugar.
Passado algumas semanas nada de novo havia sido descoberto. Das outras crianças não mais foram vistas. O delegado local pensava até em pedir ajuda federal. Cristina não dormia direito, procurando, pela lógica, encontrar uma solução.
Um dia a socióloga aparece na delegacia. Não havia dormido a noite anterior. Apesar de cientista tinha uma intuição. Visivelmente alterada, pediu ao delegado que a acompanhasse com alguns policiais. Foram ao local onde, pelos relatos que descobrira, Catarina havia cumprido pena. Era um pequeno vale. Movida por uma força estranha, Cristina, com as mãos escava o sopé de um morro próximo. A terra estava fofa. Os pequenos ossos não demoraram a aparecer.
Ao ver tudo aquilo, o rosto de Cristina se transformou. À vista incrédula dos policiais, ela começava a gritar palavras incompreensíveis. Era como se duas almas lutassem por um só corpo. Suas feições iam, aos poucos, se transformando.
Ela despiu-se até que, completamente nua começou a dançar freneticamente, num ritmo cada vez mais rápido, começou a levitar. De seus olhos, emanava o próprio mal. Cristina havia sacrificado aquelas crianças. Sem saber, seu corpo fora apossado por Catarina, que assim executava a sua vingança.
Um caso, contudo, chamou-lhe a atenção: Catarina, uma mulher do século XVII, queimada num povoado do interior, conhecida como a maior das feiticeiras. As lendas que dela se contavam perduravam até os dias atuais, sobre seu poder e maldade. Morrera queimada, jurando vingança.
Cristina viajara para a cidade que se desenvolvera perto do antigo povoado onde a bruxa teve seu fim. Verificou que ,apesar dos séculos, as pessoas conheciam histórias sobre ela, havendo inclusive aqueles que jurassem ter visto reunião de demônios comandados por Catarina em um vale próximo. Cristina ia assim juntando material para uma nova tese, sobre o imaginário popular.
Algumas coincidências, porém, logo chamaram-lhe a atenção. De tempos em tempos sumiam crianças na região, que nunca eram encontradas. Assim como começavam, os desaparecimentos terminavam. Catarina era considerada culpada, mesmo séculos após ter morrido. O fato é que nunca qualquer pista foi encontrada.
Justamente após sua chegada na cidade, crianças começam a sumir, sem deixar vestígios. Havia mais de cinqüenta anos que aquilo não acontecia, portanto não poderia ser a mesma pessoa. Três garotos estavam desaparecidos. Não havia pista alguma, uma testemunha que fosse.
Cristina envolveu-se com as investigações. Sentia que, se desvenda-se aquele crime, poderia explicar a estranha influência que aquela lenda exercia sobre a população daquele lugar.
Passado algumas semanas nada de novo havia sido descoberto. Das outras crianças não mais foram vistas. O delegado local pensava até em pedir ajuda federal. Cristina não dormia direito, procurando, pela lógica, encontrar uma solução.
Um dia a socióloga aparece na delegacia. Não havia dormido a noite anterior. Apesar de cientista tinha uma intuição. Visivelmente alterada, pediu ao delegado que a acompanhasse com alguns policiais. Foram ao local onde, pelos relatos que descobrira, Catarina havia cumprido pena. Era um pequeno vale. Movida por uma força estranha, Cristina, com as mãos escava o sopé de um morro próximo. A terra estava fofa. Os pequenos ossos não demoraram a aparecer.
Ao ver tudo aquilo, o rosto de Cristina se transformou. À vista incrédula dos policiais, ela começava a gritar palavras incompreensíveis. Era como se duas almas lutassem por um só corpo. Suas feições iam, aos poucos, se transformando.
Ela despiu-se até que, completamente nua começou a dançar freneticamente, num ritmo cada vez mais rápido, começou a levitar. De seus olhos, emanava o próprio mal. Cristina havia sacrificado aquelas crianças. Sem saber, seu corpo fora apossado por Catarina, que assim executava a sua vingança.
por Zé do Caixão
Vodu
Um garoto de mentalidade irrequieta, assim era Jairo. Seus 13 anos pareciam ter sido dedicados a caça de problemas. Na vizinhança, na escola, todos o conheciam e ao pressentirem sua presença preparavam-se: algo com certeza ia ocorrer.
Uma característica, no entanto, contrastava com a grande atividade mostrada pelo garoto: era fanático por livros, na linguagem dos amigos, um "rato" de biblioteca. Realmente era capaz de ficar horas folheando velhos manuais de reconhecimento de borboletas, enormes atlas antigos ou qualquer coisa que chama-se sua atenção. Era um verdadeiro alívio para os pais saberem que Jairo havia ido para biblioteca.
O que ninguém havia percebido, no entanto, é que muitas de suas idéias com as piores conseqüências havia saído justamente daquele amontoado de saber. Chegara a montar um para-raio improvisado no barracão do quintal, utilizando velhas pontas de ferro. E, por incrível que possa parecer, o projeto funcionou. Isto é, ao menos metade, pois Jairo esquecera o aterramento. Havia sido pura sorte que durante a tempestade, alguns dias depois não houvesse alguém no local, literalmente destruído.
Agora Jairo tinha achado algo mais interessante, que fugia de qualquer ciência: um livro, na verdade um maço de folhas a cerca do vodu caribenho. Imergiu naquele mundo de zumbis e bonecos que representavam pessoas. Fantasiou a possibilidade de ser realmente verdade. Não cogitou por muito tempo; partiu para a prática.
Hábil, costurou dois bonecos. Conforme o livro os mesmos deveriam ter algo da pessoa a quem representariam. Conseguiu uma mecha de cabelo da irmã, enquanto ela dormia, e terminou o primeiro boneco. Enquanto dava os retoques no segundo boneco, pensava na segunda vítima. Distraído, acabou perfurando o dedo com a agulha e resolveu terminar por então. Testaria o boneco já pronto, e se não funcionasse, deixaria o risco de transformar sua mão em almofada para agulhas.
Recitou as preces do livro e foi procurar Marina, a irmã mais velha que tanto implicava com ele. Escondido, pegou a enorme agulha e tocou a perna do boneco; a irmã imediatamente olhou para a própria perna, assustada. Jairo percebeu, e enfiou a agulha, fazendo com que a moça gritasse de dor. A mãe acudiu, mas não encontrava nada que pudesse causar tanta dor a filha.
Jairo segurava-se para não rir. Na verdade ficara um tanto assustado, pois ,realmente, não queria machucá-la. Mas a imaginar que poderia usar o segundo boneco para representar o namorado de Marina e trabalhar com os dois juntos, não conseguia conter o riso.
Saindo de seu esconderijo, sentiu uma forte fisgada no braço, como se um prego tivesse ali entrado. Nada havia. Na perna uma dor ainda mais forte. Era como se estivesse sendo dilacerado. Seu corpo começava a sacudir ,sem controle. A mãe e a irmã ficaram estáticas, chocadas. Jairo consegue ainda raciocinar e corre para o quarto. Era o outro boneco. Tinha seu sangue, do ferimento da agulha. O boneco que sobrara, era ele. Mais não havia mais tempo. Nero, seu pastor alemão havia descoberto o brinquedo e o destroçava, sem perceber seu dono partindo-se a cada dentada.
Uma característica, no entanto, contrastava com a grande atividade mostrada pelo garoto: era fanático por livros, na linguagem dos amigos, um "rato" de biblioteca. Realmente era capaz de ficar horas folheando velhos manuais de reconhecimento de borboletas, enormes atlas antigos ou qualquer coisa que chama-se sua atenção. Era um verdadeiro alívio para os pais saberem que Jairo havia ido para biblioteca.
O que ninguém havia percebido, no entanto, é que muitas de suas idéias com as piores conseqüências havia saído justamente daquele amontoado de saber. Chegara a montar um para-raio improvisado no barracão do quintal, utilizando velhas pontas de ferro. E, por incrível que possa parecer, o projeto funcionou. Isto é, ao menos metade, pois Jairo esquecera o aterramento. Havia sido pura sorte que durante a tempestade, alguns dias depois não houvesse alguém no local, literalmente destruído.
Agora Jairo tinha achado algo mais interessante, que fugia de qualquer ciência: um livro, na verdade um maço de folhas a cerca do vodu caribenho. Imergiu naquele mundo de zumbis e bonecos que representavam pessoas. Fantasiou a possibilidade de ser realmente verdade. Não cogitou por muito tempo; partiu para a prática.
Hábil, costurou dois bonecos. Conforme o livro os mesmos deveriam ter algo da pessoa a quem representariam. Conseguiu uma mecha de cabelo da irmã, enquanto ela dormia, e terminou o primeiro boneco. Enquanto dava os retoques no segundo boneco, pensava na segunda vítima. Distraído, acabou perfurando o dedo com a agulha e resolveu terminar por então. Testaria o boneco já pronto, e se não funcionasse, deixaria o risco de transformar sua mão em almofada para agulhas.
Recitou as preces do livro e foi procurar Marina, a irmã mais velha que tanto implicava com ele. Escondido, pegou a enorme agulha e tocou a perna do boneco; a irmã imediatamente olhou para a própria perna, assustada. Jairo percebeu, e enfiou a agulha, fazendo com que a moça gritasse de dor. A mãe acudiu, mas não encontrava nada que pudesse causar tanta dor a filha.
Jairo segurava-se para não rir. Na verdade ficara um tanto assustado, pois ,realmente, não queria machucá-la. Mas a imaginar que poderia usar o segundo boneco para representar o namorado de Marina e trabalhar com os dois juntos, não conseguia conter o riso.
Saindo de seu esconderijo, sentiu uma forte fisgada no braço, como se um prego tivesse ali entrado. Nada havia. Na perna uma dor ainda mais forte. Era como se estivesse sendo dilacerado. Seu corpo começava a sacudir ,sem controle. A mãe e a irmã ficaram estáticas, chocadas. Jairo consegue ainda raciocinar e corre para o quarto. Era o outro boneco. Tinha seu sangue, do ferimento da agulha. O boneco que sobrara, era ele. Mais não havia mais tempo. Nero, seu pastor alemão havia descoberto o brinquedo e o destroçava, sem perceber seu dono partindo-se a cada dentada.
por Zé do Caixão
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Zé do Caixão
José Mojica Marins, cineasta e criador do personagem Zé do Caixão, nasceu em 13/3/1936, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. Filho de artistas de circo de origem espanhola, muda-se para a Vila Anastácio, onde o pai arruma emprego de gerente de cinema – daí seu contato com sua futura profissão.
Aos 9 anos, troca o pedido de uma bicicleta por uma câmera 8mm e faz seu primeiro filme, Juízo Final, já usando vermes, que se tornariam a sua marca, coletados com ajuda da vizinhança. Interrompe os estudos na 6a série.
Em 1958 faz o bangue-bangue A Sina do Aventureiro, que não obtém sucesso, o mesmo acontecendo com Meu Destino em Tuas Mãos, de 1960. Em 1963 surge o personagem Zé do Caixão na fita À Meia-Noite Levarei a Sua Alma, representado por ele mesmo porque ninguém queria o papel. O personagem torna-se popular graças à aparência satânica, com unhas compridas que ele garante ter cultivado por 36 anos.
Participa da produção de mais de 150 trabalhos, atuando como diretor, ator e supervisor. Nos anos 60 escreve 266 teleteatros para a TV Bandeirantes. Ganha cerca de 44 prêmios no exterior, incluindo o francês Le Grand Fantastic em 1974.
Em 1982 candidata-se a deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Permanece na direção da Escola do Zé, de artes cênicas, aberta nos anos 40 como Escola do Mojica.
Em 2001, é encontrado na Cinemateca Brasileira, o rolo de seu filme Reino Sangrento. O cineasta restaura a obra por meio de processo digital para lançá-lo no mercado. A edição 2001 do Sundance Film Festival prepara uma sessão dupla em homenagem ao cineasta.
A improvisação
Com um estilo rude de filmar baseado na improvisação, na falta de recursos técnicos, em histórias extremamente objetivas e no uso do português incorreto, Zé do Caixão, como veio a ser conhecido, conta com cerca de 30 filmes, alguns de aventura, comédia e até pornochanchada. Atraído pelo cinema e teatro desde cedo, aos 17 anos, fundou com ajuda de amigos, o estúdio Companhia Cinematográfica Atlas, depois Companhia Cinematográfica Apolo, no bairro do Brás, onde dava aula de cinema e fazia testes, utilizando animais, como aranha e ratos, vivos em cenas de terror.
Após alguns filmes amadores realizados em 16 mm mudos e um 35 mm sonoro inacabado (Sentença de Deus), fez seu primeiro longa metragem: A Sina de Aventureiro (1957), um faroeste em cinemascope. A seguir veio Meu Destino em Suas Mãos (1961). Encarnando o personagem Zé do Caixão, uma mistura de Exu e bruxo, de justiceiro e psicopata, que usa barba negra, unhas enormes, capa preta e cartola, realizou, como diretor e ator, o filme À Meia-noite Levarei tua Alma (1963).
Algumas das obras que se seguiram são: Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1966), O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) e O Despertar da Besta (1968), considerado seu melhor trabalho.
Nos anos 70, teve seus filmes censurados. Na década de 80, caído no esquecimento, entrou para a pornochanchada, realizando 24 Horas de Sexo Ardente (1984), 48 Horas de Sexo Ardente (1986) e Dr. Frank na Clínica das Taras (1987). Descoberto pela crítica internacional, foi elogiado nas páginas das revistas norte-americanas Cult Movies e Billboard e da francesa Cahiers du Cinema.
Fontes: Enciclopédia Abril 2002; Biografia de Zé do Caixão.
Aos 9 anos, troca o pedido de uma bicicleta por uma câmera 8mm e faz seu primeiro filme, Juízo Final, já usando vermes, que se tornariam a sua marca, coletados com ajuda da vizinhança. Interrompe os estudos na 6a série.
Em 1958 faz o bangue-bangue A Sina do Aventureiro, que não obtém sucesso, o mesmo acontecendo com Meu Destino em Tuas Mãos, de 1960. Em 1963 surge o personagem Zé do Caixão na fita À Meia-Noite Levarei a Sua Alma, representado por ele mesmo porque ninguém queria o papel. O personagem torna-se popular graças à aparência satânica, com unhas compridas que ele garante ter cultivado por 36 anos.
Participa da produção de mais de 150 trabalhos, atuando como diretor, ator e supervisor. Nos anos 60 escreve 266 teleteatros para a TV Bandeirantes. Ganha cerca de 44 prêmios no exterior, incluindo o francês Le Grand Fantastic em 1974.
Em 1982 candidata-se a deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Permanece na direção da Escola do Zé, de artes cênicas, aberta nos anos 40 como Escola do Mojica.
Em 2001, é encontrado na Cinemateca Brasileira, o rolo de seu filme Reino Sangrento. O cineasta restaura a obra por meio de processo digital para lançá-lo no mercado. A edição 2001 do Sundance Film Festival prepara uma sessão dupla em homenagem ao cineasta.
A improvisação
Com um estilo rude de filmar baseado na improvisação, na falta de recursos técnicos, em histórias extremamente objetivas e no uso do português incorreto, Zé do Caixão, como veio a ser conhecido, conta com cerca de 30 filmes, alguns de aventura, comédia e até pornochanchada. Atraído pelo cinema e teatro desde cedo, aos 17 anos, fundou com ajuda de amigos, o estúdio Companhia Cinematográfica Atlas, depois Companhia Cinematográfica Apolo, no bairro do Brás, onde dava aula de cinema e fazia testes, utilizando animais, como aranha e ratos, vivos em cenas de terror.
Após alguns filmes amadores realizados em 16 mm mudos e um 35 mm sonoro inacabado (Sentença de Deus), fez seu primeiro longa metragem: A Sina de Aventureiro (1957), um faroeste em cinemascope. A seguir veio Meu Destino em Suas Mãos (1961). Encarnando o personagem Zé do Caixão, uma mistura de Exu e bruxo, de justiceiro e psicopata, que usa barba negra, unhas enormes, capa preta e cartola, realizou, como diretor e ator, o filme À Meia-noite Levarei tua Alma (1963).
Algumas das obras que se seguiram são: Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1966), O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) e O Despertar da Besta (1968), considerado seu melhor trabalho.
Nos anos 70, teve seus filmes censurados. Na década de 80, caído no esquecimento, entrou para a pornochanchada, realizando 24 Horas de Sexo Ardente (1984), 48 Horas de Sexo Ardente (1986) e Dr. Frank na Clínica das Taras (1987). Descoberto pela crítica internacional, foi elogiado nas páginas das revistas norte-americanas Cult Movies e Billboard e da francesa Cahiers du Cinema.
Fontes: Enciclopédia Abril 2002; Biografia de Zé do Caixão.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Zé do Caixão para crianças
Conhecido como ícone (bom ou ruim) dos filmes de terror no Brasil, José Mojica Martins – o Zé do Caixão – agora quer ser lembrado, também, como escritor de livros infantis. Sem se afastar das histórias assustadoras ele se aventura pela primeira vez no mundo dos contos para os pequenos e lança O Livro Horripilante de Zé do Caixão (Panda Books, 2008, 48 páginas, R$ 27,90).
A obra traz uma reunião de contos de terror feitos especialmente para a molecada, todos com um objetivo que vai além das histórias assustadoras. “Atrás de cada susto, vem sempre uma boa lição a ser aprendida sobre amizade, preconceito, solidariedade e até sobre a origem do próprio medo”, ensina Mojica. As ilustrações são do francês Laurent Cardon, que além de desenhista e animador, também dá aulas de cinema para crianças. Basta uma passada de olhos pelos desenhos para perceber que há algo diferente nas histórias de terror para crianças contadas por Zé do Caixão.
Os personagens do texto e das figuras foram construídos para não serem heróis nem vilões. As crianças das histórias têm raiva, batem umas nas outras, destilam preconceito e planejam vingança. Ao final, se arrependem de seus erros, em uma transformação quase sempre rápida demais, o que não chega a tirar a graça dos roteiros mirabolantes.
Novidades – Além do livro, Zé do Caixão lançou um novo filme que chegou a alguns cinemas no dia 8 de agosto. Em Encarnação do Demônio, Mojica desenterrou da saga de suas filmagens os episódios mais marcantes. O longa é dedicado a um cineasta, Rogério Sganzerla, e a um crítico, Jairo Ferreira (ambos mortos), que apontaram genialidade na obra de Zé do Caixão. (EpNews)
[Mauro Ulrich] - Gazeta do Sul
Fonte: Metal Mojo - Zé do Caixão para Crianças
A obra traz uma reunião de contos de terror feitos especialmente para a molecada, todos com um objetivo que vai além das histórias assustadoras. “Atrás de cada susto, vem sempre uma boa lição a ser aprendida sobre amizade, preconceito, solidariedade e até sobre a origem do próprio medo”, ensina Mojica. As ilustrações são do francês Laurent Cardon, que além de desenhista e animador, também dá aulas de cinema para crianças. Basta uma passada de olhos pelos desenhos para perceber que há algo diferente nas histórias de terror para crianças contadas por Zé do Caixão.
Os personagens do texto e das figuras foram construídos para não serem heróis nem vilões. As crianças das histórias têm raiva, batem umas nas outras, destilam preconceito e planejam vingança. Ao final, se arrependem de seus erros, em uma transformação quase sempre rápida demais, o que não chega a tirar a graça dos roteiros mirabolantes.
Novidades – Além do livro, Zé do Caixão lançou um novo filme que chegou a alguns cinemas no dia 8 de agosto. Em Encarnação do Demônio, Mojica desenterrou da saga de suas filmagens os episódios mais marcantes. O longa é dedicado a um cineasta, Rogério Sganzerla, e a um crítico, Jairo Ferreira (ambos mortos), que apontaram genialidade na obra de Zé do Caixão. (EpNews)
[Mauro Ulrich] - Gazeta do Sul
Fonte: Metal Mojo - Zé do Caixão para Crianças
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