domingo, 30 de novembro de 2008

O Festival

Efficiut Daemones, ut quae non sunt, sic tamen quasi sint, conspicienda bominibus exhibeant. (Lactantius)

Eu estava longe de casa, e o feitiço do mar oriental havia caído sobre mim. Ao crepúsculo, eu o ouvia batendo nas rochas e sabia que ele ficava logo depois do monte onde os salgueiros se contorciam contra o céu claro e as primeiras estrelas da noite. E como meus pais haviam me chamado para a velha cidade mais adiante, atravessei a neve rasa e necém-caída ao longo da estrada que subia até onde Aldebarã bailava por entre as árvores; na direção da cidade muito antiga, que eu nunca tinha visto, mas com a qual várias vezes sonhara.

Era o Yuletide, que os homens chamam de Natal, embora saibam em seus corações que é mais antigo que Belém e a Babilônia, mais velho que Mênfis e a Humanidade. Era o Yuletide, e eu havia vindo finalmente à antiga cidade costeira onde minha gente havia habitado e mantido a festividade mesmo nos velhos tempos, quando ela era proibida; onde eles também haviam instruído seus filhos a manterem o festival uma vez a cada século, para que a memória dos segredos primais não fosse esquecida. Minha gente era antiga, e já eram antigos mesmo quando esta terra foi colonizada, três séculos atrás. E eles eram estranhos, porque tinham vindo como um povo furtivo e obscuro dos jardins de papoulas narcóticas do sul, e falavam outra língua antes de aprenderem a língua dos pescadores de olhos azuis. E eles estavam dispersos, e compartilhavam apenas os rituais de mistérios que nenhum vivente poderia entender. Eu era o único que tinha voltado aquela noite à velha cidade pesqueira, como rezava a lenda que apenas os pobres e solitários lembravam.

Então, além do cume da colina, vi Kingsport com seus moinhos e campanários, telhados e chaminés, cais e pequenas pontes, salgueiros e cemitérios; intermináveis labirintos de ruas íngremes, estreitas e tortas, vertiginosas torres de igrejas que o tempo não ousou tocar; uma confusão incessante de casas coloniais amontoadas e espalhadas em todos os ângulos e níveis como os blocos desordenados dos folguedos de ulna criança; antigüidades pairando com asas cinzentas abertas em telhados duplos embranquecidos pelo inverno; janelas cortinadas, uma a uma piscando na escuridão fria para se juntar a Orion e as estrelas arcaicas. E contra os cais apodrecidos o mar se chocava; o mar, imemorial e cheio de segredos, do qual as pessoas tinham vindo nos tempos antigos.

Ao lado do topo da rua, uma elevação ainda mais alta começava, desolada e exposta ao vento, e vi que era um campo santo, onde lápides negras fincavam-se fantasmagoricamente através da neve, como as unhas apodrecidas do cadáver de um gigante. A rua era vazia e solitária, e às vezes eu pensava ouvir, no vento, um horrível e distante gemido, como um enforcamento. Eles haviam enforcado quatro parentes meus por bruxaria em 1692, mas eu não sabia exatamente onde.

No cruzamento da rua com a ladeira voltada para o mar, fiquei atento aos sons alegres de um entardecer de aldeia, mas não os escutei. Então lembrei da época, e achei que esse velho povo puritano possivelmente tinha costumes natalinos estranhos a mim, cheios de orações silenciosas. Então, depois que eu não ouvi sons alegres nem vi peregrinos, fiquei observando as casas silenciosamente iluminadas, e os muros sombrios de pedras, onde as placas de velhas lojas e tavernas batiam à brisa salgada, e as aidravas grotescas penduradas nas portas cintilavam ao longo das ruas sem pavimento, à luz de pequenas janelas cortinadas.

Eu havia visto mapas da cidade, e sabia onde encontrar a casa da minha gente. Foi dito que eu seria reconhecido e bem-vindo, pelas velhas tradições da aldeia; então me apressei pela Back Street até a Cicle Court, e atravessei a neve fresca sobre toda a laje que pavimentava a cidade, até onde a Green Lane levava aos fundos da Market House. Os velhos mapas ainda serviam bem, e eu não tive nenhum problema; embora em Arkham, devem ter mentido quando disseram que passavam bondes por ali, já que não vi um único fio no alto. A neve teria coberto os trilhos, de qualquer modo. Estava satisfeito por ter preferido andar, pois a aldeia branca tinha parecido muito bonita da colina; e agora eu estava ansioso em bater à porta da minha gente, a sétima casa à esquerda na Green Lane, com um antigo telhado pontudo e segundo andar ressaltado, tudo construído antes del650.

Havia luzes dentro da casa quando me dirigi a ela, e vi pelas janelas de grades cruzadas que deveria estar muito próxima de seu estado antigo. A parte superior sobressaia à rua estreita e coberta de grama e quase encontrava a parte que sobressaia da casa em frente, de forma que me encontrava quase num túnel, com o degrau de pedra da porta totalmente coberto de neve. Não havia calçada, mas muitas casas tinham portas altas que eram alcançadas por degraus duplos com corrimãos de ferro. Era uma cena estranha, e como eu era um estranho à Nova Inglaterra, nunca havia visto algo assim antes. Embora isso tenha me agradado, eu teria saboreado melhor se houvesse pegadas na neve, pessoas nas ruas e algumas janelas fechadas sem cortinas.

Quando sondei a antiga aldrava de ferro, fiquei com um pouco de medo. Algum temor havia se acumulado em mim, talvez por causa da estranheza da minha herança, a falta de movimento e o silêncio estranho da manhã naquela velha cidade de costumes bizarros. E quando minha batida foi respondida, fiquei completamente amedrontado, porque não havia ouvido nenhum passo antes da porta abrir com um rangido. Mas não fiquei com medo por muito tempo, pois o homem idoso de pijama e chinelos na entrada tinha um rosto brando que me tranqüilizou; e apesar de ter feito sinais de que era surdo, escreveu uma curiosa e antiga saudação com o estilete e a tabuleta de cera que carregava.

Acenou para que o seguisse até uma sala baixa, iluminada por velas, com caibros expostos e móveis escuros, rijos e esparsos, do século XVII. O passado estava vivo ali, nenhum atributo tinha sido perdido. Havia uma lareira cavernosa e uma máquina de fiar próxima na qual uma mulher idosa, usando um manto e uma touca comprida, sentava-se na minha direção, fiando silenciosamente, apesar da época festiva. Um desalento indefinido parecia pairar sobre o lugar, e eu estava bestificado pelo fogo não estar aceso. O quarto em frente às janelas cortinadas parecia estar ocupado, embora eu não tivesse certeza. Eu não gostei de tudo o que vi, e senti o temor novamente. Este temor ficou mais forte do que estava antes de ser abrandado. Quanto mais olhava para o rosto brando do velho, mais a sua brandura excessiva me aterrorizava. Os olhos nunca se moviam, e a pele assemelhava-se à cera. Finalmente fiquei convencido de que não era realmente um rosto, mas uma habilidosa máscara demoníaca. Suas mãos fantásticas, curiosamente enluvadas, escreveram na tabuleta com impressionante habilidade e me disseram que eu deveria esperar um pouco para ser levado ao local da festividade.

Apontando uma cadeira, uma mesa e uma pilha de livros, o velho agora deixou a sala; e quando me sentei para ler, vi que os livros estavam esbranquiçados e bolorentos, e que incluíam o velho Maravilhas da Ciência, de Morryster, o terrível Saducismus Triumpharus, de Joseph Glanvil, publicado em 1681, o chocante Daemonolarreia, de Remigius, impresso em 1681 em Lyons, e o pior de todos, o impronunciável Necronomicon, do árabe louco Abdul Al-hazred, na tradução latina proibida de Olaus Wormius; um livro que eu nunca tinha visto, mas do qual ouvira sussurrarem coisas monstruosas. Ninguém falou comigo, mas eu podia ouvir o bater das placas ao vento no lado de fora, e o zumbido da máquina de fiar enquanto a velha de touca continuava silenciosamente a fiar e fiar. Achei a sala, os livros e as pessoas, muito mórbidas e inquietantes, mas por causa de uma velha tradição de festividades estranhas que meus pais tinham me intimado a seguir, resolvi esperar coisas esquisitas. Então tentei ler, e logo comecei a tremer, absorvido por algo que descobri ser o malfadado Necronomicon, um pensamento e uma lenda muito hedionda para sanidade ou consciência, mas eu me distraí dele quando supus ouvir o fechar de uma das janelas que ficava em frente à lareira, como se ela tivesse sido aberta furtivamente. Pareceu seguir-se um zumbido que não era da máquina de fiar da velha. Não pude ouvir bem, no entanto, pois a velha estava fiando vigorosamente, e o relógio antigo soara as horas. Depois disso, perdi a sensação de que haviam pessoas no local, e estava lendo intensa e tremulante quando o velho voltou, calçado de botas e vestido numa roupa folgada antiga, e sentou no mesmo banco, de forma que eu não podia vê-lo. Era certamente uma espera nervosa, e o livro blasfemo nas minhas mãos a fazia duas vezes maior. Quando soaram onze horas, entretanto, o velho se levantou, deslizou até uma arca maciça esculpida que estava a um canto, e pegou dois mantos encapuzados; um dos quais colocou, e com o outro cobriu a velha, que tinha parado seu fiar monótono. Então os dois se dirigiram à porta exterior; a mulher se arrastou, coxeando, e o velho, depois de pegar o mesmo livro que eu estava lendo, acenou para mim enquanto colocava o capuz sobre o rosto imóvel ou máscara.

Saímos para as ruas tortuosas e escuras daquela cidade incrivelmente antiga; saímos enquanto as luzes nas janelas cortinadas desapareciam uma a uma, e a estrela do Cão espreitava a turba de figuras cobertas e encapuzadas que safam silenciosamente de cada porta e formavam uma procissão monstruosa rua acima, passando pelas placas ruidosas, pelos frontões antediluvianos, pelos telhados emaranhados e pelas janelas de grades cruzadas; atravessando ruas precipituosas, onde casas decadentes cobriam-se e desagregavam-se, deslizando por pátios abertos e cemitérios de igrejas, onde postes de luz faziam as constelações parecerem medonhamente bêbadas.

Em meio à multidão, segui meus dois guias silenciosos; empurrado por cotovelos que pareciam extraordinariamente macios, e pressionado por peitos e estômagos que pareciam anormalmente felpudos; mas sem nunca ver um rosto e nunca ouvir uma palavra. Em frente, as colunas sinistras se arrastavam, e eu vi que todos os peregrinos convergiam a uma espécie de povo de becos loucos no topo de uma colina alta no centro da cidade, onde se elevava uma grande igreja branca. Eu a tinha visto do alto da estrada quando olhei a noite caindo em Kingsport, e ela me tinha feito tremer, porque Aldebara havia parecido balançar-se por um momento na torre fantasmagórica.

Havia um espaço aberto ao redor da igreja; uma parte era um cemitério com lápides espectrais, e a outra era uma quadra semipavimentada, que tinha sido praticamente toda varrida da neve pelo vento, e enfileirada com casas antigas e mal-conservadas, com telhados pontudos e frontões protuberantes. Fogos-fátuos dançavam sobre as tumbas, revelando alamedas repugnantes, embora estranhamente não fizessem sombra. Depois do cemitério, onde não havia casas, podia ver acima do cume da colina e observar o cintilar das estrelas no porto, pois a cidade era invisível no escuro. Vez por outra, uma lanterna meneava horrivelmente através de becos tortuosos, em seu caminho para juntar-se à turba, que agora estava entrando furtiva e silenciosamente na igreja. Eu esperei até que a multidão houvesse penetrado pela porta negra, e até que todos os que ali se acotovelavam os tivessem seguido. O velho estava puxando minha manga, mas eu estava determinado a ser o último. Atravessando a soleira em direção ao templo de escuridão desconhecida e cheio como uma colméia, virei-me uma vez para olhar o mundo exterior, onde uma fosforescência no cemitério fazia um brilho doentio no pavimento da colina, e ao fazer isso, estremeci. Pois embora o vento não houvesse deixado muita neve, tinham sobrado umas poucas porções no terreno perto da porta; e naquela olhada para trás, pareceu aos meus olhos confusos que não havia nenhuma marca de pegadas, nem mesmo as minhas.

A igreja estava escassamente iluminada por todas as lanternas que haviam sido trazidas pelos fiéis, e a maior parte da turba já havia desaparecido. Eles tinham afluído para a nave entre os bancos altos e as portas sem retorno das criptas, que se abriram repulsiva e largamente, logo depois do púlpito, e estavam agora se contorcendo ruidosamente. Eu segui, calado, os degraus gastos até a cripta escura e sufocante. O séquito daquela fila silenciosa em marcha noturna me parecia muito horrível, e eu os vi movendo-se sinuosamente ao interior de uma tumba de veneração que parecia mais horrível ainda. Então notei que o chão da tumba tinha uma fresta na qual a multidão se esgueirava, e em um momento, todos nós estávamos descendo uma escadaria agourenta de pedra bruta cortada; uma escadaria em espiral estreita, úmida e peculiarmente perfumada, que perfurava interminavelmente em direção às entranhas da colina, passando por paredes monótonas de blocos de pedras gotejantes e argamassa esmigalhada. Foi uma descida traumatizante e silenciosa, e depois de um intervalo horrível, percebi que as paredes e degraus estavam mudando sua natureza, como se fossem cinzeladas da rocha sólida. O que me perturbou principalmente foi que as miríades de passos não faziam sons e não produziam ecos. Depois de uma descida que parecia durar eras, vi algumas passagens laterais ou covas, que conduziam de recantos desconhecidos de escuridão a esta trilha de mistério noturno. Logo elas ficaram excessivamente numerosas, como catacumbas ímpias de ameaças inomináveis; e seu odor pungente de decadência aumentava quase insuportavelmente. Eu sabia que nós devíamos ter atravessado a montanha e estávamos agora abaixo da própria Kingsport, e eu estremeci ao pensar que uma cidade poderia ser tão velha e possuir subterrâneos tão diabólicos.

Então vi o bruxulear lívido de uma luz pálida, e ouvi o marulho insidioso de águas escuras. Novamente estremeci, porque eu não havia gostado das coisas que a noite tinha trazido, e desejava amargamente que nenhum antepassado tivesse me obrigado a este rito primitivo. À medida que os degraus e a passagem ficavam mais largos, eu ouvi outro som, o lamento agudo de uma flauta débil; e de repente surgiu na minha frente a paisagem ampla de um mundo interior: uma costa fungosa e vasta, iluminada por uma coluna que vomitava uma doentia chama esverdeada, e banhada por um largo rio oleoso que fluía dos abismos assustadores e desconhecidos para se juntar à baía negra do oceano antiqüíssimo.

Ofegando, à beira de desmaiar, olhei para o jardim profano de imensos cogumelos, fogo leproso e água viscosa, e vi a turba encapada formando um semicírculo ao redor do pilar em chamas Era o rito do Yule, mais antigo do que o Homem, e fadado a sobreviver a ele; o rito primitivo do solstício e a promessa de primavera após a neve; o rito do fogo e das plantações, luz e música. E nas grutas estígias, eu os vi fazer o rito, adorar o pilar doentio de chamas, e atirar na água punhados da vegetação que reluziam verdes ao brilho clórico. Vi isso e algo agachado amorficamente, distante da luz, tocando ruidosamente uma flauta; e enquanto a coisa tocava, pensei ouvir sibilos nocivos e abafados na escuridão inimiga onde eu não podia ver. Mas o que mais me aterrorizou foi a coluna de chamas; brotando vulcanicamente das profundezas inconcebíveis, sem produzir nenhuma sombra, como uma chama deveria fazer, e agasalhando a rocha nitrosa com um azinhavre sórdido e venenoso. Toda aquela combustão fervente não fazia nenhum calor, mas apenas umidade de morte e decomposição.

O homem que tinha me trazido agora até um ponto diretamente ao lado da chama odienta, fez passes cerimoniais rígidos para o semicírculo, à sua frente. Em certos estágios do ritual, faziam reverências em que tinham de se agachar, especialmente quando ele segurou acima de sua cabeça aquele detestável Necronomicon que trouxera consigo; e eu compartilhei todas as reverências, porque eu tinha sido convocado a este festival pelos escritos de meus ancestrais. Então o velho fez um sinal ao flautista semi-oculto nas trevas, cujo toque logo mudou de um zumbido fraco para um zumbido escasso mais alto em outra escala; precipitando um horror inimaginável e inesperado. Com tal horror, quase afundei na terra coberta de liquens, trespassado por um temor que não pertencia a este ou a nenhum outro mundo, mas apenas aos espaços enlouquecedores entre as estrelas.

Vindas da inimaginável escuridão além do fulgor gangrenoso da chama fria, das léguas tartáricas pelas quais o rio oleoso corria sobrenatural, oculta e obscuramente surgiu uma horda de seres alados e híbridos domesticados, que nenhum olho são jamais poderia captar ou nenhum cérebro normal jamais poderia recordar, batendo ritmicamente suas asas. Eles não eram propriamente nem toupeiras, nem abutres, nem formigas, nem morcegos vampiros, nem seres humanos decompostos, mas alguma coisa que eu não posso e não devo recordar. Eles sacudiam um pouco seus pés cobertos de teias e um pouco suas asas membranosas; e quando alcançaram a turba de celebrantes, as figuras cobertas as pegaram e montaram, e saíram, uma a uma, cavalgando ao longo da extensão daquele rio mal-iluminado, em direção a poços e galerias de pânico onde nascentes venenosas mantinham cataratas ocultas.

A velha fiandeira tinha ido com a turba, e o velho só ficara porque eu tinha recusado quando ele tentou me motivar a pegar um animal e cavalgá-lo como o resto. Eu vi, quando cambaleei sobre meus pés, que o flautista amorfo havia desaparecido, mas aqueles dois monstros estavam esperando pacientemente. Quando recuperei o equilíbrio, o velho tirou seu estilete e a tabuleta e escreveu que ele era o representante dos meus ancestrais que tinham fundado o culto do Yale neste local antigo; que tinha sido decretado que eu voltaria, e que os mistérios mais secretos ainda estavam para ser apresentados. Ele escreveu isso com mão muito velha, e como eu ainda hesitava, puxou de sua túnica folgada um anel e um relógio, ambos com os símbolos da minha família, para provar que ele era o que dizia ser. Mas era uma prova revoltante, porque eu sabia por papéis velhos, que o relógio tinha sido enterrado com meu tatatataravo em 1698.

Em seguida, o velho tirou o capuz e apontou para a semelhança da família em seu rosto, mas eu apenas estremeci, porque estava certo de que aquele rosto era apenas uma máscara demoníaca. Os animais alados estavam agora arranhando impacientemente os liquens, e eu vi que o velho estava ele mesmo quase impaciente. Quando uma das coisas começou a se mexer para ir embora, ele se virou rapidamente para detê-la; então seu movimento repentino desalojou a máscara de cera de que outrora deve ter sido sua cabeça. E então, porque aquela posição de pesadelo me barrava à escada de pedra de onde tínhamos vindo, eu me joguei no rio oleoso que borbulhava de algum lugar das cavernas até o mar; me joguei naquele suco putrefato dos horrores do interior da Terra, antes que a loucura de meus gritos trouxesse toda aquela legião mortuária que esses abismos pestilentos ocultavam.

No hospital, disseram-me que eu havia sido encontrado semicongelado no porto de Kingsport ao alvorecer, agarrado ao tronco flutuante que o acaso mandou para me salvar. Eles me disseram que eu tinha pego a bifurcação errada na estrada da colina na noite anterior e caído dos penhascos no Ponto Laranja; uma coisa que deduziram das pegadas encontradas na neve. Não havia nada que eu pudesse dizer, porque tudo estava errado. Tudo estava errado, com as janelas largas mostrando um mar de telhados nos quais apenas um em cinco era antigo, e o som de bondes e motores nas ruas abaixo. Eles insistiram que esta era Kingsport, e eu não podia negar. Quando fiquei delirante ao ouvir que o hospital ficava perto do velho cemitério da igreja na colina central, eles me mandaram ao Hospital Santa Maria, em Arkham, onde eu poderia ser mais bem tratado. Gostei de lá, pois os médicos tinham mentes abertas, e até me emprestaram sua influência para obter a cópia cuidadosamente guardada de contestáveis Necronomicon de Al-hazred, da biblioteca da Universidade de Miskatonic. Eles disseram alguma coisa sobre uma “psicose”, e concordei que eu deveria tirar todas as obsessões mórbidas de minha mente.

Lendo o hediondo capítulo, estremeci duplamente porque não era realmente novo para mim. Eu o tinha visto antes, deixe as pegadas dizerem o que eles quiserem; e seria melhor esquecer onde eu o tinha visto. Não havia ninguém - nas horas diurnas - que poderia me lembrar disso; mas meus sonhos eram cheios de terror, devido às frases que não devo citar. Ouso citar apenas um parágrafo, traduzido em nossa língua como posso, do estranho Baixo Latim.

As cavernas mais inferiores, escreveu o árabe louco, não são para a compreensão dos olhos que vêem; pois suas maravilhas são estranhas e terríveis. Amaldiçoado o chão onde pensamentos mortos.


por H. P. Lovecraft

Bela Lugosi


Bela Lugosi ou Bela Ferenc Dezsõ Blaskó (Lugoj, 20 de Outubro de 1882 — Los Angeles, 16 de Agosto de 1956) foi um ator húngaro nascido no então Império Austro-Húngaro, na região do Banat.

O mais jovem dos quatro filhos de um banqueiro, Bela Lugosi começou a sua carreira nos palcos da Europa em várias peças de William Shakespeare. Mas no entanto tornou-se famoso pelo seu papel de Drácula numa encenação da clássica história de vampiro de Bram Stoker, e teve como especialidade os filmes de horror.

Fugiu de casa com 11 anos, abandonou a escola e engajou-se no trabalho de mineração. Na adolescência começou a atuar em pequenas companhias teatrais. O caminho mais comum o guiou do teatro para o cinema mudo húngaro, atuando com o nome artístico de Arisztid Olt. Porém, teve que interromper seu início de atividades no cinema graças à Primeira Guerra Mundial. Há boatos de que ele tenha sido ferido três vezes, assim causando sua futura dependência em morfina para aliviar as dores que seguiram por sua vida inteira. Há também uma versão que diz que ele conseguiu ser liberado do serviço se passando por louco.

Ao ser liberado do serviço militar, teve uma vida conturbada. Fez cerca de 12 filmes, casou-se pela 1ª de cinco vezes e saiu da Hungria por conta das suas opiniões políticas. Ele se refugiou na Alemanha, mas passou pouco tempo no país e foi para o país onde conseguiu alcançar a fama: os Estados Unidos. Bela participou do teatro na comunidade húngaro-americana, e após algum tempo ganhou a oportunidade de interpretar Drácula numa adaptação teatral escrita por John Balderston.

Sua interpretação única e assustadora nesta peça foi que abriu as portas para seu estrelato no cinema. O diretor Tod Browing descobriu e o chamou para interpretar o vampiro em sua versão cinematográfica de Drácula. Este papel deu estrelato a Lugosi, mas ao mesmo tempo o marcou como "um ator de um só papel".

Bela fez vários outros filmes de horror,como também de outros gêneros. Dentre os de horror, merecem destaque Murdes In The Rue Morgue, The Raven, Mark of Vampire, dentre outros. Porém,o ator não conseguiu estabilidade no cinema, e passou a partir de meados da década de 30 a atuar em filmes baratos.

Ainda conseguiu papéis bons como em Son of Frankenstein, The Ghost of Frankenstein, The Corpse Vanishes, etc... Porém, estereotipado como "Drácula", e seguindo o mesmo declínio do gênero na década de 40, no qual os monstros clássicos protagonizavam filmes em que se enfrentavam ou comédias, Bela ficou desempregado.

Foi descoberto por Ed Wood, que gravou alguns filmes com Bela (inclusive Ed Wood arcou com vários custos de internação de Bela, consumido pelo vício em morfina).

O último filme de Bela Lugosi foi Plan 9 from Outer Space, de Ed Wood. Porém Bela filmou somente uma semana, falecendo no dia 16 de agosto de 1956. Bela foi sepultado com o traje de Drácula (sendo este seu último desejo). Assim, o horror perdeu um de seus maiores ícones.

Mas Bela Lugosi continua vivo na memória dos fãs do gênero, tendo sido interpretado por Martin Landau, ganhador do Oscar por este papel, no filme Ed Wood de Tim Burton. Bela Lugosi sempre será o eterno Drácula das telonas, independente de ser esta associação positiva ou negativa.

Filmografia

* 1917 Az Ezredes
* 1923 The Silent Command
* 1924 The Rejected Woman
* 1925 Midnight Girl
* 1925 Daughters Who Pay
* 1928 How to Handle Women
* 1928 The Veiled Woman
* 1929 Prisoners
* 1929 The Thirteenth Chair
* 1930 Viennese Nights
* 1930 Such Men Are Dangerous
* 1930 Wild Company
* 1930 Oh, for a Man
* 1930 Renegades
* 1931 The Black Camel
* 1931 Women of All Nations
* 1931 Drácula
* 1931 Fifty Million Frenchmen
* 1931 Broadminded
* 1932 Chandu the Magician
* 1932 Murders in the Rue Morgue
* 1932 White Zombie
* 1932 Island of Lost Souls
* 1933 International House
* 1933 Night of Terror
* 1933 The Devil's in Love
* 1933 The Death Kiss
* 1933 The Whispering Shadow
* 1934 Chandu on the Magic Island
* 1934 Gift of Gab
* 1934 The Return of Chandu
* 1934 The Black Cat
* 1935 The Best Man Wins
* 1935 The Mysterious Mr. Wong
* 1935 The Raven
* 1935 Mark of the Vampire
* 1935 Murder by Television
* 1935 Phantom Ship
* 1936 The Invisible Ray
* 1936 Postal Inspector
* 1936 Shadow of Chinatown
* 1936 Dracula's Daughter
* 1937 S.O.S. Coast Guard
* 1939 Son of Frankenstein
* 1939 The Phantom Creeps
* 1939 The Human Monster
* 1939 The Gorilla
* 1939 Ninotchka
* 1940 The Saint's Double Trouble
* 1940 Saturday Night Serials
* 1940 You'll Find Out
* 1940 Black Friday
* 1941 The Wolf Man
* 1941 The Black Cat
* 1941 Spooks Run Wild
* 1941 The Devil Bat
* 1941 The Invisible Ghost
* 1942 Black Dragons
* 1942 Dick Tracy, Detective / The Corpse Vanishes
* 1942 Frankenstein Meets the Wolfman
* 1942 Bowery at Midnight
* 1942 Dick Tracy vs. Cueball / Bowery at Midnight
* 1942 The Corpse Vanishes
* 1942 Night Monster
* 1942 The Ghost of Frankenstein
* 1943 The Return of the Vampire
* 1943 The Old Dark House
* 1943 The Ape Man
* 1943 Ghosts on the Loose
* 1944 Matinee Double Feature
* 1944 Return of the Ape Man
* 1944 Zombies on Broadway
* 1944 One Body Too Many
* 1944 Voodoo Man
* 1945 The Body Snatcher
* 1946 Genius at Work
* 1947 Scared to Death
* 1947 Dick Tracy Meets Gruesome
* 1948 Abbott and Costello Meet Frankenstein
* 1952 Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla
* 1952 Old Mother Riley Meets the Vampire
* 1953 Glen or Glenda
* 1955 Bride of the Monster
* 1956 The Black Sleep
* 1956 Plan 9 from Outer Space


Fonte: Wikipédia.

Franz Kafka

A desesperança e a alienação do homem moderno, imerso num mundo que não consegue compreender, estão magistralmente descritas na obra de Kafka, escritor tcheco de expressão alemã.

Franz Kafka nasceu em Praga, então pertencente ao império austro-húngaro, em 3 de julho de 1883, de família judia remediada. Sua infância e adolescência foram marcadas pela figura dominadora do pai, comerciante próspero, para quem apenas o sucesso material contava.

Na obra de Kafka, a figura paterna está freqüentemente associada à opressão ou aniquilação da vontade humana, especialmente na célebre Brief an den Vater (1919; Carta a meu pai).
Na formação intelectual de Kafka tiveram peso especial a leitura de Heinrich von Kleist, Flaubert, Pascal e Kierkgaard e o ambiente de Praga, cidade medieval gótica dotada de elementos eslavos, alemães e de barroco sombrio.

De 1901 a 1906, estudou direito na Universidade de Praga, onde conheceu seu grande amigo (e posterior biógrafo) Max Brod. Começou então a freqüentar os círculos literários e políticos da pequena comunidade judaico-alemã, na qual circulavam idéias e atitudes críticas e inconformistas, com que Kafka se identificava. Concluído o curso, empregou-se em 1908 numa companhia de seguros, como inspetor de acidentes de trabalho.

Apesar da competência profissional e da consideração que lhe dispensavam os colegas de trabalho, Kafka sempre se sentiu insatisfeito, pois o emprego o impedia de dedicar-se totalmente à atividade literária. Também a vida emocional foi conturbada, com noivados e amores infelizes.

Tais circunstâncias acentuaram o sentimento de solidão e desamparo que nunca o abandonaria e que ele próprio manifestou nos fragmentos publicados em 1909 sob o título Beschreibung eines Kampfes (Descrição de uma luta) e publicado na íntegra em 1936. Nessa inquietante e perturbadora narração, que passou quase despercebida, o mundo dos sonhos, tema constante na produção do autor, adquiria uma desconcertante e persistente lógica no mundo da realidade.

Em 1912 Kafka escreveu a maior parte do romance Amerika, que permaneceu inacabado e foi publicado postumamente em 1927. Em vida, publicou apenas Die Verwandlung (1915; A metamorfose), em que o personagem acorda certo dia transformado num imenso e repugnante inseto; Das Urteil (1916; A sentença); In der Strafkolonie (1919; Na colônia penal), que narra as torturas a que são submetidos presidiários que desconhecem a natureza dos crimes que cometeram; e Ein Landarzt (1919; Um médico rural), coletânea de contos.

Suas obras-primas, Der Prozess (1925; O processo) e Das Schloss (1926; O castelo), só foram publicadas postumamente por Max Brod. Nesses romances, a ambigüidade onírica do peculiar universo kafkiano e as situações de absurdo existencial chegam a limites insuspeitados. No primeiro, o bancário Joseph K., por razões que nunca chega a descobrir, é preso, julgado e condenado por um misterioso tribunal. A desolada poesia de sua obra, em estilo sóbrio e realista, não nascia, porém, da resignação, mas do desejo de encontrar um fundamento espiritual capaz de explicar a contradição entre o desejo humano e a realidade cotidiana.

Afligido pela tuberculose, Kafka submeteu-se, a partir de 1917, a longos períodos de repouso. Em 1922 deixou definitivamente o emprego e, excetuadas breves temporadas em Praga e Berlim, passou o resto da vida em sanatórios e balneários.

Morreu em 3 de junho de 1924, em Kierling, perto de Viena. Contra o desejo expresso do escritor, que queria que seus inéditos fossem queimados após sua morte, Max Brod publicou romances, textos em prosa, correspondência pessoal e diários de Kafka. Sua obra teve profunda influência sobre movimentos artísticos como o surrealismo, o existencialismo e o teatro do absurdo.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

A Bola de Fogo na Sibéria


O norte da Sibéria, com os seus invernos rigorosos e verões escaldantes nas primeiras horas de uma manhã de junho constituem um momento que merece ser apreciado. O agricultor Sergei Semenov fizera um intervalo no trabalho que executava no seu campo de trigo para gozar alguns momentos de descanso, ao sol, à porta de sua casa.

Passavam alguns minutos das 7h da manhã do dia 30 de Junho de 1908 e a Semenov, muitos quilômetros de distância da febre revolucionária que começava a varrer o país, parecia-lhe um bom tempo para estar vivo.

Precisamente às 7h e 17m, o seu sonho acordado teve um fim abrupto, pois uma enorme explosão dilacerou o horizonte provocando uma luz ofuscante.

Contou mais tarde Semenov: "Apareceu um grande clarão e o calor era tão grande que a minha camisa quase de queimou nas costas. Vi uma enorme bola de fogo que cobria uma grande porção do céu e, a seguir, fez-se muito escuro".

Foi então que a enorme força da explosão atirou o agricultor para fora da porta, deixando-o inconsciente, e quando recuperou os sentidos um enorme estrondo, uma espécie de trovão gigantesco, varria a tundra. "Abanou toda a casa e quase a arrancou das fundações", acrescentou.

Semenov teve sorte, pois se se encontrasse mais perto do centro do holocausto não teria sobrevivido para contar a sua estranha e assustadora história, e apenas o fato de o desastre se ter dado no remoto vale do rio Tunguska evitou que a devastação fosse ainda mais terrível.

Aquele inferno destruiu uma área do tamanho de Leningrado, incinerou manadas inteiras de renas e praticamente todas as árvores de uma área com 70Km de diâmetro foram arrancadas e atiradas para fora do centro de explosão, ficando dispostas tal como raios de uma roda gigantesca. Componentes de uma tribo nômade, a 70Km de distância, foram atirados ao chão e as suas tendas feitas em farrapos por um vento furioso.

Qual a causa desta terrível devastação? Poderá algo semelhante voltar a acontecer?

Somente 20 anos depois alguém conseguiu chegar suficientemente perto para encontrar as respostas. Em 1930, o professor L. A. Kulik, da Academia de Ciências Soviética, passou quase um ano na área com uma pequena equipe de investigadores, tendo acabado por descobrir uma paisagem coberta de crateras e encontrando quase 3200Km quadrados de troncos de árvores arrancados e a apodrecerem. Contudo, o mais importante de tudo é que conseguiu localizar

testemunhas da explosão, que lhe falaram de uma brilhante bola de fogo a correr através dos céus, "tão brilhante que fazia com que a luz do sol parecesse escura":

Pessoas que se encontravam a mais de 90Km de distância do centro da explosão contaram que sentiram "violentas vibrações" seguidas por "um corpo brilhante que deixava uma larga tira de luz através do céu". Um deles recordou: "Estava a lavar lã no rio Kan quando ouvi um barulho semelhante ao sopro das asas de aves assustadas. A água do rio começou a formar ondas e a seguir houve um sacão tão violento que um dos meus amigos caiu ao rio".

A cerca 400Km de distância, na cidade de Kirensk, as pessoas tinham visto "uma coluna de fogo, seguida por vários trovões e enorme estrondo", e até a 970Km, em Turukhansk, uma testemunha afirmou ter escutado "três ou quatro estrondos abafados, como tiros de canhão ao longe". Muitas desta testemunhas pareciam descrever uma explosão nuclear, pois algumas afirmaram ter visto uma bola de fogo seguida por uma coluna de fumo em forma de cogumelo, com muitos Km de altura. Mas poderia ter ocorrido uma explosão atômica quase 40 anos antes da devastação de Hiroxima e Nagasáqui?

Na verdade. alguns cientistas já sugeriram que a explosão talvez tivesse sido nuclear, apresentando a espantosa teoria de que uma nave espacial com visitantes de outro planeta se avariou ao entrar na atmosfera terrestre. O combustível nuclear terá aquecido acima do seu ponto crítico e provocando uma explosão equivalente à de uma bomba nuclear de 30 megatoneladas.

O jornalista australiano John Baxter e o cientista a americano Thomas Atkins acompanharam o trabalho dos cientistas russos e apoiaram a teoria da explosão da nave espacial com as seguintes provas:

- Numa explosão nuclear, o campo magnético da terra é perturbado, o que aconteceu quando da explosão na Sibéria.

- As explosões nucleares provocam um padrão de destruições muito específicas, o que sucedeu com a da Rússia.

- As bombas atômicas lançadas no Japão em 1945 causaram estranhas mutações nas plantas, o mesmo aconteceu após o desastre da Sibéria.

- As explosões nucleares deixam atrás de si minúsculos glóbulo verdes, de pó derretido, denominados trinites, os quais também foram encontrados no local desta explosão, e além disso, de acordo com os especialistas russos, essas trinites continham vestígios de metais que não existem normalmente na região de Tunguska e que geralmente não fazem parte da composição dos meteoritos.

- Finalmente, foi referido o testemunho de pessoas que viram, momentos antes da explosão, um grande objeto azulado e cilíndrico a atravessar o céu com um rugido, deixando um rasto de vapor atrás de si.

Outras soluções apresentadas pelos cientistas, e bastante menos extraordinárias:

A TEORIA DO COMETA: pensa-se que os cometas são constituídos por gigantescas bolas de gases gelados e por destroços, um deles poderia ter entrado na atmosfera terrestre, apesar de não existirem indícios de que alguém o avistasse, e gerado tanto calor que acabasse por explodir no ar.

A TEORIA DA ANTIMATÉRIA: alguns cientistas pesam que uma massa de antimatéria, ou seja, matéria correspondente à que se encontra na terra mas constituída por partículas positivas(positrões), em vez de negativas(electrões), poderia ter mergulhado na atmosfera terrestre e, entrado em contacto com átomos da matéria normal, provocar uma enorme explosão.

A TEORIA DO BURACO NEGRO: pensa-se que os buracos negros são estrelas que implodiram, diminuindo muito de tamanho, mas, por causa da sua imensa massa(a terra caberia num buraco negro do tamanho de uma bola de tênis), a sua força gravitacional é suficientemente forte par impedir a luz de se escapar, pelo que os objetos não podem ser vistos, no sítio onde se encontram existe apenas um buraco negro, já foi sugerido que um deles tivesse atingido a Sibéria.

A TEORIA DO METEORITO: uma das mais populares teorias, apesar de ao princípio ter sido posta de lado, era a de que um meteorito gigante havia caído na terra, pois eles entram atmosfera terrestre à razão de 200 milhões por dia, embora a maior parte arda antes de atingir a superfície do nosso planeta, um meteorito que caiu no Arizona, em tempos pré-históricos, deixou uma cratera de 500m de diâmetro e como, a certa altura, os cientistas afirmaram que na Sibéria não havia cratera alguma, a explosão não podia ter sido provocada por um objecto desse tipo, porém, depois disso já se descobriu que um corpo celeste, feito de rocha em vez de metal, que são os mais comuns, pode explodir pouso antes de atingir o solo, causando, portanto, extensos prejuízos sem abrir crateras.

Fosse o que fosse que provocou a explosão siberiana, uma coisa é certa, o fato de ela ter acontecido numa zona virtualmente desabitada foi um golpe de sorte, pois se o corpo proveniente do espaço tivesse caído numa grande cidade, o resultado teria sido o maior desastre de historia da humanidade.

Edith Wharton

A escritora americana Edith Wharton ganhou fama por seus romances e contos que descrevem os costumes de uma elite hipócrita e convencional, na qual ela nasceu e viveu.

Edith Newbold Jones nasceu em 24 de janeiro de 1862 na cidade de Nova York. Educada em casa e na Europa, em 1885 casou com Edward Wharton, banqueiro de Boston.

Suas primeiras obras de ficção foram contos, aos quais se seguiu o sucesso do primeiro romance, The Valley of Decision (1902; O vale da decisão). Consolidou sua fama com a publicação do romance seguinte, The House of Mirth (1905; A casa da alegria).

Nas décadas de 1920 e 1930 publicou outros romances, além de livros de contos e estética literária.

As melhores obras de Edith Wharton são Madame de Treymes (1907), que mostra a influência de Henry James; o popular Ethan Frome (1911), único sobre a classe média, atualmente exaltado pela crítica; The Reef (1912; O recife) e The Custom of the Country (1913; O costume do país), em que trata da falsidade dos ricos; e Age of Innocence (1920; Era da inocência), que lhe garantiu o Prêmio Pulitzer e foi duas vezes adaptado para o cinema, em 1924 e 1994.

Das coletâneas de contos, a melhor é Xingu and Other Stories (1916; Xingu e outros contos).

Edith Wharton faleceu em Saint-Brice-sous-Forêt, França, em 11 de agosto de 1937.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.