sábado, 25 de outubro de 2008

Vampiros


A palavra Vampiro surgiu por volta do século XVIII. Tem origem no idioma sérvio como Vampir, e sua forma básica é invariável nos idiomas tcheco, russo, búlgaro e húngaro.

Lendas oriundas da Eslováquia e da Hungria, estabelecem que a alma de um suicida deixava seu sepulcro durante as noites para atacar os humanos, sugava o sangue e retornava como morcego para o túmulo, antes do nascer do sol. Assim, suas vítimas também tornavam-se vampiros após a morte.

As civilizações da Assíria e Babilônia, também registram lendas sobre criaturas que sugavam sangue de seres humanos e animais de grande porte. Outros mitos pregam que as pessoas que morrem excomungadas, tornam-se mortos-vivos vagando pela noite e alimentando-se de sangue, até que os sacramentos da Igreja os libertem. Crianças não-batizadas, e o sétimo filho de um sétimo filho também se tornariam vampiros.

O lendário Livro de Nod narra a origem dos vampiros. Além de A Crônica das Sombras revelando os ensinamentos ocultos de Caim; e A Crônica dos Segredos que revela os mistérios vampíricos.

A tradição judaico-cristã, prega a origem dos vampiros associada aos personagens bíblicos Caim e Abel. Como é descrito no Livro de Nod, Caim foi amaldiçoado por Deus pelo assassinato de seu irmão, Abel. Os Anjos do Criador foram até ele exigir que se redimisse. Orgulhoso, recusou-se e acatou as punições impostas pelos Anjos. A partir deste momento, Caim via-se condenado a solidão e vida eterna, temendo o fogo e a luz, longe do convívio dos mortais.

Caim foi anistiado por Deus após sofrer durante uma era inteira. De volta ao mundo terreno dos homens, fundou e fez-se rei da primeira cidade chamada Enoque. Mas ainda temia a luz, o fogo, e a solidão da eternidade.

Passado-se muitos anos de prosperidade em Enoque, Caim ainda sentia-se só devido a sua imortalidade. Abatido e desmotivado, acabou por cometer outro grande erro: gerou três filhos, que posteriormente geraram outros. Seguiram-se tempos de paz até que chegou o grande dilúvio e lavou toda a Terra.

Na cidade de Enoque, sobreviveram apenas Caim, seus filhos, netos e uns poucos mortais. Caim recusou-se a reconstruir a cidade, pois considerava o dilúvio um castigo divino por ter subvertido as leis naturais e gerado seres amaldiçoados como ele.

Assim, sua prole reergueu Enoque e assumiu o poder perante os mortais.
Após um período de paz e prosperidade, os sucessores de Caim passaram a travar batalhas entre si. A autoridade dos governantes foi revogada, e tanto os mortais como os membros da prole sentiam-se livres para fundar outras cidades e tornar seu próprio rei. Dessa forma, os imortais ascendentes de Caim, espalharam-se por toda a Terra.

Nesta versão da origem dos vampiros, vimos que tudo teve início com uma maldição divina atribuída a Caim, e depois herdada por sua prole. Porém, torna-se muito difícil estabelecer um limite entre os fatos e as lendas que circundam o mito vampírico, já que boa parte destas informações confunde-se entre os relatos e pesquisas históricas coerentes, com a ficção dos filmes e RPG’s.

Na lenda de Caim, a conotação do termo Vampiro ainda está ligada apenas ao sentido de imortalidade, solidão e aversão a luz. A relação estabelecida entre a longevidade e a sede pelo sangue (que caracteriza a imagem mais comum dos vampiros), deve-se possivelmente, a personagens lendários que viviam anos incalculáveis alimentando-se de sangue humano, após terem firmado supostos pactos com entidades malignas.

Outras versões são encontradas em diferentes culturas, e todas combinam fatos históricos com a crendice regional. Portanto, a maior parte dos povos possui uma entidade sobrenatural que alimenta-se de sangue, imortal e considerada maldita. O mito do vampiro é um ponto comum entre várias civilizações desde a Antigüidade.

Uma das maiores referências do mito vampírico é o sanguinário Vlad Tepes (ou Vlad III), que existiu realmente no século XV na Transilvânia. Porém, ele governou apenas a Valáquia, que era uma região vizinha. Apesar da crueldade extrema com os inimigos, Vlad III não possuía nenhuma ligação com os vampiros.

O termo Drácula (Dracul, originalmente significa Dragão) foi herdado de seu pai, Vlad II, que foi cavaleiro da Ordem do Dragão. Provavelmente, a confusão se deu através da semelhança entre os termos Drache, que era o título de nobreza atribuído à Vlad II, e Drac que significa Diabo.

A relação entre Vlad III e o mito vampírico foi dada pelo escritor Bram Stocker. O autor de Drácula inspirou-se (provavelmente) nas atrocidades cometidas por Vlad III, e as incorporou em seu personagem principal. A partir deste momento, Vampiro e Drácula tornaram-se praticamente sinônimos na literatura e nas crenças populares.

No Brasil também encontra-se mitos relacionados aos vampiros e outros seres semelhantes. Neste caso, os registros entrelaçam-se com o rico folclore das várias regiões do país. Desde os centros urbanos, até as áreas menos desenvolvidas do Brasil, é comum ouvir-se relatos dos ataques sanguinários de criaturas que perambulam pelas madrugadas. Na maioria das vezes, essas histórias assemelham-se muito com as lendas européias.

Na mitologia indígena existe o Cupendipe, que apesar de não possuir a sede de sangue caracterizada pelos vampiros, possui asas de morcego, sai de sua gruta apenas durante a noite e ataca as pessoas usando um machado.

No nordeste brasileiro conta-se a história do Encourado. Um homem de hábitos noturnos, que usa trajes de couro preto, exalando um odor de sangria. O Encourado ataca animais e seres humanos para sugar-lhes o sangue. Prefere as pessoas que não freqüentam igrejas. Porém, os habitantes das cidades por onde o Encourado passa, oferecem-lhe o sacrifício de criminosos, crianças ou animais de pequeno porte.

Em Manaus, há relatos da presença de uma vampira que atacava os moradores, sugando o sangue através da jugular e deixando marcas de dentes em sua vítimas, exatamente como é contada nos cinemas. Após os ataques, a vampira corria em direção a um rio e transformava-se em sereia, desaparecendo na água. A Vampira do Amazonas possui a capacidade de transmutar-se e força física descomunal.

Em maio de 1973 no município paulista de Guarulhos, foi encontrado o corpo de um rapaz com as perfurações características em seu pescoço. Esse é apenas um exemplo da hipotética ação de vampiros em zonas urbanas. Neste caso, os relatos transcendem a fronteira da boataria e do folclore.

Fonte: Lobisomens e Vampiros: Vampiros e Lobos

Psicose


Este clássico de Alfred Hitchcock pode ser considerado um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. “Psicose” foi escrito por Joseph Stefano, baseado no romance de Robert Bloch, e por sua vez inspirado na vida de Ed Gein, conhecido como o assassino canibal de Winsconsin.

Janet Leigh é Marion, uma secretária que rouba US$ 40 mil do patrão e foge. Em sua fuga acaba parando no sinistro Motel Bates, onde conhece o dono do local, Norman (Anthony Perkins), um homem com atitudes estranhas e um relacionamento com a mãe mais bizarro ainda.

E é ali naquele motel que Marion morre esfaqueada debaixo do chuveiro - em uma que viria a ser a melhor e mais vista cena da história da 7ª arte. Além da beleza e da dificuldade de se fazer, na época foi usada calda de chocolate no lugar de sangue e o som da faca encravando no corpo de Marion é na verdade o som de uma faca encravando em um melão, a cena marca ainda pela surpresa, já que Hitchcock mata a estrela principal nos minutos iniciais do longa.

A ordem de filmar-se “Psicose” em preto e branco foi do próprio Alfred Hitchcock, que achava que com cores o filme ficaria “ensangüentado” demais, como acontece em sua refilmagem de 1998. Para realizar o longa o diretor recebeu a ínfima quantia de US$ 800 mil, o que fez com que ele troca-se os técnicos de Hollywood por técnicos de sua série na TV. Apesar do baixo orçamento, Hitchcock realizou um obra-prima e ainda deu aos cofres da Paramount a fatura de US$ 40 milhões de bilheteria.

O filme é excepcional e merece ser conferido, mas fuja da refilmagem de Gus Van Sant. Hitchcock brinca com o público, sendo um dos pouco, se não o único diretor que consegue enganar o telespectador três ou quatro vezes em um só filme. Infelizmente a Academia nunca valorizou isto, tendo o indicado cinco vezes sem lhe dar o prêmio. “Psicose” foi indicado a quatro Oscar: diretor (Alfred), atriz coadjuvante (Janet Leigh), fotografia e direção de arte.

(por Lucas Salgado)

Cena do Chuveiro


Ficha Técnica

Título Original: Psycho
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 107 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1960
Estúdio: Shamley Productions
Distribuição: Paramount Pictures
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano, baseado em livro de Robert Bloch
Produção: Alfred Hitchcock
Música: Bernard Herrmann
Direção de Fotografia: John L. Russell
Direção de Arte: Robert Clatworthy e Joseph Hurley
Figurino: Helen Colvig e Rita Riggs
Edição: George Tomasini

Elenco

Anthony Perkins (Norman Bates)
Vera Miles (Lila Crane)
John Gavin (Sam Loomis)
Martin Balsam (Milton Arbogast)
John McIntire (Xerife Chambers)
Simon Oakland (Dr. Richmond)
Vaughn Taylor (George Lowery)
Frank Albertson (Tom Cassidy)
Lurene Tuttle (Sra. Chambers)
Patricia Hitchcock (Caroline)
Janet Leigh (Marion Crane)

Sinopse

Secretária (Janet Leigh) rouba 40 mil dólares para se casar. Durante a fuga, erra o caminho e chega em um velho motel, onde é amavelmente atendida pelo dono (Anthony Perkins), mas escuta a voz da mãe do rapaz, dizendo, que não deseja a presença de uma estranha. Mas o que ouve é na verdade algo tão bizarro, que ela não poderia imaginar que não viveria para ver o dia seguinte.

Premiações

- Recebeu 4 indicações ao Oscar: Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Janet Leigh), Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte - Preto e Branco.

- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Janet Leigh).

Curiosidades

- Várias atrizes estiveram cotadas para o papel de Marion Crane: Eva Marie Saint, Piper Laurie, Martha Hyer, Hope Lange e Lana Turner.

- Uma modelo nua foi utilizada por Hitchcock em algumas das cenas do chuveiro, na intenção de criar realismo.

- O som ouvido do facão encravando no corpo de Marion é na verdade o som de um facão encravando em um melão.

- O sangue na cena do chuveiro é na verdade calda de chocolate.

- Psicose custou apenas US$ 800 mil e faturou mais de US$ 40 milhões nas bilheterias.

- Para economizar nos custos de produção, Hitchcock resolveu por utilizar em Psicose boa parte do elenco de sua série exibida na TV americana.

- Alfred Hitchcock comprou anonimamente os direitos do livro de Robert Bloch, por apenas US$ 9 mil. Logo após distribuiu várias cópias do livro, mantendo sempre segredo sobre o final da história.

- Psicose foi filmado em preto e branco por opção do próprio Alfred Hitchcock, que considerava que a cores o filme ficaria "ensanguentado" demais.

- Foi refilmado em 1998, tendo também recebido o nome Psicose.

- Seguido por Psicose 2 (1983), Psicose 3 (1986) e Psicose 4 - A Revelação (1990).

Fontes: Psicose - cinemaCAFRI.com; FILMES - Psicose.

O Iluminado

Um gigantesco hotel encoberto pela neve, algures nas isoladas montanhas do Colorado. Jack Torrance (Jack Nicholson), um escritor, oferece-se para tomar conta do local durante o Inverno, altura em que este se encontra totalmente deserto e, com ele, leva também a sua mulher e o filho, este dotado de poderes telepáticos e psíquicos – o shining a que se refere o título original. Este é o ponto de partida para o ensaio de Stanley Kubrick sobre a loucura e a solidão. E é também um dos mais assustadores filmes algumas vez feitos.

À medida que as paredes do hotel vão parecendo cada vez maiores para tão pouca gente, Jack começa a ceder aos seus instintos violentos e a loucura começa a tomar conta de si. Ao de cima, vêm também os fantasmas de um hotel com um passado sombrio onde, segundo somos informados, um homem que ocupava no local as mesmas funções que Jack, assassinou a mulher e as duas filhas, suicidando-se de seguida.

The Shining é uma adaptação da obra literária de Stephen King, considerado por muitos um mestre na escrita de terror que, ao que parece, não terá ficado muito satisfeito com a película de Kubrick (tendo mesmo chegado a produzir uma minissérie, adaptada por si próprio). É um fato que Kubrick era conhecido por tomar liberdades criativas consideráveis quando adaptava livros ao cinema (coisa que fazia em todos os seus filmes, basicamente), mas também o é que Kubrick era abençoado com um gênio maravilhoso e a sua adaptação cinematográfica desta obra de horror roça a perfeição.

Acima de tudo, porque antes de querer jogar com o seu tema, antes de viajar para os recantos mais obscuros da mente de Jack, parecia interessar a Kubrick a exploração da forma e, num certo sentido, jogar com as características de um gênero bastante preso a si próprio. Ou seja, tal como em todos os seus filmes, o realizador quis dar um passo em frente, levando o cinema de terror para um outro nível. E que nível, esse!

Antes de mais, porque raramente um filme do gênero foi filmado com uma precisão tão milimétrica. O espaço do hotel explorado exemplarmente com o recurso aos planos gerais, reforçando a ideia da solidão; os hoje tão famosos travellings do miúdo a andar de triciclo nos corredores do hotel, tornando angustiante a expectativa de ver quem irá surgir do outro lado; a tela afogando-se em sangue; o baile; a casa de banho vermelha; a demente e retorcida banda sonora; o célebre “Heeeeeeere’s Johnny!”...

Perfeição cinematográfica, na forma como compunha os planos e explorava ao máximo as possibilidades de construção de uma cena foram atributos que sempre marcaram a carreira do genial realizador e que ele fez questão de preencher em cada fotograma de película. A tal ponto que se torna uma tarefa bastante difícil comentar um filme tão peculiar como The Shining. No fundo, trata-se de uma obra que precisa de ser vista (e sentida) para acreditar. Não se esperem sustos arrepiantes ao virar da esquina, mas sim uma viagem pelo labirinto que é a mente humana, pontuada aqui e ali por algum do humor negro, também ele com consideráveis doses de demência de Kubrick.

E essa viagem é conduzida não só por um mestre da realização como por um mestre na arte da interpretação. Fala, claro, de Jack Nicholson, ator panteonesco que surge aqui num crescendo de insanidade ao longo do filme, apanhando o espectador desprevenido com uma força e um magnetismo viciantes. Da contenção soturna das cenas iniciais até ao extravasar total da sua habitual loucura, o actor tem aqui aquela que, não sendo a sua melhor performance, será certamente das mais marcantes da sua carreira e da cultura pop. Na altura, imagine-se, chegou a ser nomeado aos Razzie, galardões que distinguem os piores filmes do ano, mas é hoje visto como um clássico do gênero. O tempo trouxe-lhe reconhecimento, e fez deste filme mais uma prova do gênio do seu autor. Obrigatório.

Sinopse
Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

Informações Técnicas
Título no Brasil: O Iluminado
Título Original: The Shining
País de Origem: EUA
Gênero: Terror
Classificação etária: 18 anos
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 1980
Estúdio/Distrib.: Warner Home Video
Direção: Stanley Kubrick

Elenco

Jack Nicholson .... Jack Torrance
Shelley Duvall .... Winifred "Wendy" Torrance
Danny Lloyd .... Danny Torrance
Scatman Crothers .... Dick Hallorann
Barry Nelson .... Stuart Ullman
Philip Stone .... Delbert Grady
Joe Turkel .... Lloyd
Anne Jackson .... Doutora
Tony Burton .... Larry Durkin
Barry Dennen .... Bill Watson

Fontes: CinePt -The Shinning; Filme: O Iluminado - 1980

Christopher Lee


Christopher Frank Carandini Lee, (Londres, 27 de maio de 1922) é um prolífico ator britânico nascido na Inglaterra e conhecido por sua versatilidade e longevidade cinematográfica, alem de um notório cantor, dono de uma voz incomparável.

Chris Lee, como é chamado intimamente, ficou conhecido mundialmente interpretando o Conde Drácula, personagem que encarnou por diversas vezes pelos estúdios da britânica HAMMER FILMS.

Chistopher Lee (por Gabriel Paixão)

"Existem muitos vampiros hoje em dia. Você só precisa pensar na indústria do cinema...”

De todos os atores que passaram pela telona, poucos foram tão atuantes e tão importantes quanto Christopher Lee. Seu talento que consegue ser maior do que sua altura física (1,96 m) e sua voz única e gutural costumam ser um atrativo a mais em todos os filmes em que participou (mais de 220 até o momento), desde bagaceiras como Funny Man até grandes blockbusters como O Senhor dos Anéis e o melhor, defendeu personagens que são lembrados com alegria não apenas pelos entusiastas do cinema fantástico, mas pelos amantes da sétima arte em geral.

Se o mundo fosse justo, este homem teria levado ao menos um prêmio da academia de cinema, entretanto apesar de sua carreira repleta de elogios, não levou sequer uma indicação ao Oscar... Mas como dizem, quem precisa de um careca dourado quando se tem milhões de fãs? E é um pouco da história desta lenda viva que vamos acompanhar agora.

Christopher Frank Carandini Lee nasceu no dia 27 de maio de 1922 em Londres, Inglaterra, filho do Tenente-Coronel Geoffrey Trollope Lee e de Marchesina Estelle Marie Carandini di Sarzano, a neta de um refugiado italiano, mas seus pais acabaram se separando em 1926 e Marchesina levaria Lee e sua irmã Xandra.

Enquanto Lee ainda era uma criança, sua mãe retornara para Londres e casara novamente com um banqueiro chamado Harcourt George St. Croix, primo de Ian Fleming, autor dos livros de James Bond. Entretanto, futuramente ela se separaria de novo. Depois de estudar no Wellington College dos 14 aos 17 anos, Lee trabalhou para algumas empresas navais até o ano de 1941, quando se alistou na força aérea real e lutou na Segunda Guerra Mundial, onde saiu com a patente de tenente.

Depois de ser liberado do serviço militar, optou pela carreira de ator, conseguindo um contrato de sete anos com a produtora “Rank Organization”. Após discutir seu interesse com o seu tio Nicolò Carandini, o embaixador italiano, acaba começando em pequenas participações em filmes como Escravo do Passado (1948). Lee também participou brevemente do filme Hamlet (1948) de Laurence Olivier, onde apareceu também seu futuro parceiro de filmes e amigo pessoal, Peter Cushing . Ambos os atores apareceriam no Moulin Rouge (1952), mas contracenariam juntos apenas nos filmes de terror.

Nos primeiros anos da década de 50, Lee participou de numerosos filmes e produções para a televisão, entretanto o estrelato viria apenas após sua associação com a “Hammer Film Productions”. Lá, Christopher Lee começaria com A Maldição de Frankestein (1957), em seguida seu papel mais lembrado, como Drácula em Vampiro da Noite (1958), e depois com A Múmia (1959) e O Cão dos Baskervilles (1959), todos co-estrelados por Peter Cushing. Lee faria mais filmes no papel do vampiro Drácula, nas seqüências durante as décadas de 60 e princípio de 70, totalizando seis filmes neste papel, cinco na Hammer.

Durante este período, ele fez várias participações como Fu Manchu, sendo que o mais notório foi o primeiro da série, The Face of Fu Manchu (1965), e mais um monte de produções na Europa. Com sua própria produtora, a “Charlemagne Productions Ltd.”, Lee fez Terror na Penumbra (1972) e Uma Filha Para o Diabo (1976).

A partir da metade da década de 70, Christopher Lee resolveu descolar um pouco das produções de terror e finalmente conseguiu conquistar a América, principalmente com o papel do vilão Francisco Scaramanga em 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (1974). A partir de então, Lee tornou-se um dos atores mais ocupados de Hollywood, com diversas produções para a TV e cinema, tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra.

A carreira de Christopher Lee é revitalizada no começo do século 21 com aparições marcantes em duas das franquias mais rentáveis da história do cinema: O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001) e As Duas Torres (2002) como o mago Saruman, e Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones (2002) e Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith (2005), como o Conde Dooku (ou Dookan, como queiram).

Seu trabalho é reconhecido no ano de 2001 em sua terra natal quando recebe a “Comenda da Ordem do Império Britânico” por sua contribuição para a arte, merecidíssimo por sinal. Todo este ritmo de trabalho não parou no cinema: Lee chegou a dublar personagens em games como “Kingdom Hearts II” e “GoldenEye: Rogue Agent”, e é claro aguardamos ainda mais deles.

Claro que enumerar e citar os trabalhos de destaque de Christopher Lee é uma tarefa que poderia facilmente gerar um livro, mas este texto já é suficiente para ter idéia da importância de sua presença na sétima arte, afinal de demônio da noite a lorde Sith, Christopher Lee merece uma reverência como um dos maiores atores da história.

Curiosidades

- Lee foi o único membro do elenco da trilogia O Senhor dos Anéis que conheceu Tolkien em pessoa. Ele é declaradamente um fã ávido de Tolkien e admite que lê toda a trilogia pelo menos uma vez por ano;

- Embora ninguém tenha contado oficialmente, Christopher Lee possui o maior número de cenas de lutas de espada do que qualquer outro ator;

- Inicialmente foi oferecido a Lee o papel do Dr. Sam Loomis em Halloween (1978). Lee recusou e mais tarde assumiu que foi o pior erro de sua vida;

- É um cantor clássico treinado. Seus dotes musicais podem ser vistos em um trecho do filme The Return Of Captain Invincible (1983) onde ele canta uma canção e na trilha sonora de O Homem de Palha (1973). Em outubro de 2006, ele lançou um CD intitulado “Christopher Lee: Revelation”, incluindo músicas como “The Toreador March” e “O Sole Mio”;

- Seu envolvimento com a música inclui uma participação na narração de algumas faixas dos discos “Symphony of Enchanted Lands II: The Dark Secret” e “Triumph or Agony”, da banda “Rhapsody of Fire”, chegando a fazer um dueto com o vocalista Fabio Lione no single “The Magic of the Wizard's Dream”. “Rhapsody of Fire” é sua banda favorita ao lado da banda americana “Manowar” (o que demonstra o bom gosto musical do ator);

- Além de primo distante e parceiro de golfe de Ian Fleming, Lee foi a escolha pessoal do autor para o papel do vilão do primeiro filme de James Bond, 007 Contra o Satânico Dr. No (1962). Como sabemos o papel ficou com o não menos brilhante Joseph Wiseman, mas Lee seria vilão do agente secreto em 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (1974);

- Vincent Price e Christopher Lee nasceram no mesmo dia (27 de maio) e Peter Cushing nasceu em 26 de maio;

- Um dublê foi utilizado para as lutas com sabre de luz em Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones. A face de Lee foi sobreposta ao corpo do dublê. Lee mencionou que em 40 anos desempenhou muitas lutas de espada, mas “nunca mais”, utilizando suas palavras;

- Christopher Lee é fluente em alemão, francês, espanhol e italiano, além de “se virar” em russo e grego;

- Foi oferecido para Lee o papel de Moff Tarkin em Star Wars (1977). Desistiu e o papel ficou com seu amigo Peter Cushing;

- Possui três papéis em comum com Boris Karloff. Ambos interpretaram “Fu Manchu”, “A Múmia” e “O Monstro de Frankenstein”;

- Estatisticamente, em 85% dos mais de 220 filmes que participou, foram papéis de vilões e seus picos de produtividade foram nos anos de 1955 e 1970, onde atuou em 9 filmes nestes anos.

- Christopher e sua esposa Gitte Lee foram amigos pessoais de Boris Karloff e sua esposa, coincidentemente foram vizinhos na Inglaterra;

- De acordo com seu amigo Norman Lloyd, ele tem uma espécie de hobby excêntrico: era fascinado por execuções públicas e sabia o nome de cada executor oficial da Inglaterra desde a metade do século XV;

- Durante as filmagens de A Múmia (1959), Lee feriu-se. Todos os vidros quebrados por Lee eram reais e deslocaram seu ombro, além de dores nos músculos do pescoço, especialmente quando deveria carregar uma atriz com os braços estendidos por um pântano, o que machucou seu ombro consideravelmente;

- Em O Vampiro da Noite (1958), Lee deveria jogar uma mulher em um cemitério, mas quando a carregou ela era inesperadamente pesada e na tentativa de jogá-la, Lee caiu junto com ela.

Filmografia

2005 - A Noiva Cadáver (Corpse Bride, The) (voz)
2005 - Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith)
2005 - A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory)
2004 - Rios Vermelhos 2 - Anjos do Apocalipse (Les Rivières Pourpres 2 - Les Anges de l'apocalypse)
2003 - O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King)
2002 - O Senhor dos Anéis - As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers)
2002 - Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II - Attack of the Clones)
2001 - O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring)
1999 - A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow)
1998 - O Enigma de Talos (Tale of the Mummy)
1997 - Tarot - O Mistério das Cartas (Tarot)
1997 - A Odisséia (The Odyssey) (TV)
1996 - Drácula e os Mortos-Vivos (World of Hammer: Dracula and the Undead, The) (Documentário)
1994 - Funny Man - O Príncipe da Maldade e da Travessura (Funny Man)
1994 - Loucademia de Polícia - Missão Moscou (Police Academy: Mission to Moscow)
1993 - Trem da Morte (Death Train) (TV)
1992 - Double Vision (TV)
1990 - A Ilha do Tesouro (Treasure Island)
1990 - Gremlins 2 - A Nova Turma (Gremlins 2: The New Batch)
1990 - Curse III: Blood Sacrifice
1989 - Enigma dos Deuses (Olympus Force)
1989 - A Volta ao Mundo em 80 Dias (Around the World in 80 Days) (TV)
1988 - Dark Mission
1987 - Mio na Terra da Magia (Mio Min Mio)
1986 - A Idade do Lobo (Girl, The)
1985 - Grito de Terror (Howling II)
1983 - Return of Captain Invincible, The
1983 - A Mansão da Meia-Noite (House of the Long Shadows)
1981 - Evil Stalks This House (TV)
1981 - A Salamandra (Salamander, The)
1981 - A Espera de Golias (Goliath Awaits) (TV)
1981 - O Ajuste de Contas (An Eye for An Eye)
1979 - 1941 - Uma Guerra Muito Louca (1941)
1979 - Passageiros do Inferno (Passage, The)
1978 - Perigo na Montanha Enfeitiçada (Return From Witch Mountain)
1977 - O Dia do Juízo Final (End of the World)
1977 - Starship Invasions
1977 - Poderes Ocultos (Meatcleaver Massacre)
1976 - Dracula père et fils
1976 - Uma Filha Para o Diabo (To The Devil a Daughter)
1975 - Mercenários do Diamante (Killer Force)
1975 - Whispering Death
1975 - Keeper, The
1975 - A Vingança de Milady (Four Musketeers, The)
1975 - A Verdadeira História de Drácula (In Search of Dracula)
1974 - 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (Man With the Golden Gun, The)
1973 - Os Ritos Satânicos de Drácula (Satanic Rites of Dracula, The)
1973 - O Homem de Palha (Wicker Man, The)
1973 - Metrô da Morte (Deathline)
1972 - Terror na Penumbra (Nothing But the Night)
1972 - Drácula no Mundo da Minissaia (Dracula A.D. 1972)
1972 - Desejo de Vingança (Hannie Caulder)
1972 – O Expresso do Horror (Horror Express)
1972 - O Soro Maldito (I, Monster)
1971 – A Casa Que Pingava Sangue (House That Dripped Blood, The)
1970 - Júlio César (Julius Caesar)
1970 - O Conde Drácula (Scars of Dracula)
1970 - El Conde Dracula
1970 - Grite, Grite Outra Vez (Scream and Scream Again)
1969 - O Ataúde do Morto-Vivo (Oblong Box, The)
1969 - El proceso de los brujas
1968 - Vengeance of Fu Manchu, The
1968 - Victims of Terror
1968 - Die folterkammer des Dr. Fu Manchu
1968 - A Maldição do Altar Escarlate (Curse of the Crimson Altar)
1968 - Drácula, o Perfil do Diabo (Dracula Has Risen From the Grave)
1968 - Blood of Fu Manchu, The
1968 - Face of Eve, The
1968 - As Bodas de Satã (Devil Rides Out, The)
1967 - O Passado Tenebroso (Die schlangengrube und das pendel)
1967 - Vengeance of Fu Manchu, The
1966 - Brides of Fu Manchu, The
1966 - Circus of Fear
1966 - Rasputin: The Mad Monk
1966 – Teatro dos Horrores (Theatre of Death)
1966 - Drácula, o Príncipe das Trevas (Dracula: Prince of Darkness)
1965 - Face of Fu Manchu, The
1965 - A Maldição da Caveira (Skull, The)
1965 - As Profecias do Dr. Terror (Dr. Terror's House of Horrors)
1964 - Il castello dei morti vivi
1964 - A Górgona (Gorgon, The)
1964 - Devil-Ship Pirates
1964 - La maldición de los Karnstein
1963 - Katarsis
1963 - O Silêncio (Tystnaden)
1962 - Strangehold
1962 - O Mais Longo dos Dias (Longest Day, The)
1961 - Hércules no Centro da Terra (Ercole al centro della terra)
1961 - Devil's daffodil, The
1961 - Taste of Fear
1961 - Terror of the Tongs
1960 - O Monstro de Duas Faces (Two Faces of Dr. Jekyll, The)
1960 – Horror Hotel (City of the Dead)
1959 - Tempi duri per i vampiri
1959 - A Múmia (Mummy, The)
1959 - O Homem Que Enganou a Morte (Man Who Could Cheat Death, The)
1959 - O Cão dos Baskervilles (Hound of the Baskervilles, The)
1958 - Vampiro da Noite (Dracula)
1958 - A Sombra da Guilhotina (A Tale of Two Cities)
1957 - A Maldição de Frankenstein (Curse of Frankenstein, The)
1955 - O Príncipe Negro (Dark Avenger, The)
1952 - Moulin Rouge (Moulin Rouge)
1952 - O Pirata Sangrento (Crimson Pirate, The)
1948 - Sarabanda (Saraband for Dead Lovers)
1948 - Hamlet (Hamlet)
1948 - Música na Noite (Musik I Moker)
1948 - Escravo do Passado (Corridor of Mirrors)

Fontes: Wikipédia - A Enciclopédia Livre; http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/lee.html.

Museu de Cera

Após ser considerado morto em um incêndio, que destruiu as esculturas em cera que fez para um museu, um homem retorna para se vingar de seu antigo sócio. Com Vincent Price e Charles Bronson.

Sinopse

Henry Jarrod (Vincent Price) é um escultor que faz imagens magníficas para o seu museu de cera. Jarrod luta com seu sócio, Matthew Burke (Roy Roberts), quando este começa a incendiar o museu para receber US$ 25 mil do seguro.

Jarrod tenta detê-lo em vão, sendo que logo o local todo se incendeia e é seguido por uma explosão, com Jarrod sendo considerado morto.

Algum tempo depois, Matthew recebe o dinheiro do seguro e planeja viajar com Cathy Gray (Carolyn Jones), mas é morto por uma pessoa disforme, que na realidade é o próprio Jarrod, que simula o assassinato como se fosse suicídio. Pouco tempo depois, Jarrod mata Cathy Gray e rouba seu corpo do necrotério.

Depois de algum tempo ele reaparece, dizendo que escapou por milagre. Quando Sue Allen (Phyllis Kirk), a colega de quarto de Cathy, vê a imagem de Joana D'Arc no museu, começa a suspeitar que é o corpo de Cathy coberto com cera.

Ficha Técnica

Título Original: House of Wax
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1953
Estúdio: Warner Bros.
Distribuição: Warner Bros.
Direção: André De Toth
Roteiro: Crane Wilbur, baseado em estória de Charles Belden
Produção: Bryan Foy
Música: David Buttolph
Fotografia: Bert Glennon e J. Peverell Marley
Direção de Arte: Stanley Fleischer
Figurino: Howard Shoup
Edição: Rudi Fehr

Elenco

Vincent Price (Prof. Henry Jarrod)
Frank Lovejoy (Tenente Tom Brennan)
Phyllis Kirk (Sue Allen)
Carolyn Jones (Cathy Gray)
Paul Picerni (Scott Andrews)
Roy Roberts (Matthew Burke)
Angela Clarke (Sra. Andrews)
Paul Cavanagh (Sidney Wallace)
Dabbs Greer (Sargento Jim Shane)
Charles Bronson (Igor)
Nedrick Young (Leon)

Wax Museum Buena Park CA - Vincent Price em "House of Wax"


Fonte: Adoro Cinema - Museu de Cera

Vincent Price

Vincent Leonard Price Jr. (St. Louis, 27 de maio de 1911 — Los Angeles, 25 de outubro de 1993), veio de uma família rica, cercada por um ambiente cultural acima dos padrões e envolta em tradições antigas à moda europeia.

Começou no teatro, depois no cinema onde ficou conhecido por contracenar em filmes de suspense e terror.

Sua trajetória é longa e inclui clássicos como "Museu de Cera" (1953), "A Mosca da Cabeça Branca" (1958), "A Casa Amaldiçoada" (1958), "Força Diabólica" (1959), além do criativo ciclo de adaptações de obras de Edgar Allan Poe dirigidas por Roger Corman na década de 60, como "O Solar Maldito" (1960), "Mansão do Terror" (1961), "Muralhas do Pavor" (1962), "O Castelo Assombrado" (1963), entre outros que preencheram essa fase que talvez tenha sido a mais fecunda do ator.

Nos anos 70, porém, viriam mais algumas obras que tornaram sua filmografia ainda mais rica, como "O Grito da Feiticeira" (1970), "O Abominável Dr. Phibes" (1971), "A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes" (1972), "As Sete Máscaras da Morte" (1973), "A Casa do Terror" (1974), entre muitos outros (neste último, ao lado do "cavalheiro do terror" Peter Cushing, Price faz deliciosas e divertidas brincadeiras com a própria carreira, numa autoparódia clássica.

Em 1975, participou do disco Welcome To My Nightmare, do cantor Alice Cooper, que sempre foi fã declarado do lendário ator. Ele gravou uma narração para faixa The Black Widow. Participou do especial de TV de Alice Cooper, que foi inspirado nas letras do disco.

Na década de 80 se destacou em "Mansão da Meia Noite" (1983), que reúne, num só fôlego, Peter Cushing, John Carradine, Vincent Price e Christopher Lee. Esse filme, repleto de clichês e situações previsíveis, na verdade foi uma espécie de homenagem a esses atores que são a própria história do gênero horror no cinema, e foi o único que os uniu numa mesma produção.

Nos anos 80, ficou conhecido do grande público por conta de duas participações muito especiais no mundo da música: Uma delas, na introdução de um dos maiores sucessos da banda inglesa de heavy metal, Iron Maiden: "The Number of the Beast"; a outra, a mais famosa, ao fechar com brilhantismo um dos grandes clássicos do cantor estadunidense Michael Jackson, "Thriller".

Participou também como narrador de vários filmes, seriados e curtas, como The Devil's Triangle (1974), Faerie Tale Theatre (1982), Vincent (1982) e Tiny Toon Adventures (1991). Seu último filme foi Edward Mãos de Tesoura(1990), o qual contracenou com Johnny Depp.

Três anos depois, já com 82 anos, veio à falecer de câncer no pulmão.

Vincent Price

(por Renato Rosatti)

Em 26 de outubro de 1993, o cinema de horror perdeu um dos seus maiores artistas, o ator Vincent Price, que morreu aos 82 anos de idade com problemas de câncer no pulmão. Ao longo de sua bem sucedida carreira cinematográfica, ele realizou mais de 50 filmes, sendo aproximadamente 40 deles no gênero fantástico, e dentro de sua obra encontram-se diversos clássicos absolutos como "Museu de Cera" (1953), "A Mosca da Cabeça Branca" (58), "O Corvo" (63), ou "O Abominável Dr. Phibes" (71).

Price tornou-se um dos grandes expoentes do cinema de horror e ficção científica de todos os tempos e juntou-se ao magnífico time de astros imortais como Bela Lugosi (1882 - 1956), Boris Karloff (1887 - 1969), John Carradine (1906 - 1988), Peter Cushing

(1913 - 1994), e Christopher Lee (1922), este último o único ainda vivo e na ativa, como pudemos conferir nos recentes "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça", "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel" e "Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones".

Vincent Price nasceu em 1911 em St. Louis, Missouri, Estados Unidos, sendo filho de uma família empresarial rica. Iniciou sua carreira artística no teatro e teve sua estréia no cinema com "Service Deluxe" (38), seguido por sua estréia no gênero que o consagrou, o horror, com "Tower of London" (39), ao lado de Boris Karloff e Basil Rathbone, onde apareceu brevemente como um personagem que morre afogado em um barril de vinho.

Inicialmente escalado para ser um ator sedutor e romântico, devido a sua inegável classe natural, ele acabou encontrando o seu real espaço como um refinado vilão de horror. Na década de 60, conheceu o lendário produtor/diretor Roger Corman e sua parceria com esse mito da produção "B" fantástica resultou em inúmeros filmes clássicos, a maioria baseados na literatura macabra e sombria de Edgar Allan Poe, como "A Queda da Casa de Usher" (60), "O Poço e o Pêndulo" (61), "Muralhas do Pavor" (62), "O Corvo" (63), este baseado no célebre poema homônimo e com a participação de Jack Nicholson em início de carreira, "A Máscara Mortal" (64), "The Tomb of Ligeia" (64), e "O Ataúde do Morto-Vivo" (69), este sendo o primeiro trabalho ao lado de Christopher Lee.

Em 1963, também com Roger Corman, Price fez o primeiro filme baseado na literatura indizível de Howard Philips Lovecraft, com "O Castelo Assombrado" (The Haunted Palace), inspirado na famosa história "O Caso de Charles Dexter Ward", que faz parte do universo ficcional dos "Mitos de Cthulhu".

Vincent Price também interpretou, ao longo de sua carreira, inúmeros cientistas loucos em meio as suas invenções e experiências macabras, como podemos ver, entre outros, no divertidíssimo e típico sessão da tarde "Robur, o Conquistador do Mundo" (61), com roteiro do especialista Richard Matheson baseado em obra de Julio Verne, onde fez um pacifista que inventa uma poderosa fortaleza voadora em pleno 1868, com o objetivo de destruir os armamentos militares da época, acabando assim com as guerras a força, e passando com isso a ser ele o vilão da história.

No início da década de 70 o ator associou sua imagem ao psicopata desfigurado Dr. Phibes, numa série de 2 filmes clássicos dirigidos por Robert Fuest, "O Abominável Dr. Phibes" (71) e "A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes" (72). Ele interpretou um aristocrático "serial killer" que dizimava suas vítimas com classe e inteligência singulares, mostrando como deve ser exercido esse nobre ofício a outros psicopatas inferiores comoJason Voorhees ("Sexta-Feira 13") ou Michael Myers("Halloween").

Outro filme dentro desse estilo, e um dos mais preferidos pessoalmente por Price, foi "As Sete Máscaras da Morte" (73), onde fez um ator shakespereano que simula suicídio para poder se vingar de seus algozes críticos, chacinando-os com maestria e sutileza.

Apesar de sua imagem macabra e necrofílica no cinema, poucos fãs sabem mas Price foi na vida real um "expert" colecionador de obras de arte e um famoso mestre "gourmet", publicando inclusive vários livros sobre arte e culinária, e sendo muito respeitado dentro desse meio.

Suas performances como vilão de horror são impagáveis e seu estilo irônico e humorístico pode ser apreciado em obras primas do humor negro como "Muralhas do Pavor" (62), "O Corvo" (63) e "Farsa Trágica" (63), contracenando com atores de um nível de Peter Lorre (engraçadíssimo), Boris Karloff e Basil Rathbone, que juntos foram responsáveis por várias das mais divertidas sequências de toda a história do cinema de horror com elementos de humor. Como em "Farsa Trágica", na cena onde Price (um dono de funerária a caminho da falência) tenta envenenar Rathbone (proprietário do imóvel o qual Price está atrasado com o aluguel há meses).

Price teve passagens marcantes também pela televisão, como na série "Batman" (1966), interpretando o impagável vilão "Cabeça de Ovo" ou como o apresentador da série "Mystery Theatre" por vários anos. E emprestou sua voz cavernosa para, entre outros, um discurso de horror no videoclip "Thriller" de Michael Jackson, onde o popular cantor se transformou em lobisomem numa noite de lua cheia (sempre o velho clichê...).

A partir dos anos 80 suas participações foram se tornando cada vez mais raras e escassas, e geralmente sua presença, mesmo que pequena, é que salvava as produções infinitamente inferiores às das décadas anteriores. O destaque desse período foi "A Mansão da Meia-Noite" (83), principalmente por ser o único filme na história a reunir os monstros sagrados Price, Christopher Lee, Peter Cushing e John Carradine juntos, e "Banho de Sangue na Casa da Morte" (85), uma comédia onde Price interpretou um sinistro satanista envolvido em rituais sangrentos.

Seu último trabalho foi com a belíssima fantasia "Edward Mãos de Tesoura" (90), de Tim Burton, onde interpretou o que de melhor ele fazia em sua carreira: um excêntrico cientista "louco" recluso em sua enorme e gótica mansão. Aqui ele "cria" um jovem garoto (Johnny Depp), mas morre antes de substituir as tesouras que lhe servem de mãos.

Price aparece em apenas magistrais 5 minutos e foi o suficiente para um merecido encerramento com chaves de ouro à sua extraordinária carreira de mais de 50 anos, entre teatro, televisão e cinema. Vincent Price permanecerá imortal através de seus fascinantes e incontáveis filmes, e inesquecível por suas irônicas interpretações sempre lembrando lordes aristocráticos com sua classe única, além é claro, do seu imponente e inconfundível vozeirão gutural, eternamente ligado aos seus macabros personagens do cinema. Caracterizações que foram alguns dos melhores vilões da história do horror. Price não morreu e seu fantasma continuará vagando entre nós através de seus filmes de puro entretenimento.

Filmografia

1993 - O coração da justiça (Heart of justice, The) (TV)
1990 - Atraída pelo perigo (Catchfire)
1990 - Edward mãos-de-tesoura (Edward scissorhands)
1988 - Um tira do outro mundo (Dead heat)
1987 - Do sussurro ao grito (Offspring, The)
1987 - As baleias de agosto (Whales of august, The)
1986 - Escapes - A fronteira da imaginação (Escapes) (TV)
1986 - O ratinho detetive (Great mouse detective, The) (voz)
1984 - Banho de sangue na casa da morte (Bloodbath at the house of death)
1983 - Mansão da meia-noite (House of the long shadows)
1981 - Freddy the freeloarer's Christmas dinner (TV)
1980 - Clube dos monstros (Monster club, The)
1979 - Scavenger hunt
1975 - Jornada do pavor (Journey into fear)
1974 - Após o transplante, o super-homem (Percy's progress)
1974 - A casa do terror (Madhouse)
1973 - As sete máscaras da morte (Theatre of blood)
1972 - A câmara de horrores do abominável Dr. Phibes (Dr. Phibes rises again)
1971 - What's a nice girl like you...? (TV)
1971 - O abominável Dr. Phibes (Abominable Dr. Phibes, The)
1970 - Cry of the banshee
1969 - Grite, grite outra vez (Scream and scream again)
1969 - Lindas encrencas, as garotas (Trouble with girls, The)
1969 - O ataúde do morto-vivo (Oblong box, The)
1969 - More dead than alive
1968 - Matthew Hopkins: Witchfinder general
1968 - Histórias extraordinárias (Histoires extraordinaires)
1967 - Os chacais (Jackals, The)
1967 - La casa de la mil muñecas
1965 - A máquina de fazer biquinis (Dr. Goldfoot and the bikini machine)
1965 - Monstros da cidade submarina (City under the sea, The)
1965 - O túmulo sinistro (Tomb of Ligeia, The)
1964 - A orgia da morte (Masque of the red death, The)
1964 - Mortos que matam (L'ultimo uomo della Terra)
1964 - Farsa trágica (Comedy of terrors, The)
1963 - Nos domínios do terror (Twice-told tales)
1963 - O castelo assombrado (Haunted palace, The)
1963 - A praia dos amores (Beach party)
1963 - Diário de um louco (Diary of a madman)
1963 - O corvo (Raven, The)
1962 - A torre de Londres (Tower of London)
1962 - Convicts 4
1962 - Muralhas do pavor (Tales of terror)
1962 - Vício que mata (Confessions of an opium eater)
1961 - A mansão do terror (Pit and the pendulum)
1961 - Robur, o conquistador do mundo (Master of the world)
1960 - Three musketeers, The (TV)
1960 - O solar maldito (House of Usher)
1959 - Bat, The
1959 - O monstro de mil olhos (Return of the fly)
1959 - Força diabólica (Tingler, The)
1959 - O grande circo (Big circus, The)
1959 - A casa dos maus espíritos (House on haunted hill)
1958 - A mosca da cabeça branca (Fly, The)
1957 - Story of mankind, The
1956 - Os dez mandamentos (Ten commandments, The)
1956 - O rei vagabundo (Vagabond king, The)
1956 - No silêncio de uma cidade (While the city sleeps)
1956 - Serenata (Serenade)
1955 - O filho de Sinbad (Son of Sinbad)
1954 - A máscara do mágico (Mad magician, The)
1954 - A grande noite de Casanova (Casanova's big night)
1954 - Tenho sangue em minhas mãos (Dangerous mission)
1953 - Museu de cera (House of wax)
1952 - O caminho do pecado (Las Vegas story, The)
1951 - Seu tipo de mulher (His kind of woman)
1951 - Adventures of Captain Fabian
1950 - Curtain call at Cactus Creek
1950 - Champagne for Caesar
1950 - O barão aventureiro (Baron of Arizona, The)
1949 - Bagdad
1949 - Lábios que escravizam (Bride, The)
1948 - Os três mosqueteiros (Three musketeers, The)
1948 - Legião sinistra (Rogues' regiment)
1948 - Às voltas com fantasmas (Bud Abbott Lou Costello meet Frankenstein) (voz)
1948 - Up in Central Park
1947 - Rosas trágicas (Moss rose)
1947 - Noite eterna (Long night, The)
1947 - Uma aventura arriscada (Web, The)
1946 - O solar de Dragonwyck (Dragonwyck)
1946 - Choque (Shock)
1945 - Amar foi minha ruína (Leave her to heaven)
1945 - Czarina (A royal scandal)
1944 - As chaves do reino (Keys of the kingdom, The)
1944 - Laura (Laura)
1944 - Wilson (Wilson)
1944 - A véspera de São Marcos (Eve of St. Mark, The)
1943 - A canção de Bernadette (Song of Bernadette, The)
1940 - O renegado (Hudson's bay)
1940 - O filho dos deuses (Brigham Young - Frontiersman)
1940 - House of the seven gables, The
1940 - O inferno verde (Green hell)
1940 - A volta do homem invisível (Invisible man returns, The)
1939 - A torre de Londres (Tower of London)
1939 - Meu reino por um amor (Private lives of Elizabeth and Essex, The)
1938 - Serviço de luxo (Service de luxe)

Fontes: Wikipédia - A Enciclopédia Livre; Vincent Price; Adoro Cinema - Vincent Price
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