sábado, 25 de outubro de 2008

O Iluminado

Um gigantesco hotel encoberto pela neve, algures nas isoladas montanhas do Colorado. Jack Torrance (Jack Nicholson), um escritor, oferece-se para tomar conta do local durante o Inverno, altura em que este se encontra totalmente deserto e, com ele, leva também a sua mulher e o filho, este dotado de poderes telepáticos e psíquicos – o shining a que se refere o título original. Este é o ponto de partida para o ensaio de Stanley Kubrick sobre a loucura e a solidão. E é também um dos mais assustadores filmes algumas vez feitos.

À medida que as paredes do hotel vão parecendo cada vez maiores para tão pouca gente, Jack começa a ceder aos seus instintos violentos e a loucura começa a tomar conta de si. Ao de cima, vêm também os fantasmas de um hotel com um passado sombrio onde, segundo somos informados, um homem que ocupava no local as mesmas funções que Jack, assassinou a mulher e as duas filhas, suicidando-se de seguida.

The Shining é uma adaptação da obra literária de Stephen King, considerado por muitos um mestre na escrita de terror que, ao que parece, não terá ficado muito satisfeito com a película de Kubrick (tendo mesmo chegado a produzir uma minissérie, adaptada por si próprio). É um fato que Kubrick era conhecido por tomar liberdades criativas consideráveis quando adaptava livros ao cinema (coisa que fazia em todos os seus filmes, basicamente), mas também o é que Kubrick era abençoado com um gênio maravilhoso e a sua adaptação cinematográfica desta obra de horror roça a perfeição.

Acima de tudo, porque antes de querer jogar com o seu tema, antes de viajar para os recantos mais obscuros da mente de Jack, parecia interessar a Kubrick a exploração da forma e, num certo sentido, jogar com as características de um gênero bastante preso a si próprio. Ou seja, tal como em todos os seus filmes, o realizador quis dar um passo em frente, levando o cinema de terror para um outro nível. E que nível, esse!

Antes de mais, porque raramente um filme do gênero foi filmado com uma precisão tão milimétrica. O espaço do hotel explorado exemplarmente com o recurso aos planos gerais, reforçando a ideia da solidão; os hoje tão famosos travellings do miúdo a andar de triciclo nos corredores do hotel, tornando angustiante a expectativa de ver quem irá surgir do outro lado; a tela afogando-se em sangue; o baile; a casa de banho vermelha; a demente e retorcida banda sonora; o célebre “Heeeeeeere’s Johnny!”...

Perfeição cinematográfica, na forma como compunha os planos e explorava ao máximo as possibilidades de construção de uma cena foram atributos que sempre marcaram a carreira do genial realizador e que ele fez questão de preencher em cada fotograma de película. A tal ponto que se torna uma tarefa bastante difícil comentar um filme tão peculiar como The Shining. No fundo, trata-se de uma obra que precisa de ser vista (e sentida) para acreditar. Não se esperem sustos arrepiantes ao virar da esquina, mas sim uma viagem pelo labirinto que é a mente humana, pontuada aqui e ali por algum do humor negro, também ele com consideráveis doses de demência de Kubrick.

E essa viagem é conduzida não só por um mestre da realização como por um mestre na arte da interpretação. Fala, claro, de Jack Nicholson, ator panteonesco que surge aqui num crescendo de insanidade ao longo do filme, apanhando o espectador desprevenido com uma força e um magnetismo viciantes. Da contenção soturna das cenas iniciais até ao extravasar total da sua habitual loucura, o actor tem aqui aquela que, não sendo a sua melhor performance, será certamente das mais marcantes da sua carreira e da cultura pop. Na altura, imagine-se, chegou a ser nomeado aos Razzie, galardões que distinguem os piores filmes do ano, mas é hoje visto como um clássico do gênero. O tempo trouxe-lhe reconhecimento, e fez deste filme mais uma prova do gênio do seu autor. Obrigatório.

Sinopse
Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

Informações Técnicas
Título no Brasil: O Iluminado
Título Original: The Shining
País de Origem: EUA
Gênero: Terror
Classificação etária: 18 anos
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 1980
Estúdio/Distrib.: Warner Home Video
Direção: Stanley Kubrick

Elenco

Jack Nicholson .... Jack Torrance
Shelley Duvall .... Winifred "Wendy" Torrance
Danny Lloyd .... Danny Torrance
Scatman Crothers .... Dick Hallorann
Barry Nelson .... Stuart Ullman
Philip Stone .... Delbert Grady
Joe Turkel .... Lloyd
Anne Jackson .... Doutora
Tony Burton .... Larry Durkin
Barry Dennen .... Bill Watson

Fontes: CinePt -The Shinning; Filme: O Iluminado - 1980
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