sábado, 5 de março de 2011

O Enterrado

Em sua vida, só tinha medo de uma coisa: ser enterrado vivo. E havia acontecido. Deveria ter tido um ataque cardíaco ou coisa parecida, deram-no como morto e o sepultaram. A família não respeitara sua vontade, haviam trancado o caixão, jogado terra sobre ele.

E havia pouco tempo, agora. se não saísse logo o ar lhe faltaria e ele teria a mais horrível das mortes. mas ele não desistiria. iria até o fim, lutando, mesmo no auge do desespero.

E, tanto bateu, tanto forçou, que sentiu a tampa do caixão se esfacelando. pela primeira vez agradeceu aos céus ser pobre. nem um caixão de qualidade puderam comprar-lhe.

Para ele era um milagre. conseguiu firmar-se no chão e escavava a terra. o ar não lhe faltava, deveria entrar pelo solo seco. sentia a s unhas soltando-se dos dedos, na certa ensanguentados, pela força que fazia. mas não desistiria. já ouvia vozes, deveria ser dia ainda. talvez fosse seu próprio enterro, pois não poderia estar ali, vivo, por mais de algumas horas.

Conseguiu por uma das mãos para fora. percebeu gritos, pessoas assustadas. Ele ria, pensando que, de seu lado, já fora de perigo, a situação passava a ser até engraçada. finalmente, colocou o corpo para fora. havia terra em seus olhos,mas podia ouvir os gritos de extremo terror, os desmaios…

Ele procurou gritar, acalmar o povo, mas a voz não lhe saia. os olhos não se abriam. as pessoas corriam. o padre benzendo-se avançava contra ele com uma cruz.

Aí, olhou para si, e gritou, apesar do silêncio que continuou na sua boca, pois não havia cordas vocais. de todo o seu corpo saiam vermes, pedaços podres caiam no chão. sim, ele estava morto, apodrecendo a muito tempo, apesar de lhe restar, talvez por maldição, alguma forma odiosa de vida.

Obs.: o leitor pode notar que, o corpo apesar de não ter olhos, pode olhar para si, ver os vermes e, momentos antes, ver o padre vindo em sua direção.

Escrito por: Zé do Caixão
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