quinta-feira, 31 de março de 2016

O Código da Bíblia


"Nunca esqueçam, cavalheiros", disse ele para seus estupefatos ouvintes, segurando no alto uma cópia da "versão autorizada" da Bíblia, "nunca esqueçam que isso não é a Bíblia", e então, após uma pequena pausa, continuou: "Isso, cavalheiros, é apenas uma tradução da Bíblia." — Richard Whately, arcebispo de Dublin

Definição: O Código da Bíblia é um complexo código arcano escondido na tradução hebraica original dos cinco primeiros livros do Velho Testamento (a Torá), recentemente decifrados por matemáticos com o auxílio de computadores e que prevê eventos futuros com estranha precisão.

O que os crentes dizem: Deus inseriu predições criptografadas no Velho Testamento hebraico, esperando que os homens desenvolvessem a tecnologia para entendê-las.

O que os céticos dizem: Não existe esse negócio de Velho Testamento hebraico "original" e quaisquer mensagens escondidas em meio às palavras são meras casualidades a que chegamos por meio de análises estatísticas de todas as letras da Bíblia em diferentes configurações.

Qualidade das provas existentes: Muito Boa.

Probabilidade de o fenômeno ser paranormal: Boa.

Existe um código escondido na Bíblia que prevê com sucesso importantes eventos históricos — com detalhes específicos, inclusive nomes, lugares e anos?

Michael Drosnin, autor de dois best-sellers sobre o Código da Bíblia, é ateu. Ele declara claramente nos livros não acreditar em Deus. E, ainda assim, é o repórter investigativo que revelou ao mundo a existência de um código secreto escondido na Torá, e uma de suas previsões mais espantosas diz respeito ao assassinato de Yitzhak Rabin, um ano antes de acontecer. (Drosnin contou a Rabin sobre a predição, mas sua carta foi ignorada.)

Segundo Drosnin, o Código da Bíblia também previu a Queda da Bolsa, a Grande Depressão, a colisão do cometa Shoemaker-Levy com Júpiter em 1994, os assassinatos de John F. e Robert Kennedy, o Holocausto (incluindo os nomes de Eichmann e Hitler, e o do gás letal que eles usaram nos campos de extermínio, Zyklon B), o pouso na Lua, a vitória de Bill Clinton nas eleições presidenciais de 1992 (assim como o caso Monica Lewinsky e o impeachment de Clinton).

O código previu também o escândalo Watergate, as invenções de Edison, o primeiro voo dos irmãos Wright, o trabalho de Newton com relação à gravidade, as peças de William Shakespeare e a data exata — 18 de janeiro de 1991 — do início da Guerra do Golfo.

Logo após os eventos de 11 de setembro de 2001, Drosnin descobriu previsões dos ataques às torres do World Trade Center e ao Pentágono codificadas na Bíblia, com as palavras "torres gêmeas" e "avião" cruzando com "causou a queda, a total destruição". Além disso, o código mencionava o responsável pelos ataques. A mesma seção do Gênesis que continha as palavras "a cidade e a torre", continha "o pecado, o crime de Bin Laden".

Outra previsão do Código da Bíblia diz respeito à Terceira Guerra Mundial, que deveria ser uma guerra nuclear, com início em 2006, em Jerusalém.

Será que alguma dessas coisas é verdade? Se é, então a descrição do Código da Bíblia pelo Baltimore Sun, como "a maior novidade do milênio — talvez de toda a história da humanidade" —, é, no mínimo, pobre.

Não foi Drosnin quem descobriu o código escondido na Bíblia. O matemático israelense Eliyahu Rips, dando prosseguimento ao trabalho iniciado por um rabino tchecoslovaco há mais de 50 anos, foi o primeiro a descobrir o código usando uma fórmula matemática chamada Sequência de Letras Equidistantes, em que todos os espaços e símbolos de pontuação dos primeiros cinco livros da Bíblia são removidos, criando uma linha contínua de letras — 304.805, para ser preciso. Retirado de O código da Bíblia:

O computador faz uma varredura nessa fileira de letras à procura de nomes, palavras e frases escondidas pelo código. Ele começa pela primeira letra da Bíblia e procura por todas as possíveis sequências saltadas — palavras que sobressaem com saltos de uma, duas, três etc., até intervalos de milhares de letras. A máquina então repete a busca começando pela segunda letra, e assim sucessivamente, até chegar à última letra da Bíblia.

Os pesquisadores fazem uma busca por palavras específicas ou nomes, e então, uma vez encontrada a palavra-chave, continuam a procurar por palavras relacionadas naquele mesmo trecho da Bíblia.

Rips publicou um artigo intitulado "Sequência de Letras Equidistantes no Livro do Gênesis", na edição de agosto de 1994 do periódico Statistical Science. O artigo discutia uma experiência na qual Rips e seus colegas procuravam na Torá pelos nomes de 32 rabinos e sábios. Suas vidas estavam distribuídas em um espaço de tempo de cinco mil anos. Todos os 32 nomes foram encontrados codificados na Bíblia, assim como todas as datas de nascimento e morte.

Os editores do Statistical Science submeteram o artigo de Rips a uma revisão paritária sem precedentes — três vezes — e, a cada vez, o resultado se confirmou. As descobertas eram irrefutáveis e o artigo foi publicado.

Rips não apenas descobriu um código verificável escondido na Bíblia; ao que parece, ele conseguiu provar matematicamente a existência de Deus — ou, pelo menos, a existência de uma inteligência superior à do homem. Drosnin ficou fascinado com o trabalho de Rips e, pouco depois de encontrá-lo pessoalmente, desvendou a previsão sobre o assassinato de Rabin com o auxílio de seu próprio computador.

O que os céticos têm a dizer sobre os livros de Drosnin?

De modo irônico, o próprio Rips afastou-se de Drosnin, declarando publicamente que não apoiava seus livros ou conclusões.

Outras pessoas vieram a público com toda espécie de descobertas SLE, no intuito específico de desmascarar e ridicularizar o trabalho de Drosnin. Certo escritor afirma ter encontrado predições acerca da queda do OVNI de Roswell (veja Capítulo 75) no Livro do Gênesis; outro, valendo-se das mesmas fórmulas matemáticas de Drosnin, predições sobre os assassinatos de Indira Gandhi, Martin Luther King e Abraham Lincoln — no livro Guerra e paz, de Tolstoi.

Será que a randomização estatística aplicada a qualquer conjunto maciço de letras produz palavras que podem ser interpretadas como detentoras de significados — após a ocorrência do fato?

Talvez, mas uma leitura cuidadosa de O código da Bíblia, e de sua sequência, O código da Bíblia II: contagem regressiva, parece sugerir que há muito mais em jogo do que uma simples obra do acaso.

Será uma coincidência as palavras "Bin Laden", "torres" e "avião" aparecerem na mesma seção da Bíblia, todas codificadas com o mesmo padrão SLE?

Quais são as chances? Quaisquer que sejam, eu certamente não gostaria de apostar contra elas.


Fonte: Os 100 Maiores Mistérios do Mundo - Stephen J. Spugnesi - Difel 2004.