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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Descoberta Casa de Bruxa com Gato Mumificado

Arqueólogos britânicos encontraram um gato mumificado em uma casa do século 17 durante um projeto de construção em Lancashire, no norte da Inglaterra.

A casa foi descoberta perto de um reservatório no vilarejo de Barley. A construção tem uma sala fechada e, dentro de uma das paredes, foi encontrado o gato mumificado.

Os historiadores afirmam que a casa pode ter pertencido a uma mulher acusada de bruxaria que vivia na região no século 17 e acredita-se que o gato tenha sido emparedado vivo para proteger os moradores da casa de maus espíritos.

Uma companhia de fornecimento de água, a United Utilities, levou os arqueólogos para o local, um procedimento de rotina da companhia antes de fazer obras de escavação em áreas que podem ter importância arqueológica.

"É como descobrir sua pequena Pompeia. Raramente temos a oportunidade de trabalhar em algo tão bem preservado", disse Frank Giecco, arqueólogo que descobriu a casa.
"Assim que começamos a cavar, encontramos o topo das portas e sabíamos que tínhamos em mãos algo especial", acrescentou.

A região de Lancashire teve muitos registros da presença de mulheres acusadas de bruxaria no século 17, principalmente na área de Pendle Hill, onde a casa foi encontrada.

Na época, distritos inteiros em algumas partes de Lancashire relatavam ocorrências de bruxaria, contra homens e animais, gerando uma onda de acusações contra muitas pessoas.

Em 1612, 20 pessoas, entre elas 16 mulheres de várias idades, foram levadas a julgamento, a maioria delas acusada de bruxaria, em um episódio que ficou conhecido na região como o 'julgamento das bruxas de Pendle'.

'Tumba de Tutancâmon'

Frank Giecco afirmou que a construção encontrada é um "microcosmo da ascensão e queda desta área, do tempo das 'bruxas de Pendle' até a era industrial. Há camadas de história bem na sua frente".

"Não é com frequência que você encontra uma casa de contos de fada completa, incluindo o gato da bruxa", disse Carl Sanders, gerente de projeto da companhia. "A construção está em ótimas condições, você pode andar por ela e ter um sentimento real de que está espiando o passado. Pendle Hill tem uma verdadeira aura, é difícil não ser afetado pelo lugar", afirmou Sanders.

"Mesmo antes de descobrirmos a construção, havia muitas piadas entre os funcionários sobre vassouras e gatos pretos. A descoberta realmente nos surpreendeu", disse.

"Em termos de importância, é como descobrir a tumba do (faraó egípcio) Tutancâmon", disse Simon Entwistle, especialista nas bruxas de Pendle.

"Daqui a alguns meses teremos os 400 anos dos julgamentos das bruxas de Pendle e aqui temos uma descoberta rara e incrível, bem no coração da região das bruxas."

"Gatos aparecem muito no folclore sobre bruxas. Quem quer que tenha dado este destino horrível a este gato, certamente estava buscando proteção de espíritos malignos", acrescentou.


BBC (8/12/2011)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Alexandria no Fundo do Mar

A arqueologia marinha no porto da cidade de Alexandria

Não se sabia direito nem se ele tinha existido de verdade. Mas depois de dezesseis séculos o Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas da Antiguidade, foi enfim reencontrado. Está a oito metros de profundidade, no fundo do Mediterrâneo, no porto de Alexandria, Egito.

Cientistas localizaram outros 2 000 objetos, submersos na baía - esfinges, estátuas, obeliscos e colunas, gregas e egípcias. É o maior sítio arqueológico submarino já descoberto.

Diz a lenda que Homero, o autor de A Odisseia, apareceu em um sonho para Alexandre, o Grande (356 a. C - 323 a. C), o jovem general da Macedônia (região do norte da Grécia) que conquistou o Oriente, até a Índia, com apenas 25 anos. O poeta inspirou o rei a fundar uma cidade que eternizasse sua glória.

Em 331 a. C, Alexandre invadiu o Egito, proclamou-se faraó e fundou Alexandria. A cidade nasceu com grandes avenidas, teatros, museus, hipódromo e sistema de água potável, tudo construído pelo arquiteto Dinocrates de Rodes.

Com a morte de Alexandre, oito anos depois, seus generais dividiram o império. O Egito coube ao general Ptolomeu, que proclamou-se faraó e fundou uma dinastia que reinou 300 anos. Sob os ptolomeus Alexandria virou uma encruzilhada cosmopolita do Mediterrâneo. Obeliscos, pirâmides e estátuas de todo o Egito foram transplantados para a cidade. O acervo de literatura grega da Biblioteca de Alexandria tornou-a a mais famosa da Antiguidade.

Em 285 a.C., Ptolomeu II começou a construção do farol, na ilha de Faros, ligada ao continente por uma ponte-dique. Era um edifício monumental, o mais alto do seu tempo, com 100 metros de altura, o que corresponde a um prédio de 30 andares. Sua silhueta foi reproduzida em moedas, louças, mosaicos e em estátuas de terracota, da Líbia até o Afeganistão.

Segundo o geógrafo grego Estrabão, (58 a. C.- 25 d. C) o farol era todo de mármore - o que os blocos de granito encontrados no fundo do mar desmentem. Tinha três partes: a base era uma torre quadrada, em cima havia uma torre octogonal e, no alto dessa, uma redonda - onde ficava o fogo sinalizador. No topo, uma estátua, que podia ser de Zeus, o pai dos deuses, ou de Poseidon, deus do mar.

O farol tinha elevador hidráulico, para levar o combustível até o alto. Sua luz, provavelmente ampliada por algum tipo de refletor, era vista a 100 quilômetros. Na primeira torre, havia uma grande inscrição, em grego, bem pouco modesta: "Sóstrate de Cnide dedicou este monumento ao Deus Salvador". Sostrate foi o arquiteto do edifício.


A última rainha ptolomaica foi Cleópatra, que amou o imperador Júlio César e o general romano Marco Antônio em Alexandria. Mas em 30 a.C. o imperador Otávio invadiu a cidade, Cleópatra suicidou-se e Alexandria virou possessão romana. Na era cristã, a cidade foi um importante centro de debates religiosos. No ano 365, uma sucessão de terremotos derrubou o andar superior do farol, elevou o nível do mar e desmoronou muitos palácios. Uma guerra civil destruiu a Biblioteca no final do século III. Em 641, os árabes reconquistaram o Egito e fundaram uma nova capital, Fusat, hoje Cairo.

Em 1217, partes do farol ainda estavam de pé. O historiador árabe Ibn Jubayr dizia que "no interior o espetáculo é extraordinário; escadas e corredores são tão grandes, as peças são tão largas, que quem percorre as galerias frequentemente se perde". Em 1325, quando visitou Alexandria, o viajante Ibn Battuta lamentou os terremotos: "Uma fachada desmoronou. O farol está em tão mal estado que foi impossível chegar até a sua porta". No século XIV, outro tremor finalmente derrubou o que restava.

Em 1365, o governador de Alexandria entupiu a entrada da baía com blocos de pedra para impedir ataques navais do rei de Chipre. Para defender o porto do mar agitado também foram construídos quebra-mares, possivelmente sobre vestígios da Antiguidade. Mas em 1477, a construção do forte Kait Bey pelos turcos otomanos, bem em cima das ruínas do farol, paradoxalmente preservou a costa em frente, convertendo-a em área militar. Durante cinco séculos, os vestígios do passado submerso ficaram protegidos.

A primeira descoberta importante foi feita só em 1961, pelo egípcio Kemal Abu el-Saadat, pioneiro da arqueologia submarina. Ele achou, no fundo, perto do forte, a cabeça monumental de uma estátua da deusa Ísis, hoje no Museu Marítimo de Alexandria. Entre 1968 e 1975, uma missão da Unesco fez um relatório pormenorizado sobre o sítio submerso.

Em 1992, o cientista submarino Franck Goddio passou um pente fino na baía: com a ajuda de um magnetômetro imerso n'água, vasculhou o fundo do mar medindo a ressonância magnética nuclear do relevo marinho, detectando mudanças de frequência produzidas por objetos extraordinários - como grandes blocos de pedra.

O resultado foi espetacular: foram localizados 2 mil objetos em uma área de 2,25 hectares, a 8 metros de profundidade, ao pé do forte; e, do outro lado da baía, a 6 metros de profundidade, cobertas por 3 metros de lodo, surgiram as ruínas da cidade antiga. Alexandria ressuscitou.

Em 1994, o Serviço de Antiguidades Egípcias convocou o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França e o Instituto Francês de Arqueologia Oriental para ajudarem nas pesquisas. O arqueólogo Jean-Yves Empereur, diretor de Pesquisa do CNRS, fundou o Centro de Estudos Alexandrinos na cidade. Em 1995, com o apoio da companhia de petróleo Elf-Aquitaine e da produtora cinematográfica Gedeon, foi iniciado o trabalho de escavação e identificação de cada pedra com 30 mergulhadores, egípcios e franceses. As primeiras peças recuperadas foram transportadas para terra firme em outubro passado.

No fundo da baía de Alexandria a confusão é grande. Há blocos esculpidos, paralelepípedos com inscrições, pedaços de colunas, obeliscos, estátuas colossais e doze esfinges. Mas são de épocas diferentes. O que pertence ao farol? O que provêm dos quebra-mares construídos durante séculos?

Pode se distinguir três ordens no caos. A primeira é constituída por um alinhamento de grandes blocos de pedra, de 10 metros de comprimento, que parecem quebrados, como se tivessem despencado de uma grande altura, e dispostos perpendicularmente à costa, quase que enfileirados. São, sem dúvida, os restos do farol desabado. A segunda ordem é formada por "colinas", montes de pedras a 4 metros de profundidade, que parecem ter vindo de um mesmo monumento desmoronado. E, finalmente, há uma terceira ordem, inteiramente confusa, de pedaços dispostos segundo uma lógica aleatória.


Os estilos também variam. Há colunas da época helenística e pedaços de obeliscos egípcios usados e reutilizados com séculos de intervalo. É o que prova uma cruz cristã gravada sobre um capitel (parte superior de uma pilastra) em forma de papiro. Muitas esculturas foram trazidas de Heliópolis, a cidade consagrada ao deus Sol, a 230 quilômetros de Alexandria.

Há peças com hieróglifos da época do faraó Sesóstris III (1880 a.C.), de Ramsés II (1280 a.C.), de Seti I, pai de Ramsés, e de Pisamético II (590 a.C). Segundo Jean-Yves Empereur, "pode-se imaginar que muitas pertenceram a monumentos erguidos antes dos terremotos que sacudiram a região, depois do século IV. Mas também há outros elementos que podem vir de escombros jogados no mar, talvez intencionalmente, para reforçar os quebra-mares". Mesmo com toda essa incerteza, quando o material for classificado, a história de Alexandria será outra.


Fonte: www.publicadosbrasil.blogspot.com

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Feitiços Sexuais Encontrados em Papiros Egípcios

Credit: © the Imaging Papyri Project, University of Oxford & Egypt Exploration Society.

Um egiptólogo italiano decifrou em dois papiros de Oxirrinco datados do século III, fórmulas mágicas para feitiços de amor para mulheres e para homens, a fim de subjugar a vontade da pessoa. O descobrimento foi anunciado no site Live Science no dia 20 de maio.

O pesquisador Franco Maltomini da Universidade de Udine, na Itália, conseguiu traduzir papiros que datam de 300 D.C., e descobriu neles dois feitiços sobre amor, sexo e submissão. As fórmulas mágicas para esses feitiços estavam escritas em egípcio antigo e não eram destinados para uma pessoa concreta. Ao ler a fórmula, tinha que se pronunciar (ou escrever) o nome da pessoa a quem o feitiço era destinado. O autor das fórmulas não está indicado.

​Os textos dos feitiços de amor apelam a uma divindade. Aquele que quisesse enfeitiçar uma mulher era aconselhado a queimar algumas substâncias (seus nomes não foram encontrados) no banho, e em seguida, escrever na parede as seguintes palavras: "Enfeitiço-a, terra e água, em nome do demônio que habita em você e (enfeitiço) o destino deste banho, como você brilha, se queima e flameja, assim que você queima [nome da mulher], parida pela [nome da mãe da mulher], até que se torne minha…"

O objetivo da segunda fórmula mágica – subjugar a vontade do homem. Recomenda-se gravar algumas frases "mágicas" em uma placa de cobre e depois a colocar junto com os pertences da pessoa (por exemplo, com sandálias).

Além disso, na parte traseira do papiro estão gravadas algumas receitas médicas. Dor de cabeça, lepra e outras doenças, segundo elas, podem ser tratadas com excrementos de animais.

Os papiros foram encontrados no início do século XX, junto com milhares de outros, entre as ruínas da antiga cidade egípcia de Oxirrinco. Os documentos estão sendo decifrados até hoje.


Mamíferos em Ascensão na Época do Fim dos Dinossauros

Os pequenos mamíferos explodiram em tamanho depois da extinção dos dinossauros.

"Nossos ancestrais da época dos dinossauros eram patéticos. Mamíferos minúsculos e covardes que, oprimidos pelo domínio dos mega-répteis, só serviam de aperitivo. Só estamos aqui por causa de um meteoro no México: foi quando os grandões foram extintos, há 66 milhões de anos". Essa é a história tradicional, talvez mal contada.

A Universidade de Southampton (Inglaterra), num amplo estudo, analisando principalmente dentes do período Cretáceo (o fim da era dos dinos), revelou que em verdade os mamíferos já estavam em ascendência.

Não que fossem capazes de ganhar na queda de braço com dinossauros - eles eram pequenos, com os maiores atingindo o tamanho de um cachorro. Mas os dentes revelam uma imensa variedade de formas e dietas - o que quer dizer que os mamíferos estavam diversificando imensamente, possivelmente tomando nichos ecológicos que seriam ocupados pelos dinos menorzinhos.

Os pesquisadores também ficaram surpresos com a catástrofe que causou a extinção dos dinossauros que também atingiu fortemente os mamíferos e deu uma segurada nessa fase de ascensão. “Eu realmente esperava ver mamíferos mais diversificados imediatamente após a extinção" - afirma o paleontólogo David Grossnickle, condutor do estudo. "Eu não esperava ver nenhuma queda. O que descobrimos não bate com a visão tradicional que, após a extinção, os mamíferos dispararam".

Grossnickle e sua equipe especulam que a razão do sucesso dos mamíferos talvez tenha a ver com o surgimento das plantas frutíferas no Cretáceo, o que beneficiou os insetos e, então, seus principais predadores.

Outro estudo recente mostrou que os dinossauros estavam em decadência, com o número de espécies definhando por 50 milhões de anos até a extinção final.


Yahoo Notícias 10/6/2016 / Fábio Marton - Superinteressante

Punhal de Tutancâmon Veio do Espaço

Foto / Crédito: Daniella Comelli, Politecnico di Milano.

Um achado para se somar a uma lista de outros não menos extraordinários sobre o misterioso Tutancâmon: cientistas descobrem que o metal da arma branca do faraó adolescente não é coisa deste mundo.

Mais um dos mistérios que envolvem o faraó Tutancâmon foi desvendado. Segundo uma pesquisa publicada na revista norte-americana Meteoritics e Planetary Science, o punhal encontrado junto a múmia foi, de fato, feito com material vindo de um meteorito.

Desde 1925, cientistas tentam comprovar as "lendas" egípcias que citavam o "ferro que caiu do céu". Agora testes científicos feitos com técnicas de fluorescência de raios X indicaram que a lâmina contém 10% de níquel e 0,6% de cobalto, concentrações de substâncias encontradas em meteoritos metálicos.

O estudo também confirma o valor que os antigos egípcios davam para o ferro dos meteoritos, usados para a produção de objetos preciosos, como o punhal do faraó.

"O uso esporádico de ferro tem sido relatado na região do Mediterrâneo Oriental desde o período Neolítico até a Idade do Bronze. Apesar da rara existência de ferro fundido, é geralmente assumido que os primeiros objetos de ferro foram produzidos a partir de ferro de meteoritos", diz o artigo. "Nosso estudo confirma que os antigos egípcios atribuíam grande valor ao ferro de meteoritos para a produção de objetos preciosos. Além disso, a alta qualidade da fabricação da lâmina do punhal de Tutancâmon, em comparação com outros artefatos simples feitos de ferro de meteoritos, sugere um domínio significativo da artesania do ferro na época de Tutancâmon."

A pesquisa é fruto de uma parceria ítalo-egípcia e recebeu apoio de universidades italianas de Milão, Turim e Pisa, além do museu do Cairo.

O faraó Tutancâmon, conhecido como "faraó menino", se tornou a múmia mais famosa do mundo e tem sido alvo de curiosidade de diversos historiadores que desejam desvendar mais mistérios sobre aquele que foi o mais jovem mandatário do antigo Egito. Falecido aos 19 anos, em 1.324 a.C, ele reinou por nove anos.

O novo achado vem se somar a uma série de fatos extraordinários sobre o faraó, que assumiu o poder aos 9 anos e morreu provavelmente com 19. Seu corpo, descoberto em 1925, foi encontrado com o pênis ereto - não se sabe como ou por que os egípcios o embalsamaram nesse estado.

Outra surpresa é que a análise da múmia revelou que o corpo pegou fogo depois de morto - possivelmente uma combustão espontânea acendida por algum erro no processo químico de embalsamamento. As surpresas não param aí. Este ano, cientistas detectaram sinais de uma câmara secreta na tumba do faraó criança, e agora eles estão em busca de ainda mais tesouros.


Ansa / Denis Russo Burgierman (02/06/2016)

sábado, 21 de maio de 2016

A Maldição do Faraó

O arqueólogo Howard Carter encontra a lendária tumba (17/02/1922).

Embora as grandes pirâmides do Egito tenham permanecido intocadas durante séculos, no início dos anos 20 muitas das estruturas e tumbas dos faraós foram saqueadas por arqueólogos aventureiros e caçadores de tesouros.

Uma tumba, no entanto, permaneceu intocada: a do famoso Faraó Tutancâmon. Segundo a lenda, a tumba, repleta de tesouros, foi guardada por uma maldição que condenava à morte qualquer um que ali entrasse. Mas isso não impediu que George E. S. M. Herbert, conde de Carnarvon, fosse ao Egito pela primeira vez esperando que o clima seco curasse sua doença respiratória.

Mesmo sem ter experiência anterior em arqueologia, Herbert tinha o dinheiro necessário para financiar expedições. E, em pouco tempo, ele e o arqueólogo Howard Carter partiram para encontrar a lendária tumba.

Após muitas escavações durante vários anos, eles finalmente encontraram alguns fragmentos de peças que traziam o nome de Tutancâmon. E as peças os levaram à sala do tesouro, onde repousava o tão longamente procurado faraó.

Um grupo de vinte pessoas serviu como testemunha de que Carter entrou naquela sala no dia 17 de fevereiro de 1922, mas lorde Carnarvon viveu pouco tempo para apreciar a descoberta. Ele morreu em abril no Hotel Continental no Cairo, depois de contrair uma súbita e não diagnosticada febre, que debilitou seu corpo durante doze dias. Poucos minutos após sua morte, houve falta de energia elétrica no Cairo. E o cachorro de Carnarvon, em Londres, morreu no mesmo dia.

Antes de terminar aquele ano, doze outros membros do grupo original de vinte homens também morreram. Mas outros morreriam, também. George Jay Gould, filho do financista Jay Gould, e amigo de Carnarvon, viajou ao Egito após a morte de seu amigo para visitar o lugar pessoalmente. Ele morreu de peste bubônica, 24 horas após visitar a tumba.

Em 1929, dezesseis outros pesquisadores que, de alguma forma, entraram em contato com a múmia do faraó também morreram. Entre as vítimas estavam o radiologista Archibald Reid, que preparara os restos de Tutancâmon para radiografar a múmia do faraó, a mulher de lorde Carnarvon, e Richard Bethell, seu secretário particular. Até o pai de Bethell morreu, suicidando-se.

A mística dessa famosa múmia, tema de filmes de terror de segunda classe, foi provavelmente um grande fator para o sucesso avassalador de Tesouros do Rei Tutancâmon, roteiro de viagem empreendido pelas agências de turismo dos EUA. Mas, como as dezenas de milhares de pessoas que viram a múmia podem atestar, a maldição parece ter chegado ao fim - pelo menos por enquanto.

Mas cuidado! Logo na entrada da tumba, observe os hieróglifos escritos no brasão. Eles dizem: "A morte virá rapidamente àquele que violar a tumba do faraó".


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Por Quanto Tempo os Dinossauros Sobreviveram?

Estatueta de granito de Granby, Colorado - 1920

De acordo com a opinião científica prevalecente, os dinossauros desapareceram há cerca de 80 milhões de anos, no período Cretáceo, e nunca mais foram vistos. Mas artefatos comparativamente modernos, encontrados em cinco locais diferentes, apresentam uma estranha semelhança com os dinossauros.

Serão embustes ou lembranças raciais de criaturas vivas, talvez enterrados no subconsciente coletivo de antigos artesãos? Ou será que os próprios dinossauros sobreviveram por muito mais tempo do que pensam os cientistas?

O primeiro indício de que os dinossauros podem ter sido um fenômeno relativamente recente emergiu em 1920, quando os trabalhadores da fazenda de William M. Chalmers, nas proximidades de Granby, Colorado, durante um trabalho de escavação, descobriram uma estatueta de granito pesando 33 quilos e com uma altura de 36 centímetros. A pedra, encontrada a uma profundidade de quase 2 metros, representava um ser humano estilizado e vinha adornada com o que parecia ser uma inscrição chinesa datando de, aproximadamente, 1000 a.C. O mais intrigante eram os dois animais entalhados nas laterais e atrás da pedra, semelhante a um brontossauro e a um mamute.

Embora tenham sido feitas fotos do objeto de vários ângulos, a pedra, conhecida como Granby Stone, acabou desaparecendo. Até mesmo o local onde ela foi encontrada desapareceu, submerso pelas águas da represa Granby.

Uma prova incomum veio à luz em 1925, quando arqueólogos da Universidade do Arizona, trabalhando em um forno de calcinação nos arredores de Tucson, descobriram uma espada pesada de folha larga e curta, com a gravação de um brontossauro. Outros artefatos encontrados no mesmo local apresentam inscrições em hebraico e em latim usado entre os anos 560 e 900. Não obstante muitos dos artefatos de Tucson terem sido descobertos por profissionais, persiste a controvérsia a respeito de sua autenticidade. No entanto, o bom senso sugere que a última coisa que algum impostor que quisesse ser levado a sério pudesse fazer seria gravar na lâmina de uma espada a figura de um dinossauro extinto.

Outra curiosa coleção de artefatos indefinidos pode ser encontrada na Igreja Maria Auxiliadora, em Cuenca, Equador, sob a guarda do padre Cario Crespi. As peças, em sua maioria placas, chegam às centenas, e foram levadas à igreja pelos índios jivaros, encontrados no Alto Amazonas, Equador e Peru, que as retiraram de cavernas na floresta. Algumas foram feitas de ouro; outras são, obviamente, imitações modernas, feitas de lata de azeite de oliva. Uma inacreditável variedade de formas e estilos está presente, inclusive ilustrações de dinossauros e motivos que parecem ser de origem assíria e egípcia. Antigas inscrições fenícias, líbias e celta-ibéricas também foram identificadas.

Se bem que os mastodontes, forma intermediária entre os primeiros elefantes e os tipos atuais, não devam ser incluídos no período Cretáceo dos dinossauros, acredita-se, de um modo geral, que eles tenham sido extintos antes que o homem tivesse desenvolvido alguma civilização identificável. No entanto, uma interessante descoberta do esqueleto de um mastodonte foi feita em Blue Lick Springs, Kentucky, em uma escavação feita a 3,5 metros abaixo da superfície. Quando os operários prosseguiram com as escavações, à procura de mais ossos, encontraram um pavimento de pedras assentadas, 90 centímetros abaixo de onde haviam achado o mastodonte.

As pedras de Ica, Peru.
Finalmente, em Ica, Peru, um museu de propriedade do dr. Javier Cabrera guarda quase 20 mil pedras encontradas no leito dos rios, todas intricadamente gravadas com pictogramas em arabescos que mostram diversas espécies de dinossauros e outros animais há muito extintos.

Parece que o brontossauro é, mais uma vez, o animal preferido pelos artistas. Além disso, as pedras de Ica são caracterizadas por um trabalho artístico que os embusteiros ocasionais teriam muita dificuldade em reproduzir. Detalhes artísticos precisos abundam. E a simples quantidade já levanta a questão de se saber por que alguém se daria tamanho trabalho para não receber nada em troca. Mais importante do que isso é que pedras similares já foram desenterradas de sepulturas da era pré-colombiana, situadas nas proximidades.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Enigma da Tumba de Tutancâmon Será Revelado

Busto de Nefertiti - A rainha é considerada um símbolo de beleza até hoje.

O ministro de Antiguidades do Egito, Mamduh al Damati, disse na quinta-feira (17/3/2016) que o enigma sobre a possibilidade de se encontrar os restos mortais da rainha Nefertiti na tumba do faraó Tutancâmon será resolvido “antes do final do ano”.

Em conversa com jornalistas, após uma conferência realizada no Cairo, o ministro afirmou que não tem dúvidas de que há “algo” por trás da câmara funerária de Tutancâmon – mas questiona a identidade de quem estaria nessa passagem. O egiptólogo britânico Nicholas Reeves defende a teoria de que Nefertiti, madrasta do faraó, esteja enterrada junto a ele.

“Não posso ter certeza de quem está por trás. Poderia ser Nefertiti, a rainha Meritaton (filha e mulher de Akenaton, pai de Tutancâmon) ou a mãe de Tutancâmon, Kiya”, assinalou o ministro, em declarações aos jornalistas depois de uma conferência realizada no Cairo.

Reeves, também presente na conferência, afirmou que acredita que o mausoléu de Tutancâmon tenha sido originalmente construído para Nefertiti e que a múmia da rainha está intocada em uma câmara secreta por mais de 3.000 anos.

Mistério de Nefertiti – A localização dos restos mortais de Nefertiti, que viveu entre 1380 a.C e 1345 a.C. e era conhecida por sua beleza, é um dos grandes desafios da arqueologia. Em 1922, o arqueólogo britânico Howard Carter descobriu o túmulo de Tutancâmon, filho do faraó Akhenaton, que foi casado com a rainha Nefertiti, intacto e em ótimo estado. A câmara, visitada por milhares de pessoas desde então, guarda mais de 5.000 artefatos, além da múmia e do sarcófago do faraó que morreu aos 19 anos. Mas a múmia de Nefertiti jamais foi encontrada.

Em artigo publicado no final de julho, Reeves, pesquisador da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, afirma que analisando imagens em 3D de alta resolução do complexo mortuário, notou que elas podem abrigar duas câmaras secretas que foram fechadas e camufladas. Uma delas guardaria a múmia de Nefertiti e a outra seria uma sala de armazenamento.

Os detalhes na parede foram confirmados nesta semana pelo governo egípcio. Reeves viajou ao Vale dos Reis, em Luxor, no fim de setembro para, junto com as autoridades egípcias, verificar sua hipótese.

Evidências – Após a conferência nesta quinta, Damati acrescentou que se deve “esperar de um a três meses” para a incerteza acabar, já que ainda falta “apresentar a proposta para obter a permissão do Comitê Permanente, as autorizações de segurança e depois realizar inspeções com um radar dentro do túmulo”.

Por sua vez, Reeves insistiu em sua teoria. De acordo com ele, são três evidências que indicam que Nefertiti está na câmara. Em primeiro lugar, a morfologia da câmara de Tutancâmon, que inclui um corredor em forma de “L” com uma curva para a direita, o que “normalmente é utilizado nas tumbas das rainhas”, disse Reeves. Em seguida, a cena achada atrás do muro norte da tumba, que é diferente e anterior às outras cenas da câmara de Tutancâmon, o que “parece identificar o proprietário do túmulo dessa rainha”. Como terceiro argumento, Reeves destacou que nessa cena podem ser vistas características que evidenciam que dois dos personagens representados são Nefertiti e seu enteado.

“Há uma pequena linha na comissura dos lábios que coincide com as características faciais de Nefertiti e, além disso, a figura do rei tem um pequeno duplo queixo, e o perfil de Tutancâmon é exatamente assim”, acrescentou o egiptólogo britânico.”Não encontrei nada que me tenha feito mudar de opinião, e encontramos mais informações que fazem com que pensemos que poderíamos estar no caminho certo. Só estou seguindo as pistas, que apontam que é Nefertiti, mas não posso ler o futuro. No entanto, as provas são suficientemente sólidas para mim. Acredito plenamente que algo está acontecendo.”

Independentemente de a pista de Reeves ser a certa – que é Nefertiti, Meritaton ou Kiya que supostamente está enterrada junto a Tutancâmon -, Damati destacou que a descoberta “será a mais importante do século” e que para os turistas “será algo único”.


Agência EFE

Humanos Podem ter Convivido com Unicórnios

Desenho do unicórnio siberiano - Heinrich Harder/Wikipédia

Uma pesquisa publicada na terça-feira passada (29/03) pela Tomsk State University (TSU), do Cazaquistão, afirma que nossos ancestrais pré-históricos podem ter coexistido na Terra com unicórnios, há mais de 29 mil anos.

Mas se engana quem pensar que eram criaturas fofinhas parecidas com um cavalo. A espécie chamada de "unicórnio siberiano" ou "Elasmotherium sibiricum", na verdade, é um rinoceronte de chifre comprido.

Até o momento, acreditava-se que o unicórnio siberiano havia desaparecido há 350 mil anos, mas um estudo publicado no "American Journal of Applied Science" indica que o animal existiu por mais tempo, com base em um crânio bem preservado descoberto no Cazaquistão. Esses animais, provavelmente vegetarianos, pesavam até quatro toneladas e podiam medir dois metros de altura, por cinco metros de comprimento.

Segundo o estudo liderado pelo paleontólogo Andrey Shpanski, o habitat desses animais se estendia do rio Don ao leste do atual Cazaquistão.

Shpanski disse que deve realizar novos testes de datação por radiocarbono em outros fósseis descobertos da espécie, cuja idade estimada era de 50 mil a 100 mil anos.


Da AFP

domingo, 31 de janeiro de 2016

David e Salomão


O rei Salomão em toda a sua glória (Gravura bíblica)

Há pouca dúvida de que David e Salomão existiram. Mas há muita controvérsia sobre seu verdadeiro papel na história do povo hebreu. A Bíblia diz que a primeira unificação das tribos hebraicas aconteceu no reinado de Saul. Seu sucessor, David, organizou o Estado hebraico, eliminando adversários e preparando o terreno para que seu filho, Salomão, pudesse reinar sobre um vasto império. O período salomônico (970 a.C. a 930 a.C.) teria sido marcado pela construção do Templo de Jerusalém e a entronização da Arca da Aliança em seu altar.

Não há registros históricos ou arqueológicos da existência de Saul, mas a arqueologia mostra que boa parte dos hebreus ainda vivia em aldeias nas montanhas no período em que ele teria vivido (por volta de 1000 a.C.) – assim, Saul seria apenas um entre os muitos líderes tribais hebreus. Quanto a David, há pelos menos um achado arqueológico importante: em 1993 foi encontrada uma pedra de basalto datada do século IX a.C. com escritos que mencionam um rei David.

Por outro lado, não há qualquer evidência das conquistas de David narradas na Bíblia, como sua vitória sobre o gigante Golias. Ao contrário, as cidades canaanitas mencionadas como destruídas por seus exércitos teriam continuado sua vida normalmente. Na verdade, David não teria sido o grande líder que a Bíblia afirma. Seu papel teria sido muito menor. Ele pode ter sido o líder de um grupo de rebeldes que vivia nas montanhas, chamados apiru (palavra de onde deriva a palavra hebreu) – uma espécie de guerrilheiro que ameaçava as cidades do sul da Palestina. Quanto ao império salomônico cantado em verso e prosa na Torá hebraica, a verdade é que não foram achadas ruínas de arquitetura monumental em Jerusalém ou qualquer das outras cidades citadas na Bíblia.

O principal indício de que as conquistas de David e o império de Salomão são, em sua maior parte, invenções é que, no período em que teriam vivido, a arqueologia prova que a cultura canaanita (que, segundo a Bíblia, teria sido destruída) continuava viva. A conclusão é que David e Salomão teriam sido apenas pequenos líderes tribais de Judá, um Estado pobre e politicamente inexpressivo localizado no sul da Palestina.

Na verdade, o grande momento da história hebraica teria acontecido não no período salomônico, mas cerca de um século mais tarde. Entre 884 e 873 a.C., foi fundada Samária, a capital do reino de Israel, no norte da Palestina, sob a liderança do rei israelita Omri. Enquanto Judá permanecia pobre e esquecida no sul, os israelitas do norte faziam alianças com os assírios e viviam um período de grande desenvolvimento econômico. A arqueologia demonstrou que os monumentos normalmente atribuídos a Salomão foram, na verdade, erguidos pelos omridas. Ou seja: o primeiro grande Estado judaico não teve a liderança de Salomão, e sim dos reis da dinastia omrida.

Enriquecido pelos acordos comerciais com Assíria e Egito, o rei Ahab, filho de Omri, ordena a construção dos palácios de Megiddo e as muralhas de Hazor, entre outras obras. Hoje, os restos arqueológicos desses palácios e muralhas são o principal ponto de discórdia entre os arqueólogos que estudam a Torá. Muitos ainda os atribuem a Salomão, numa atitude muito mais de fé do que de rigor científico, já que as datações mais recentes indicam que Salomão nunca ergueu palácios.


por Vinícius Romanini 
Para a Revista SuperInteressante

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Êxodo: versão científica


Não há registro arqueológico ou histórico da existência de Moisés ou dos fatos descritos no Êxodo. A libertação dos hebreus, escravizados por um faraó egípcio, foi incluída na Torá provavelmente no século VII a.C., por obra dos escribas do Templo de Jerusalém, em uma reforma social e religiosa. Para combater o politeísmo e o culto de imagens, que cresciam entre os judeus, os rabinos inventaram um novo código de leis e histórias de patriarcas heróicos que recebiam ensinamentos diretamente de Jeová. Tais intenções acabaram batizadas de "ideologia deuteronômica", porque estão mais evidentes no livro Deuteronômio.

A prova de que esses textos são lendas estaria nas inúmeras incongruências culturais e geográficas entre o texto e a realidade. Muitos reinos e locais citados na jornada de Moisés pelo deserto não existiam no século XIII a.C., quando o Êxodo teria ocorrido. Esses locais só viriam a existir 500 anos depois, justamente no período dos escribas deuteronômicos. Também não havia um local chamado Monte Sinai, onde Moisés teria recebido os Dez Mandamentos. Sua localização atual, no Egito, foi escolhida entre os séculos IV e VI d.C., por monges cristãos bizantinos, porque ele oferecia uma bela vista. Já as Dez Pragas seriam o eco de um desastre ecológico ocorrido no Vale do Nilo quando tribos nômades de semitas estiveram por lá.

Vejamos agora o caso de Abraão, o patriarca dos judeus. Segundo a Bíblia, ele era um comerciante nômade que, por volta de 1850 a.C., emigrou de Ur, na Mesopotâmia, para Canaã (na Palestina). Na viagem, ele e seus filhos comerciavam em caravanas de camelos. Mas não há registros de migrações de Ur em direção a Canaã que justifiquem o relato bíblico e, naquela época, os camelos ainda não haviam sido domesticados. Aqui também há erros geográficos: lugares citados na viagem de Abraão, como Hebron e Bersheba, nem existiam então. Hoje, a análise filológica dos textos indica que Abraão foi introduzido na Torá entre os séculos VIII e VII a.C. (mais de 1 000 anos após a suposta viagem).

Então, como surgiu o povo hebreu? Na verdade, hebreus e canaanitas são o mesmo povo. Por volta de 2000 a.C., os canaanitas viviam em povoados nas terras férteis dos vales, enquanto os hebreus eram nômades das montanhas. Foi o declínio das cidades canaanitas, acossadas por invasores no final da Idade do Bronze (300 a.C. a 1000 a.C.), que permitiu aos hebreus ocupar os vales.

Segundo a Bíblia, os hebreus conquistaram Canaã com a ajuda dos céus: na entrada de Jericó, o exército hebreu toca suas trombetas e as muralhas da cidade desabam, por milagre. Mas a ciência diz que Jericó nem tinha muralhas nessa época. A chegada dos hebreus teria sido um longo e pacífico processo de infiltração.

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por Vinícius Romanini
Para a Revista SuperInteressante

O Dilúvio: versão científica


No Gênesis, a história do dilúvio é uma das poucas que ainda alimenta o interesse dos cientistas, depois que os físicos substituíram a criação do mundo pelo Big Bang e Darwin substituiu Adão pelos macacos. O que intrigou os pesquisadores foi o fato de uma história parecida existir no texto épico babilônico de Gilgamesh - o que sugere que uma enchente de enormes proporções poderia ter acontecido no Oriente Médio e na Ásia Menor.

Parte do mistério foi solucionado quando os filólogos conseguiram demonstrar que a narrativa do Gênesis é uma apropriação do mito mesopotâmico.

"Não há dúvida de que os hebreus se inspiraram no mito de Gilgamesh para contar a história do dilúvio", afirma Rafael Rodrigues da Silva, professor do Departamento de Teologia da PUC de São Paulo, especialista na exegese do Antigo Testamento.

O povo hebreu entrou em contato com o mito de Gilgamesh no século VI a.C. Em 598 a.C., o rei babilônico Nabucodonosor, depois de conquistar a Assíria, invadiu e destruiu Jerusalém e seu templo sagrado. No ano seguinte, os judeus foram deportados para a Babilônia como escravos. O chamado exílio babilônico durou 40 anos.

Em 538 a.C., Ciro, o fundador do Império Persa, depois de submeter a Babilônia permitiu o retorno dos judeus à Palestina. Os rabinos ou "escribas" começaram a reconstruir o Templo e a reescrever o Gênesis para, de alguma forma, dar um sentido teológico à terrível experiência do exílio. Assim, a ameaça do dilúvio seria uma referência à planície inundável entre os rios Tigre e Eufrates, região natal de Nabucodonosor; os 40 dias de chuva seriam os 40 anos do exílio; e a aliança final de Deus com Noé, marcada pelo arco-íris, uma promessa divina de que os judeus jamais seriam exilados.

Solucionado o mistério do dilúvio na Bíblia, continua o da sua origem no texto de Gilgamesh. No final da década de 90, dois geólogos americanos da Universidade Columbia, Walter Pittman e Willian Ryan, criaram uma hipótese: por volta do ano 5600 a.C., ao final da última era glacial, o Mar Mediterrâneo havia atingido seu nível mais alto e ameaçava invadir o interior da Ásia na região hoje ocupada pela Turquia, mais precisamente a Anatólia. Num evento catastrófico, o Mediterrâneo irrompeu através do Estreito de Bósforo, dando origem ao Mar Negro como o conhecemos hoje. Um imenso vale de terras férteis e ocupado por um lago foi inundado em dois ou três dias.

Os povos que ocupavam os vales inundados tiveram que fugir às pressas e o mais provável é que a maioria tenha morrido. Os sobreviventes, porém, tinham uma história inesquecível, que ecoaria por milênios. Alguns deles, chamados ubaids, atravessaram as montanhas da Turquia e chegaram à Mesopotâmia, tornando-se os mais antigos ancestrais de sumérios, assírios e babilônios. Estaria aí a origem da narrativa de Gilgamesh. Essa teoria foi recebida por arqueólogos e antropólogos como fantástica demais para ser verdadeira.

No entanto, no verão de 2000, o caçador de tesouros submersos Robert Ballard, o mesmo que encontrou os restos do Titanic, levou suas poderosas sondas para analisar o fundo do Mar Negro nas proximidades do que deveriam ser vales de rios antes do cataclisma aquático. Ballard encontrou restos de construções primitivas e a análise da lama colhida em camadas profundas do oceano provaram que, há 7 600 anos, ali existia um lago de água doce. A hipótese do grande dilúvio do Mar Negro estava provada.

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por Vinícius Romanini
Para a Revista SuperInteressante

A Bíblia passada a limpo

Descobertas recentes da arqueologia indicam que a maior parte das escrituras sagradas não passam de lenda. A disputa entre ciência e religião pela posse da verdade é antiga. No Ocidente, começou no século XVI, quando Galileu defendeu a tese de que a Terra não era o centro do Universo. Essa primeira batalha foi vencida pela Igreja, que obrigou Galileu a negar suas idéias para não ser queimado vivo. Mas o futuro dessa disputa seria diferente: pouco a pouco, a religião perdeu a autoridade para explicar o mundo. 

Quando, no século XIX, Darwin lançou sua teoria sobre a evolução das espécies, contra a idéia da criação divina, o fosso entre ciência e religião já era intransponível.

Nas últimas décadas, a Bíblia passou a ser alvo de ciências como a filologia (o estudo da língua e dos documentos escritos), a arqueologia e a história. E o que os cientistas estão provando é que o livro mais importante da história é, em sua maior parte, uma coleção de mitos, lendas e propaganda religiosa.

Primeiro livro impresso por Guttemberg, no século XV, e o mais vendido da história, a Bíblia reúne escritos fundamentais para as três grandes religiões monoteístas - Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Na verdade, a Bíblia é uma biblioteca de 73 livros escritos em momentos históricos diferentes. O Velho Testamento, aceito como sagrado por judeus, cristãos e muçulmanos, é composto de 46 livros que pretendem resumir a história do povo hebreu desde o suposto chamamento de Abraão por Deus, que teria ocorrido por volta de 1850 a.C., até a conquista da Palestina pelos exércitos de Alexandre Magno e as revoltas do povo judeu contra o domínio grego, por volta de 300 a.C. Os 27 livros do Novo Testamento abarcam um período bem menor: cerca de 70 anos que vão do nascimento de Jesus à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C.

O coração do Velho Testamento são os primeiros cinco livros, que compõem a Torá do Judaísmo (a palavra significa "lei", em hebraico). Em grego, o conjunto desses livros recebeu o nome de Pentateuco ("cinco livros"). São considerados os textos "históricos" da Bíblia, porque pretendem contar o que ocorreu desde o início dos tempos, inclusive a criação do homem - que, segundo alguns teólogos, teria ocorrido em 5000 a.C. O Pentateuco inclui o Gênesis (o "livro das origens", que narra a criação do mundo e do homem até o dilúvio universal), o Êxodo (que narra a saída dos judeus do Egito sob a liderança de Moisés) e os Números (que contam a longa travessia dos judeus pelo deserto até a chegada a Canaã, a terra prometida).

Das três ciências que estudam a Bíblia, a arqueologia tem se mostrado a mais promissora. "Ela é a única que fornece dados novos", diz o arqueólogo israelense Israel Finkelstein, diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv e autor do livro The Bible Unearthed (A Bíblia desenterrada, inédito no Brasil), publicado no ano passado. A obra causou um choque em estudiosos de arqueologia bíblica, porque reduz os relatos do Antigo Testamento a uma coleção de lendas inventadas a partir do século VII a.C.
O Gênesis, por exemplo, é visto como uma epopéia literária. O mesmo vale para as conquistas de David e as descrições do império de Salomão.

A ciência também analisa os textos do Novo Testamento, embora o campo de batalha aqui esteja muito mais na filologia. A arqueologia, nesse caso, serve mais para compor um cenário para os fatos do que para resolver contendas entre as várias teorias. O núcleo central do Novo Testamento são os quatro evangelhos. A palavra evangelho significa "boa nova" e a intenção desses textos é clara: propagandear o Cristianismo. Três deles (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados sinóticos, o que pode ser traduzido como "com o mesmo ponto de vista". Eles contam a mesma história, o que seria uma prova de que os fatos realmente aconteceram. Não é tão simples. O problema central do Novo Testamento é que seus textos não foram escritos pelos evangelistas em pessoa, como muita gente supõe, mas por seus seguidores, entre os anos 60 e 70, décadas depois da morte de Jesus, quando as versões estavam contaminadas pela fé e por disputas religiosas.

Nessa época, os cristãos estavam sendo perseguidos e mortos pelos romanos, e alguns dos primeiros apóstolos, depois de se separarem para levar a "boa nova" ao resto do mundo, estavam velhos e doentes. Havia, portanto, o perigo de que a mensagem cristã caísse no esquecimento se não fosse colocada no papel. Marcos foi o primeiro a fazer isso, e seus textos serviram de base para os relatos de Mateus e Lucas, que aproveitaram para tirar do texto anterior algumas situações que lhes pareceram heresias. "Em Marcos, Jesus é uma figura estranha que precisa fazer rituais de magia para conseguir um milagre", afirma o historiador e arqueólogo André Chevitarese.

Para tentar enxergar o personagem histórico de Jesus através das camadas de traduções e das inúmeras deturpações aplicadas ao Novo Testamento, os pesquisadores voltaram-se para os textos que a Igreja repudiou nos primeiros séculos do Cristianismo. Ignorados, alguns desapareceram. Mas os fragmentos que nos chegaram tiveram menos intervenções da Igreja ao longo desses 2 000 anos. Parte desses evangelhos, chamados "apócrifos" (não se sabe ao certo quem os escreveu), fazem parte de uma biblioteca cristã do século IV descoberta em 1945 em cavernas do Egito. Os evangelhos estavam escritos em língua copta (povo do Egito).

O fato de esses textos terem sido comprovadamente escritos nos primeiros séculos da era cristã não quer dizer que eles sejam mais autênticos ou contenham mais verdades que os relatos que chegaram até nós como oficiais. Pelo contrário, até. Os coptas, que fundariam a Igreja cristã etíope, foram considerados hereges, porque não aceitavam a dupla natureza de Jesus (humana e divina). Para eles, Jesus era apenas divino e os textos apócrifos coptas defendem essa versão. Mesmo assim, eles trazem pistas para elucidar os fatos históricos.

A tentativa de entender o Jesus histórico buscando relacioná-lo a uma ou outra corrente religiosa judaica também foi infrutífera, como ficou demonstrado no final da tradução dos pergaminhos do Mar Morto, anunciada recentemente. Esses papéis, achados por acaso em cavernas próximas do Mar Morto, em 1947, criaram a expectativa de que pudesse haver uma ligação entre Jesus e os essênios, uma corrente religiosa asceta, cujos adeptos viviam isolados em comunidades purificando-se à espera do messias. O fim das traduções indica que não há qualquer ligação direta entre Jesus e os essênios, a não ser a revolta comum contra a dominação romana.

O resultado é que, depois de dois milênios, parece impossível separar o verdadeiro do falso no Novo Testamento. O pesquisador Paul Johnson, autor de A História do Cristianismo, afirma que, se extrairmos, de tudo o que já se escreveu sobre Jesus, só o que tem coerência histórica e é consenso, restará um acontecimento quase desprovido de significado. "Esse 'Jesus residual' contava histórias, emitiu uma série de ditos sábios, foi executado em circunstâncias pouco claras e passou a ser, depois, celebrado em cerimônia por seus seguidores."

O que sabemos com certeza é que Jesus foi um judeu sectário, um agitador político que ameaçava levantar os dois milhões de judeus da Palestina contra o exército de ocupação romano. Tudo o mais que se diz dele precisa da fé para ser tomado como verdade. Assim como aconteceu com Moisés, David e Salomão do Velho Testamento, a figura de Jesus sumiu na névoa religiosa.

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por Vinícius Romanini
Para a Revista SuperInteressante

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O segredo do Lago Nemi


O lago Nemi é um local próximo a Roma onde foram, no século XI, encontrados vestígios de duas embarcações que se acreditava serem da época do Império Romano. Após várias escavações que ocorreram durante séculos, esse lago, sob ordens de Mussolini, passou a ser drenado. A drenagem fez vir à tona duas enormes embarcações, que suscitaram novas pesquisas acerca da construção naval romana, além de estudos sobre a escavação destas. Além disso, ela revelou, também, que ambas as embarcações eram de grande luxo, possuindo colunas de mármore e mosaicos como piso, entre outros. Depois que as bombas pararam de funcionar, um museu foi construído na região e, durante a Segunda Guerra Mundial, os barcos foram queimados por alemães.

No início do século XV, o humanista Flavio Biondo, em suas obras histórico-geográficas Roma instarurata e Italia illustrata, comenta a existência de alguma coisa muito antiga sob as águas do lago. Em 1464, Leon Battista Alberti, realizou algumas sondagens e recuperou alguns objetos que o permitiram afirmar que deveria tratar-se de um naufrágio.

As primeiras tentativas de resgate foram realizadas por Francesco De Marchi em 1535, utilizando um tipo de escafandro por ele inventado. Mais alguns objetos foram recuperados nesta tentativa.

Houve então uma lacuna e, apenas em 1895, o antiquário Eliseo Borghi realizou algumas explorações que lhe permitiram trazer a tona algumas peças de madeira e o primeiro objeto de bronze: parte de um timão. O resgate continuou e mais objetos foram recuperados, incluíndo os cabeços de amarração em bronze com formato de cabeça de animais reproduzidos aqui nas margens. Todos os objetos confirmaram a existência de pelo menos uma embarcação submersa.

Com a exposição do que foi resgatado no Museu Nazionale Romano, o Ministero della Pubblica Istruzione (um nosso Ministério da Cultura) decidiu realizar prospecções mais detalhadas. Trabalhos estes que culminaram com a confirmação da existência não de uma mas sim de duas embarcações romanas afundadas.

A primeira delas estava a cerca de 50 metros da margem numa profundidade que variava dos 5 aos 12 metros e, a segunda localizada a cerca de 70 metros da margem e a uma profundidade variando dos 16 aos 21 metros.

Decidiu-se pela remoção das embarcações mas, só depois de muitos anos, em 1928, foi decidido o método a ser utilizado para tal: o lago seria parcialmente esvaziado.

Com o apoio financeiro e logístico de industriais e de sociedades, foi utilizado um antigo aqueduto romano para auxiliar nos trabalhos. Todos os processos iniciaram-se no dia 20 de Outubro de 1928. Apenas em 28 de Março de 1929, quando o nível do lago havia baixado em 5 metros, a primeira embarcação começou a surgir. A segunda só despontou no dia 30 de Janeiro de 1930.

O esvaziamento parcial do lago terminou em Outubro de 1932 e calculou-se que foram retirados cerca de 50.000.000 de metros cúbicos de água.

As embarcações que surgiram tinham as seguintes medidas:

A primeira (prima nave) 71,30  X 20 X 3,5 e a segunda (soconda nave) 73 X 24,4 X 2,7. Ambas movidas por uma fileira de remos de cada lado. A primeira embarcação possuía características de uma embarcação militar pois tinha dois lemes na popa e possuía o esporão na proa.

Após grandes discussões sobre sua data, chegou-se a conclusão que haviam sido construídas sob o governo de Calígula e uma foi construída para ser um templo à Diana e outra como um palácio flutuante.

Além da grande quantidade de objetos recuperados, as próprias embarcações permitiram um enorme estudo sobre a construção naval romana do séc. I d.C.

Ambas foram instaladas num museu e durante mais de uma década puderam ser apreciadas até que na noite do dia 31 de Maio de 1944 um incêndio, destruiu o museu e as duas embarcações.

O museu foi reconstruído em 1953 e abriga os objetos que haviam sido resgatados e 2 quilhas.

Recentemente foi fechado um acordo entre diversas empresas para construir réplicas em tamanho natural para novamente serem abrigadas pelo museu.
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Fontes: historiahistoria.com.br; Marcello De Ferrari - naufragios.com.br

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Arqueologia mediúnica

Jeffrey Goodman iniciou carreira como executivo de pequena companhia petrolífera em Tucson, Arizona. Formado em administração de empresas, ele não se mostrava particularmente inclinado a vôos altos. É por isso que pode causar surpresa encontrá-lo, nos dias de hoje, intercedendo a favor do novo campo de arqueologia mediúnica, em que médiuns talentosos auxiliam a encontrar áreas de escavação promissoras.

A odisséia mediúnica de Goodman começou em 1971, quando ficou sabendo que os antropólogos convencionais acreditavam que a humanidade surgira no continente americano há 16 mil anos.

Goodman achou que essa data era muito recente. Na realidade, ele tinha absoluta certeza de poder encontrar provas de civilização anterior em seu próprio Estado, desde que soubesse onde procurar.

Assim, para levar adiante sua intuição, conversou com Aron Abrahamsen, conhecido médium do Oregon. Sem sair de casa, o médium forneceu diversas descrições de clarividência, que ajudaram Goodman a localizar um leito seco de rio em San Francisco Piaks, além de Flagstaff. Era um local improvável para se procurar uma civilização perdida, pois os cientistas jamais haviam encontrado algum sítio arqueológico ali. Mas Goodman não só ignorou pura e simplesmente esse fato inconveniente, como também pediu ao médium que previsse as formações geológicas que seriam encontradas durante as escavações.


Cavando no local indicado pelo médium, Goodman descobriu objetos de artesanato que teriam sido feitos há, pelo menos, 20 mil anos. O que chega a ser ainda mais surpreendente é que 75 por cento das previsões geológicas de Abrahamsen estavam completamente corretas, não obstante dois geólogos locais terem ridicularizado as palavras dele. O médium do Oregon previu, por exemplo, que os cientistas localizariam camadas de 100 mil anos de idade a uma profundidade de apenas 8 metros. E foi justamente o que eles encontraram.

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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O mamute de Beresovka

Reconst. do mamute de Beresovka, na posição em que foi encontrado (Museu de St. Petersburg).


Parece que os mamutes desapareceram da face da Terra há mais de 10 mil anos, vítimas de mudanças climáticas resultantes do último grande período glacial e de grupos cada vez maiores de caçadores aborígenes, que os matavam por sua carne, presas e pele. Desde o início do século 20, centenas de carcaças congeladas de mamutes foram encontradas nas frígidas planícies das regiões árticas do Alasca, do Canadá e da Sibéria.

Pelo menos uma dessas descobertas, às margens do rio Beresovka, na Sibéria, ameaça causar uma guinada na tese convencional da forma pela qual os mamutes foram extintos. Meio ajoelhado e meio em pé, o mamute de Beresovka estava em um estado quase completo de preservação. Sua carne, solidamente congelada, foi saboreada por alguns cientistas ousados. O mais incrível, no entanto, foi o fato de que os pesquisadores encontraram restos de botões-de-ouro, erva graminiforme da família das xiridáceas, na boca da criatura.

O grande mamute estivera se alimentando de plantas que germinam em regiões temperadas, no momento da morte. O que poderia tê-lo congelado até os ossos em meio à refeição, de maneira tão súbita quanto se o grande animal tivesse sido mergulhado em nitrogênio líquido? A noção predominante de mudança climática gradual à qual os mamutes não puderam se adaptar não confere com o caso citado.

Um congelamento lento teria formado cristais de gelo e, conseqüentemente, resultaria em putrefação da carne quando do descongelamento. Contudo, o mamute de Beresovka estava com a carne suficientemente fresca para ser comida sem qualquer efeito nocivo. A temperatura necessária para que fosse possível um congelamento assim tão instantâneo foi calculada em 65 graus centígrados negativos, fato jamais registrado na região ártica.

O que poderia provocar queda de temperatura tão catastrófica do ar circundante? Na ausência de inverno nuclear causado por bombas atômicas, devemos buscar uma explicação alternativa. Incêndios florestais e erupções vulcânicas também lançam enormes quantidades de calor e fragmentos que bloqueiam a luz na atmosfera, conforme demonstraram estudos realizados recentemente.

Uma teoria sugere que terrível terremoto, o maior jamais havido na Terra, abalou o mundo há 10 mil anos. Tendo ocorrido ao longo da junção de duas placas tectônicas, o tremor de terra resultou na liberação de grande quantidade de lava e de gases vulcânicos. Esses gases elevaram-se na atmosfera e evolaram-se rumo aos pólos. Supercongelados, caíram em direção à superfície terrestre, perdendo ainda mais calor ambiente na rápida descida. Finalmente, os gases penetraram no ar quente de altitudes mais baixas, congelando instantaneamente o mamute de Beresovka e outros da espécie, no momento em que eles se aumentavam com botões-de-ouro.
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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A maldição de Tutancâmon

Tutancâmon (ou Tutankhamon) foi um faraó egípcio que faleceu ainda na adolescência. Filho e genro de Akhenaton (o faraó que instituiu o culto de Aton, o deus Sol) e de Kiya (uma esposa secundária de seu pai), casou-se aos 10 anos, provavelmente com sua meia-irmã, Ankhesenamon.

Assumiu o trono aos doze anos, restaurando os antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero (principalmente o do deus Amon de Tebas). Morreu em 1324 a.C., aos dezenove anos, sem herdeiros - com apenas nove anos de trono - "o que levou especialistas a especularem sobre a hipótese de doenças hereditárias na família real da XVIII dinastia", na opinião de Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Devido ao fato de ter falecido tão novo, o seu túmulo não foi tão suntuoso quanto o de outros faraós, mas mesmo assim é o que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontradas quase intacta.

Ao ser aberta, em 1922, ela ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egito de 3400 anos atrás. Essa e a parte mais cabulosa da história, seu túmulo estava intacto, dai algumas especulações.

..."A morte abaterá com suas asas quem perturbar o sono do faraó". Esta frase foi encontrada no dia 22 de novembro de 1922, quando a equipe do arqueólogo Howard Carter decifrou os hieróglifos do portal do mausoléu do faraó Tutankamon, morto em 1346 a.C..

Coincidência ou não, sete anos depois 13 membros da equipe haviam morrido de forma inexplicável. Outras nove pessoas que tiveram contato com a múmia também estavam mortas.

A primeira morte aconteceu em abril de 1923. O Conde de Carnarvon, aristocrata inglês que acompanhou Carter e financiou a expedição, começou a agonizar em seu quarto, em Luxor, Egito. Os médicos atribuíram a febre alta a alguma moléstia provocada por picadas de mosquitos. Mas sua irmã, Lady Burghclere, ouvia o doente mencionar o nome Tutankamon em meio aos delírios: "Já entendi seu chamado... eu o seguirei".

O arqueólogo americano Arthur Mace, que havia ajudado Carter a destroçar os muros do mausoléu, teve um morte ainda mais fulminante, pouco tempo depois do falecimento de Carnavon. Por vários dias, ele se queixou de uma sensação fraqueza e prostração crescentes, perdendo a consciência em certos momentos. Morreu em um hotel, antes mesmo que os médicos pudessem arriscar um diagnóstico.

O arqueólogo Howard Carter

O milionário americano George Jay-Gould foi a outra vítima faltal. Ele esteve no sepulcro a convite de Carnarvon, que era um velho amigo, e morreu na tarde seguinte à visita, também atacado pela febre.

Archibald Douglas Reed, que desenrolou e radiografou a múmia, morreu com os mesmos sintomas ao retornar à Inglaterra, em 1924. O secretário de Howard Carter, Richard Bethell, foi encontrado morto em sua casa em Londres. Tinha boa saúde e ninguém entendeu a razão da morte.

No mesmo ano, em 1929, a viúva de lord Carnarvon, lady Almina, morreu em circunstâncias semelhantes às do marido.

A maldição do faraó Tutankamon entrou para a história como um dos fatos mais inexplicáveis que já desafiaram os arqueólogos. Muitos acreditaram em uma força sobrenatural. Isso porque encontraram vários textos no sepulcro que diziam, por exemplo, "Eu sou aquele que fez fugir os saqueadores dos túmulos com a chama do deserto. Eu sou aquele que protege o túmulo do faraó".

Outros já afirmavam que as mortes dos exploradores estrangeiros era mais do que justa, pois ele haviam realizado uma verdadeira pilhagem das riquezas do túmulo de Tutankamon.

Comentava-se, inclusive, que lady Evelyn, filha do conde, freqüentava festas em Londres ostentando as jóias encontradas no sepulcro. Além disso, seu pai montou uma imensa coleção de raridades egípcias. De acordo com os registros, o arqueólogo Carter encontrou 200 quilos de ouro maciço decorando o túmulo do soberano.
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Fonte: Demoniac Soul

sábado, 29 de setembro de 2012

Buda descoberto por nazistas veio do espaço


Ler Buda, nazistas e espaço no título acima parece roteiro de filme ruim e surreal, embora a história seja bastante verdadeira. Pesquisadores descreveram a descoberta de uma estátua de Buda na revista Meteoritics & Planetary Science. Até aí, tudo bem. O que ela tem de interessante? Aparentemente, o pesado objeto foi trazido da fronteira entre a Sibéria e a Mongólia para a Europa pelos nazistas. Também, aparentemente, a estátua foi esculpida a partir de um meteorito que caiu provavelmente há 10.000 anos na Terra.

Em uma expedição ao Tibete entre 1938 e 1939, o zoólogo e etnologista Ernst Schäfer, enviado à região pelo partido nazista para encontrar as raízes (origens) arianas, trouxe o “homem de ferro” (apelido que os pesquisadores deram à estátua) à Alemanha. Em seguida, o objeto passou para as mãos de um proprietário privado.

O “Buda do espaço” é de idade desconhecida. As melhores estimativas colocam o surgimento da estátua em algum momento entre os séculos VIII e X. A escultura retrata um homem, provavelmente um deus budista, com as pernas dobradas, segurando algo na mão esquerda. Em seu peito há uma suástica budista, um símbolo de sorte comum na cultura oriental que decora muitas estátuas hindus e budistas, que mais tarde foi usado pelo partido nazista da Alemanha.

“Pode-se especular que o símbolo da suástica na estátua foi uma motivação potencial para trazer o artefato para a Alemanha”, disseram os pesquisadores.

A identidade do homem esculpido não é totalmente clara, mas os pesquisadores suspeitam que ele pode ser o deus budista Vaisravana, também conhecido como Jambhala. Vaisravana é o deus da riqueza ou da guerra, muitas vezes retratado segurando um limão (símbolo de riqueza) ou saco de dinheiro na mão.

O homem de ferro tem um objeto não identificado em sua mão. A estátua tem cerca de 24 centímetros de altura e pesa cerca de 10,6 kg.

Meteorito e religião

O cientista da Universidade de Stuttgart (Alemanha) Elmar Bucher e seus colegas analisaram a estátua em 2007, quando o proprietário lhes permitiu levar cinco amostras minúsculas do objeto. Em 2009, a equipe pode analisar amostras maiores do interior da estátua, que é menos propenso ao desgaste ou contaminação por manipulação humana do que o exterior. Eles descobriram que a estátua foi esculpida a partir de uma classe rara de rochas espaciais, conhecida como meteoritos ataxite. Estes meteoritos são feitos principalmente de ferro e têm um nível elevado de níquel.

O maior exemplo conhecido desse tipo de rocha, o meteorito Hoba da Namíbia, pode pesar mais de 60 toneladas. Uma análise química das amostras do homem de ferro revelou que ele vem de outro meteorito ataxite, o Chinga. Essa rocha espacial caiu na Terra entre 10.000 e 20.000 anos atrás, perto da fronteira entre a Sibéria e Mongólia. Conforme atingiu o solo, ele se fragmentou em diversos pedaços, e apenas dois mais pesados do que 10 kg eram conhecidos antes da nova análise. A estátua se tornou a terceira peça grande desse meteorito, com 10,6 kg.

Segundo Bucher, muitas culturas utilizavam meteoritos de ferro para fazer punhais e até joias. Cientistas suspeitam que outros objetos venerados podem ter origens extraterrestres semelhantes, incluindo a Pedra Negra, em Meca, Arábia Saudita, mas é difícil verificar essas suposições porque os objetos nunca foram completamente analisados cientificamente.

Também, nenhum desses fragmentos de meteoritos foi supostamente esculpido por motivos religiosos. “Metais de meteoritos estão associados a uma série de culturas antigas. Há relatos de colares egípcios feitos com metal de meteoros, mas não há nenhuma evidência de que os egípcios tinham conhecimento de sua procedência extraterrestre”, explica Matthew Genge, do Imperial College de Londres (Reino Unido).

Sendo assim, afirma Bucher, apesar da adoração ao meteorito ser comum entre culturas antigas, a escultura de Buda é única. “A estátua do homem de ferro é o único exemplo conhecido de uma figura humana esculpida a partir de um meteorito, o que significa que nada pode ser comparado a ela para avaliar seu valor”, afirma.

Mas esse valor é alto, com certeza. “Apenas suas origens já valorizaram a estátua em US$ 20.000 (cerca de R$ 40 mil), no entanto, se a nossa estimativa da sua idade estiver correta e ela tiver quase mil anos de idade, seu valor pode ser inestimável”, opina Bucher.

E porque será que alguém resolveu esculpir tal estátua religiosa nesse material? Os especialistas acreditam que há uma boa chance dos povos antigos terem se maravilhado com o fenômeno de meteoritos caindo do céu.

“Não há nenhuma evidência definitiva de que povos antigos testemunharam e reverenciaram quedas de meteorito”, diz Genge. “No entanto, as chances são boas. Há tantas testemunhas de quedas modernas que os povos antigos também devem tê-las presenciado. E tais eventos especiais que devem ter atraído admiração e especulação”.

Fontes: MSN, NewScientist, MedicalDaily

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Floresta pré-histórica preservada na China


Cientistas americanos e chineses estão boquiabertos depois de descobrirem uma floresta gigante de 298 milhões de anos enterrada intacta sob uma mina de carvão perto de Wuda, na Mongólia Interior, na China.

Eles estão a chamando de "Pompéia do período Permiano", porque, como a antiga cidade romana, foi coberta e preservada por cinzas vulcânicas.

Como Pompéia, esta floresta de brejo está tão perfeitamente mantida que os cientistas sabem onde cada planta estava originalmente. Isso lhes permitiu mapear e criar as imagens acima. Este achado é extraordinário, de acordo com o paleobotânico Hermann Pfefferkorn, da Universidade da Pensilvânia, que a caracterizou como "uma cápsula do tempo".

Eles estão de fato encontrando árvores inteiras e plantas exatamente como eram no momento da erupção vulcânica, como os arqueólogos encontraram em Pompéia seres humanos, animais e edifícios na base do Monte Vesúvio, perto de Nápoles, na região italiana da Campânia. A única diferença é que a Pompéia foi sepultada no ano 79 dC e esta floresta foi coberta de cinzas 298 milhões de anos atrás, durante o período Permiano.

Até agora, eles identificaram seis grupos de árvores, algumas delas de 24 metros de altura. Algumas delas são Sigillaria e Cordaites, mas também encontraram grandes grupos de um tipo chamado Noeggerathiales, que agora estão completamente extintas.

Fonte: Gizmodo

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Oráculo de Delfos: o umbigo do mundo

"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."  (c. 650 a.C. - 550 a.C.)
Durante mais de 15 séculos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o Oráculo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local onde os peregrinos vindos das mais diversas latitudes do mundo helênico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual o seu destino, da sua família ou da sua pátria. Delfos tornou-se um dos lugares sagrados mais venerados pelos gregos, sendo que suas previsões e predições tiveram enorme repercussão nos destinos de reis, de tiranos e de muita outra gente famosa daqueles tempos..

Situado na Grécia, no que foi a antiga cidade chamada Delfos (que hoje já não existe), no sopé do monte Parnaso, nas encostas das montanhas da Fócida, a 700 m sobre o nível do mar e a 9,5 km de distância do golfo de Corinto.

Delfos era um recinto e um complexo de construções num terreno sagrado para os antigos gregos, onde se realizavam os Jogos Píticos e havia um templo consagrado ao deus Apolo, originalmente consagrado à Pítia. Neste templo, as sacerdotisas de Apolo (Pitonisa) faziam profecias em transes. As respostas e profecias ali obtidas eram consideradas verdades absolutas. Hoje, suspeita-se que os transes e visões das sacerdotisas eram provocados por gases emitidos por uma fenda subterrânea no local.

Das rochas da montanha circundante brotam várias nascentes que formam fontes. Uma das fontes mais conhecidas desde tempos muito antigos era a fonte de Castália, rodeada de um bosque de loureiros consagrado ao deus Apolo. A lenda e a mitologia contam que no monte Parnaso e próximo desta fonte se reuniam algumas divindades, deusas menores do canto e da poesia, chamadas musas, e as ninfas das fontes, chamadas náiades. Nestas reuniões Apolo tocava a lira e as divindades cantavam. Conta-se que o oráculo de Delfos ganhou tamanho significado mágico após o deus Apolo matar a serpente Phyton neste local, daí que se deriva o nome das sacerdotisas (pitonisas).

O oráculo de Delfos influenciou significativamente a colonização grega das costas do sul da Itália e da Sicília. Chegou a ser o centro religioso do mundo helênico.

A Fócida ou Fócia é uma antiga região do centro da Grécia atravessada pelo grande maciço do monte Parnaso. Na época da Grécia clássica uma parte desta região, a que está situada junto desse monte, tinha o topónimo de Pyto (ou Pito), em grego Πυθω. Este lugar é conhecido como Delfos, ou seja, Pyto e Delfos são sinônimos. O porto de Itea era o acesso por mar mais próximo de Delfos.

O recinto inclui ainda os chamados tesouros (θεσαυρυς), que eram pequenas construções semelhantes a capelas onde se guardavam os ex-votos e os donativos que frequentemente eram muito valiosos. Sabe-se que existiam estes tesouros: tesouro de Siracusa, tesouro de Cirenea, tesouro de Cnido, tesouro de Sifnos, tesouro de Sición (muito importante), tesouro de Tebas, tesouro de Corinto, tesouro dos etruscos e tesouro dos atenienses (o único restaurado).

Fontes: Wikipedia; Educaterra.