terça-feira, 12 de abril de 2016

Edgar Cayce (1877-1945)



"Pois a mente é o construtor e com ela o que pensamos podem vir a ser crimes ou milagres. E os pensamentos são as coisas e, à medida que seu fluxo atravessa as imediações da experiência de uma entidade, estes se tomam barreiras ou pedras no caminho, dependendo da maneira como foram arrumados." — Edgar Cayce

Definição: Edgar Cayce foi o maior paranormal da América e era conhecido como o "profeta sonolento", por sua experiência em entrar num transe semelhante ao sono durante suas leituras. Diz-se que ele era capaz de penetrar o Registro Akáshico, o grande campo de energia que se dizia cercar o planeta, contendo a história de todas as experiências da humanidade.

O que os crentes dizem: Cayce era um precognitivo extraordinário, assim como um talentoso curandeiro paranormal cujo índice de sucesso com as leituras e os diagnósticos a longa distância pôde ser visto e confirmado inúmeras vezes por observadores isentos.

O que os céticos dizem: Não há provas de que Cayce tivesse qualquer tipo de poder paranormal. É bastante improvável que as supostas "curas" fossem decorrentes de sua intervenção ou de precognição, e não há nada que comprove isso, exceto pelos depoimentos de alguns.

Qualidade das provas existentes : Excelente.

Probabilidade de o fenômeno ser paranormal : Muito Alta.

Os dons paranormais de Edgar Cayce surgiram ainda na infância. Aos seis anos, ele contou aos pais que era capaz de conversar com parentes falecidos e anjos. Já um pouco mais velho, surpreendeu os professores ao memorizar todas as palavras de seu livro de soletrar apenas dormindo sobre ele, em vez de lê-lo. Tempos depois, Cayce contou sobre a visita de um ser angelical que lhe perguntou o que ele pretendia fazer da vida. Ele falou que esperava ser capaz de ajudar a curar os doentes, e, como resposta, o ser lhe disse que seu desejo seria atendido.

Cayce percebeu pela primeira vez que tinha sensibilidade para compreender as aflições físicas ao perder a voz enquanto trabalhava como vendedor de livros e seguros em parceria com seu pai, Leslie Cayce. Seu trabalho o obrigava a viajar, e ele já ganhava o suficiente para acalentar sonhos de casamento. Certo dia, aos 23 anos, Cayce tomou um analgésico para tratar uma dor de cabeça e, pouco depois, apareceu com um caso sério de laringite. Sua voz tornou-se pouco mais do que um sussurro, mas, a princípio, ele não ficou preocupado, pois sabia que muitas pessoas perdiam a voz por breves períodos de tempo. A voz, porém, não voltou, e, após meses de tratamento médico e consultas a especialistas sem sucesso, Cayce teve de largar o trabalho e procurar por alguma ocupação que não o obrigasse a falar.

Por fim, encontrou trabalho em sua cidade natal, Hopkinsville, no Kentucky, como fotógrafo assistente. Nessa época, ele já estava resignado a nunca mais conseguir falar normalmente, mas encontrou conforto em sua noiva, Gertrude, na família e na leitura diária da Bíblia.

Certo dia, um hipnotizador em viagem chamado Hart, o Rei Risonho, apareceu em Hopkinsville. Alguém na cidade que conhecia o trabalho de Hart com a hipnose contou-lhe da perda de voz crônica e aparentemente incurável de Cayce, e Hart propôs fazer uma experiência com Edgar. Ele concordou e foi hipnotizado por Hart. Para surpresa de todos os presentes, Cayce conseguiu falar de modo normal e claro durante a hipnose. Tão logo acordou, porém, sua voz voltou a ser um fraco sussurro. A experiência foi repetida diversas vezes e, a cada vez, a voz de Cayce desaparecia assim que ele acordava do transe hipnótico.

13 de março de 1901. Hart, o Rei Risonho, há muito tinha partido e Edgar Cayce ainda estava sem voz. Contudo, ele ainda não perdera as esperanças de recuperar a voz e insistiu com um morador da cidade com habilidades em hipnose para que o ajudasse.

Cayce entrou em transe e imediatamente começou a falar de forma normal. Ele logo identificou a perda de voz como uma "condição psicológica que produzia um efeito físico". Disse então a si mesmo como curá-la: precisava aumentar o fluxo de sangue na garganta e na parte superior do tórax. Enquanto todos assistiam, o pescoço e a parte superior do tronco de Cayce adquiriram um vermelho vivo à medida que ele bombeava o sangue para as áreas afligidas.

Ao acordar, sua voz havia retornado.

Esse incidente foi o começo da vida de Edgar Cayce dedicada à "leitura" para pessoas de todos os lugares do mundo. Mesmo sem uma educação formal, tampouco treinamento médico, Cayce era capaz de identificar o que havia de errado com as pessoas e lhes dizia o que fazer para ficarem curadas. Muitas vezes, bastavam o nome e o endereço do doente. Cayce deitava-se num sofá, entrava num estado de fuga que era uma combinação de sono e transe, e em seguida respondia às perguntas que lhe eram feitas. Dizia não se lembrar do que tinha dito enquanto estava nesse "estado", e muitas vezes se admirava com as palavras que usava durante uma leitura. Sua secretária, Gladys Davis, transcrevia tudo o que ele dizia durante suas Leituras de Vida, a maioria conduzida e guiada por sua mulher, Gertrude.

Hoje em dia, todas as leituras de Cayce encontram-se guardadas na Associação para Pesquisa e Iluminação de Virgínia Beach (A. R. E., em inglês), na Virgínia, e estão disponíveis em CD-ROM. Estima-se que Cayce tenha respondido a perguntas sobre mais de dez mil assuntos diferentes durante essas leituras. Seu índice de sucesso era extraordinariamente alto e excedia em muito os caprichos do acaso e da coincidência.

A fama de Cayce espalhou-se pelo mundo e ele foi investigado tanto por céticos quanto pela polícia devido a seus "conselhos médicos" e à suspeita de práticas de adivinhação. Certo escritor católico que visitou Virgínia Beach na intenção de "desmascarar" Cayce acabou escrevendo uma aclamada biografia sobre ele.

E, então, Edgar Cayce era um verdadeiro paranormal? Um profeta? Um vidente? Ou teria sido apenas incrivelmente sortudo?

As evidências comprovam de modo estarrecedor que Cayce era um verdadeiro clarividente. Alguns fundamentalistas afirmam aos berros que suas leituras são obra do Diabo, alegando que ele promovia a demonologia e o ocultismo. Essa é uma postura curiosa de se assumir com relação a uma pessoa que não demonstrou outro interesse que não o de ajudar pessoas e que leu a Bíblia de cabo a rabo todos os anos de sua vida.

Para resumir, eis aqui uma passagem do artigo "A percepção extrassensorial de Edgar Cayce: quem foi ele, o que ele disse e como tudo se tornou verdade", por Kevin J. Todeschi. Ela aparece no site da A. R. E. e é uma prova de que Cayce era exatamente o oposto de um corruptor da humanidade com influências demoníacas:

"No decorrer de sua vida, Edgar Cayce jamais alegou ter alguma habilidade especial, e tampouco se considerava uma espécie de profeta do século XX. As leituras nunca ofereciam um conjunto de crenças a ser adotado, muito pelo contrário: elas focalizavam no fato de que cada pessoa devia testar na própria vida os princípios apresentados. Ainda que o próprio Cayce fosse cristão e lesse a Bíblia de cabo a rabo todos os anos, seu trabalho enfocava a importância de um estudo comparativo entre os sistemas de crenças de todo o mundo. O princípio subjacente das leituras é a unicidade da vida, a tolerância para com todos e a compaixão e a compreensão por todas as principais religiões do mundo." 


Fonte: Os 100 Maiores Mistérios do Mundo - Stephen J. Spugnesi - Difel 2004