quinta-feira, 21 de março de 2013

Os cátaros

“Matem-nos a todos. Deus se encarregará dos seus”...

Os cátaros a exemplo dos primeiros cristãos levavam vida ascética de alta espiritualidade, vivenciando na prática um cristianismo puro, numa total alta-renúncia a tudo o que era deste mundo, eram conhecidos como verdadeiros discípulos de Cristo, a serviço do mundo e da humanidade, um verdadeiro exemplo de amor ao próximo.

O catarismo (do grego καϑαρός katharós, "puro") foi um movimento cristão, considerado herético pela Igreja Católica que manifestou-se no sul da França e no norte da Itália do final do século XI até meados do séculos XIV. Suas ideias tem fortes paralelos com o gnosticismo do início da era cristã. Os historiadores indicam sua formação a partir da expansão das crenças dos bogomilos (Reino dos Búlgaros) e dos paulicianos (Oriente Médio). Eles afirmavam ser os verdadeiros e bons cristãos. Traziam em sua doutrina a assinatura da mensagem sincrética do iniciado persa Mani, que tinha espalhado pelo mundo antigo sua doutrina gnóstica.

A salvação para o catarismo era a libertação da alma de seu invólucro, isto é, o corpo material impuro. Devido a essa concepção, alguns historiadores afirmam que os cátaros viam com bons olhos o suicídio. Entretanto, trata-se de uma má interpretação da ideia da Endura, que consistia em uma morte simbólica do eu.

Os sacerdotes cátaros, ou Bons Homens, como se auto-denominavam, levavam vidas simples e castas, desprovidos de quaisquer posses materiais, buscando afastar-se ao máximo da corrupção do mundo. Eles eram considerados Bons Homens a partir do momento em que recebiam o Consolamentum, um rito que representava de maneira simbólica sua morte com relação ao mundo corrupto. Os crentes cátaros somente recebiam o Consolamentum nos momentos que antecediam sua morte. Os Bons Homens caminhavam entre o povo, pregando, e também auxiliando a população em suas necessidades, inclusive no tratamento de enfermos, pois muitos possuíam conhecimentos da medicina da época. Seu modo de vida lhes rendeu a admiração da população e o apoio dos nobres locais.

Devido à força do movimento e sua rápida expansão, o Catarismo foi visto como uma perigosa heresia pela Igreja Católica. A perseguição iniciou-se por uma tentativa fracassada de reconversão da população local. Posteriormente, foram instalados tribunais de inquisição. A convivência local entre Católicos e Cátaros era boa, existindo poucos relatos históricos de conflitos, e diversos relatos de encobrimento de cátaros por católicos no período.

A cruzada cátara

A resistência às sucessivas tentativas de reconversão da população local provocou a organização da Cruzada albigense. Iniciada em 1209, a cruzada durou cerca de 35 anos. Foi comandada por Simon de Montfort sob ordem do Papa Inocêncio III. Seus enviados estampavam uma cruz em suas túnicas e tinham como meta a absolvição de todos os pecados, a remissão dos castigos, um lugar a salvo no céu e, como recompensa material, o produto de todos os saques.

A primeira cidade tomada foi Beziers, e o massacre foi quase total. O abade de Citeaux, representante papal, ao ser questionado sobre como seriam reconhecidos os cátaros e os católicos, ele havia respondido: "Matem a todos... Deus se encarregará dos seus...".

Luís VIII de França também participou da Cruzada. Iniciada com a invasão de Beziers (1209), ela só teve fim após diversas batalhas (onde se destacam a de Muret, em 1213, e a de Toulouse, em 1218) logo após o Tratado de Meaux (1229), já sob o reinado de Branca de Castela. Na verdade, porém, Montségur permaneceu até 1244 como um dos últimos pontos de resistência. O último reduto cátaro, a cidade de Quéribus, foi tomada em 1256.

A morte do "último cátaro" aconteceu bem mais tarde, em 1321, perseguido pela Inquisição liderada por Jacques Fournier em Pamiers. Mais tarde, Jacques Fournier foi instalado como Papa Bento XII e procedeu à construção do Palácio de Avignon, onde se estabeleceu o papado.

Fontes: Wikipedia; Mistérios Antigos.com.