terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um túnel sob o Pacífico

Atahualpa foi executado por estrangulamento, garroteado em 26/07/1533. 


"Se os espanhóis, entrando em Cuzco, não tivessem agido com tamanha crueldade, trucidando Atahualpa, quem sabe quantos navios teriam sido necessários para transportar à Espanha todas aquelas riquezas que agora jazem sepultadas nas entranhas da terra e que talvez lá fiquem para sempre, pois os que as esconderam morreram sem revelar o segredo."

Assim escreve o historiador-soldado Cieza de León poucos anos após o assassinato do último imperador inca e as chacinas realizadas por Pizarro e suas hordas. E com toda razão, pois os aventureiros ibéricos, cegos pela cobiça de riqueza, portaram-se da maneira menos adequada para satisfazê-la.

Como se sabe, Pizarro aprisionou o Imperador Atahualpa e declarou que ia lhe devolver a liberdade contra a entrega total das ri­quezas dos incas. Antes de tomar uma decisão, a mulher do soberano consultou (ao que se diz) o oráculo solar e, sabendo que o cônjuge de qualquer maneira ia ser morto, suicidou-se após ter ordenado que as riquezas cobiçadas pelos insaciáveis espanhóis fossem escon­didas.

Onde? "Em galerias mais seguras do que fortalezas" — diz o arqueólogo inglês Harold Wilkins — "escavadas no coração das montanhas e ocultas por misteriosos hieróglifos que oferecem o "abre-te Sésamo!", e dos quais somente um inca em cada geração conhece o significado; em subterrâneos construídos há milhares e milhares de anos por uma civilizadíssima raça desaparecida".

A hipótese é viável: subterrâneos dessa natureza são extremamente numerosos, mas não apenas no território antigamente controlado pelo império inca. O mais conhecido é, todavia, formado por uma rede de galerias que comunicariam Lima com Cuzco, antiga capital do Peru, para em seguida continuar em direção sudeste, até o limite da Bolívia. Segundo antigos documentos, o túnel abrigaria riquíssima tumba real, e foi justamente esse pormenor que acendeu entu­siasmos que não poderíamos definir como estritamente científicos. Todavia, esperanças como essa deverão permanecer assim ainda por muitos anos: as pesquisas necessitariam verbas vultosíssimas, quer para desobstruir as galerias dos detritos que as entopem já a poucos metros da abertura, quer para purificar o ar empestado, estagnado lá dentro há vários séculos. Isso sem levar em conta os perigos que a cada passo esperam os exploradores: diz-se que os incas teriam preparado armadilhas mortais disparadas pela passagem de even­tuais intrusos, provocando desmoronamentos desastrosos.

Além do fascínio popular que despertam, aquelas galerias representam intrigante mistério arqueológico. Os cientistas que com elas se ocuparam estão de acordo em afirmar que os subterrâneos não podem ter sido cavados pelos incas: eles os teriam usado conhecendo sua existência, mas não sua origem. Trata-se de obras tão imponen­tes que não parece absurda a hipótese levantada por aqueles cien­tistas: são galerias cavadas por desconhecida estirpe de gigantes.

É curioso o fato de que quase todo nosso planeta é cortado por túneis dessa natureza, sobre os quais ainda teremos de falar. Encontramo-los, além de na América do Sul, também na Califórnia, Vir­gínia, Havaí (onde ligariam as diferentes ilhas dos arquipélagos), Oceania, Ásia e ainda na Suécia, Tchecoslováquia, Ilhas Baleares e em Malta. Uma enorme galeria, explorada por cinqüenta quilôme­tros, une a Península Ibérica a Marrocos, e é opinião corrente que através dessa passagem tenham chegado da África os macaquinhos (únicos no continente europeu) que se encontram perto do afamado penhasco.

Há até quem afirme que as ciclópicas galerias cavadas em tantos lugares põem em contacto pontos afastadíssimos de nosso planeta. Lembramos a respeito o episódio contado pelo jornalista John Sheppard, correspondente, no Equador, de um grande periódico americano. Ele narra ter encontrado no verão de 1944, na fronteira com a Colômbia, um mongol perdido em meditação, com uma "roda para orações" tipicamente tibetana. Seria nada mais, nada menos, que o décimo terceiro Dalai Lama, oficialmente morto em 1933, mas nunca sepultado na cripta destinada a seus restos mortais: porque o Lama (afirma-se em Lassa) não teria morrido, mas, por longa peregrinação subterrânea, ter-se-ia afastado para orar nos Andes, onde, segundo alguns sacerdotes, teria surgido a religião lamaísta antes de "se adaptar" ao budismo.

O conto não é, na verdade, daqueles que se aceitam de olhos fechados. Quem tentou aprofundar o problema com algum Lama erudito, obteve como resposta mais ou menos isto: "as galerias existem, cavadas pelos gigantes que nos deram sua ciência quando o mundo era jovem".

Sua ciência? Ouvindo Robert Charroux, quase acreditamos. "O engenheiro Eupalinos" — lembra ele — "dirigiu os trabalhos de escavação da galeria de Samos, que mandou começar pelas duas aberturas projetadas. O túnel tem 900 metros de comprimento, mas as equipes de operários se encontraram no ponto previsto; a própria galeria se apresenta absolutamente retilínea. Para realizar um trabalho semelhante, os italianos e franceses que perfuraram o Monte Branco tiveram que usar instrumentos eletrônicos de medida, radar, reveladores magnéticos e ultra-sons. Ora, parece que Eupalinos não dispunha sequer de uma bússola."

As conclusões semelhantes parecem nos querer levar muitas esculturas maravilhosas, sem idade, das cinco enormes cabeças de basalto encontradas em 1939 no meio da selva mexicana, estátuas que lembram outras — famosíssimas — da Ilha da Páscoa, as figurações andinas, certas estátuas asiáticas e outras oceânicas.

Assombrosa é uma montanha brasileira, na Gávea, bairro do Rio de Janeiro: apesar dos fenômenos de erosão que evidentemente ocorreram no tempo, tem-se nítida impressão de que ela foi esculpida em época muito remota, recebendo a forma de uma cabeça barbuda, coberta por um capacete com ponta. E não é tudo: sobre uma parede lisa, perfeitamente vertical, que dá origem a um abismo de 840 metros de altura, existe uma inscrição cuneiforme com 3 metros de altura. Como seus autores conseguiram gravá-la na parede é um mistério para cuja solução não existe sequer uma pálida hipótese.

Escritas semelhantes foram descobertas pelo arqueólogo Bernardo da Silva Ramos em várias outras localidades da América Latina. A esse cientista cabe também o mérito de nos ter revelado as monumentais ruínas de Marajó, ilha do Rio Amazonas, com suas imponentes salas subterrâneas ligadas entre si por galerias com paredes de pedra. E naquela localidade mais um quebra-cabeça se ofereceu à ciência: uma coleção de belíssimos vasos com desenhos que lembram muito de perto os etruscos.

A propósito de inscrições cuneiformes, enfim, não podemos esquecer as do planalto de Roosevelt, entre o Amazonas e Mato Grosso: encontram-se, com símbolos lamentavelmente indecifráveis, sobre gigantescos discos de pedra divididos em seis setores, que se acredita serem tabelas para cálculos astronômicos.

Poderíamos estender mais essa interessante resenha, mas, não que­rendo abusar da paciência do leitor, terminamo-la deslocando-nos pelos arredores de Bamian, cidadezinha do Afeganistão, a noroeste de Kabul, e atualmente em ruínas. Desenvolveu-se no meio de um vale circundado por cavernas naturais e artificiais, vigiada por cinco estátuas: a primeira tem 54 metros de altura, a segunda 38, a terceira 18, a quarta 4, enquanto a quinta não supera a estatura de um homem atual.

Pensou-se que esses monumentos fossem imagens de Buda, mas depois descobriu-se que essa interpretação é devida aos sacerdotes budistas que se instalaram nas cavernas ao redor de 100 d.C. As estátuas são, com efeito, muito mais antigas, conforme apontou o exame de uma espécie de capa feita de cimento e aplicada às costas do colosso de 54 metros, sabe-se lá quantos milhares de anos atrás. — Mas o que querem representar os cinco monumentos? Talvez o declínio dos gigantes, sua progressiva redução de estatura e, por fim, a passagem do poder ao Homo sapiens?

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Fonte: KOLOSIMO, Peter - Antes dos Tempos Conhecidos -  Edições Melhoramentos - 4.a Edição  - 1968.