quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pé-de-garrafa

O Pé-de-garrafa é um ente misterioso que vive nas matas e capoeiras. Não o vêem, ou o vêem raramente. Ouvem sempre seus gritos estrídulos, ora amedrontadores, ora tão familiares que os caçadores procuram-nos, acreditando tratar-se de um companheiro perdido.Quanto mais buscam, menos o grito serve de guia, pois multiplica-se em todas as direções, atordoa, desvaira, enlouquece.

Os caçadores terminam perdidos ou voltam para casa depois de luta áspera para reencontrar o caminho habitual. Sabem tratar-se do Pé-de-garrafa, porque assinala sua passagem com um rastro redondo, profundo, lembrando um fundo de garrafa. Supõem que o fantasma tenha as extremidades circulares, maciças, fixando vestígios inconfundíveis.

Pé-de-garrafa, Pé-de-quenga, o pé contorço, arredondado, é índice demoníaco. Mãos em garra e pés redondos são "constantes" do senhor diabo. Tem a figura de um homem, é completamente cabeludo e possui uma única perna, a qual termina em casco em forma de fundo de garrafa. Nas velhas Missões de Januária, em Minas Gerais, o mítico Bicho-homem tem também um pé só, pé enorme, redondo, e é denominado, por isso, pé-de-garrafa.

Vale Cabral, um dos primeiros a estudar o Pé-de-garrafa, considerou-o natural do Piauí, morando nas matas como o Caapora, e devia ser de estatura invulgar, a julgar pela pegada enorme que ficava na areia ou no barro mole do massapê. Em Oeiras, Piauí, existe também uma marca redonda em pedra tida como o "Pé do Diabo", perto de um petróglifo com a forma de uma pegada humana (chamado "Pé de Deus"). A entidade da pegada em forma de fundo de garrafa é internacional, tendo sido também identificada no folclore basco (vide o Basajaun), segundo o erudito cearense Gustavo Barroso (1888-1959).

O sertanista Renato Ignácio da Silva procurou uma explicação racional para as marcas em forma de fundo de garrafa que pululam no imaginário do caboclo. Seria talvez a fantasia de uma estratégia nas incursões dos caiapós do Brasil Central para despistar seus inimigos. Diz ele: “(...) Mesmo quando são muitos, apóiam-se nos calcanhares, levantando os dedos dos pés. No rasto tão pequeno deixado pelo primeiro índio caiapó, todo o resto passará, repisando-o, deixando, no chão, uma rodela do tamanho do fundo de um copo. O que deu margem à lenda do bicho-garrafa, tão temido pelos crédulos sertanejos”.

Mesmo que essa curiosa estratégia de despistamento fosse usual entre os indígenas de todo o Brasil, não explicaria os petroglifos feitos com muita paciência e instrumentos de percussão. Nos lajedos às margens do rio Negro, em frente à antiga prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), estão gravados vistosos "fundos de garrafa". O mesmo ocorre junto a petróglifos multimilenares da ilha de Maracá (Roraima). 

Fonte: Fantastipedia.
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