segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sereias - Um Debate

Ilustração de Chéri Hérouard para revista La Vie Parisienne de 1932.

Ela é uma besta do mar maravilhosamente esculpida, uma mulher da cintura para cima e um peixe da cintura para baixo. Seus acordes doces fazem os marinheiros dormirem. Ela então entra no navio e carrega alguém consigo até um lugar seco. E o obriga a se deitar com ela, e, caso ele recuse ou diga que não possa, ela o mata e come sua carne. — Bartholomew Anglicus

Definição: Uma lendária criatura do mar com cabeça e tórax de mulher e rabo de peixe.

O que os crentes dizem: As histórias mitológicas de sereias e tritões surgiram das visões dos antigos de seres reais. As sereias são reais e ainda são vistas hoje em dia. Talvez sejam alguma espécie desconhecida de peixe ou mamífero aquático. O filme Splash — Uma Sereia em Minha Vida deveria ser visto como um documentário.

O que os céticos dizem: As sereias e os tritões são pura fantasia. Não existe esse negócio de híbrido de homem com peixe.

Qualidade das provas existentes: Fraca.

Probabilidade de o fenômeno ser paranormal: Baixa.

Ao final de abril de 1608, Henry Hudson, o explorador inglês do século XVII que descobriu o rio Hudson, deixou a Inglaterra numa viagem para encontrar uma rota norte até as Índias Orientais. Ele fracassou e, após quatro meses de viagem até o mar de Barents, Hudson e sua tripulação voltaram para a Inglaterra.

Durante a viagem, dois de seus tripulantes, Thomas Hill e Robert Raynor, disseram ter visto uma sereia próxima à costa de Novaya Zemlya, um grupo de ilhas ao norte da Rússia. O capitão Hudson registrou cuidadosamente a aparição extraordinária em seu diário, no dia 15 de junho de 1608:

"Hoje à noite, um dos nossos, ao olhar pela amurada, viu uma sereia e chamou alguns tripulantes. Aproximou-se outro, e então ela já se encontrava mais perto da lateral do navio, olhando ávida para os homens… Da cintura para cima, as costas e os seios pareciam os de uma mulher… o corpo tão grande quanto o de qualquer um de nós; a pele muito branca; o cabelo comprido pendendo nas costas, preto; na parte de baixo, um rabo, tal como o rabo de um golfinho, mas pintado como o de uma cavalinha."

A compilação maciça, feita em 1900 por Alexander Carmichael dos folclores escocês e galés, "Carmina Gadelica", contém a história de uma sereia vista pelos cidadãos da ilha de Benbecula:

A princípio, eles tentaram capturá-la, mas ela era rápida e sempre conseguia fugir. Por fim, enquanto a sereia tentava nadar em direção ao mar aberto, um garoto fez o que os jovens fazem quando se sentem frustrados. Jogou uma pedra, acertando-a nas costas. Ela submergiu, mas a pedrada fora fatal e seu corpo morto apareceu na orla alguns dias depois. Ao ser examinado, os moradores da ilha notaram que a parte superior do corpo da criatura era do tamanho de uma criança de quatro anos, embora ela apresentasse seios completamente desenvolvidos. A parte inferior era semelhante à de um salmão. Sua pele era branca e o cabelo longo e escuro, e, segundo as testemunhas, ela parecia exatamente com o que todos esperavam de uma sereia: metade humana, metade peixe. Sua aparência humana era tão cativante que o xerife ordenou que ela fosse enterrada, com direito a caixão e mortalha — como se fosse uma pessoa.

Ulisses e as Sereias - Herbert James Draper, 1909.

Seria essa criatura uma sereia de verdade? Ou seria apenas uma baleia, uma foca ou um dugongo encalhado?

Essa pergunta demanda um segundo para pensar: seria possível que os marinheiros da ilha não fossem capazes de reconhecer uma baleia, foca ou dugongo encalhado?

A história da sereia de Benbecula é uma das mais enigmáticas de todos os tempos e ainda não foi satisfatoriamente explicada.

A lenda da sereia origina-se de duas fontes principais: a mitologia babilônica do século VI a.C. e as criaturas marítimas confundidas com humanos.

Oannes era um deus babilônio com uma forma humana e o rabo de um peixe. Os primeiros relatos de sereias como criaturas reais datam dos escritos de Plínio, o Velho, no século I. Plínio declarou que os soldados de Augusto César viram cadáveres de sereias espalhados por uma praia em Gaul.

Para aumentar ainda mais as lendas e os escritos, há as criaturas vistas pelos marinheiros; criaturas que, observadas em meio à neblina, ou de longe, poderiam ser facilmente confundidas com humanos com rabos de peixe.

Há séculos, focas, dugongos, morsas, baleias e outras criaturas com forma humanoide — isto é, cabeça, um tronco que se afina em direção aos quadris, barbatanas que poderiam ser confundidas com braços — convencem os marinheiros de estarem vendo uma sereia lendária. (Tenha em mente, também, que um grande número dos antigos escritos arquivados relativos a sereias data de uma época em que não existia esse negócio de "visão corrigida". Não é forçar a barra imaginar um marinheiro míope que se convence, ao olhar através da neblina para um dugongo deitado numa pedra, de estar vendo algo mais do que uma simples criatura marinha.)

Em 1961, a Secretaria de Turismo da Ilha de Man, na Grã-Bretanha, ofereceu um prêmio a quem se apresentasse com uma sereia viva. O prêmio ainda não foi reclamado.


Fonte: Os 100 Maiores Mistérios do Mundo - Stephen J. Spugnesi - Difel 2004
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