sábado, 18 de junho de 2016

O Faquir e Seus Segredos


Que domínio possui a nossa mente sobre as funções do corpo? Fora meia dúzia de ações que são comandadas voluntariamente, como andar ou comer, a maioria das pessoas não tem controle nenhum sobre o funcionamento de seu corpo. 

Mas, reza a lenda, há até quem consiga induzir um estado cataléptico.

São as fantásticas histórias dos faquires indianos, homens supostamente sagrados, iniciados na ordem sufi do islamismo, que fizeram voto de pobreza e andam de aldeia em aldeia demonstrando seus poderes absurdos e recolhendo alguns trocados.

Há documentos históricos de casos muito intrigantes. Em 1835, o marajá de Lahore ouviu falar de um homem que tinha sido enterrado vivo por quatro meses e sobrevivera. Mandou chamar o faquir e o desafiou a repetir o feito nos jardins de seu palácio. Depois de uns dias com uma alimentação especial e exercícios de limpeza do organismo, o asceta teria começado a meditar. Em poucos segundos, seu pulso se tornou indetectável. Foi, então, enterrado. Em volta de sua sepultura, se ergueu um muro, vigiado por guardas. Depois de 45 dias, o faquir foi desenterrado. Em menos de uma hora, ele estava em pé. Pode ter sido truque, mas o faquir não foi pego em nenhum deslize.

Parece haver uma relação entre a meditação e o controle de funções que normalmente são automáticas no corpo humano. Daí talvez a capacidade de dominar a dor, para se deitar em uma cama de pregos, andar sobre o fogo ou se pendurar por ganchos.

Mas há muito de folclore em torno dos supostos poderes desses homens-santos. Muitos dos que se dizem faquires são apenas ilusionistas. Há até um caçador de faquires que os segue pela Índia, revelando o que há por trás de cada truque. Basava Premanand diz que, em 50 anos de andanças pelo país, nunca viu um milagre real.

Definição e Origens

Faquir (do persa Faqīr, "pobre ou encubado de voar", por sua vez do árabe faqr, "pobreza") é um asceta que executa feitos de resistência ou de suposta magia, como caminhar sobre fogo, engolimento de espada ou deitar-se sobre pregos.

Originalmente o termo se referia exclusivamente ao islamismo; os faquires eram dervixes sufis, eremitas, que sobreviviam da mendicância. O uso idiomático do termo foi desenvolvido durante a era Mugal da Índia, quando a palavra árabe Faqīr, "pobreza", foi trazida aos idiomas locais pelo persa falado pelas elites islâmicas; adquiriu o sentido místico da necessidade espiritual de Deus - o único a ser autossuficiente.

Utilizado para se referir aos milagreiros sombrios sufistas, com o tempo seu uso se estendeu aos diversos tipos de ascetas do hinduísmo, eventualmente substituindo termos como gosvāmin, bhikku, sadhu, e até mesmo guru, swami e yogi.

O termo se tornou comum nos idiomas urdu e hindi para descrever um mendigo. Embora ainda sejam menos influentes nas áreas urbanas, devido à expansão da educação e da tecnologia, os faquires ainda possuem muita influência sobre as pessoas de certas aldeias do interior da Índia. Entre os muçulmanos as principais ordens sufistas dos faquires são Chishtīyah, Qādirīyah, Naqshbandīyah, e Suhrawardīyah.


Wikipédia / Tânia Nogueira