segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O Papa que perseguia Gatos


Gregório IX era um homem conhecido pela bondade. Mas logo ao ser eleito papa, em 1227, mostrou seu outro lado. Ele foi diretamente responsável por uma cruel caçada de hereges na Alemanha e pela criação de uma "central de treinamento" de inquisidores em Roma. E também odiava animais, em especial os gatos.

Embora jamais tenha assumido isso com todas as letras, o papa redigiu um documento oficial, em algum momento da década de 1230, dizendo que os felinos, em particular os gatos pretos, eram encarnações do diabo e tinham a ver com rituais de bruxaria.

Imediatamente após a divulgação do documento, os europeus mergulharam em um frenesi de violência contra os pobres bichos. As declarações do papa, aliadas ao fato de que algumas regiões periféricas da Alemanha e da Inglaterra ainda cultuavam gatos como divindades pagãs, estimularam um dos maiores massacres de animais da história.

Ao longo de décadas, gatos de todas as partes do continente, independente de cor ou procedência, foram brutalmente mortos em fogueiras, espancamentos e enforcamentos públicos. Gregório jamais se pronunciou contra esses atos de violência - possivelmente porque estava satisfeito com eles. E até hoje, quase 800 anos depois, o preconceito contra gatos pretos ainda existe.

A grande vingança felina

A Peste Negra, uma epidemia de peste bubônica causada pela bactéria Yersinia pestis, assolou a Europa ao longo do século 14. Ela começou na Sicília em 1347 e se alastrou principalmente para Itália, França, Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha nos quatro anos seguintes. Estima-se que a Peste tenha matado mais de 100 milhões de pessoas. Uma tragédia quase inimaginável.

A bactéria Y. pestis é comum em roedores, e se espalhou devido à grande quantidade de ratos nas cidades europeias. E os ratos proliferaram porque seus predadores naturais, os gatos, existiam em menor número - já que o papa Gregório 9o, no século anterior, havia induzido a população a acabar com eles.

Aqui se faz, aqui se paga.


Texto de Bruno Mosconi