quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Cronologia dos Casos de Vampirismo


Não é possível se fazer um levantamento completo de todos os casos de vampirismo ou presumíveis como tal, mas podemos elaborar uma lista das principais manifestações que originam o processo verbal ou crônica de época.

— Snornik, em Engic: Ao morrer, a mulher de um padre ortodoxo russo confessou-se vampiro.

— Morávia, perto de Olmütz, em Liebava: O vampiro era uma pessoa considerada no local. Um húngaro caçador de vampiros subiu à noite ao campanário da igreja, perto do cemitério, a fim de espiar a saída do vampiro, a quem roubou a mortalha o que provocou uivos de revolta do vampiro. O húngaro convidou-o a vir buscar o seu fato de defunto e, quando este fez menção de subir ao campanário, o húngaro deitou-o da escada abaixo e cortou-lhe a cabeça com a ajuda de uma pá.

— Sjonica: Uma noite, um homem chamado Ibro armou-se de uma faca e foi na mira de um vampiro. A luta não durou quase nada e o morto-vivo escapou-se. Perto da ponte da aldeia o homem volta a apanha-lo, apunhalando-o. No dia seguinte, no sítio onde o vampiro fora ferido, apenas foi encontrado um pouco de sangue, e na lâmina do punhal alguém escreveu uma oração em turco.

— Paris, 1310: A seguir ao concílio de Troyes, em maio de 1310, Filipe O Belo fez exumar o cadáver de Jean de Turo, construtor da torre, e iniciado no «Le Temple», mandando lançar ao fogo o seu corpo um século depois da sua morte.

— Boêmia, em Blow, perto de Cadar (1337): Manifestações vampíricas no claustro de Opatowicze.

— Boêmia, em Lewin (1345): Morte de uma mulher que se dedicava à feitiçaria (morte natural ou suicídio), tendo sido sepultada num cruzamento de duas estradas.

— Alta-Estíria, em Gratz (1451): Bárbara de Cillei ou Barbe de Cillei - amada por Segismundo da Hungria. O seu cadáver foi arrancado à morte graças ao ritual de Eléazar, que detinha o poder Abramelin o Mágico. Shéridan le Fanu inspirou-se em Bárbara de Cillei para o personagem principal da sua obra-prima Carmila, o Drácula feminino.

— Transilvânia, Curtes de Arges (1476): Vlad Draculya – Senhor da Valáquia, rei dos vampiros e cavaleiro da Ordem do Dragão foi enterrado na ilha de Snagov, na Romênia. Segundo investigações arqueológicas recentes, o seu túmulo encontra-se vazio.

— Morávia, em Egwanschitz (1610): Manifestações de vampiros anos a fio.

— Cracóvia, fevereiro de 1624: Mulher-vampiro em Clapardia, perto de Cracóvia.

— Istrie, em Khring (ou Krinck) (1672): A 17 milhas de Laybach, no ducado de Miterburgo, um certo Giure Grando foi enterrado no cemitério local e atormentou durante longo tempo as gentes daquela região.

— Hungria, Medreiga (Medwegya) (1690): Arnold Paole, heiduque de Medreiga, foi importunado por um vampiro nos arredores de Casanova, nas fronteiras da Sérvia turca. Afirmou que só depois de ter ido ao túmulo do vampiro, comido terra do sepulcro e esfregado o corpo com sangue daquele se viu livre de tal obsessão.... Pouco tempo depois morreu num acidente. Dias depois de ser enterrado, fenômenos de vampirismo aconteceram na aldeia. O corpo foi desfeito, mas estava perfeitamente conservado; porém os fenômenos continuaram! Arnold Paole viria a localizar mais dezessete cadáveres de heiduques iniciados em vampirismo. Um verdadeiro desfile de cavalaria das trevas.

— Comuna rural de Metwett sobre Morava (1731): Treze óbitos em seis semanas. São acusadas duas mulheres, mortas há pouco tempo, que durante a sua vida se dedicaram ao culto do vampiro. Miliza, que morreu em idade avançada, e Stanno ainda jovem. A primeira chegada de Montenegro (ocupada então pelos turcos), onde fora contatada por um vampiro. A Segunda vinda da Turquia.

— Hungria, Kisilova, a três léguas de Gradish (1738): Um vampiro de nome Peter Plogojowitz espalhou o terror em 1738 na aldeia de Kisilova. Morreram nove pessoas em oito dias.

— Banat, Transilvânia (1755): Uma aldeia de Olmütz é citada, por um escritor, pelos numerosos casos de vampirismo aí ocorridos.

— Sérvia, em Novi-Bazar (1827): As crônicas da época falam de fatos concretos passados com vampiros, sem, contudo, darem pontos de referência.

— La Pierre-Sèche, perto de Salbris, França: Um dos casos mais espantosos relativos a um casal: Paul de Gièvres e Virginie Blanchet, cujo túmulo está visível à beira do lago de Sologne.

— Tucchla (tuchela) (1873): O vampiro era o senhor ilustre da aldeia: Nicolai Macevko.

— District de Stry (1873): Na sequência do caso de vampirismo de Tucchla, o povo do distrito de Stry dirigiu-se (ao fim de se registrarem várias mortes) a um túmulo suspeito em Slavka, destruindo o cadáver.

— Sérvia, Pléternika (1888): Manifestações sangrentas de um vampiro, que foi abatido pela gente da aldeia.

— Hungria, Krasznahorta (18...): No distrito de Rozsnyo, junto à pequena aldeia de Palotz, ergue-se o castelo de Krasnahorka. Em 1241, um pastor descobre uma pedra singular assim como um pequeno tesouro com o qual fez construir um castelo. Numa das salas, num caixão de vidro, está uma mulher vestida de preto, não reduzida a pó, com o braço direito ligeiramente levantado e o dedo indicador misteriosamente apontando...

— Romênia, Crassova (1889): Trinta cadáveres foram trespassados por estacas no seguimento de manifestações vampíricas.

— Transilvânia, Curtes de Arges (19...): Narração de Tinka, velha cigana de pequena aldeia de Capatineni, junto ao castelo de Drácula (narrado ao historiador Florescu). Logo a seguir à morte de seu pai se aperceberam estar-se na presença de um vampiro, uma vez que não se lhe manifestou qualquer rigidez cadavérica. Segundo Tinka, atravessaram-lhe o coração com uma estaca.

— Romênia, Préjam (distrito de Vilces) (1902): Uma criança de 13 anos morta há pouco tempo foi decapitada, depois de lhe trespassarem o coração.

— Iugoslávia, Kneginecc (1936): Diversos casos de vampirismo, atribuídos ao cadáver de uma mulher nova, enterrada no século XIII no castelo de Herdody, em Varazdin.

— Sérvia, Kosovo-Mtohija, (de 1936 a 1940) (de 1947 a 1948): Entre os Tziganes da província de Kossovo-Métohija, aconteceram muitos casos de vampirismo.

— França, Nucourt, a 12 km de Gisors, século XIX: Descobre-se na torre templária de Neaufles um cadáver exangue apresentando no corpo marcas que lembram as que são feitas por tridentes. (Algumas pessoas localizaram este caso como tendo ocorrido no século XVIII.) Em 1974, três túmulos do cemitério de Nucourt foram abertos e esvaziados.

— Grã-Bretanha, Londres, Highgate (1974): Sean Manchester acaba de publicar recentemente um livro sobre o caso do vampiro de Highgate. Várias testemunhas falam de manifestações de origem vampírica, no cemitério de Highgate. Fala-se de um misterioso caixão, vindo da Turquia para Highgate, no século passado.

David Farrant, presidente da British Psychic and Occult Societh, que numa noite celebrou o ritual de invocação ao vampiro, esteve preso durante quatro anos.

Repetiram-se os casos de vampirismo em 1979. Segundo a imprensa britânica, surgiram mais casos de animais exangues nas imediações do cemitério. Farrant está neste momento elaborando um livro sobre o caso de Highgate.


Fonte: Os Vampiros - Jean-Paul Bourre - Publicações Europa-América (1986)
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