terça-feira, 29 de outubro de 2013

Morte às Bruxas - Parte 3


Intermediárias do Demônio — Uma história incrível passada há 300 anos nos tribunais de Massachusetts Dezoito mulheres enforcadas e duzentas pessoas levadas ao cárcere O senado daquele estado norte-americano proclamou, não há muito, a inocência dos mortos e dos martirizados.

Em pouco tempo o povoado havia sido contaminado de estranho delírio. Todo o mundo em Salem temia, mas clamava contra as bruxas e exigia providências das autoridades competentes.

— Morte às bruxas!

Esse era o grito que se ouvia por toda a parte.

A mãe de Ana Putnam, língua viperina, fez-se chefe do grupo mais exaltado. Não se podia oferecer melhor ocasião para desforrar-se de agravos, relas ou supostos. E assim, dessa maneira, seus presumidos inimigos foram, de pronto, levados à barra dos tribunais, que haviam sido, então, estabelecidos com a exclusiva finalidade de julgar e sentenciar as bruxas.

Não faltavam testemunhas ansiosas de revelarem o que sabiam a respeito. As provas eram sempre multo contestáveis, mas os juízes não exigiam mais para exarar as sentenças.

Todos os plenários contavam com a presença das enfeitiçadas. Apenas aparecia o acusado na sombria sala do tribunal e as que desempenhavam aquele papel se atiravam ao chão, retorciam-se, descabelavam-se, mordiam-se até sangrar. Não havia mais dúvidas. Era Isso a prova da influência diabólica que a presença do réu determinava.

O julgamento de Ana Pudeator

Chegou certo dia a vez de uma pobre viúva — Ana Pudeator. Ali estavam seus acusadores, retorcendo-se, descabelando-se, rastejando o chão.

— Estas pequenas não estão enfeitiçadas; estão loucas, nada mais! — exclamou Ana, exasperada.

Essa observação irritou os juízes. Foi iniciada Imediatamente a prova testemunhal. A primeira testemunha foi Jeremias Neal.

— Sim, esta mulher é uma bruxa1 gritou Jeremias, apontando-a. Pediu-me emprestado um objeto de meu uso e mal o levou, morreu minha mulher. Logo em seguida, caí de uma árvore e fraturei a perna esquerda.

Os magistrados moviam a cabeça solenemente como para dar a entender que estavam de pleno acordo. Não havia mais dúvida. Era uma bruxa.

Foi chamada outra testemunha, uma pequena de nome Maria Warren. Jurou que a senhora Pudeator se havia confessado responsável pelo acidente sofrido por Jeremias. Maria Warren era uma das jovens que tomara parte no audit6rlo de Tituba, na casa do reverendo Samuel Parris.

E mais ainda — disse Maria Warren. A senhora Pudeator matou seu próprio marido, a primeira esposa dele e a mulher de John Best. Ela me confessou esses nomes.

Uma terceira testemunha foi ouvida depois: Samuel Pickworth.

— Certa noite, eu caminhava pela rua. — contou — e senti algo estranho que passou junto de mim, alguma coisa parecida com um morcego negro. Entrou, em seguida, em casa de Pudeator.

Sara Churchill, outra testemunha interrogada, disse:

— Tive, de certa vez, estranha visão. Apresentou-se a mim Ana Pudeator, que me oferecia o livro do Demônio para que nele eu escrevesse meu nome. Eu não sei bem se foi visão ou realidade... E claro que não assinei o livro.

John Best confirmou em plenário o que foi dito sobre sua mulher. E acrescentou que ela ficou com o corpo cheio de manchas negras e azuis. As declarações de seu filho constituíram, porém, o cúmulo desses absurdos.

— Fui ao pasto levar as vacas pertencentes a meu pai, disse o pequeno. A senhora Pudeator aborreceu-se porque não levei a sua novilha. Como sabia ela que, na verdade, a novilha se juntara ao lote das vacas pertencentes a meu pai e que eu a espantei para que não fosse ao pasto? Como sabia? Só uma bruxa poderia isso ter adivinhado...

Veja também: Morte às Bruxas - Parte 1   Morte às Bruxas - Parte 2


Fonte: Artigo adaptado e atualizado de “A Noite Ilustrada”, de 30/07/1946.
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