quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O Retrato de Antonietta Gonsalvus


De autoria da pintora italiana Lavinia Fontana (1552-1614), esta tela é de 1577 e diz respeito a uma pessoa real quando tinha 12 anos. Antonietta Gonsalvus, eternizada como Tognina, tal como seu pai, Petrus Gonsalvus (figura abaixo), seu irmão e suas irmãs, sofria de uma doença rara, a hipertricose (hypertrichosis univerversalis congênita), também conhecida por síndrome do lobisomem.

O manuscrito que Antonietta segura com as duas mãos resume a sua história: “Don Pietro, homem selvagem descoberto nas Ilhas Canárias, foi conduzido a sua Alteza Sereníssima D. Henrique, rei da França, e de lá para sua Excelência o Duque de Parma. Dele descendo eu, Antonietta, e posso ser encontrada junto da corte da senhora Isabella Pallavicina, honorável Marquesa de Soragna”.

Muito se falou da doença rara de sua família. Desenhos dela estão em Praga porque o imperador de lá tinha um livro de curiosidades. Médicos e antropólogos a estudaram minuciosamente. A igreja, que considerava o rosto como a capela sagrada do corpo, não a entendia e aceitava. A sorte da família é que Francisco, já santo há mais de 100 anos, havia incluído o animal ao reino de Deus.

Outra curiosidade sobre esta obra (lembre-se, a tela tem 500 anos): foi pintada por uma mulher, filha do dono da oficina de pintura que atendia a casa nobre que fez a encomenda da tela. Acredite... Pintoras no século XVI eram tão raras quanto mulheres lobo. Ah... Tognina cresceu, casou e teve filhos... todos parecidos com ela.


Fontes: Rui Gonçalves Piranda; Monstros: Milagres da natureza ou pecado dos homens?.
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