quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bestialidade e lendas

Fedor Jeftichew - Jo-Jo the Dog-Faced

Seres que misturam características humanas e animais fazem parte da mitologia de antigas civilizações. Agora, pela primeira vez na história um estudo detalhado busca descobrir a verdade e o devaneio por trás destas figuras.

Seres estranhos que misturam características humanas e animais fazem parte da mitologia de antigas civilizações. Os arqueólogos ficam intrigados com o número de pinturas antigas que representam estas criaturas e muitos crêem que os artistas da antiguidade foram inspirados pela realidade quando registraram em rochas e murais estas figuras, hoje consideradas como fantasia e mito.

Os pesquisadores Paul Takon, do Museu Australiano, de Sidney, e Christopher Chippendale, da Universidade de Cambridge, dizem que estes híbridos, incluindo os centauros, podem ter existido, de fato, em uma época primitiva.

Na Austrália e na África do Sul, foram descobertas inúmeras pinturas rupestres onde figuram animais com cabeças humanas e homens com cabeça de animal, algumas das quais foram datadas em 32 mil anos atrás.

Pela primeira vez na história um estudo detalhado busca descobrir a verdade e o devaneio por trás destas figuras, examinando cerca de cinco mil pinturas ancestrais.

Os arqueólogos, analisando a freqüência e os tipos destes seres, que chamam de ''teriantrops'', e tendo o cuidado de determinar a época em que foram produzidas as representações, concluíram que homens-animais realmente podem ter existido.

Os centauros, que aparecem na mitologia grega e romana, são os híbridos mais retratados. Em geral, os centauros são concebidos com o torso de um homem combinado com o corpo de um cavalo mas há outros tipos, como os que combinam características humanas com a anatomia de bois, como o Minotauro, burros e caprinos (bodes), caso dos sátiros.

As lendas dizem que os centauros chegaram à Grécia vindos das montanhas onde eram hostilizados pela população. Na Grécia, alguns eram temidos. outros amados; alguns odiavam os homens, outros, eram seus amigos.

O especialista em mitologia, Alexander Guryev acredita que os seres híbridos foram o resultado de relaçõe sexuais entre homens e animais, uma conduta que comum na antiguidade mais remota.

Guryev atenta para o fato de que alguns povos crêem que são descendentes de animais: os tibetanos, declaram-se descendentes de macacos; hindus, apontam os cavalos como ancestrais e na Tailândia, o cachorro está na base da árvore genealógica.

Pesquisas históricas revelaram que estas relações sexuais entre humanos e animais eram comuns entre os antigos. Em alguns casos, como no Egito, estas relações interespécies faziam parte de cerimônias rituais propiciadoras de fertilidade. Na Grécia, a escola de Tales recomendava o fim destas relações para que não mais nascessem criaturas monstruosas, como os centauros.

Eram tempos nos quais os guerreiros, longe de casa, usavam caprinos e ovinos (ovelhas e carneiros) tanto para comer quanto para satisfazer suas necessidades sexuais.

Mais recentemente, em pleno século XVI, há registros de soldados que possuíam ovelhas com as quais mantinham relações e por isso foram condenados pela Igreja, que proibia essas cópulas por serem mais maléficas que o contato com prostitutas. Figuras de renome, que transitaram entre a medicina e ocultismo, como Paracelso, Cardano e Fortunio Liceti, registraram por escrito o nascimento de híbridos, crianças-animais nascidas tanto de fêmeas humanas como animais. As anotações destes estudiosos mencionam cavalos, elefantes cachorros e leões.

Há alguns anos, a ciência negava completamente a possibilidade de intercâmbio genético entre homens e animais porém experiências de laboratório provaram que é possível produzir ''quimeras'' em tubos de ensaio, levando a crer que as estranhas criaturas legedárias tenham realmente existido, sendo mais do que o fruto de uma fértil imaginação de povos antigos.

Índia: o Bebê Hanuman
O anatomista alemão Thomas Bartolin escreveu sobre uma mulher que teve um bebê com cabeça de gato depois de ter copulado com um gato. Livros de medicina dos séculos XIX e XX descrevem nascimentos de híbridos. No fim do século passado, alguns pesquisadores britânicos escreveram sobre uma mulher africana que vivia com gorilas e deu à luz mais de uma criança com características híbridas. Infelizmente, a mãe e os filhos, assustados com o ambiente da civilização, escaparam para a floresta e nunca mais foram encontrados.

Fora dos laboratórios, os híbridos são um fato que independe das especulações científicas e das relações sexuais entre homens e animais.

Em 2003, na Índia, um bebê nasceu dotado de cauda (não um caso isolado). Deram-lhe o nome de Balaji or Bajrangbali. Milhares de pessoas acorreram aos templos onde a criança era levada e para vê-la, era preciso pagar uma contribuição. Acreditava-se que a criança era a reencarnação da divindade Hanuman, o deus-macaco indiano, que aparece na epopéia do príncipe Rama, o Ramayana. A anomalia deve-se, na verdade, a uma mutação genética.

Em 1868, em St. Petersburg, Rússia, nascia Fedor Jeftichew, mais conhecido como Jo-Jo, The Dog-faced Boy, condição devida a uma doença denominada hypertricosis, caracterizada pelo excesso de pêlos na face, dorso, braços e pernas. Seu pai, Adrian, padecia do mesmo mal. Descoberto pelo francês P.T. Barnum, foi levado à França, em 1884. Ali, apresentado como atração de circo, desenvolveu uma carreira de estrela de shows. Além de russo, Jo-Jo aprendeu a falar inglês e alemão durante as inúmeras viagens que fez pela Europa. Morreu de pneumonia, na Turquia, em 1904.

Fonte: http://64.233.163.132/search?q=cache:_IgmJy9TGmAJ:www.rv.cnt.br

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