sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Jack da Lanterna era Nabo
O costume de se usar abóboras no Dia das Bruxas, surgiu com os imigrantes irlandeses, que chegavam em grande quantidade nos Estados Unidos nos idos do século XIX. Usavam nabos em sua terra natal e se deram mal na terrinha do Tio Sam: os nabos eram raros! Que fazer? .... Esse povo de origem celta os substituiu por abóboras ...
Dizia a lenda que um homem chamado Jack, após a morte, foi proibido de entrar no paraíso porque enquanto esteve na terra foi pão-duro. Já as portas do inferno foram fechadas porque fez o diabo de bobo, escavando, no interior do tronco de uma árvore, uma cruz. O demônio ficou aprisionado lá dentro até jurar que nunca mais iria provocá-lo com tentações.
Sem ter para onde ir Jack foi condenado a andar na escuridão até o juízo final. Então, ele implorou a Satã que acendesse brasas para iluminar seu caminho. O diabo deu-lhe um pequeno pedaço de carvão incandescente. Para proteger a luz, o irlandês colocou o carvão dentro do buraco de um nabo. Surgiu assim o jack o’lantern (Jack da Lanterna) como é conhecida a lenda.
A ideia de usar um nabo surgiu com os Celtas, povo que se espalhou pela Europa entre 2.000 e 100 a.C. Um dos símbolos do seu folclore era um grande nabo com uma vela espetada.
Quando os irlandeses chegaram aos Estados Unidos, encontraram pouquíssimos nabos nos campos. Mas havia abóboras em abundância. Os imigrantes fizeram a substituição. Cultura (in)útil é com o Gato Peleque talvez celta (peleque = vira-lata). Um boa noite para vocês!
Fontes: Superinteressante; Wikipédia.
Os Ritos de Proteção
Certos morcegos da América do Sul atingem um tamanho superior a oitenta centímetros. Precipita-se sobre a vítima e, com o bico sugador fixado na jugular provoca-lhe uma espécie de anestesia que evita a dor. Estes vampiros Spectrum, nome dado pelos naturalistas, fazem autênticas devastações na Argentina, como se prova através desta informação citada por R. Ambelain: «No decorrer do ano de 1958, perto de vinte e cinco mil cabeças de gado morreram de doença causada pelas sucções dos animais em questão. »
O poder de anestesia de que falam os pesquisadores, assemelha-se ao beijo do vampiro se a vítima não oferecer resistência e se se abandonar à mordedura sem terror.
Os morcegos da América do Sul segregam um líquido especial que adormece a rede nervosa da veia jugular. A pessoa que adormece terá simplesmente a impressão de estar com um sonho estranho, uma sensação de dissolução agradável... enquanto o animal noturno lhe vai sugando o sangue.
O elo mágico entre o morto-vivo e o morcego é referido em todos os documentos religiosos da Idade Média.
A visionária Anne Catherine Emmerich afirmava ter visto Jesus Cristo, descrevendo-O detalhadamente. Confidenciou as visões que tivera ao poeta Clemens Brentano, que as redigiu intitulando-as de Vie de Jésus Crist, d'apres les visions de Anne Catherine Emmerich.
Numa passagem do seu livro, ela descreve Asach, na Palestina, infestada de morcegos-demônios. As pessoas desta terra têm feito caça aos repelentes animais malhados, de asas membranosas com as quais voam céleres. São estes os morcegos-demônios que sugam o sangue às pessoas e ao gado enquanto estes dormem. Vêm de densos pântanos impenetráveis e causam os maiores prejuízos...
Para os videntes cristãos, o vampiro depressa foi considerado inimigo de Deus, uma farsa monstruosa à luz divina, o candelabro tombado de que falam os praticantes de magia negra.
Na iconografia cristã, o pelicano tem uma certa analogia com a figura luminosa de Jesus Cristo, pelo fato de também aquele dar o seu sangue e a vida para proteger e alimentar os filhos. Um poema de Alfredo de Musset, evoca o sacrifício do pelicano, arrancando com o bico as entranhas para assim alimentar a sua ninhada.
No outro ponto oposto, o vampiro aparece como antítese do pelicano porque, para assegurar a sua existência, tira a vida ao homem sugando-lhe o sangue.
O Rei David, no Salmos implora a proteção de Deus contra os vampiros:
Livrai-me do que pratica o mal, salvai-me do homem sanguinário.
Regressam pela tarde, ladrando como cães e percorrem a cidade... (58-3.7)
Os seus lábios são como espadas... vagueiam à busca de alimento,
e se não se saciam rondam a noite... (58-16)
Tal como se dissipa completamente o fumo, e ao contato com o fogo
se derrete a cera, assim se dissipam o ímpios na presença do Senhor. (67-3)
A oração e a fé surgiam como as mais eficazes proteções contra os seres noctívagos. Homens e mulheres vampiros, outros sugadores de sangue e ladrões de almas.
À noite, durante o ofício das "Completas" e antes de recolher às celas os frades recitam os seguintes Salmos:
Tu não temerás o terror da noite
Nem a flecha que voa durante o dia
Nem a peste que alastra nas trevas
É que Ele deu ordens aos seus anjos
Para te protegerem em todos os caminhos
Tomar-te-ão nas palmas das mãos, não aconteça ferires
Nas pedras os teus pés;
Poderás caminhar por cima de serpentes e víboras.
Calcar aos pés leões e dragões
No teu leito, medita, paz e silêncio
Nos mosteiros ortodoxos, enquanto o Santíssimo está alumiado os sugadores de sangue não conseguem entrar porque a luz brilha nas trevas. As luzes votivas têm a mesma função. E como se cada átomo de obscuridade se purificasse pela real presença de Deus.
Os anais do Museu Guimet publicaram um excelente trabalho sobre armas de magia, punhais, espadas, o pentágono estrelado, que serviam, algumas delas, para combater os vampiros da Europa Central.
Na lâmina de uma espada, uma frase grega diz-nos: A mão direita de Cristo te persegue. Esta mão de vingança divina estendia a sua proteção pelos mosteiros, as aldeias, os cemitérios... por todo o lado onde o homem temesse o despertar dos mortos sob a forma de vampiros.
Numa outra lâmina de punhal, encontram-se inscrições cabalísticas em forma de contrações hebraicas: AgIa que não é mais que a contração das quatro iniciais da fórmula Atha Gibor Leolam Adonaï, ou seja, «Cristo é grande na Eternidade». A contração é uma oração que, comprimida como uma mola, pode a todo o momento aumentar a sua força.
Makaba, gravada sobre uma medalha, traduz o poder de Deus face aos seres da noite. Makaba é a contração do versículo hebraico Mi Komoi'kou Boelim Adonai... isto é: Quem de entre os deuses é semelhante a Ti, Senhor? (Êxodo XV, 11)
Pode encontrar-se nos Anais do Museu Guimet outras espadas cunhadas com a Cruz de Cristo, contendo inscrições latinas: Ego Sund et Genus David, Stella Splendida et Matutina... seguida da fórmula lapidar: Vade Retro Satanás. Em França, no princípio deste século, deitava-se fogo aos morcegos que se deixassem apanhar, apesar da utilidade dos seus serviços como insetívoros. Este exorcismo instintivo e espontâneo é um reflexo de superstição que nada tem a ver com o combate espiritual. E por causa deste medo se mandavam queimar os místicos, os visionários, porque eles não falavam a língua deste mundo, opondo-se ao entenebrecer da sua época.
Para além das superstições, existe o exorcismo real da alma, que não precisa recorrer a espadas mágicas, punhais, ou pentágonos de estrela para combate aos vampiros. Nos mosteiros da Europa Central, a grande proteção residia na oração, no implorar constantemente a Deus, vivo no homem e em todos os mundos tal como a luz do Santíssimo que invade a obscuridade sem que fique espaço para trevas.
Nos mosteiros do Monte Athos, a presença dos vampiros não é uma simples superstição. Terrível é aí o poder do diabo, porque o de Deus também o é. À noite, as celas dos monges são palco das mais duras lutas, agitação, alucinações, despertar violento, suores, pesadelos... gritos rasgam o silêncio, como o rir dos chacais risos que sacodem as abóbadas do velho mosteiro. Os monges escutam... benzem-se e rezam.
Jean Bies conta a sua viagem ao Monte Athos, à Montanha Sagrada, que é também local de pelejas espirituais: «Os demônios dançam no ar. Diz-se que são mais que os mosquitos em noite de Verão. Aqueles que os sentem à sua volta, começam logo a rezar. Nada mais estranho que o fechar cuidadosamente as pesadas portas, à noite, para evitar a entrada dos demônios! Toda a gente terá de entrar até ao pôr do Sol, I senão não se lhe abrirá a porta.
O mais poderoso dos exorcismos é ainda a Oração do Coração aprendida segundo os ensinamentos dos Hésychastes ortodoxos que será repetir o nome de Jesus constantemente, ao ritmo da respiração, acompanhada de um profundo sentimento de adoração, de presença.
Nos Atos dos Apóstolos se declara: «Todo aquele que invocar o nome do Senhor está salvo! » E S. Paulo, «Orai sempre...»
S. João Clímaco, um dos pais da Ortodoxia, propõe: a repetição do nome de Jesus como arma suprema contra os demônios noturnos: «Fulmina o teu inimigo com o nome de Jesus. Não existe nos céus nem na terra arma tão poderosa. Shiva e Krishn, repetindo os mantras, os nomes sagrados, afastam as tentações da noite e purificam o sono.
Fonte: Os Vampiros - Jean-Paul Bourre - Publicações Europa-América (1986)
Condessa Bathory
A família dos Dráculas estende as suas horríveis ramificações por toda a Europa. Irmãos, primos e primas, formam todos uma espécie de teia de aranha venenosa cuja mordedura matará; é como que uma poluição oculta que se infiltra por todo o lado e se espalha como um veneno.
Decadência e obsessão reinam em pleno nas almas pervertidas dos Drácula como prova a história da condessa Bathory.
Esta familiar do príncipe Vlad Drakul, senhor da Valáquia, domina a nobreza austro-húngara pela sua crueldade e luxúria. Ela vivia, «sem luz e sem cruz» – diz-nos Valentina Penrose.
«O seu espírito era desleal e supersticioso. Erzsébet Bathory experimentou várias crises de possessão. Nunca podia prever-se quando tal aconteceria. De repente surgiam violentas dores na cabeça e nos olhos. As criadas traziam feixes de plantas frescas e narcotizantes, enquanto sobre o lume se preparavam drogas soporíferas onde se iriam embeber esponjas para se passarem a seguir pelas narinas da paciente. » (Penrose).
Um dia a condessa, irritada, bateu em uma das serviçais. Logo o sangue jorrou e caiu sobre o seu braço. Tudo se precipita para fazer desaparecer o sangue, mas, entretanto, ele coalhara. Quando por fim se conseguiu limpar a mancha, a condessa contemplou a mão, surpreendida. «No sítio onde o sangue estagnara por alguns minutos, ela viu que a carne tinha um brilho translúcido, como o de uma vela iluminada por outra vela. »
Estamos na fortaleza dos Bathory, sobre a fronteira austro-húngara, no fim do século XV. Um mundo fechado, feito de solidão, neve e altas muralhas.
Nesta região secreta, desenvolvem-se as mais surpreendentes mitologias, mas se se tentar aprofundar um pouco mais para além do mito a realidade é por vezes bem mais aterradora que a própria lenda em si.
Na Hungria, o vampirismo é um título de nobreza como outro qualquer, com a única diferença que doseia o horror e a veneração de uma forma que cada pessoa sente a magia do sangue ainda que a aristocracia construísse os seus castelos no inferno.
Para o mundo de hoje, o vampiro húngaro veste uma camisa de peitilho arrendado, uma capa de cetim negro com dupla face vermelha, à moda dos poetas românticos. Mas quando o coração já não responde a paixões humanas e as mulheres o deixam insensível, a única beldade que lhe diz algo é a do sangue, e vive na angústia da estaca aguçada que trespassará o seu peito. Mas no cinema o vampiro é um modo de exorcizar a verdade, de esconder o verdadeiro rosto dos Drácula, que nada tem de comum com o fantasma da ópera...
No século XV, os vampiros não existem para manter o comércio de imagens de Epinal, mas para a crueldade e perversão que matem ou endoideçam.
Como se viu, a atribuição do nome de Drácula ao arquétipo do vampirismo junta-se à ideia base de a serpente ou de o dragão (Drakul, Drak = dragão) guardarem o segredo do sangue. O brasão dos Bathory tem a enfeitá-lo o motivo de um fantástico dragão.
Nas campanhas húngaras, amedrontado, o homem reconhece as virtudes do sangue. Não é mais nem menos que essa «água de rejuvenescimento» que os poetas tanto cantaram... mas existe o medo, a maldição, a infelicidade para quem tente violar os segredos do sangue eterno, pois que como revela o Levítico: A alma da carne está no sangue.
Desde muito cedo que Erzsébet Bathory contactou com «o leite venenoso dos sonhos». As lendas que embalaram a sua infância foram povoadas de homens e mulheres vampiros à procura da bebida encarnada que imortaliza.
Casada desde os 15 anos, a sua residência é no castelo de Csejthe, a nordeste da Hungria. O marido, valoroso guerreiro, é alcunhado de «herói negro», combatente valoroso, frequentemente em guerra com turcos e habsbourgos.
Com 20 anos, idade em que normalmente se frequentam bailes e recepções na aristocracia húngara, a prima do príncipe Drácula vive numa quase total reclusão. Amantiza-se com o intendente Thorbes, que a inicia em feitiçaria e que, tendo-a casado com Satanás, lhe transmite os ritos secretos da seita de «Ave negra» – sociedade secreta à qual ele pertence – tais como este:
«Agarrai uma galinha negra, e batei-lhe com uma bengala branca até ela morrer. Recolhei o sangue com que tocareis o vosso inimigo, que perecerá de esgotamento ou acidente. Se não for possível tocar-lhe diretamente, colocai um pouco do sangue sobre as suas roupagens. »
A Ordem da Ave Negra mantém estreitas e subterrâneas relações com a Ordem do Dragão de Segismundo da Hungria. Erzsébet participava nas reuniões de magia com Thorbes, com a sua ama, as duas criadas e o mordomo Johannès Ujvary.
Logo que enviuvou, dispensou a companhia de sua sogra e dos subordinados do marido, para se entregar tranquilamente aos ritos mágicos ensinados por Thorbes.
Uma certa manhã, quando uma das criadas a penteava e acidentalmente lhe arrepelou um pouco os cabelos, logo a esbofeteou. Fê-lo com tal violência que a pobre da moça começou a sangrar do nariz. Algumas gotas caíram então numa das mãos da condessa. Afastando as serviçais mandou chamar duas almas danadas, Thorbes e Ujvary, e informou-os em tom excitado:
«O sítio onde o sangue desta mulher me atingiu deixou a minha pele firme, voltou a ter um aspecto de juventude. » E foi desta forma que a condessa Bathory por um simples acaso, reconheceu quanto o sangue era eficaz. A angústia do envelhecer, o aparecimento das rugas, o perder da juventude e beleza como que encontrava de repente uma paragem, um remédio, porque o sangue poderia enfim conservá-la nova e bonita. Neste seu delírio ela já admitia que banhos de sangue poderiam resultar na flexibilidade do corpo e no não envelhecimento. Então, durante dez anos, Erzsébet Bathory ordenou que fossem degoladas uma centena de jovens camponesas, com a cumplicidade de terceiros, mandadas sob diversos pretextos para Csejthe.
Em novembro de 1610, uma das vítimas conseguiu fugir antes de ser condenada à morte. O rei Mathias II, conhecedor do caso, encarregou o conde Thurzo de investigar as estranhas práticas da condessa. A 30 de Dezembro de 1610 o conde forçou a vedação do castelo de Csejthe. Na sala grande da torre de mensagem, descobriu horrorizado um cadáver em cujo corpo não havia gota de sangue, vasos cheios de sangue ainda não coagulado, e um moribundo barbaramente torturado. Submetido a interrogatório, o mordomo Ujvary confessou ter participado em trinta e sete assassinatos rituais. Uma tesoura, manejada por Erzsébet Bathory, substituía o punhal sacrifical. Os servos desta estranha missa do sangue recolhiam-no para depois prepararem os banhos de juventude de Erzébeth cuja aparência jovem, comentavam os juízes, «não podia ser senão de origem diabólica».
A condessa confessou arrogante e friamente os seus crimes. Os dois necromantes foram condenados à morte. Arrancaram-lhe as unhas, cortaram-lhes a língua, espetaram-lhe os olhos e por fim queimaram-nos em fogo lento.
Erzsébet foi condenada a confessar a sua culpa e a ser decapitada. A sentença foi comutada, tendo em vista a sua origem e posição, para prisão perpétua «a pão e água». Veio a morrer em 1614, passados anos, encerrada entre as paredes de uma das salas do seu castelo.
Esta triste história desenrolou-se há muito tempo numa região onde reinava a superstição e o terror. Aos sacerdotes ortodoxos foi bastante difícil desenraizar as antigas práticas, o culto do sangue, os pactos das possessões diabólicas. Embora os tempos tivessem mudado as coisas, a verdade é que o fascínio mórbido do sangue perturba sempre os cérebros fracos.
Fonte: Os Vampiros - Jean-Paul Bourre - Publicações Europa-América (1986)
Assinar:
Postagens (Atom)


