segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Possuída


Giuseppe Verardi tinha 19 anos quando seu cadáver foi encontrado embaixo de uma ponte entre Siano e Catanzaro, duas pequenas cidades na Itália.  Estava vestido apenas com as roupas de baixo, pois o resto fora jogado perto dali.

A data era 13 de fevereiro de 1936, e as autoridades municipais de Siano concluíram que Giuseppe se suicidara. Essa declaração foi recebida com ceticismo pelos amigos e familiares da vítima, que não podiam acreditar que a simples queda de uma altura de 9 metros pudesse explicar os ferimentos do rapaz.

Ninguém mais falava sobre a morte de Giuseppe no dia 5 de janeiro de 1939, quando estranho fenômeno aconteceu na cidade. A principal personagem da história foi Maria Talarico, garota de 17 anos que nunca vira nem Giuseppe nem ninguém de sua família.

Ela estava atravessando a ponte com a avó, quando entrou em estranho transe, caiu de joelhos e passou a delirar. Com a ajuda da avó e de um transeunte, Maria foi levada para casa. Mas, quando voltou a si, ela não era mais Maria.

Estranha voz masculina saía de sua boca, e a moça passou a afirmar ser Giuseppe Verardi, o rapaz que morrera na ponte. O incansável fantasma de Giuseppe assumiu controle total de Maria e até chegou a escrever uma carta para a mãe, com sua própria caligrafia.

Naquela mesma noite, a entidade forçou Maria a entregar-se a uma curiosa pantomima, em que "ele" reviveu a última noite em Siano. O espírito fingiu estar bebendo e jogando baralho, exatamente como Giuseppe fizera na noite em que morrera.

A entidade continuou tomando vinho, embora Maria jamais tivesse ingerido mais de um copo durante as refeições. Então, a entidade começou a simular uma briga com companheiros de jogo, o que, presumivelmente, aconteceu na ponte.

A mãe de Giuseppe foi visitar Maria no dia seguinte, e a entidade que a estava possuindo reconheceu-a imediatamente, descrevendo os ferimentos encontrados em seu corpo. Relatou os nomes dos assassinos, embora poucos deles ainda morassem em Siano. A sra. Verardi voltou para casa e rezou para que o espírito do filho deixasse Maria.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Maria caminhou até a fatídica ponte, ainda possuída pelo jovem assassinado. Ao chegar ali, tirou a roupa e deitou-se sob a ponte, na exata posição em que o corpo de Giuseppe fora encontrado.

Em poucos minutos, Maria voltou a si, e não conseguiu se lembrar de nada que acontecera.

O retorno mediúnico de Giuseppe Verardi recebeu ampla cobertura jornalística em 1939. Ernesto Bozzano, naquela ocasião provavelmente o principal pesquisador de fenômenos mediúnicos na Itália, estudou o caso e publicou um relato a respeito dele em 1940.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

As Enguias de Atlântida

Ilha de Atlântida, numa gravura de Athanasius Kircher’s Mundus Subterraneus (1664).

A memória instintiva dos animais faz com que eles se reúnam em bandos e atravessem milhares e milhares de quilômetros de terra e mar.  A migração de enguias até determinado ponto no oceano Atlântico é um exemplo interessante e muito curioso desse fenômeno.

Uma vez a cada dois anos as enguias dos lagos e rios da Europa nadam em direção ao oeste para o Atlântico onde, em grandes cardumes, cruzam o oceano rumo ao mar de Sargaços. Nesse local, elas se encontram com a grande massa de enguias do continente americano, que, por sua vez, seguem para o leste até aquele mesmo ponto.

Aristóteles, grande filósofo grego do século 4 a.C., notou a migração das enguias da Europa, porém não sabia nada a respeito da migração no sentido oeste-leste dos animais que vinham do ainda desconhecido continente americano. Acredita-se que a concentração de algas marinhas no mar de Sargaços seja o motivo pelo qual as duas populações de enguias fazem peregrinações até ali, pois a imensa quantidade de algas submersas tenderia a proteger seus ovos.

Depois da desova, as enguias adultas morrem e os filhotes de enguias americanas quando suficientemente desenvolvidos, retornam em direção ao oeste para as Américas, enquanto os filhotes europeus nadam rumo ao leste, para a Europa.  Ambas as espécies são auxiliadas pelas correntes do Atlântico, que fluem no sentido horário.

Por que há tanta alga marinha no mar de Sargaços? Seria possível que em certa época existisse ali um continente no meio do Atlântico?  Como a Atlântida, por exemplo?

Se for verdade que a Atlântida submergiu rapidamente, parte da vegetação que possuía pode ter se adaptado e se transformado em algas marinhas que ainda crescem naquele que agora é um continente submarino, ponto original de desova das enguias, que permanece vivo em sua memória ancestral e instintiva.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

Bateria Humana


De maneira ainda desconhecida, a eletricidade numa tomada na parede parece intimamente ligada ao sistema nervoso dos seres humanos, embora a Ciência pareça relutante em reconhecer o equivalente biológico. No entanto, existiram algumas pessoas cujas “baterias” eram de natureza incomum e sobrecarregadas, como as de Angelique Cottin (figura acima), uma mocinha francesa de 14 anos, cujas inexplicáveis propriedades eletromagnéticas foram objeto de estudos por parte da Academia de Ciências.

A partir do dia 15 de janeiro de 1846 e durante as dez semanas seguintes, Angelique deixou ponteiros de bússolas completamente malucos. Objetos e até mesmo móveis pesados, se afastavam ao seu toque e vibravam com a sua presença.

Quaisquer que fossem as suas estranhas forças, a Academia resolveu chamá-las de “eletromagnetismo”. A força parecia ter origem no lado esquerdo da jovem, conforme a opinião de especialistas, particularmente no cotovelo e no pulso. Além disso, os poderes da adolescente pareciam aumentar de intensidade à noite. Durante um ataque, Angelique costumava ter convulsões e a pulsação do coração chegava às 120 batidas por minuto.

Outro ser humano sobrecarregado foi a adolescente americana Jennie Morgan, de Sedalia, Missouri, que, supostamente, emitia faíscas de descarga elétrica entre ela e qualquer pessoa que se aproximasse, chegando, algumas vezes, a deixar inconscientes as pessoas. Os animais ficavam agressivos e fugiam à sua presença.

Uma jovem de Ontário chamada Caroline Clare demonstrou sintomas similares, logo após um mal não diagnosticado, durante o qual ela passou a descrever lugares que, na realidade, jamais visitara. A doença durou um ano e meio. Quando os sintomas desapareceram, a moça ficou de tal forma magnetizada que os talheres “colavam” ao seu corpo com tanta força que precisavam ser puxados por outra pessoa. Caroline também foi motivo de estudos, dessa vez realizados pela Associação Médica de Ontário.

A mais poderosa bateria humana deve ter sido Frank McKinstry, de Joplin, Missouri. Era tão carregado de energia que chegava a ficar colado ao solo. Se McKinstry parasse de caminhar, por exemplo, era incapaz de dar mais um passo, a menos que outras pessoas o levantassem do chão, interrompendo o circuito elétrico.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz