sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dez histórias mitológicas

Zeus, deus dos deuses
Adultérios, vinganças, incestos, parricídios e magias povoam as narrativas mitológicas. São elas, mais até do que os superpoderes demonstrados por deuses, semi-deuses e heróis, que fazem das mitologias um sucesso popular há milhares de anos. Afinal, qual seria a graça se Zeus, o todo-poderoso chefão dos deuses gregos, não fosse um adúltero inveterado, cuja promiscuidade o fazia se transformar em qualquer coisa que servisse para seduzir deusas, princesas, ninfas ou qualquer rabo de saia que aparecesse no Monte Olimpo e na Grécia Antiga?

As narrativas mitológicas são aventuras que fazem as de Indiana Jones parecerem brincadeira de criança. Tendo entre seus protagonistas seres que têm poderes para criar universos e todas as coisas que neles habitam, assim como heróis que ousam desafiar esses superpoderes, as aventuras narradas nas principais mitologias da Antiguidade - egípcia, hindu, greco-romana, celta e nórdica - continuam a inspirar as sagas mitológicas criadas milhares de anos depois, como as de "O Senhor dos Anéis", "Guerra nas Estrelas" e "Lost".

Isso, basicamente, por que todas elas refletem como a imaginação humana tem buscado explicar os principais mistérios da existência. Nessa trajetória surgiram narrativas inesquecíveis. Logo abaixo conheça um pouco sobre dez das melhores sagas mitológicas da Antiguidade.

1- Zeus, o insaciável

Zeus e Hera

Deus supremo, ele gostava do poder tanto quanto de um bom sexo. Esse era Zeus, o mais insaciável dos deuses, protagonista das melhores aventuras amorosas entre todas as divindades de todas as mitologias. Sua capacidade de se transformar praticamente em qualquer coisa o fazia seduzir todos os tipos de mulheres: deusas, princesas, rainhas, ninfas, mortais.

De seus relacionamentos nasceram alguns dos principais protagonistas das aventuras mitológicas, como Apolo, Helena de Troia, Dionísio, Atena, Perseu e Hércules. Irmã e esposa de Zeus, a deusa Hera, cansada das puladas de cerca do marido, além de perseguir as amantes e os rebentos dos seus casos de adultério, resolveu também dar um golpe para destronar o chefão do Olimpo.

Junto com outros deuses, como Posêidon e Apolo, aprisionou o todo-poderoso. Só que as mulheres amavam Zeus e a ninfa do mar Tétis chamou um gigante para libertá-lo. Livre, ele puniu Hera deixando-a pendurada no céu com um peso em cada perna.

2- Um deus Loki

Loki
Asgar é a terra dos deuses, morada de Odin, o todo-poderoso deus dos nórdicos. Mas por lá morava também um ser ardiloso, mistura de deus e gigante, que vivia insultando os outros deuses ou fazendo-os passar por situações ridículas.

Seu nome era Loki e ele era o deus da travessura, da trapaça e também do fogo. Mas o que ele gostava mesmo era de pregar peças nas outras divindades. Nem mesmo Odin escapava. Uma vez, quando o todo-poderoso estava divertindo-se fazendo mágicas, seu passatempo favorito, Loki desandou a tirar sarro falando que aquilo era brincadeira de mulherzinha.

Como era de se esperar do mais poderoso deus dos vikings, Odin desceu a mão em Loki, um ser totalmente sem noção dos limites de suas travessuras. De tanto aprontar, Loki acabou condenado a passar a eternidade morando em uma caverna.

3- Adônis e suas duas esposas

Adônis e Vênus
Alto, bonito e sensual, Adônis foi uma espécie de amante profissional mitológico. E olha que não era com qualquer uma que ele saía. Uma delas foi ninguém menos do que Afrodite, a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade, a mais bela e sedutora das deusas.

Adônis era produto do incesto da princesa Esmirna com seu pai, rei de Chipre, numa vingança que Afrodite fez contra a mãe de Esmirna. Após nascer, Adônis foi entregue aos cuidados de Perséfone, filha de Zeus e casada com ninguém menos do que Hades, o deus da morte.

Deslumbrada pela beleza do moço, Perséfone não pensou duas vezes para fazer dele seu amante. Só que Afrodite, ciumenta e insaciável, também resolveu entrar no páreo. Com Adônis, Afrodite teve três filhos.

Na disputa entre as duas ficou estabelecido que Adônis ficaria uma parte do ano com cada uma e reservaria um tempinho para descansar das duas, afinal ele, apesar de bonitão, não era nenhum deus. Essa vida boa de Adônis não durou para sempre e ele acabou morto por um dos vários deuses que eram amantes de Afrodite.

4- Quando Ísis perdeu a cabeça

Ísis
As famílias dos deuses egípcios não primavam pela harmonia e pelas boas maneiras no relacionamento entre seus integrantes. Três deles especialmente: os irmãos Osíris, Seth e Ísis. Como era comum entre os deuses, Ísis e Osíris casaram um como outro e tiveram um filho, Hórus.

Mas Seth sempre teve inveja e ciúmes mortais da relação entre os dois irmãos. Tão mortal que um dia matou Osíris e despedaçou seu corpo, espalhando cada pedaço pelo Egito. Isso não bastou para saciar o ódio de Seth, deus da violência, da guerra e da traição.

Um dia ele chamou Ísis de prostituta. Pronto. Hórus, que já estava grande e se tornaria o deus dos céus, encontrou um pretexto para vingar a morte do pai. Na luta entre os dois, Ísis resolveu ajudar o filho e atirou um arpão em Seth. No entanto, a arma acertou Hórus que enfurecido e sem pensar muito decapitou a mãe. Desde então, no lugar de sua cabeça original Ísis passou a usar a de uma vaca.

5- Uma caixa cheia de maldades



Zeus era um deus muito vingativo. Quando ele ficava furioso sobrava para todo mundo. Após o titã Prometeu roubar o fogo dos deuses para dá-lo aos homens, Zeus não se contentou apenas em puni-lo de forma cruel. Ele planejou também vingar-se dos humanos. Para isso, ele criou a mulher.

A primeira da espécie chamou-se Pandora e ante de vir para a Terra, ela casou-se com o filho de Prometeu. Entre os presentes de casamento que recebeu dos deuses, Pandora ganhou uma caixa (ou uma jarra, dependendo da versão) feita por Zeus, que a fez prometer nunca abri-la.

Mas o criador conhecia bem sua criatura e, assim como ele previra, Pandora não resistiu à curiosidade e abriu a caixa. O vingativo deus dos deuses gregos havia guardado ali dentro todos os males que até hoje acometem a humanidade: doenças, desastres, miséria. Segundo a mitologia grega, foi a caixa de Pandora que trouxe todas as desgraças para o mundo, mas Zeus deixou no fundo dela a esperança, algo para amenizar o sofrimento humano.

6- As aventuras de Cuchulain

Cuchulain
A mitologia celta é mais conhecida por seus heróis do que por seus deuses. A popularidade da lenda de Arthur, da espada Excalibur e do mago Merlin é a maior prova disso.

Assim, não é de se estranhar que uma das melhores narrativas mitológicas celtas, além das versões que falam sobre o rei dos cavaleiros da távola redonda, é sobre um garoto, sobrinho do rei Conchobar, que provou ser um dos maiores heróis de Ulster, atual Irlanda.

Filho do deus Lugh, um dos mais importantes entre as divindades celtas, com a mortal Deichtine, Cuchulain começou suas aventuras guerreiras cedo. Quando tinha sete anos de idade, ele matou e degolou guerreiros inimigos que pareciam invencíveis aos soldados de Conchobar. Desde então até os 27 anos, quando morreu, Cuchulain venceu todas as batalhas em que se envolveu, às vezes contra exércitos inteiros, às vezes contra poderes sobrenaturais.

7- O oitavo avatar de Vishnu

Todas as vezes que a humanidade era aterrorizada por demônios, guerras ou outras ameaças, o deus hindu Vishnu descia dos céus para ajudá-la. E ele fazia isso sempre encarnando algum ser terráqueo, de tartaruga a arqueiro.

Na oitava vez em que apareceu por aqui, Vishnu o fez sob a forma de um ser humano que nasceu filho de nobres, mas que, para sobreviver à encarnação de um demônio que queria matá-lo, teve de ser criado escondido por pastores.

Seu nome era Krishna e quando ficou adulto matou vários demônios e reconquistou sua condição de príncipe. Enquanto fazia isso, sua fama como amante crescia. Segundo a lenda, ele costumava tocar sua flauta que atraía todas as mulheres para a floresta. Entre tantas, ele tinha uma preferida: sua amiga de infância Radha. 

8- A origem das doenças

Há várias versões sobre um mesmo deus ou uma mesma história na mitologia hindu. Algumas das mais interessantes envolvem o deus Shiva, um dos três manda-chuvas no panteão indiano, junto com o todo-poderoso Brahma e com Vishnu.

Shiva é um dos deuses mais temperamentais da história e provocá-lo podia ser tão terrível quanto era provocar a ira de Zeus. Uma das narrativas sobre ele conta que, apesar de casado com Sati, filha de Daksha e neta de Brahma, Shiva não foi convidado para uma festa dada pelo sogrão. Inconformado, ele provocou a maior confusão na festa.

No meio da balbúrdia, ele saiu em perseguição a um cervo alado e de uma gota do seu suor que caiu na Terra surgiu um terrível monstro que foi chamado de Doença. Após ser acalmado por Brahma, Shiva partiu o monstro Doença em vários pedaços.

9- O titã que roubou o fogo

Prometeu
Outra história que vem da mitologia grega narra como o titã Prometeu ousou desafiar os todo-poderosos deuses do Olimpo. Sobrevivente da guerra entre os titãs e os deuses, Prometeu tinha especial atenção com os seres humanos.

Para que eles pudessem ter uma vida melhor naqueles tempos difíceis e se imporem frente aos outros animais, ele decidiu roubar o fogo, que era uma exclusividade dos deuses, e o deu aos homens. O titã foi escondido até o mundo dos mortos, guardado pelo deus Hades, e de lá roubou uma chama.

Após presentear a humanidade, Prometeu reuniu contra ele a ira dos deuses, especialmente de Zeus, o todo-poderoso. Como punição ele foi acorrentado no topo do monte Cáucaso, que os gregos acreditavam ser o limite entre a Terra e o caos. Lá, durante milhares de anos, uma águia comia diariamente um pedaço do seu fígado que se regenerava durante a noite.

10- Apaixonadas por touros

Um dentre os inúmeros casos de adultério de Zeus, o mais poderoso deus grego, foi com a princesa fenícia Europa. Rei dos disfarces, ele apareceu para ela como um touro e a levou para a ilha de Creta, onde tiveram três filhos, um deles chamado Minos.

A queda das mulheres por touros prosseguiu na família. Pasífae, a mulher de Minos, também apaixonou-se por um e mandou fazer uma vaca de madeira para esconder-se dentro e poder transar com o animal. Desse cruzamento bestial nasceu o Minotauro, uma criatura com corpo de homem e cabeça de touro.

Horrorizado com  o que viu, o rei Minos mandou construir um labirinto e o colocou dentro. O bicho viveu lá por anos, sendo alimentado pelos atenienses, que eram obrigados de tempos em tempos a mandar sete rapazes e sete moças para saciá-lo.

O fim do Minotauro, o legado vivo do amor das mulheres por touros na mitologia grega, veio com Teseu, herói que espertamente usou um novelo de lã para marcar o caminho e conseguir sair do labirinto após matar a criatura.

Fonte: Big Listas da Net.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alquimia

A Alquimia, precursora da química e da medicina, é o nome dado à ciência praticada na Idade Média, que se baseava na idéia de que todos os metais evoluem até virar ouro. Os alquimistas tentavam acelerar esse processo em laboratório, por meio de experimentos com fogo, água, terra e ar (os quatro elementos), empenhados principalmente na descoberta de uma "pedra filosofal", capaz de transformar tudo em ouro.

Essa busca incluía não só as experiências químicas, mas também uma série de rituais. A filosofia Hermética era um dos seus alicerces, assim também como partes de Cabala e da Magia. A magia é a primeira das ciências e a mais caluniada de todas, porque o vulgo obstina-se em confundir a magia com a bruxaria supersticiosa cujas práticas abomináveis são denunciadas.

A Alquimia tomou emprestado da Cabala todos os seus signos, e era na lei das analogias, resultantes da harmonia dos contrários, que baseava suas operações.

Ao longo do tempo, diversos alquimistas descobriram que a verdadeira transmutação ocorria no próprio homem, numa espécie de Alquimia da Alma; diversos outros permaneceram na busca sem sucesso do processo de transformações de metais menos nobres em ouro; afirma-se que alguns mestres atingiram seus objetivos.

A alquimia também preocupava-se com a Cosmogonia do Universo, com a astrologia e a matemática. Os escritos alquímicos, constituíam-se muitas vezes, de modo codificado ou dissimulado, daí, talvez a conotação dada ao termo hermético ( fechada), acessível apenas para os iniciados.

A palavra alquimia, do árabe, al-khimia, tem o mesmo significado de química, só que, esta química, antigamente designada por espargiria, não é a que atualmente conhecemos, mas sim, uma química transcendental e espiritualista. Sabe-se, que al, em árabe, designa Ser supremo o Todo-Poderoso, como Al-lah. O termo alquimia, designa desde os tempos mais recuados, a ciência de Deus, ou seja a química de Al.

A alquimia é a arte de trabalhar e aperfeiçoar os corpos com a ajuda da natureza. No sentido restrito do termo, a alquimia sendo uma técnica é, por isso, uma arte prática. Como tal, ela assenta sobre um conjunto de teorias relativas à constituição da matéria, à formação de substâncias inanimadas e vivas, etc.

Para um alquimista, a matéria é composta por três princípios fundamentais, Enxofre, Mercúrio e Sal, os quais poderão ser combinados em diversas proporções, para formar novos corpos.

No dizer de Roger Bacon, no Espelho da Alquimia, «...A alquimia é a ciência que ensina a preparar uma certa medicina ou elixir, o qual, sendo projetado sobre os metais imperfeitos, lhe comunica a perfeição...»

A alquimia operativa, aplicação direta da alquimia teórica, é a procura da pedra filosofal. Ela reveste-se de dois aspectos principais: a medicina universal e a transmutação dos metais, sendo uma, a prova real da outra.

Um alquimista, normalmente, era também um médico, filósofo e astrólogo, tal como Paracelso, Alberto Magno, Santo Agostinho, Frei Basílio Valentim e tantos outros grandes Mestres hoje conhecidos pelas suas obras reputadas de verdadeiras.

Cada Mestre tinha os seus discípulos a quem iniciava na Arte, transmitindo-lhe os seus conhecimentos. Além disso, para que esse conhecimento perdurasse pelos tempos, transmitiram-no também por escrito, nos livros que atualmente conhecemos, quase sempre escritos sob pseudônimo, de forma velada, por meio de alegorias, símbolos ou figuras.

É isto que dificulta o estudo da alquimia, porque esses símbolos e figuras não têm um sentido uniforme. Tudo era, e atualmente ainda é, deixado à obra e imaginação dos seus autores.

A transmutação de qualquer metal em ouro, o elixir da longa vida são na realidade coisas minúsculas diante da compreensão do que somos. A Alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia é um andarilho a percorrer as estradas da vida.

O verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto. É capaz de realizar coisas que a ciência e tecnologias atuais jamais conseguirão, pois a Alquimia está pautada na energia espiritual e não somente no materialismo e a ciência a muito tempo perdeu este caminho.

A Alquimia é o conhecimento máximo, porém é muito difícil de ser aprendida ou descoberta. Podemos levar anos até começarmos a perceber que nada sabemos, vamos então começar imediatamente pois o prêmio para os que conseguirem é o mais alto de todos.

A Alquimia é uma Arte que se utiliza de grande número de símbolos, e por isso mesmo muitas vezes há referencias a ela com o nome de  Ars Symbollica.  O grande símbolo da Alquimia é a borboleta, por causa do efeito da metamorfose. Um dos símbolos que mais aparecem nos trabalhos de Alquimia é a figura do hermafrodita, ou andrógino.

Fonte: www.misteriosantigos.com

Déjà vu

O déjà-vu ou fenômeno do “já visto” é uma ocorrência extremamente interessante, e freqüentemente observável por pessoas sem qualquer vínculo religioso ligado à crença na reencarnação. Trata-se de uma sensação íntima, uma emoção aparentemente inexplicável que surge de uma forma completamente inesperada. Subitamente, uma circunstância qualquer desencadeia algum mecanismo psicológico ou anímico onde a pessoa tem a sensação muito expressiva de que aquilo que observa já conhece ou já vivenciou de uma maneira que não consegue compreender, mas que a emociona sobremaneira.

Algumas ocorrências de déjà-vu se dão quando uma pessoa ao ser apresentada a outra leva um verdadeiro choque e se pergunta: “Onde já a vi? Tenho a nítida sensação de que a conheço.” Posteriormente, fica patente que não houve possibilidade de qualquer contato prévio (nesta vida). No entanto, a emoção permanece muito forte. Evidentemente, não estamos referindo aqui a atração física, que pode coexistir no processo, ou não, mas simplesmente a identificação e familiaridade intensamente sentidas.

Excluindo-se alguns arroubos ou precipitações de julgamento, certos casos de amor ou antipatia a primeira vista têm correlação com o fenômeno do déjà-vu.

Há alguns paranormais que ao reverem certas pessoas, embora em termos desta vida estariam tendo o primeiro contato, recebem um impacto energético tão forte que determina uma ressonância magnética em seus arquivos espirituais, aflorando-lhes reminiscências pretéritas com grande nitidez. Passam a desfilar, em sua mente, quadros, locais e situações conflitantes ou afetivas de um passado longínquo, vivido em comum por aquele que agora vê (revê) pela aparente primeira vez.

Abre-se um canal anímico que permite a drenagem de núcleos energéticos adormecidos pelo esquecimento das vidas anteriores.

O fenômeno de déjà-vu ocorre também relacionado com locais, além de pessoas. A aura energética não é propriedade apenas dos seres humanos, mas, embora não irradiem como foco produtor de emoções, os objetos, residências e cidades têm sua própria “egrégora ”(campo energético que irradia uma vibração), pela imantação energética dos pensamentos dos homens que se relacionaram com aquele ambiente .

A lei de sintonia sempre se verifica ao identificarmos as vibrações que foram muito representativas, em termos de experiência pessoal anterior.

São muito impressionantes os fenômenos de déjà-vu que se verificam por ocasiões de viagens ao exterior, quando o turista de forma repentina e emocionante passa a identificar, em detalhes, um local como fosse de seu conhecimento prévio, naturalmente, sem nunca ter estado no referido local e especialmente quando nunca ouviu falar da existência do mesmo.

Sabemos que, para os adversários da reencarnação outras explicações são utilizadas. Como se não bastasse o inconsciente ser considerado tal qual um saco sem fundo, que, como faz “Papai Noel”, tira de lá qualquer presente desejado pela criança, o inconsciente coletivo seria uma forma de contato entre todos os seres humanos e locais, de tal forma que, pelo mágico intercâmbio universal, uma pessoa poderia sintonizar com qualquer faixa do inconsciente coletivo e receber qualquer tipo de impressão passada ou presente da humanidade...

Parece anedota, mas é real, quando uma criança européia passou a falar chinês arcaico e recordar-se de uma vida pretérita, foi considerada uma explicação o fato de sua mãe, durante a gestação, ter vivido próximo a uma lavanderia chinesa e provavelmente ter captado pelo seu inconsciente coletivo todo aquele conhecimento da língua asiática...

Embora não tenha valor científico algum o que pude observar, não vou conseguir resistir à tentação de narrar uma experiência pessoal vivida pela minha esposa Helena, em junho de 1988.

De Florianópolis, sul do Brasil, sonhávamos em conhecer a Europa que sempre nos atraiu misteriosamente. Eu elegi a Inglaterra como local que desejava visitar. Desde criança um misto de admiração e nostalgia me ligava à Grã-Bretanha bem como aos países nórdicos . Minha esposa expressou desejo de conhecer a Áustria, talvez embalada pelos sons poéticos das valsas vienenses ou mesmo pela ascendência germânica de que era portadora.

Fizemos um roteiro de trinta dias, que optamos por percorrer sozinhos. Ao chegar à Ilha Britânica, após termos passado por outros países, fomos nos apaixonando pela natureza dos campos, a beleza das flores e a arquitetura típica. Quando mais mergulhávamos na profundidade do Interior, mas nos encantávamos. Ao entrarmos em território escocês, as surpresas foram se sucedendo cada vez mais intensamente.

Ao almoçarmos em um vilarejo, Helena teve a primeira forte emoção ao ver as colheres utilizadas no local. Eram mais estreitas que as nossas, no Brasil, e mais côncavas, bem mais profundas mesmo. Emocionada comentou:

-- Ricardo, você se recorda daquela colher defeituosa que eu tenho guardada há mais de 20 anos?

Como todo marido distraído, disfarcei e disse algo como:

-- Sim!?

-- É uma mais comprida e funda que sempre adorava, não sabia por quê. Agora eu sei! Já tive uma assim antes. Veja! É semelhante a estas que usam aqui.

Durante nossa passagem pela região foram ocorrendo diversos fenômenos desse tipo na Grã-Bretanha, mas em especial na Escócia. Os vestidos de padrão floral, muito usados na região, que sempre foram de sua preferência, as cestas de vime para as compras muito utilizadas pelas senhoras, as louças típicas, e assim por diante.

O clímax ocorreria em Perth, cidade que ela jamais tinha ouvido falar até aquele dia. À medida que nos avizinhávamos do Palácio de Scone, ela se mostrava mais emocionada com tudo ao redor. Colocou seus óculos escuros para disfarçar as lágrimas quentes que rolavam pelas faces contraídas pela emoção. Apertava as minhas mãos e dizia baixinho:

-- Ricardo, eu sinto que conheço, mesmo, este lugar!

-- Você está emocionada. Vamos vê-lo mais detalhadamente.

-- Preciso correr por estes campos!

E com seus 38 anos, parecia uma criança feliz ao sair em desabalada carreira pelos bosques que rodeavam o castelo. Voltou depois com o rosto vermelho e os olhos brilhando, como há tempo não a via.

No interior do Palácio de Scone, que mais parecia um castelo, as emoções foram gradativa e significativamente mais intensas: as louças do século XVIII, que lhe pareciam familiares tanto nas cores como nos modelos e sobretudo os quadros nas paredes, dois dos quais a fizeram novamente chorar, acometida outra vez de grande emoção. Tomada de profunda emoção, afirmava que dois quadros não eram originais e que deviam ter sido trocados. Fato que confirmamos posteriormente.

Embora como estudioso da reencarnação fosse para mim uma vivência muito interessante, procurava não induzi-la a conclusões. Comentei:

-- Todas as pessoas que se interessam pelo estudo da reencarnação gostariam de ser no mínimo princesas nas vidas pretéritas... Portanto, é preciso que tenhamos cautela com conclusões precoces.

-- Posso ter sido a mais simples serviçal aqui, disse-me Helena, mas sem dúvida este lugar eu já conheço! Acredito que mais do que uma visita, um contato mais íntimo e freqüente com o Palácio de Scone deva ter sido em outra vida.

Posteriormente, por via mediúnica, bem como por outros recursos, tivemos referências sobre encarnações nossas na Grã-Bretanha, em épocas diversas cujos detalhes não estamos autorizados a escrever, em função até da ausência de provas aceitáveis. Para Helena, no entanto, a experiência marcou-a profundamente.

(Texto de: Ricardo Di Bernardi)

Fonte: Portal do Espírito