quinta-feira, 17 de março de 2016

Rumo ao Esquecimento


Era um brigue excelente, com madeirame firme e velas quadradas, quando foi batizado de Amazon em Spencer Island, Nova Escócia, em 1861. Mas já naquela ocasião havia maus presságios, pois seu primeiro capitão morreu 48 horas após assumir o comando.

Seguiu-se uma série de desastres menores. Em sua viagem inaugural, o Amazon foi de encontro a um dique de pesca, avariando o casco. Durante os trabalhos de reparo, irrompeu um incêndio a bordo, resultando na morte de seu segundo capitão. Sob o comando de um terceiro capitão, empreendeu sua terceira travessia do Atlântico, e colidiu com outro navio no estreito de Dover.

Então, em 1867, o Amazon soçobrou em Blauce-Bay, Terra Nova, onde foi deixado para as equipes de salvamento. Uma companhia norte-americana, finalmente, trouxe-o de volta à superfície, restaurou-o, zarpou com ele para o sul, onde foi registrado sob bandeira dos EUA e rebatizado com o nome de Marie Celeste.

O capitão Benjamim S. Briggs adquiriu o Marie Celeste em 1872. No dia 7 de novembro daquele ano, ele zarpou de Nova York para o Mediterrâneo com sua mulher, a filha e sete tripulantes, transportando 1 700 barris de álcool comercial no valor de 38 mil dólares.

Em 4 de dezembro, um bergantim inglês encontrou o Marie Celeste a 600 milhas a oeste de Portugal. Seus tripulantes o abordaram, porém não encontraram ninguém nem no convés nem nos porões. A carga estava em boas condições, com uma exceção - um único barril de álcool havia sido aberto. Os pertences dos tripulantes do Marie Celeste, inclusive os cachimbos e as bolsas para guardar fumo, foram deixados para trás.

A última anotação no diário de bordo, com a data de 24 de novembro, não deu nenhum indicação de algum desastre iminente. A única pista foi um pedaço de balaustrada, que estava no convés, onde deveria haver um bote salva-vidas.

O destino do capitão Briggs, de sua família e seu tripulantes permanece como um dos muitos mistérios inexplicáveis dos mares. O que parece evidente é que todos abandonaram o navio em um único barco salva-vidas com muita pressa. Talvez tenham temido uma explosão imediata. O álcool, armazenado em condições precárias, pode ter começado a expelir gases no calor dos trópicos. Briggs, que não devia conhecer muito bem sua carga, pode ter soado o alarme para abandonar o navio. Um vento pode ter soprado, afastando o Marie Celeste.

A única coisa que sabemos, com certeza, é que jamais saberemos.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz