sábado, 1 de novembro de 2008

O Exorcista

Karras: -Eu entendo. Bem, então. vamos nos apresentar. Eu sou Damien Karras.
Regan: -Eu sou o diabo. Agora, seja bondoso e solte estas tiras!
Karras: -Se você é o diabo, por que não faz as tiras desaparecerem?
Regan: -É muito vulgar uma exibição de poder, Karras.
Karras: -Onde está Regan?
Regan: -Aqui...conosco.

"O que há de comum entre A Noite dos Mortos-Vivos (1968), A Morte do Demônio (1983) e O Exorcista (1973)? Na minha opinião, são três dos maiores de todos os filmes de horror da história.

A Noite dos Mortos-Vivos (The Night of the Living Dead, em vídeo pela VTI) é um clássico da produção B, filmado em preto & branco por George Romero e um dos precursores do splatter. A Morte do Demônio (The Evil Dead, em vídeo pela Look), do talentoso diretor Sam Raimi, é um insuperável show com as mais fantásticas cenas repugnantes vistas no cinema.

E O Exorcista (The Exorcist, em vídeo pela Warner), que é uma das mais assustadoras histórias de possessão demoníaca já filmadas, amparado por uma grande produção e direção de William Friedkin.

Eu nunca me esqueço quando fui assistir a O Exorcista pela primeira vez, em 1984, num cinema barato e já extinto chamado "Cine Londres", no centro do bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Eu tinha 16 anos e o filme era proibido para menores de 18. Consegui entrar assim mesmo e a sessão já havia começado.

Quando entrei no cinema e estava tentando me acostumar com o escuro, olhei para a tela e... a cena que estava se passando era justamente a da garota possuída pelo demônio se masturbando violentamente com um crucifixo, rasgando a sua vagina e espalhando sangue por todos os lados, vociferando com uma voz que parecia vir do próprio inferno, "Deixe Jesus te foder!". À sua frente, a mãe olhava horrorizada para a inesperada atitude da filha de apenas 12 anos de idade, que ainda agarrou sua cabeça e esfregou na vagina ensanguentada gritando freneticamente "Me chupe! Me chupe!". Levei um susto tão grande, que quase me arrependi de ter entrado no cinema, porém a atração pelo horror foi maior.

Foi a mais cara produção de horror da época (hoje já são normais as grandes produções como por exemplo o recente Drácula, de Francis Ford Coppola) e que trouxe às telas o livro homônimo de William Peter Blatty, sobre um padre católico que batalha com um demônio.

O filme começa com o padre Lankester Merrin (Max Von Sydow, envelhecido) desenterrando uma estátua no Iraque e libertando um demônio luxuriante chamado Pazuzu, que eventualmente se apossa lentamente do corpo de uma pequena jovem, Regan Theresa MacNeil (Linda Blair), que vive com sua mãe (Ellen Burstyn), uma atriz divorciada, em Georgetown, nos arredores de Washington.

Aos poucos, a garota começa a tornar-se selvagem e passa a cometer atos estranhos, como urinar na frente de convidados, vociferar palavras de baixo calão, se masturbar com um crucifixo e levitar sobre a cama, vindo a se transformar fisicamente em um pútrido demônio coberto de tumores, que é amarrado com cordas em sua cama. Uma vez indiferente aos médicos e últimos equipamentos da medicina, a família é obrigada a chamar um padre psiquiatra, Damien Karras (Jason Miller), que tenta ajudar. Ao não obter sucesso, eles recorrem então à Igreja e é chamado o padre Merrin, para juntos tentarem o exorcismo. A voz rouca do demônio, produzida pela atriz veterana Mercedes McCambridge, é fenomenal e assustadora, o que não aconteceu na versão dublada exibida pela televisão brasileira, que foi uma voz artificial, sintetizada, forçada e ridícula.

Algumas das melhores sequências foram as vomitadas e escarradas de Regan possuída na cara dos padres, um líquido verde viscoso que lembra uma bílis de leite com abacate; as blasfêmias ditas pelo demônio ao padre Karras como "sua mãe chupa pênis no inferno"; e quando aparecem grandes vergões na barriga da garota enquanto dorme em quase estado de coma, dizendo "Ajudem-me".

Os trabalhos de maquiagem de Dick Smith são fantásticos, ao envelhecer Max Von Sydow, transformando-o num verdadeiro octogenário; e na garota possuída, transformando seu rosto num amontoado de feridas abertas e úlceras pestilentas. Dick Smith é até hoje um dos melhores profissionais da área em todo o mundo, juntamente com Rick Baker (de Um Lobisomem Americano em Londres e O Incrível Homem que Derreteu), Tom Savini (de Sexta-Feira 13 e O Dia dos Mortos), e Screaming Mad George, o mais recente mago dos efeitos de maquiagem no cinema.

Os atores tiveram ótimas performances, com Ellen Burstyn, Max Von Sydow, Jason Miller, Lee J. Cobb (como o tenente de polícia William Kinderman), e Linda Blair, que até hoje é lembrada pelo papel de Regan, apesar das cenas com a garota possuida serem feitas por uma dublê. Porém, a carreira cinematográfica de Blair não decolou, se restringindo apenas a aparições em pequenos filmes B.

A música tema, uma pequena balada de piano, é imortal e eternamente associada ao filme. Ela foi utilizada na introdução da música The Exorcist, da extinta banda de Death Metal Possessed, em 1985.

O Exorcista foi o único filme de horror até aquela época (1973), a ganhar o cobiçado prêmio Oscar, nas categorias técnicas de roteiro adaptado, de William Peter Blatty, e de som. Atualmente as obras de horror ganham até o prêmio de melhor filme, como aconteceu em 1991 com O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme.

O ponto mais alto do filme certamente foi a grande e antológica sequência do exorcismo que no final, como sempre no cinema politicamente correto, o Bem prevalece sobre o Mal, com o demônio sendo derrotado, libertando a jovem garota, mas às custas das mortes dos padres, em especial, a do padre Karras, que desaba violentamente de uma enorme escadaria, mergulhando para a morte, agonizando numa imensa poça de sangue.

O Exorcista é até hoje considerado um dos grandes filmes da história da produtora Warner e certamente está na lista dos melhores filmes da horror de todos os tempos, com seu impressionante argumento de possessão demoníaca. E completará 30 anos em 2003, mantendo o seu prestígio ao longo do tempo e merecendo ser revisitado e homenageado sempre." (por Renato Rosatti).

Ficha Técnica

Título Original: The Exorcist
Gênero: Terror
Origem/Ano: EUA/1973
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty, baseado em seu livro homônimo
Produção: Noel Marshall, William Peter Blatty e David Salven
Música: Krzysztof Pendercki
Fotografia: Owen Roizman e Billy Williams
Sonoplastia: Jean-Louis Ducarme
Direção de Elenco: Louis DiGiaimo, Nessa Hyams e Juliet Taylor
Efeitos Sonoros: Ron Nagle, Doc Siegel, Gonzalo Gavira e Bob Fine
Efeitos Especiais: Marcel Vercoutere
Efeitos Visuais: Marv Ystrom
Maquiagem: Dick Smith e William A. Farley
Cenografia: Jerry Wunderlich
Cenários: Jerry Wunderlich
Montagem: Bud Smith; Evan A. Lottman e Norman Gray
Elenco: Ellen Burstyn (Chris MacNeil), Max von Sydow (padre Merrin), Jason Miller (padre Karras), Linda Blair (Regan), Lee J. Cobb (tenente Kinderman), Kitty Winn (Sharon Spencer), Jack MacGowran (Burke Dennings), Mercedes McCambridge (voz do demônio Pazuzu), Reverendo William O'Malley, Barton Heyman, Pete Masterson, Rudolf Schundler.

Sinopse

Baseado no best seller de William Peter Blatty, além de divertido, é um primor de efeitos especiais e sonoros. Estrelado por uma endiabrada Linda Blair, o filme eletrizou platéias, que desmaiavam e entravam em transe quando a personagem possuída pelo diabo gargalhava, rodava o pescoço em 360 graus e vomitava na cara do padre que queria exorcizá-la. Teve duas continuações, ambas inferiores.

Prêmios

Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Som. Indicações para Melhor Filme, Diretor, Atriz (Ellen Burstyn), Ator Coadjuvante (Jason Miller), Atriz Coadjuvante (Linda Blair), Fotografia, Direção de Arte e Edição.

Fontes: Webcine - O Exorcista; Boca do Inferno - O Exorcista.
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