quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Hoje é Halloween
Hoje, dia 31 de outubro, se comemora o Halloween, mais conhecido no Brasil como o “Dia das Bruxas”. As comemorações do Halloween são mais comuns nos países anglo-saxônicos, com especial relevância aos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos celtas. Acredita-se que "na passagem dessa noite as almas saem de seus túmulos e partem pelas ruas amedrontando todos aqueles que estão por perto".
O dia das bruxas se infiltrou em nossas comemorações de forma tímida, pois o Brasil, país que celebra as coisas boas da vida, não se vê em meio a festividade aos mortos. Apesar de sua pequena influência, pode ser vista em escolas, clubes, casas noturnas e shoppings de várias cidades, mas como dito anteriormente, não adquire força expressiva, já que nem o folclore local é efetivamente comemorado.
Muitos nacionalistas dão créditos à influência do imperialismo cultural americano a vinda do halloween, assim, alguns brasileiros, localizados em São Luiz do Paraitinga, cidade paulista, decretou o dia 31 de outubro como o dia oficial do Saci Pererê em protesto à inclusão do Halloween. A maioria das manifestações critica a posição dos brasileiros em importar a cultura americana, já que o país tem grande diversidade folclórica que não é aproveitada e comemorada.
Apesar de todo o esforço da imprensa em destacar essa festividade norte-americana, os brasileiros não costumam festejar a data. É uma festa celebrada por poucos. No Rio de Janeiro as manifestações são caracterizadas por placas espalhadas pela cidade opondo tal prática e ainda em pedido ao retorno das considerações brasileiras, isto é, dar valor e importância às crenças nascidas no país, deixando manifestar o patriotismo dentro de nossa cultura.
Fonte: Brasil Escola; Wikipedia.
Manuscrito de Frankenstein online
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| Página do manuscrito de Frankenstein — The New York Public Library/Shelley-Godwin Archive |
“Frankenstein”, de Mary Shelley, escrito durante o verão de 1816, já inspirou incontáveis peças, filmes, quadrinhos e aplicativos de iPhone. Agora o manuscrito original se tornou a peça central da primeira fase do Arquivo Shelley-Godwin, um ambicioso projeto digital que entra no ar neste Dia das Bruxas.
O arquivo, cuja abertura será celebrada com um evento nesta quinta-feira na Biblioteca Pública de Nova York, é resultado de uma colaboração entre essa biblioteca e o Maryland Institute for Technology, com contribuições de várias outras entidades. O objetivo é reunir todos os manuscritos literários de Percy Bysshe Shelley e Mary Shelley, sua segunda esposa, assim como os pais de Mary, William Godwin e Mary Wollstonecraft — a “primeira família da literatura inglesa”, como o arquivo classifica.
O manuscrito de “Frankenstein”, propriedade da biblioteca Bodleian de Oxford, é ele mesmo uma espécie de monstro reconstruído, explica Neil Fraistat, um dos líderes do projeto. Ele é composto principalmente de dois cadernos de notas escritos por Mary, com comentários de Percy. No site, os internautas podem apertar um botão para ver apenas as palavras escritas por um ou pelo outro.
Fraistat conta que durante seu relacionamento, as letras de Percy e Mary foram se tornando cada vez mais parecidas, dando origem a debates sobre que era responsável por quais trechos. Em “O homem que escreveu Frankenstein”, publicado em 2007, John Lauritsen chega a dizer que Percy é o verdadeiro autor do livro, com Mary, na época uma adolescente, servindo apenas como copista, trabalho que ela costuma fazer para ele.
Para Fraistat, o arquivo digital dará a pesquisadores e fãs comuns uma ligação direta com a colaboração literária dos Shelley. Ele ressalta dois momentos em particular nos quais Percy deixa de lado o papel de editor e se dirige à mulher de forma mais intima. Num deles, corrige a ortografia de “enigmatic”, usando um de seus apelidos favoritos, “pecksie”. Ela chamava o marido de “Elf”.
A próxima fase do arquivo online, financiado com uma verba de US$ 300 mil, trará manuscritos de “Prometheus Unbound” e cerca de 30 páginas de cadernos de Percy Shelley. Alguns deles, afirma Fraistat, revelam a influência Mary no trabalho do marido.
“Era uma colaboração de mão dupla”, diz. “Não era apenas ele supervisionando o trabalho dela.”
Fonte: New York Times.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Morte às Bruxas - Parte 3
Intermediárias do Demônio — Uma história incrível passada há 300 anos nos tribunais de Massachusetts — Dezoito mulheres enforcadas e duzentas pessoas levadas ao cárcere — O senado daquele estado norte-americano proclamou, não há muito, a inocência dos mortos e dos martirizados.
Em pouco tempo o povoado havia sido contaminado de estranho delírio. Todo o mundo em Salem temia, mas clamava contra as bruxas e exigia providências das autoridades competentes.
— Morte às bruxas!
Esse era o grito que se ouvia por toda a parte.
A mãe de Ana Putnam, língua viperina, fez-se chefe do grupo mais exaltado. Não se podia oferecer melhor ocasião para desforrar-se de agravos, relas ou supostos. E assim, dessa maneira, seus presumidos inimigos foram, de pronto, levados à barra dos tribunais, que haviam sido, então, estabelecidos com a exclusiva finalidade de julgar e sentenciar as bruxas.
Não faltavam testemunhas ansiosas de revelarem o que sabiam a respeito. As provas eram sempre multo contestáveis, mas os juízes não exigiam mais para exarar as sentenças.
Todos os plenários contavam com a presença das enfeitiçadas. Apenas aparecia o acusado na sombria sala do tribunal e as que desempenhavam aquele papel se atiravam ao chão, retorciam-se, descabelavam-se, mordiam-se até sangrar. Não havia mais dúvidas. Era Isso a prova da influência diabólica que a presença do réu determinava.
O julgamento de Ana Pudeator
Chegou certo dia a vez de uma pobre viúva — Ana Pudeator. Ali estavam seus acusadores, retorcendo-se, descabelando-se, rastejando o chão.
— Estas pequenas não estão enfeitiçadas; estão loucas, nada mais! — exclamou Ana, exasperada.
Essa observação irritou os juízes. Foi iniciada Imediatamente a prova testemunhal. A primeira testemunha foi Jeremias Neal.
— Sim, esta mulher é uma bruxa1 gritou Jeremias, apontando-a. Pediu-me emprestado um objeto de meu uso e mal o levou, morreu minha mulher. Logo em seguida, caí de uma árvore e fraturei a perna esquerda.
Os magistrados moviam a cabeça solenemente como para dar a entender que estavam de pleno acordo. Não havia mais dúvida. Era uma bruxa.
Foi chamada outra testemunha, uma pequena de nome Maria Warren. Jurou que a senhora Pudeator se havia confessado responsável pelo acidente sofrido por Jeremias. Maria Warren era uma das jovens que tomara parte no audit6rlo de Tituba, na casa do reverendo Samuel Parris.
E mais ainda — disse Maria Warren. A senhora Pudeator matou seu próprio marido, a primeira esposa dele e a mulher de John Best. Ela me confessou esses nomes.
Uma terceira testemunha foi ouvida depois: Samuel Pickworth.
— Certa noite, eu caminhava pela rua. — contou — e senti algo estranho que passou junto de mim, alguma coisa parecida com um morcego negro. Entrou, em seguida, em casa de Pudeator.
Sara Churchill, outra testemunha interrogada, disse:
— Tive, de certa vez, estranha visão. Apresentou-se a mim Ana Pudeator, que me oferecia o livro do Demônio para que nele eu escrevesse meu nome. Eu não sei bem se foi visão ou realidade... E claro que não assinei o livro.
John Best confirmou em plenário o que foi dito sobre sua mulher. E acrescentou que ela ficou com o corpo cheio de manchas negras e azuis. As declarações de seu filho constituíram, porém, o cúmulo desses absurdos.
— Fui ao pasto levar as vacas pertencentes a meu pai, disse o pequeno. A senhora Pudeator aborreceu-se porque não levei a sua novilha. Como sabia ela que, na verdade, a novilha se juntara ao lote das vacas pertencentes a meu pai e que eu a espantei para que não fosse ao pasto? Como sabia? Só uma bruxa poderia isso ter adivinhado...
Veja também: Morte às Bruxas - Parte 1 — Morte às Bruxas - Parte 2
Fonte: Artigo adaptado e atualizado de “A Noite Ilustrada”, de 30/07/1946.
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