domingo, 9 de novembro de 2008

Frankenstein 1931


A história do filme gira em torno de um cientista, Henry Frankenstein (Colin Clive), que é obcecado com a ambição de criar vida artificialmente. Ajudado por um anão corcunda, Fritz (Dwight Frye), ele rouba cadáveres dos cemitérios para completar a sua criatura.

Na procura por um cérebro, Fritz vai até a faculdade de medicina de Goldstadt e erradamente pega um cérebro de um criminoso em vez de um normal, dando uma personalidade agressiva ao monstro.

Preocupados com o exílio do cientista, que se refugiou numa torre abandonada para fazer suas experiências, sua noiva Elizabeth (Mae Clarke), seu melhor amigo Victor (John Boles) e seu antigo professor Dr. Walman (Edward Van Sloan), vão procurá-lo.

Enquanto isso, o jovem cientista se aproveita da energia elétrica criada por uma forte tempestade e em seu laboratório, ajudado por um maquinário bizarro, ele dá vida a uma criatura inanimada (Boris Karloff).

O monstro de Frankenstein é então mantido preso numa velha masmorra na torre e atormentado pelo anão Fritz. Ele acaba se despertando para o ódio e estrangula o ajudante do cientista. Após muita dificuldade, o monstro é controlado e Henry Frankenstein sofre um colapso nervoso indo para sua casa descansar, deixando a sua criatura nas mãos do Dr. Waldman.

No dia do seu casamento com Elizabeth, o cientista é avisado que o monstro havia matado o Dr. Waldman e escapado, circundando os arredores do vilarejo. Depois de afogar acidentalmente uma menina, filha de um agricultor, ele desperta a fúria dos aldeões que passam a caçá-lo, e o jovem Frankenstein junta-se a eles.

Chegando num velho moinho, o cientista se confronta com sua criatura, perde a consciência mas consegue escapar momentos antes dos aldeões atearem fogo. O moinho se queima presumivelmente destruindo o monstro e Frankenstein salvá-se para casar com Elizabeth.

Ficha Técnica

Título Original: Frankenstein
Gênero: Terror
Origem/Ano: EUA/1931
Direção: James Whale
Duração: 71 min

Elenco

Colin Clive...Dr.Henry Frankenstein
Mae Clarke...Elizabeth
John Boles...Victor Moritz
Boris Karloff...The Monster
Edward Van Sloan...Dr. Waldman
Frederick Kerr...Baron Frankenstein
Dwight Frye...Fritz
Lionel Belmore...Burgermeister
Marilyn Harris...Little Maria

Sinopse

Boris Karloff estrela como o mais memorável monstro do cinema, naquele que muitos consideram o maior filme de horror já realizado.

Fonte: Webcine - Frankenstein

Drama da Angélica

Drama da Angélica (toada, 1943) - Alvarenga e M. G. Barreto

Ouve meu cântico / Quase sem ritmo
E a voz de um tísico / Magro e esquelético
Poesia ética / Em forma esdrúxula
Feita sem métrica / Com rima rápida.

Amei Angélica / Mulher anêmica
De cores pálidas / E gestos tímidos
Era maligna / E tinha ímpetos
De fazer cócegas / No meu esôfago.

Em noite frígida / Fomos ao lírico
Ouvir o músico / Pianista célebre
Soprava o zéfiro / Ventinho úmido
E então Angélica / Ficou asmática.

Fomos ao médico / De muita clínica
Com muita prática / E preço módico
Depois do inquérito / Descobre o clínico
Um mal atávico / Mal sifilítico.

Mandou-me célere / Comprar noz-vômica
E ácido cítrico / Para o seu fígado
E o farmacêutico / Mocinho estúpido
Errou na fórmula / Fez de propósito.

Não teve escrúpulo / Deu-me sem rótulo
Ácido fênico / E ácido prússico
Corri mui lépido / Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico / De força múltipla.

O dia cálido / Deixou-me tépido
Achei Angélica / Já toda trêmula
A terapêutica / Dose alopática
Lhe dei em xícaras / De ferro ágape.

Tomou num fôlego / Triste e bucólica
Essa estrambólica / Droga fatídica
Caiu no esôfago / Deixou-a lívida
Dando-lhe cólica / E morte trágica.

O pai de Angélica / Chefe do tráfego
Homem carnívoro / Ficou perplexo
Por ser estrábico / Usava óculos
Um vidro côncavo / E outro convexo.

Morreu Angélica / De um modo lúgubre
Moléstia crônica / Levou-a ao túmulo
Foi feita autópsia / E todos os médicos
Foram unânimes / No diagnóstico.

Fiz um sarcófago / Assaz artístico
Todo de mármore / Na cor do ébano
E sobre o túmulo / Uma estatística
Coisa metódica / Como os Lusíadas.

E numa lápide / Paralelepípedo
Pus este dístico / Terno e simbólico
Cá jaz Angélica / Moça hiperbólica
Beleza helênica / Morreu de cólica !....

A Mão Embalsamada

John Harrison contemplou a figura espadaúda e grave do Professor Kauperman, avançando em sua direção à entrada do laboratório, e disse:

- Oh, professor, espero que me desculpe. Mas a velha curiosidade não me deixou escapar esta também.

E com duas pinças pegou uma mão decepada que se encontrava num vidro de formol e completou:

- Tirei-lhe as impressões digitais para os meus arquivos.

Com acento grave na voz, Kauperman fê-lo compreender que o fato não tinha qualquer importância.

Mas, não podendo conter por mais tempo a sua curiosidade, Vanny, a assistente do laboratório, indagou firme:

- Que há de especial com esta mão, John?

- Quem melhor poderá responder? - idem à sua pergunta é o professor.

Vanny adiantou-se e atacou o velho professor com um par de olhos muito azuis e inquiridores. -

- Já sei, já sei, senhorita Vanny. Calculo o que irá me perguntar. Mas não espere que haja nada de científico nesta peça. Trouxe-a comigo... a bem dizer, nem mesmo sei porque.

E adiantando-se, Kauperman pegou as lâminas onde John fixara as impressões da mão decepada e narrou-lhes:

"Era o meu quinto mês na Ucrânia. Certa manhã, fui despertado pelo alarido que fazia um grupo de homens e mulheres enfurecidos, pouco além da minha janela. Notei que, entre eles, ia um homem amarrado e todo ensangüentado, sendo arrastado em direção ao poço da praça. O local há muito fora considerado imprestável pelo forte odor que exalava da água apodrecida."

Kauperman fez uma pequena pausa prosseguiu:

"Não sei porque, vesti-me às pressas e desci à rua, logo me misturando com a turba. E foi assim que fiquei sabendo tratar-se de Borak, um perigoso ladrão há muito procurado. Horrorizei-me quando soube que iam matá-lo, afogando-o no poço, sem qualquer julgamento. Aquilo angustiou-me de tal forma que por alguns momentos esqueci-me de seus crimes e só pensei naquele pobre diabo debatendo-se até a morte nas águas poluídas. Foi aí que, impensadamente, tomei uma atitude estranha, baseada numa velha lei da Ucrânia..."

- Que lei é essa? - quis saber John.

- Uma lei um tanto estranha - continuou Kauperman - e pela qual as pessoas acusadas de roubo podem se livrar da morte desde que surja alguém que se interesse em pagar um terço dos prejuízos causados pelo acusado. Mas o ladrão não fica inteiramente impune...

- Como assim? - perguntou Vanny:

Kauperman cofiou a barbicha e informou:

- O acusado tem a mão direita decepada e entregue ao seu benfeitor.

Limpando o suor da testa com as costas da mão; o professor prosseguiu:

- Um velho costume da região. Confesso que a penhora causou-me repulsa. Paguei o terço dos prejuízos exigido por lei... horrorizado, vi um golpe de facão fazer-lhe a mão direita saltar fora do pulso e rolar por terra, contorcendo-se, os dedos abrindo e fechando convulsamente, como se ainda guardassem o reflexo final dos nervos e tendões tentando fugir à dor.

- E depois, professor, que fizeram com a mão? — indagou John.

- Depois, pegaram-na com um pano sujo e deram-na. Ainda ouvi uma série de pragas contra mim. Pois todos desejavam vê-lo no fundo do poço.

Vanny esticou o pescoço para a frente e perguntou com ar de mofa:

- E o ladrão? Que é feito dele?

- Nunca mais o vi. Quando o soltaram, virou-se para mim e disse com uma voz estranha:
"Obrigado. Quando precisar de mim... virei em seu socorro."

- Muito interessante – disse Vanny. - Eu em seu lugar, escreveria esta história para uma revista de curiosidades.

John viu o professor franzir o cenho e rumar porta afora em direção aos seus aposentos. Tão logo Kauperman saiu, ele advertiu Vanny:

- Não deveria ter dito aquilo, Vanny. O professor não gosta de humor.

- Idiota é o que ele é, isso sim. Vive gastando sua fortuna nessas viagens enquanto nós ficamos aqui feitos ratos de laboratórios, examinando as peças que nos envia.

- Cale-se - tornou John. – Não gosto de ouvi-la falar dessa maneira. Ademais, você sabe muito bem que, quando ele morrer, nós seremos os únicos beneficiados... sua fortuna ficará para nós, a fim de podermos concluir a sua obra.

Vanny sorriu maliciosamente e Olhando a noite ir descendo, pensou:

"- E por quanto tempo ainda? Esse velho fóssil tem mais saúde do que dez touros juntos. Não! Terá que ser logo. Sim, será esta noite!"

E, deixando John envolvido com o trabalho, retirou secretamente um vidro de Manary, veneno fulminante, usado pelos mongóis, e saiu. Sabia que, uma hora depois de ministrá-lo no chá de Kauperman, não ficaria o menor vestígio.

Às dez da noite, Kauperman desceu. Como de hábito, cruzou a ante-sala e viu Vanny preparando-lhe o chá. Estava mal-humorado e não a cumprimentou. A moça acompanhou-lhe os passos com o olhar em esguelha e, no momento em que o professor atingiu o laboratório, ela despejou, de uma só vez, todo o conteúdo do vidro no bule de chá.

Em seguida, tomando a bandeja nas mãos, deu um, dois, três, quatro passos e parou horrorizada. O que via à sua frente fê-la perder completamente a voz. O grito ensaiado na garganta ficou petrificado e a boca escancarada somente o permitiu escapar quando o pescoço estrangulado tombou para um lado, arrastando consigo, para o chão, o corpo inerte e o bule derramado.

Quando Kauperman e John Harrison atingiram a ante-sala, encontraram-na já completamente sem vida. E uma rápida investigação permitiu-lhes deduzir claramente o que Vanny desejava fazer: matar Kauperman.

Na manhã seguinte, após o corpo da moça ter sido levado pela Polícia, John chamou o professor às pressas. Juntos rumaram para o laboratório e depararam com o vidro de formol onde antes se encontrava a mão de Borak... completamente vazio.

Um terrível pressentimento apossou-se do rapaz. Freneticamente, pegou as lâminas onde se encontravam as impressões digitais de Borak e comparou-as com as que foram encontradas pela Polícia na garganta de Vanny. E quando John, ao cabo de algum tempo, concluiu suas investigações, transfigurado de pavor, virou-se para Kauperman e disse com a voz tremula:

- Não há dúvida, professor: Borak retribui-lhe o favor; cumpriu a sua terrível promessa!

E só depois de muito procurarem, em vão, foi que John e o professor resolveram dar por encerrada a busca macabra. Compreenderam que a mão embalsamada de Borak sumira para sempre, deixando atrás de si um insondável e tenebroso mistério.

Fonte: Nostalgia do Terror