quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Crendices de dias, meses, anos e números

Há dias fastos e nefastos. A existência deles se deve em parte à religião oficial. Nos dias de guarda e festa religiosa, não se deve trabalhar, são nefastos para quem deseja ter saúde, fortuna, felicidade. O domingo é um dia fasto para quem o guarda, o observa, porém, nefasto para aqueles que não o guardam. 

"Trabalho de dia de domingo não vai para frente". Quando uma cousa é começada, não é terminada e durante o transcorrer dos trabalhos nela empregados não há sucesso, logo dizem: "isso é trabalho de domingo".

Joca Machado, barreou sua casa nova lá na rua do Socorro num domingo. Passados alguns meses, o barro havia caído todo... Manuel Dores observou: "tá vendo, isso é trabalho de domingo, não vai pra frente".

Outra recomendação para não se iniciar serviço algum é-nos dada através deste provérbio rimado:

Quando mingua a lua
não comece coisa alguma.


As fases da lua têm grande influência na vida agrícola, de guarda. Afirmam que antigamente nem feira havia. "Já se foi o tempo que na Sexta-Feira da Paixão, havia tanto respeito que os homens de bem da cidade, iam à igreja de luto fechado, só o tiravam no sábado depois da aleluia", suspirou o velho Pedro de Castro, narrando cousas do passado de sua terra natal. No Dia da Hora ou da Ascensão é comum encontrarmos nas casas ramos verdes – é a simpatia para que as moscas mudem para a casa dos amancebados. Há outro pedido que deve ser feito em jejum, em qualquer sexta-feira pela manhã:

Moscas malvadas,
da sexta pro sábado
estejam mudadas.


Coincide com os dias das feiras na comunidade a data da mudança das moscas incômodas que aborrecem os moradores.

Não percebemos a existência de mês aziago além de agosto. "Mês de agosto não presta pra fazê negócio". "Eu evito trabalhá nas matas no mês de agosto", disse o velho Anísio Jacaré, "eu não sei porque é, mas não gosto".

"Meis bom e feliz é o de São João e de Santana" (junho e julho), dizem várias pessoas da cidade, unindo a estas referências o fato das festas das fogueiras. O mês do São João é muito alegre na comunidade. Em três dias distintos há festas: Santo Antônio, São João e São Pedro. Com a festa de Santana (26 de julho) encerram-se as festas cíclicas do solstício do inverno, as festas das fogueiras.

"Quando eu era mais moço", disse Porfírio, "o meis que eu mais gostava era o de São João, eu festava o que dava".

É provável que o fato das festas, da alegria reinante por ocasião do solstício de inverno, lhes condicione uma apreciação favorável ao mês nos quais elas se realizam.

O mês de agosto é também deixado de lado para os casamentos, "não presta casá em agosto, morre logo um"; "não presta casá em agosto, a gente nunca é feliz, tudo dá pra trás na casa". "Não presta também casar-se na Quaresma".

Dos anos, só o bissexto é perigoso. Alguns dos acontecimentos de triste memória acontecidos na comunidade, quando relembrados, passaram-se num ano bissexto, ou relacionam com ele.

Mané das Dores, o maior conhecedor de adivinhas, de parlendas, de lendas, verdadeiro almanaque vivo da população, ao se referir aos meses veio com esta parlenda e depois fez uma conta nas juntas dos dedos com os ossos do metacarpo para elucidar melhor o que procurou ensinar:

De trinta dias é setembro;
abril, junho e novembro;
fevereiro vintoito dias tem
sendo bissexto mais um lhe dêm,
e os mais mês sete são
trinta-um dias todos terão.


O número 13 é o único portador de azar. O 7 é número de mentiroso. Há um parlenda infantil que ensina a contar, e o número "3 foi o Cão quem fez". O Cão é o diabo. Aliás, tal parlenda existe no estado de São Paulo: "um, dois, três foi o diabo quem fez". A variante de Piaçabuçu é: "um, dois, feijão com arroz; três, quatro, feijão no prato; cinco, seis... foi o Cão quem fez". Acreditamos que não signifique número de azar, porém, um rima fácil apenas, auxiliadora da memorização.

Os jogadores acreditam que este ou aquele número seja de sorte ou de azar, e como o jogo é bastante disseminado, há as mais variadas prevenções contra os números e cartas do baralho.

Disse um informante, "eu gosto muito do barrufo ou do francês, mas quando jogo os dados a primeira vez e cai a soma três, já sei que esse dia estou com o azar trepado no cangote, mas si dá o cinco, eu sei, tá prá mim, desforro".

Fonte: Medicina rústica - Alceu Maynard Araújo

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Floresta pré-histórica preservada na China


Cientistas americanos e chineses estão boquiabertos depois de descobrirem uma floresta gigante de 298 milhões de anos enterrada intacta sob uma mina de carvão perto de Wuda, na Mongólia Interior, na China.

Eles estão a chamando de "Pompéia do período Permiano", porque, como a antiga cidade romana, foi coberta e preservada por cinzas vulcânicas.

Como Pompéia, esta floresta de brejo está tão perfeitamente mantida que os cientistas sabem onde cada planta estava originalmente. Isso lhes permitiu mapear e criar as imagens acima. Este achado é extraordinário, de acordo com o paleobotânico Hermann Pfefferkorn, da Universidade da Pensilvânia, que a caracterizou como "uma cápsula do tempo".

Eles estão de fato encontrando árvores inteiras e plantas exatamente como eram no momento da erupção vulcânica, como os arqueólogos encontraram em Pompéia seres humanos, animais e edifícios na base do Monte Vesúvio, perto de Nápoles, na região italiana da Campânia. A única diferença é que a Pompéia foi sepultada no ano 79 dC e esta floresta foi coberta de cinzas 298 milhões de anos atrás, durante o período Permiano.

Até agora, eles identificaram seis grupos de árvores, algumas delas de 24 metros de altura. Algumas delas são Sigillaria e Cordaites, mas também encontraram grandes grupos de um tipo chamado Noeggerathiales, que agora estão completamente extintas.

Fonte: Gizmodo

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O Misterioso Dia Escuro de 1780


O fenômeno aconteceu em 19 de maio de 1780 na Nova Inglaterra (EUA) e Canadá, e foi conhecido como o Dark Day ou Dia Escuro. Pelo nome, você já entendeu: foi um dia escuro. Nos últimos 232 anos, historiadores e cientistas têm discutido a origem do evento: seria um vulcão, uma nuvem de fumaça, um asteroide, ou algo mais sinistro?

Com o pouco conhecimento da época, as pessoas estavam com medo, e alguns advogados de Connecticut (EUA) achavam que estava ocorrendo o Julgamento Final, principalmente porque nos dias anteriores, tanto o sol quanto a lua tiveram uma luz avermelhada. Mas o que poderia ter acontecido naquele dia de 1780?

O Departamento de Meteorologia apontou que uma nuvem espessa poderia baixar o suficiente para fazer as luzes das ruas acenderem e os carros terem que ligar os faróis. Mas é improvável que uma nuvem fosse capaz de causar todos os eventos do Dia Escuro. Um eclipse também foi descartado, por que esses eventos são previsíveis, e não há registro de um naquele dia. Além do mais, eclipses duram poucos minutos.

Outra possibilidade seria a erupção de um vulcão - a erupção do Eyjafjallajokull espalhou cinzas na atmosfera o suficiente para obrigar aeroportos a cancelarem pousos e decolagens por toda a Europa Setentrional. Além disso, as cinzas vulcânicas podem causar "dias amarelos". Só que não há registro de atividade vulcânica naquele ano de 1780, o que faz com que uma nuvem vulcânica seja improvável. E a queda de um asteroide também é improvável, embora não possa ser descartada.

A resposta para esse enigma pode estar nas árvores, acreditam alguns cientistas. Acadêmicos do Departamento de Silvicultura da Universidade do Missouri (EUA) analisaram troncos de árvores da Nova Inglaterra, em uma região em que prevalecem os ventos vindos do oeste. Eles encontraram anéis com marcas de incêndio datando daquela época.

O professor associado de geografia William Blake, da Universidade de Plymouth (EUA), aponta que houve uma seca na região em 1780, fazendo com que um incêndio seja provável. Mas um incêndio florestal poderia causar um escurecimento como o relatado?

O professor Blake conta que testemunhou incêndios na Austrália e que, quanto maior o incêndio, mais ele escurece o céu. E a combinação de fuligem e neblina pode fazer cair uma escuridão.

O relato de testemunhas oculares dá força à hipótese do incêndio florestal, já que alguns relatam que sentiram um cheiro estranho que parecia com o de uma casa de malte ou um forno a carvão.

O curioso é que dias escuros não são novidade. William Corliss, físico e cronista de eventos inexplicáveis, conseguiu reunir o relato de 46 dias escuros entre 1091 e 1971. Um deles assustou a população da mesma região em 1950, causado por um incêndio em Alberta (EUA). Algumas pessoas acharam que se tratava de um ataque nuclear ou um eclipse solar, pois a escuridão era tanta que parecia meia-noite para quem acordasse ao meio-dia.

E você, tem alguma outra explicação para o misterioso Dia Escuro?

Possível explicação: o clima ruim

Em maio de 1780 o sol não sumiu em todos os lugares, somente na Nova Inglaterra. Foi um fenômeno local e na verdade não envolveu diretamente o Sol. Até hoje essa região costuma ser palco de fenômenos climáticos inesperados, e foi exatamente isso o que aconteceu.

A famosa escuridão daquele dia foi resultado de uma densa nuvem de fumaça de incêndios florestais a oeste da Nova Inglaterra, tornando o céu diurno opaco à luz do Sol, mudando o comportamento dos animais e fazendo muitas pessoas crerem em ira divina.

O clima no noroeste da América do Norte permanece instável e surpreendente. Particularmente no mês de maio ocorrem incêndios florestais espontâneos e existe 60% de chances de um dia com céu limpo mudar repentinamente, podendo ocorrer desde neve até um tornado (embora a Nova Inglaterra não seja uma região de ocorrência típica dos tornados).

É que em maio começam os primeiros dias quentes após o rigoroso inverno dessa região. O solo começa a aquecer rapidamente – bem mais depressa que as regiões costeiras, ainda sujeitas aos ventos gelados do norte, que acabam trazendo brisas frias para o continente. O choque térmico costuma provocar densas neblinas – ou coisa muito pior

Fonte: BBC