segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Apartamento da Morte

"... um espectro sair pela janela..."
As histórias de almas do outro mundo, que pareciam somente preocupar gente simples, impressionável e cheia de crendices, de lugares pequenos, provam o contrário no caso sensacional do apartamento mal-assombrado do bairro de Montparnasse, em plena cidade de Paris, a luminosa capital da França.

Ali, o mistério espalha-se em dúvidas, confusões e conjeturas, naquele casarão de apartamentos, em que três ocupantes seguidos foram encontrados mortos no quarto de banho, sem o menor sinal de lesão ou violência. O fato tornou-se mais lúgubre e impressionante, devido o casarão se achar situado junto a um cemitério e sobre galerias subterrâneas, cheias de ossadas e catacumbas, contendo restos de mais de 12.000.000 de pessoas.

Já o poeta Heine ridicularizava a ideia da existência de almas do outro mundo, em plena Paris. “Isso era coisa para as montanhas de Harz, onde as vira numa velha casa mal assombrada, mas nunca na Cidade da Luz, pouco propícia aos passeios de fantasmas”. A’ meia noite, a hora em que se diz que as almas do outro mundo e os duendes saem dos seus recantos misteriosos para as divagações penosas e pungentes, os boulevards estão repletos de vida, luzes e movimento. Os teatros despejam na ruas as levas de espectadores, e os cafés e restaurantes estão no auge do seu movimento noturno.

— “Como se sentiriam mal os pobres duendes, exclamou o célebre poeta — no meio das luzes, algazarra e alegria!”

Isso, entretanto, não obsta que pobres espectros façam as suas divagações num recanto parcamente iluminado pela luz da lua, numa rua pouco frequentada como a rua Victor-Considerant, cujos moradores só têm motivos para assegurar que em Paris existem lugares mal-assombrados.

Na esquina dessa rua com a rua Schoelcher, a uma curta distância da entrada das Catacumbas, existe um relativamente moderno edifício de apartamentos, de cor escura, cujas janelas dão para o cemitério de Montparnasse. Há nesse edifício um sobrado chamado o “Apartamento da Morte”. Esse nome sinistro provém do fato da verificação de três mortes em circunstâncias misteriosas nos últimos tempos. Essas mortes foram atribuídas a doenças do coração, envenenamentos sutis, gás monóxido ou sustos apavorantes, diante de fatos sobrenaturais.

Em abril do ano passado, num dia de domingo, pela madrugada, foram ouvidos rumores partidos dos aposentos de Miss Carre, ao que se ligou pouca importância. Oito dias depois, o encarregado da casa, surpreendido pela ausência da locatária, penetra no aposento e lá encontra o cadáver de Miss Carre, no banheiro, inteiramente nu.

A morte foi considerada natural, por alguns. Miss Carre já era velha e enferma. O fato foi, portanto, atribuído a um colapso cardíaco e a certidão de óbito foi passada para a permissão do enterro, que foi mandado fazer pelos adeptos da Igreja da Ciência Cristã, a qual pertencia a finada, uma pessoa letrada e linguista de alta cultura.

Alguns meses depois, esse mesmo apartamento era alugado pelo Monsenhor De La Valette-Montbrun, presidente da Sociedade dos Amigos de Pascal e Cavalheiro de Malta. Esse prelado era também professor do Instituto Católico de Paris e conferencista de nomeada, como prova o seu sucesso causado pelo tema o “Nu na Arte” desenvolvido no Clube du Faurbourg.

Monsenhor De La
Valette-Montbrun
Na noite do dia 30 de setembro de 1930, a encarregada da conservação do apartamento, Miss Catherine Sims, de nacionalidade inglesa, achava o cadáver do monsenhor, estendido no banheiro. Examinado, não foram constatadas lesões visíveis e foi passado o atestado de óbito, como tendo a morte sido ocasionada por doença do coração.  O cadáver foi levado para Dordogne por um irmão do prelado e sepultado em Vardon. Quanto à Miss Sims, essa permaneceu no apartamento até o fim do contrato.

Duas semanas depois, o irmão do monsenhor, voltando ao apartamento à procura de alguns objetos deixados pelo finado, deu pela ausência da encarregada, ao que ligou pouca importância. Mas ao voltar novamente, depois de alguns dias, ao ser notificado pela porteira Mme. Lucienne, que a encarregada inglesa ainda não aparecera, alarmou-se com o fato.

Miss Sims
Procurada em diversas peças do apartamento, não foi encontrada. Chegando ao banheiro, o irmão do prelado notou que a sua porta estava trancada a chave. Forçando-a, encontrou o cadáver de Miss Sims estendido no ladrilho, completamente nu. Apesar da morte de uma senhora de relativa avançada idade, 48 anos, ter sido considerada natural, o fato de três mortes “naturais” no mesmo aposento e nas mesmas circunstâncias, se tornou suspeito às autoridades francesas, tendo o comissário de Montparnasse, M. Carrie, ordenado um inquérito.

O cadáver foi conduzido para o IML e ali autopsiado pelo Dr. Paul que não conseguiu descobrir vestígio algum de veneno.

No dia 6 de janeiro do corrente ano de 1931, uma autoridade judiciária acompanhada pelo Dr. Simbat, dirigiu-se a Vardon, onde fora enterrado Monsenhor De La Valette-Montbrun, exumando-lhe os restos. Havia suposições que o prelado tivesse sucumbido pela ação de gás de iluminação ou monóxido de carbono. Do exame nada resultou...

Os peritos e investigadores que examinaram o apartamento, à procura de algum defeito nas canalizações, nada encontraram de anormal. E as três mortes no mesmo aposento e nas mesmas circunstâncias foram definitivamente consideradas meras coincidências. Quanto a possíveis influências maléficas de almas do outro mundo, os cientistas, incrédulos e céticos, não quiseram admiti-las. E disseram: — O sol pode levantar-se; o preço do pão pode subir; o Sena pode erguer-se mas os mortos nunca, e muito menos os enterrados...”

Opiniões, porém, se divergem. Anatole France, conhecido como incrédulo, dissera que no Cais Malaquais o número de fantasmas era excessivo. Musset, o zombador Musset, acreditava-se perseguido pela alma de um professor de batina preta. Maupassant, o acético, e outros citáveis, sofreram perseguições de fantasmas e duendes. Remy Le Gourmont sempre falava de almas do outro mundo, a deslizar pelos jardins de Luxemburgo, alguns tão esbeltos que poriam em inferioridade os “fantasmas” de carne e osso dos Campos Elíseos.

E o casarão número 9 da rua Victor-Considerant passa ser visto com terror, como um lugar perseguido por almas do outro mundo.

O casarão
Os seus moradores foram aos poucos o desocupando. Não podiam tolerar serem despertados à meia noite, por passos misteriosos, ruídos apavorantes, gritos horríveis e sombras, a mover-se na escuridão. Muitas vezes eram rostos e olhos penetrantes, que vinham espreitar pelos vidros das janelas. E tornou-se notório que uma das últimas moradoras do apartamento mal assombrado, ao abrir uma certa noite, a porta do banheiro, vira um espectro sair pela janela, tomando rumo do cemitério. Essa moradora deixou a casa imediatamente.

Atribuem os crédulos, que o aparecimento de almas, no casarão citado, é devido à sua proximidade ao campo santo e às galerias de catacumbas e ossadas. Buscam ali talvez um refúgio, ou fazem sentir que não gostam que lhe perturbem o sossego.

A crendice parisiense, porém, assegura que, desde que o Concílio de Estado em 1785 mandou juntar todas as ossadas de diversos cemitérios de Paris, e amontoá-las nas galerias subterrâneas nas Catacumbas, nunca mais cessaram os protestos dos prejudicados. E que continuarão a protestar até que sejam restituídos aos devidos lugares. - Também faz parte da superstição a crença de que aqueles milhares de franceses imolados no tempo do Terror, e jogados indiferentemente nas catacumbas, clamam justiça.

De qualquer modo, acredita-se em Paris que Miss Carre, o Monsenhor De La Valette-Montbrun e Miss Sims, foram vítimas de almas do outro mundo. O cemitério de Montparnasse, que vai até às portas do casarão, é muito conhecido pelas suas aparições e de violadores de sepulturas.

Figura ao lado:  Um aspecto das velhas catacumbas, cuja entrada fica situada por trás do "Apartamento da Morte" e cujas galerias, contendo os restos de 12.000.000 de pessoas, ficam debaixo dos alicerces do edifício, ramificando-se pelo subsolo.

Em 1849, muitos túmulos foram ali violados e os cadáveres mutilados. A polícia chegou a capturar um soldado chamado François Bertrand, que confessou o crime. Acreditou-se que uma quadrilha enorme de violadores de sepulturas e ladrões sacrílegos tinha nos seus planos a intimidação das circunvizinhanças pelo terror das encenações macabras que afugentassem o povo e a polícia.

Fora de Paris também imperam as superstições. Nas costas ocidentais da Bretanha, cheia de arrecifes abruptos, e nos lagos serenos de Morbihan reúnem-se, segundo a opinião dos camponeses, grandes levas de almas, que procuram embarcar para a ilha dos Bem-Aventurados. Na baixa Bretanha, as almas não permanecem enterradas nas sepulturas. Dizem por lá, que os espíritos saem a vagar e aglomeram-se em bandos.

Asseguram muitos franceses crédulos, que Joanna d’Arc fora uma visionaria e vidente de almas do outro mundo. Em 1398, a Universidade de Paris expediu leis para coibir a crendice e perseguir as bruxas. Em 1672, houve uma grande perseguição, acompanhada de inúmeras prisões, contra pastores e habitantes da Normandia, acusados de terem relações com o Diabo.

Forrados assim desse pendor para as crendices e superstições, os franceses, não é para admirar que os crédulos do local vejam no casarão de apartamentos do número 9, da rua Victor-Considerant, um ponto misterioso de assombrações e perigos, capaz de proporcionar a morte dos que se atrevem a lhe perturbar os segredos, a paz e o sossego.

E o apartamento do prédio da esquina do cemitério de Montparnasse, com as suas portas quase em contato com os mausoléus e os seus alicerces por cima de longas galerias revestidas de milhares de ossadas humanas, permanece abandonado, sem rendas para os seus proprietários e evitado com horror, pelos que procuram casa para morar.


Fonte: A Noite Illustrada - Supplemento Semanal - 06/05/1931.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Baba Yaga


Baba Yaga é uma figura folclórica do leste europeu, imaginada como um bruxa velha e ossuda, senhora da magia e espírito da floresta, que viaja pelos céus montada em um almofariz (pilão). Os rastros que deixa, apaga com uma vassoura. "Baba" significa "avó" e "Yaga" é diminutivo de Yadviga, nome eslavo derivado do alemão e equivalente ao português Edviges. Segundo o linguista germano-russo Max Vasmer, também é possível que seu nome derive do proto-eslavo ęgа, "dor".

Vive em uma cabana na floresta, muito pequena, que dança sobre um par de patas de galinha e é cercada por uma paliçada de ossos humanos com crânios no alto de cada poste, exceto um, reservado ao protagonista da história. O buraco de fechadura da sua porta é uma boca cheia de dentes afiados.

Em alguns contos, a bruxa entra voando pela chaminé e a cabana não tem janelas ou porta visível. A porta está sempre do lado oposto de quem quer entrar. Só aparece quando é dita uma frase mágica: "Cabana, ó cabana, vire as costas para a floresta e a frente para mim".



Pela descrição, a cabana de Baba Yaga se assemelha às cabanas elevadas construídas pelos siberianos para proteger seus suprimentos de animais selvagens e também para abrigar seus ídolos. Cabanas como essas, circundadas de paliçadas, também foram usadas em rituais de cremação na Rússia antiga.

Em alguns contos, três cavaleiros reportam-se diariamente a ela: um de branco, que cavalga um cavalo branco com arreios brancos, que é o Cavaleiro da Manhã, um vermelho, que é o Cavaleiro do Meio-Dia e um negro, Cavaleiro da Tarde. Dentro da casa, tem servos invisíveis. Ela dá explicações sobe os cavaleiros se lhe perguntarem, mas mata o visitante se lhe perguntarem sobre os servos.



Baba Yaga é às vezes a antagonista, outras vezes ajuda e dá conselhos ao herói. Há histórias nas quais ajuda pessoas em suas buscas e outras nas quais rapta crianças e ameaça comê-las. Procurar sua ajuda é considerado perigoso. É necessária uma preparação adequada, pureza de espírito e polidez.

Na Polônia, Baba Jaga é uma bruxa má que voa montada num esfregão e a casa se apoia sobre um só pé de galinha.

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Fontes: Fantastipédia; Wikipédia.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Aflições de uma cabeça decepada

Este título sinistro que bem ficaria na capa de um romance policial de pura imaginação é, entretanto, a rigorosa epígrafe que com a justiça cabe à macabra experiência feita alguns anos, mas só há pouco divulgada, porque só há pouco foi comunicada às sociedades chamadas "sábias" da Europa.

Wiertz, célebre pintor belga amador do ocultismo, foi sempre, como muitos outros, atormentado pelo desejo de saber o que pode pensar um guilhotinado no momento em que o pescoço e, se possível, depois, depois de tal momento.

Esse artista de nome universalmente e honrosamente conhecido foi o herói da experiência aludida. De um certo modo, ele submeteu-se em pessoa à ação do horrível aparelho da morte que tornou famoso, aliás erroneamente, o Dr. Guillotin, dado como seu inventor.

Wiertz era intimamente ligado com um médico de prisão de Bruxelas. Um outro médico, seu amigo também, guiava-o nos estudos ocultos e como se dedicasse mais particularmente ao magnetismo, havia frequentes vezes, adormecido o artista no qual encontrara magníficos "dons de exteriorização da sensibilidade", fenômeno cuja pesquisa imortalizou o célebre Coronel de Rochas, antigo diretor da Escola Politécnica de Paris.

Ia se realizar na capital belga uma execução capitalíssima...

Alguns dias antes, Wiertz se submeteu, diversas vezes, a ação magnética de seu amigo que, quando o paciente se achava adormecido, "o habituou a se identificar com várias pessoas", buscando fazê-lo penetrar no mais íntimo do pensamento desses terceiros, nas dobras mais recônditas das suas consciências.

Se ele conseguisse também penetrar no espírito do condenado à morte? Era uma ideia, tétrica certamente; mas talvez viável e seguramente interessantíssima.

Ao cabo de um certo treino diário, a ação se tornou por assim dizer mecânica. Wiertz repetia, sob o influxo magnético de seu amigo e com uma precisão prodigiosa, essa experiência que s magnetizadores fazem frequentemente nos teatros adivinhando o esconderijo de um objeto ou um nome inscrito num pedaço de papel, porque lêem esses informes no pensamento da pessoa que escondeu o objeto ou no da que escreveu a palavra.

Concluído esse primeiro preparo, o pintor obteve a permissão de se ocultar, no dia da execução, juntamente com o seu amigo magnetizador e duas testemunhas, sob o estrado em que se elevaria a guilhotina.

Feita a magnetização, o médico ordenaria a Wiertz que se identificasse com o criminoso, que seguisse os seus pensamentos e experimentasse tosas as sensações que o próprio executado experimentaria, exprimindo-as em voz alta. Ser-lhe-ia ordenado mais que, quando a cabeça rolasse no cesto de serragem, colocado junto aos experimentadores, se agarrasse a ela, penetrasse e analisasse os seus últimos pensamentos e o exprimisse como se fosse o próprio executado.

A decapitação


Chegou, enfim, o sinistro dia. Tudo se passou como fora previsto e preparado. Wiertz, o médico e as testemunhas estão escondidos sob a guilhotina. O paciente é magnetizado. O condenado, vacilante, galga os degraus do cadafalso. O momento é tétrico. O cutelo cai...

— Diga o que vê! — ordena o médico imperioso.

Wiertz se torce de medo em medonhas convulsões e responde num gemido de angústia:

— Um relâmpago! O raio caiu!... Oh! que horror! Ele pensa ainda!.... Ele vê!...

— Diga o que pensa, dia o que vê! — exige o magnetizador.

— É horrível! A cabeça sofre atrozmente. Sente, pensa; mas não compreende bem o que passou... A desgraçada procura o corpo... Parece-lhe que este vai se juntar a ela novamente... Espera ainda o golpe supremo... Espera a morte... Mas a morte não chega!...

Durante esse diálogo atroz, a cabeça do decapitado caíra no cesto com os cabelos para baixo e a horrível chaga sanguinolenta do pescoço cortado para cima... Os lábios estão abertos numa expressão hedionda, os músculos do rosto contraídos num rito trágico, os dentes cerrados, como se se quisessem reciprocamente partir... As artérias batem precipitadamente no lugar em que o cutelo as seccionou e o sangue delas jorra aos borbotões...

Wiertz, de olhos fechados, prossegue nas suas dolorosas lamentações:

— Oh! que mão é esta que me estrangula? É uma mão enorme e impiedosa. Oh! que peso é este que me esmaga? Diante dos meus olhos só há uma nuvem vermelha... Oh! Livrem-me desta mão maldita! Larga-me, monstro! O meu sangue se esvai!... Mas que é isto? Onde está o meu corpo?... Eu sou agora apenas uma cabeça cortada!...

E o pintor se cala, então, como se desmaiasse.

Mas o magnetizador, implacável, continua impiedoso, ordenando num tom que não admitia tergiversação:

— E, agora, vamos! Diga o que vê! Diga onde está!

— Vôo pelo espaço — responde o outro — como se fosse um pião que rodasse vertiginosamente lançado numa fogueira. Oh! É horrível! O meu corpo! Ligai-me a ele novamente! Ainda poderei viver! Ainda me lembro de tudo! Tende piedade de mim! Ainda vejo o tribunal!... A toga vermelha dos juízes!... Ouço a minha condenação! Oh! minha desgraçada mulher! Oh! meu pobre filhinho! Não, eles não me amam mais! Tem horror de mim!... Pobres entes queridos!... Se me dessem, outra vez, meu corpo, eu correria atrás deles e seria um homem de bem!... Oh! É horrível! Meu filho me repele!... Sujei-o de sangue com a minha cabeça ao querer beijá-lo!... Que martírio cruel! Quando acabará tudo isto? Será este o Inferno? É o suplício eterno que começa?!...

Neste momento o médico e as testemunhas vêem, na cesta, colocada ao seu lado, a cabeça do condenado abrir os olhos num sofrimento indizível.

E Wiertz termina assim:

— Não!... Não é possível. Deus não pode ser um algoz como o que me guilhotinou... Esta dor não pode durar eternamente! Deus é misericordioso!... Mas, que és isto? Tudo quanto pertence à Terra desaparece diante dos meus olhos... Percebo ao longe uma pequenina estrela que lança fulgores como um diamante... Que grande bem-estar o que deve reinar lá no alto!... Como sinto a calma penetrar todo o meu ser!... Como me sinto aliviado!...

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Foi impossível ao magnetizador arrancar mais uma só palavra ao pintor que caiu num sono profundo. Ele tocou, então, as têmporas da cabeça seccionada. Estavam gélidas. Levantou-lhe uma pálpebra: apareceu um olho vidrado que perdera o fulgor do seu último clarão entrevisto um minuto antes.

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Essa assombrosa experiência de exteriorização da sensibilidade será mesmo a cena vivida da passagem de um guilhotinado para o Astral?


(Demetrio de Toledo — Diretor de "Sombra e Luz", revista mensal de Ocultismo e Espiritualismo Científico).

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Fonte: Revista "O Malho", de 24/10/1937.