sexta-feira, 15 de junho de 2018

Os Cães Assassinos


JOÃO ERA CAIXA NUM BANCO. Tinha uma vida pacata. Era solteiro e morava na Lapa de Baixo com os pais e duas irmãs. Família muito religiosa, frequentavam a igreja da Lapa todos os domingos. Não perdiam uma missa.

Era quase meia-noite. Maria caminhava preocupada. Não devia estar na rua naquela hora. Muito perigoso. Apertava mais o passo. Estava quase correndo. Parecia que sua casa nunca chegava.

Sentia um medo muito grande. Precisava passar por um pedaço da rua que possuía um grande terreno baldio e era escura. Devia ter dado ouvidos a Sônia e ter dormido na casa dela. Mas a preocupação com a sua mãe, sozinha esperando-a, fora maior. Decidiu que comprará um telefone para evitar esse tipo de problema. Bastaria ligar e pronto. Amanhã mesmo verá isso. Agora é fácil ter telefone ou celular. Melhor telefone. Continuava caminhando, rezando. A parte escura do caminho estava chegando.

O relógio da igreja da Lapa soou meia-noite.

Quando estava na metade do caminho sentiu uma mão por trás que tampou-lhe a boca e a arrastou para o meio do mato. Ela lutou, mas a mão era forte. Foi jogada no chão. Implorou para que ele não fizesse nada. Ele a mandou calar a boca. A lua, que até então estava encoberta por nuvens, surgiu. Redonda, grande, iluminou o rosto do homem. Maria olhou bem para ele. Implorou, pediu, chorou. Ele mandou calar a boca.

Enquanto ele fez o que quis Maria olhou bem para ele. Quando acabou ele disse:

- Você olhou muito para mim.

Ele sentiu o olhar mudo de Maria. Um olhar cheio de ódio. Ela disse numa voz rouca:

- Eu vou me vingar de você. Mesmo se você me matar eu voltarei e me vingarei de você.

Ele riu e disse:

- Você não é a primeira que eu mato. Colocou as mãos no pescoço dela.

No outro dia, uns moleques encontraram o corpo e chamaram a polícia.

João, como todos os dias, chegou em casa às seis horas. Entrou, tomou banho, jantou e se recolheu em seu quarto. Trancou a porta. Os pais e as irmãs ficaram na sala assistindo televisão. No dia seguinte, saiu de casa e viu, do outro do lado da rua, um cachorro enorme preto. Não se incomodou. Não gostava de cachorros.

Trabalhou normalmente. Quando chegou em casa, viu o cachorro novamente. Todos os dias o cachorro estava ali, acompanhando quando ele saía e esperando a sua chegada. A presença ostensiva do cachorro incomodava João.

Um mês depois, eram dois cachorros. Depois três e depois quatro. Eram todos negros e grandes. Olhavam para ele. Não o seguiam na rua. Quando João, de sua janela, olhava para a rua, os cachorros estavam olhando para ele. Resolveu que no dia seguinte chamaria a carrocinha para recolher os cachorros. A carrocinha levou os cachorros. Eles não esboçaram nenhuma reação.

Na manhã seguinte eles estavam lá de novo, olhando para João que os olhava da janela.

Segunda-feira. Onze horas da noite. João olhou a rua de sua janela. Os cachorros não estavam lá fora. Sem fazer barulho, saiu de casa. Caminhou olhando para trás. Não viu ninguém. Muito menos os cachorros. Entrou no mato. Sentou sobre uma pedra e esperou.

Logo surgiu uma moça caminhando apressada. Ele levantou-se e a atacou.

Quando a estava arrastando para o meio da mata sentiu uma fisgada na batata da perna e gritou de dor. Soltou a moça. Ela correu.

Ele olhou para baixo e viu o enorme cachorro preto preso em sua perna. Apareceu outro que lhe mordeu a outra perna. João caiu. Apareceram os outros dois. Os cachorros o arrastaram para a mata. João gritava de dor. As nuvens andaram e a lua cheia apareceu no céu.

Quando pararam de arrastá-lo, um dos cachorros subiu em cima dele e olhou nos olhos dele. João viu o olhar do cachorro sob a luz do luar:

- Eu não disse que ia voltar e me vingar. Voltei e trouxe as suas outras vítimas.

João compreendeu. Fechou os olhos. Os cachorros estraçalham o corpo de João.

Comeram sua carne a noite inteira. Cavaram um buraco e enterraram os ossos.


O Pacto Maldito e Outras Histórias de Morte - José Cláudio da Silva - Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006

O Plano Macabro


OS ALUNOS DO COLÉGIO LAPA estavam sentados nas mesas da lanchonete em frente à escola. Bebiam sucos e refrigerantes. Fumavam. As conversas eram cheias de palavrões e gritos. Alguns estavam sentados na calçada conversando com os fones do walkman nos dois ouvidos. Outros olhavam revistas. Mais afastados, outros, com cadernos abertos, copiavam lição, versos ou desenhavam. Casais trocavam beijos.

Numa das mesas da lanchonete, cinco colegas de classe do terceiro ano conversavam.

Estavam revoltados, furiosos, enfurecidos. Mas conversavam baixo. Seus olhos estavam vermelhos, demonstrando que choraram muito. Foram reprovados na escola. Terão que cursar novamente o terceiro ano.

A conversa deles tinha como objetivo planejar a vingança contra a professora que, na opinião deles, liderou a reprovação. Como se a reprovação se devesse unicamente pela vontade de uma professora e não pela vontade deles mesmos. Queriam algo que não lhes trouxessem problemas com a polícia. Algo que caísse fundo no espírito da professora e ela nunca mais lecionasse na vida. Precisaria ser algo extraordinariamente maléfico para o ânimo da professora. E que só ela pudesse sentir, em toda a profundidade, a angústia de viver com um medo permanente na alma.

As idéias eram muitas: cortar as orelhas do filho. Ela não tinha filhos. Arrumar uma amante para o marido. Ela não era casada e não tinha namorado. Muitas idéias estapafúrdias saíram das cabeças privilegiadas. Até que um perguntou:

- Qual é o maior medo do homem?

- Impotência.

- Não. Ela é mulher. O medo de qualquer pessoa?

- A morte.

- É.

- Precisamos pensar em algo que a faça ficar aterrorizada. Mas tem ser algo psicológico, não físico. Onde mora a morte?

- No cemitério.

- Devemos fazer algo que a faça sentir o medo e que ele entre na vida da professora e viva com ela para sempre.

- Que tal desenterrarmos uma cova recente e colocarmos o caixão com o defunto dentro da casa dela?

- E deixaremos um cartão desejando uma feliz morte.

- Ótima idéia!

- Todos concordam?

- Sim.

- Vamos começar hoje mesmo. Às onze horas nós nos encontraremos aqui e iremos ao Cemitério da Lapa roubar uma sepultura. Depois colocaremos dentro da casa da professora com o cartão.

- Você sabe onde ela mora?

- Vamos olhar no catálogo telefônico.

Combinaram os detalhes do plano.

Onze e trinta da noite. Chovia. Os cincos estavam dentro do Cemitério da Lapa. Uma lanterna iluminava o caminho. Procuravam um túmulo recém aberto. Todos sentiam medo, mas ninguém dava o braço a torcer. Ouviram o pio de uma coruja. Arrepiaram-se e tremeram. Em suas mentes estavam arrependidos. Já não queriam mais se vingar. Foi o calor da hora e da notícia da reprovação. Eles foram avisados o ano inteiro de que se não estudassem seriamente seriam reprovados. Não acreditaram. A culpa era deles. Agora estavam ali no frio, sob uma chuva, num cemitério, quase meia-noite.

Outro pio de coruja.

Dessa vez mais perto. Instintivamente se aproximam uns dos outros. A lanterna iluminava pouco. A chuva estava espessa. A umidade da chuva envolvia a todos e enchia os tênis de barro e água.

- Ali tem uma.

- Onde?

- Ali. Naquele canto perto do muro.

Pegaram a coroa de flores e jogaram para o lado. As pás começaram a cavar. A terra molhada dificultava o trabalho. Chegaram ao caixão. Retiraram da cova. Resolveram cortar caminho pelos fundos do cemitério. Caminharam segurando as alças do caixão. O barro deixava os tênis pesados.

Caminhavam lentamente em meio à escuridão e a chuva forte. Não viram que havia um buraco um plástico preto tampando a sua boca. O buraco fora feito para canalizar as águas das chuvas. Mas as obras foram interrompidas. Toda a terra retirada estava na borda do buraco. Uma montanha de terra.

O primeiro se desequilibrou soltou a alça e se segurou no segundo, que se segurou no terceiro, que se segurou no quarto, que se segurou no quinto e todos caíram dentro do buraco. O caixão se abriu na queda e o corpo de uma mulher jovem rolou para fora do caixão. Desesperados, no escuro, tentavam escalar as paredes, mas não conseguiam.

Várias tentativas. Nada.

Ouviram, num relógio distante, as badaladas da meia-noite. A chuva caía mais forte. Se encorpava e caía torrencialmente, forte, furiosa, carregando tudo o que encontrava pela frente. Vários bairros foram alagados.

Ensopados e enlameados gritavam por socorro. A montanha de terra que estava na borda do buraco começou a deslizar para dentro dele. De repente, a terra toda desabou sobre eles.

Todos morreram soterrados.


O Pacto Maldito e Outras Histórias de Morte - José Cláudio da Silva - Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A Vingança da Casa


O BAIRRO DA LAPA É TRANQUILO. Possui muitas ruas arborizadas onde os moradores caminham tranqüilamente. Numa dessas ruas, sem saída, morava um casal de velhos aposentados. Passavam os dias ocupados com o jardim, os pássaros na gaiola e a costura. Moravam na mesma casa que compraram quando se casaram. Viviam naquela casa há quarenta anos. A casa tem três quartos, sala, cozinha, dois banheiros, um quintal no fundo e um jardim na frente, onde cultivam rosas.

Ambos têm sessenta anos. E esperam pacificamente a morte. Desejam que ela os leve juntos para o descanso eterno. Um não saberia viver sem o outro. Ali criaram os dois filhos. Ambos moram no Canadá. Mas esqueceram que têm pais vivos. Apesar do descaso dos filhos, eles são felizes porque um basta ao outro. Começaram as vidas sozinhas e vão terminar sozinhos.

A aposentadoria dos dois não estava dando para comprar os remédios caros que usavam. Resolveram alugar dois quartos. Colocaram uma placa no poste. Logo surgiram candidatos. O casal entrevistava os candidatos querendo saber sobre os hábitos e costumes dos pretendentes.

Escolheram dois jovens e acertaram as condições da locação.

A vida seguia seu curso normal, agora só quebrado pela presença dos jovens. Eles não eram de ficar muito em casa. Chegavam tarde e saíam cedo. Diziam que cursavam faculdade: um de direito e, o outro, de engenharia. Mas os velhos nunca os via estudando ou carregando livros. Nem mesmo livros nos quartos havia. No entanto, eles pagavam o aluguel pontualmente e não causavam transtornos.

Os meses batiam na porta e traziam novos dias monótonos e as estações do ano se sucediam. Às vezes, no final do domingo, os jovens ficavam ouvindo as histórias do casal. Faziam algumas perguntas e se recolhiam.

Os jovens notaram que ninguém visitava os velhos. Ninguém telefonava para eles, ninguém escrevia para eles e até mesmo os vizinhos os ignoravam. Os velhos davam a entender que eram sós no mundo. A casa era grande e espaçosa. Ficava numa rua tranquila. Se vendida, renderia um bom dinheiro.

Os jovens comentaram isso com os velhos e eles responderam que naquela casa estava a vida dos dois e que ela fazia parte da história deles. Ela sabia todos os segredos, havia presenciado todas as alegrias e tristezas dos dois e que jamais venderiam a casa enquanto fossem vivos, além do que, não precisavam de dinheiro. Depois que partissem, os filhos poderiam fazer o que quisessem com a casa.

Pela primeira vez mencionaram a existência de filhos. Os jovens, interessados, perguntaram mais algumas coisas e logo perceberam que os filhos ignoravam totalmente a existência dos velhos. Os jovens se entreolharam e a sorte dos velhos estava decidida.

Num domingo frio do mês de julho, os jovens entraram no quarto dos velhos. Os dois estavam dormindo. Eram cinco horas da manhã. Com os travesseiros os jovens sufocaram os velhos. Depois desceram até a cozinha, saíram no quintal e abriram duas covas. Carregaram os corpos até as covas e os enterraram.

Aliviados e satisfeitos saíram. Andaram pela cidade. Quando estava anoitecendo, voltaram para casa. Tudo estava como eles haviam deixado. A semana passou e a rotina da casa não foi quebrada.

Para a venda da casa precisavam forjar um documento de doação da casa para um deles. Só assim poderiam efetuar o negócio. Procuraram nos documentos pessoais dos velhos e encontraram papéis com as assinaturas deles. Um dos jovens começou a praticar a imitação da assinatura para poder assinar o documento e reconhecer a firma em cartório.

Um mês passou. Tudo estava indo muito bem. No mês seguinte, começaram a acontecer fatos estranhos.

A casa possuía um jardim com roseiras vermelhas, amarelas e brancas. As rosas começaram a desabrochar. No entanto, todas vermelhas, de um vermelho escuro, muito escuro, quase negro. No princípio, eles não notaram a mudança, mas, num domingo, quando um deles estava olhando o jardim, notou que as rosas, antes de cores variadas, agora eram todas vermelhas. Mas de um vermelho muito forte. Os transeuntes se admiravam da cor vermelha daquelas rosas. Alguns jovens enamorados roubavam rosas do jardim, mas elas murchavam imediatamente após serem cortadas.

No fundo da casa, no local onde eles enterraram os velhos, nasceu uma planta. Quando abriu a primeira flor, exalava um perfume forte que invadia todos os cômodos da casa. Era um cheiro doce e enjoativo. Os rapazes cortaram várias vezes a planta, arrancaram pela raiz, mas ela sempre ressurgia, cada vez mais forte. Uma flor fênix. Aquele cheiro os incomodava muito. No entanto, nenhum vizinho viera reclamar do cheiro da flor.

Sete meses se passaram. Os rapazes mal ficavam na casa. Tudo os incomodava. Os jovens já haviam forjado o documento e estavam prontos para efetuarem a venda da casa.

Contrataram uma imobiliária e foi colocada uma placa no poste. A placa ficou dois dias afixada e sumiu misteriosamente. A imobiliária colocou outra. Sumiu de novo. Foram várias placas. Todas sumiram. Resolveram escrever na parede o anúncio da venda. No dia seguinte não havia nada escrito. A imobiliária desistiu pensando que os jovens estavam brincando com eles.

Os jovens procuraram outra imobiliária e os mesmos fatos se sucederam. Colocaram um anúncio no jornal do bairro. Ninguém respondeu ao anúncio. Verificaram que o endereço e o telefone estavam errados. O funcionário disse que estava no ramo há vinte anos e que nunca havia acontecido um fato desses. Anunciaram de novo. Saiu outro endereço e outro telefone publicado. Resolveram publicar num jornal de grande circulação. O endereço e o telefone saíram publicados errados.

Num domingo frio do mês de julho o telefone tocou às cinco horas da manhã. O jovem atendeu e uma voz, que parecia estar vindo de muito longe, disse que gostaria de comprar aquela casa e que dias depois ligaria para marcarem um encontro. Voltou a dormir.

Acordaram. Um deles foi ao banheiro tomar banho. Fez a barba. Ligou o chuveiro. A água morna caía mansamente sobre seu corpo. Na cozinha, o outro preparava o café quando ouviu um grito vindo do banheiro. Era um grito horrível. Correu até o banheiro. A porta estava trancada. Nunca trancavam. Bateu e ninguém respondeu. Arrombou a porta. O banheiro estava nublado. Cheio de vapor denso. O jovem estava caído no chão do banheiro com queimaduras pelo corpo todo. Levou-o até a cama e correu até a farmácia mais perto. Comprou pomada para queimaduras.

Quando voltou ele não estava no quarto. Procurou-o pela casa e o encontrou ao lado da árvore que teimava em não morrer. Carregou para dentro de casa e colocou na cama. Passou a pomada por todo o corpo.

Mais tarde, ele acordou e contou que estava tomando banho com água morna quando a água começou a cair fervendo sobre o seu corpo. Tentou abrir a porta do box, mas ela não abria. Estava emperrada. A água caía por todos os lados. Tentou fechar o registro. Ele fechava mas a água continuava caindo. Não aguentando mais de dor berrou e desmaiou.

À noite uma febre alta tomou conta de seu corpo. No outro dia amanheceu morto.

O jovem carregou o corpo até o quintal e enterrou. Felizmente era ele que sabia assinar os nomes dos velhos. Assim poderia vender a casa por qualquer preço e sumir dali. Na segunda-feira colocou uma placa na parede e anúncios em todos jornais. Esperou dois, três dias, nada. O telefone não dava sinal de vida. No domingo, às cinco horas da manhã, o telefone tocou. Uma voz fraca disse que desejava comprar a casa. Marcaram para a manhã da terça-feira seguinte.

Aliviado, o jovem voltou a dormir. Quando acordou, foi para a cozinha preparar o café. Ao tentar abrir a porta da geladeira não conseguiu. A porta estava emperrada. Forçou, forçou até que conseguiu abrir. Tudo, dentro da geladeira, estava congelado como se ela tivesse se transformada num freezer. As coisas eram blocos de gelo.

Assustado, foi até a sala e ligou a televisão. Estava passando um filme antigo com dois velhos que sorriam para ele. Desligou a televisão, mas ela continuou passando a imagem dos velhos. Arrancou o fio da tomada, a imagem continuou na tela. Jogou a televisão no chão. Foi até a porta da rua e não conseguiu abrir. Estava trancada. Tentou as janelas, estavam trancadas. Era prisioneiro da casa.

Sentou-se no sofá. O coração batia acelerado. Seu corpo tremia e estava banhado de suor.

Uma sede enorme invadiu sua garganta. Abriu a torneira, não saiu água. Correu para o banheiro, abriu a torneira, o chuveiro, nada. No outro banheiro também. Desceu, entrou na cozinha. Abriu a despensa para pegar uma cerveja e deparou com vários ratos mortos. Eles haviam comido toda a comida e roído as latas. A mancha de cerveja derramada estava espalhada.

Desligou a geladeira para descongelar os alimentos e beber o gelo derretido. Depois de horas tudo continuava congelado na geladeira. Lembrou-se do telefone. Ligaria para a polícia. Mas o telefone estava mudo.

Sete dias. A sede e a fome estavam atormentando sua mente, seu corpo. Deitou-se.

Lá fora já estava escuro novamente. Só restava esperar a morte. Alguns dias depois ela apareceu com os dois velhos ao lado dela.

Numa rua tranquila da Lapa existe uma casa abandonada. Os moradores de rua dizem que ela é assombrada. Ninguém tem coragem de dormir ali.


O Pacto Maldito e Outras Histórias de Morte - José Cláudio da Silva - Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006