domingo, 26 de outubro de 2008

Carona Maldita


A única luz que podiam contar, era a inconstante luz da lua, que de tempos em tempos se escondia atrás das nuvens. Os dois jovens amigos andavam pela estrada de chão, estavam tentando atravessar o país pedindo carona, e estavam conseguindo.

A última carona foi até Diamantina, agora seguiam a pé por uma estrada deserta que os levaria até Belo Horizonte, mas os jovens não conseguiram mais nenhuma carona desde que chegaram ao interior de Minas.

_ Esses caipiras da roça são um bando de pão com frango! Gritou o mais jovem, filho de um industrial paulista.

_ Ôrra meu! Durante o dia, vários caminhões de leite, caminhonetes, carroças e até carros de boi passaram por nós, e ninguém parou! Agora a noite vai ser mais foda ainda! Constatou o amigo, também filho de um industrial paulista.

_ Povo do mato é muito "laranjão"! Só ficam "janelando"! Resmungou o mancebo.

E eles continuaram a andar pela estrada escura e fedida de esterco de vaca. Tudo parecia normal, mas algo estranho, muito estranho estava para acontecer.

_ Você notou como a lua está grande hoje? Perguntou o varão mais novo ao mais velho.

_ É lua cheia! Estamos no fim da quaresma! Semana Santa! Você viu as procissões em Diamantina?

_ Vi....esse povo da roça é muito "jagodes"! Reza o dia inteiro... sem falar nas superstições!

_Foda-se pra lá!

Mas de repente, uma luz que não era da lua veio de trás deles!

_ Está vindo um carro pela estrada! Empolgou-se o fidalgo.

_ Vamos pedir carona? Espero que pare! Estou morrendo de sono! Sugeriu o mais maduro.

_ É uma caminhonete velha! Tomara que tenha espaço atrás! Observou o rapaz mais jovem .

_Tomara que pare, senão estaremos fodidos! Cogitou o também rapaz, porém mais velho.

E os dois adolescentes estenderam seus dedos polegares e estamparam um sorriso em suas faces. Essa poderia ser a última chance! A caminhonete passava por eles agora.

_Ih meu! Parou! Vamos!!! Alegrou-se o jovem paulista.

Era uma rural azul 69 muito velha, na frente iam duas pessoas, um velho senhor e um garoto que parecia ser seu neto. O velho fez sinal para os dois pularem da parte traseira (que estava sem tampa) da velha Rural. Os jovens não pestanejaram, pularam na carroceria cheia de bosta de galinha. E o velho deu partida!

_ Pronde ocês tão indo uai? Perguntou o ancião pela janelinha traseira aos guris.

_ Pra BH ! Responderam em coro.

_ Êê! Eu num vô té lá não, mas deixo ocês em Paraopeba! De lá, cês vão pá Belzonte! Avisou o octogenário.

Durante toda viagem, o velho conversava sem parar com os infantes caronas, mas o garotinho permanecera mudo e imóvel o tempo todo, parecia que nem piscava! Uma atitude insólita para um menino que nem tinha os pêlos pubianos. A noite estava muito escura, pois a lua, sonolenta, se encontrava em um leito de nuvens. Ás vezes os viajantes passavam por um ou outro botequim de beira de estrada, perto de alguma fazenda.

_ Ô meu! Está com fome? Estou afim de dois pastel e um chopes! Perguntou o rapaz mais velho ao amigo.

_ Não, estou sem fome! Engoli um besouro à uns 5 minutos atrás! Respondeu contrariado o rapaz.

_ Você reparou como tem placas nos botequins e fazendas dizendo: "Temos Parapapum", "Parapapum Dia e Noite"...?

_ É! Deve ter gente que sai até a noite para comer ou beber ou trepar nesse tal de Parapapum....

A viagem estava tranqüila, com os viajantes conversando alegremente, com exceção do menino.

_Ô tio! Esse menino aí! É seu neto? Por quê ele fica quieto o tempo todo? Perguntou um dos caronas.

_ Não! Ele é o último rebento da minha muié! É o meu sétimo filho menino homem! Ele é quieto assim mesmo! Deve cê duenti!

_ Sétimo filho??? Ôrra!!! o senhor mete pra diabo! Disse o mais novo fidalgo.

_ Eu também sô o sétimo filho da minha mãe, muié do meu pai! O povo diz que nóisvirar lobisomem! Esse povo daqui é muito besta ! Isso é coisa do tinhoso, e eu minha muié somo muito religioso! Disse o ancião.

_Tem muitas lendas desse tipo aqui em Minas? Perguntou o donzel.

_Vije! E como tem sô! Inda mais agora, qui tamo no fim da quaresma, semana santa, hoje é quinta Feira da Paixão, lua cheia. Eu falo procês, se existe esse coisa ruim do lobisomem, é hoje que ele aparece! Falou o velho homem.

A lua cheia estava no zênite, e acabara de sair por detrás da lívidas nuvens da noite mineira. Nesse momento o garoto começou a se mexer, parecia que estava com soluço.

_ Que foi fio? Tá cum vontade de mijá? Perguntou o ancião.

O menino começava a balançar a cabeça e a babar! Estava tentando tirar as roupas enquanto gemia. O menino fechou os olhos e colocou as mãos na boca!

_ Para o carro!! Acho que o menino vai vomitar!! Gritou o natural do tietê.

_ Calma fio!! A primeira veiz é assim mesmo! Acalentou o velho.

_ Primeira vez o quê? Perguntaram em Coro.

_ Ara! Ocês prestaram atenção no que eu disse procês? Respondeu o velho, com uma voz estranha, muito estranha.

Os jovens paulistas teriam botado um ovo se fossem galináceos do sexo feminino, pois pela pequena janela que separava a cabina da rural e a carroceria, eles notaram para o seu espanto que o rosto do velho estava completamente mudado, um par de olhos vermelhos encaravam os jovens, enquanto algo que parecia um focinho de um cão se projetava para fora da cabina. Pelos longos e negros e uma orelha pontiaguda apenas confirmaram o desespero dos jovens.

Os jovens, por uma fração de segundo, encararam aquele rosto hediondo enquanto o menino se contorcia ao lado do pai. Centésimos que foram suficientes para um braço e suas garras estatelarem o vidro da janela e agarrar o pescoço do rapaz mais velho.

Uma onda de pânico cresceu entre os jovens, pois a Rural ainda em movimento os deixavam ainda mais confusos. Era questão de milésimos para o velho lupino esmagar os osso do pescoço do rapaz enquanto o outro, ainda paralisado de medo, estava a poucos centímetros do vidro.

Mas por capricho do destino, a caminhonete se encontrava sobre uma ponte, e bastou apenas um chute do garoto - que estava tremendo todo - no volante, para fazer com que a velha Rural fosse de encontro com um barranco, causando uma queda de 7 metros até o pequeno córrego que passava por baixo da ponte. Isso pegou todos de surpresa, o velho licantropo que começara a esmagar o pescoço do rapaz, só sentiu o que estava acontecendo quando foi arremessado pelo para brisa na primeira capotagem! Outras 4 capotagens deram por fim ao acidente, os rapazes que estavam na carroceria tiveram sorte, pois caíram sobre o lamaçal, amortecendo a queda, o mesmo não pode se dizer do bípede canino, pois ao ser arremessado para fora da velha rural, seu corpo foi esmagado pela sua própria caminhonete, quebrando todos os seus ossos.

Os jovens estavam atordoados e cambaleando, com poucos ferimentos. Alguns instantes depois, conseguiram ver o que aconteceu, o lobisomem esmagado sob a rural estava morto... mas e o garoto? Os jovens procuraram pelo garoto em volta do acidente, mas não encontraram nada. Estavam começando a ficar preocupados quando ouviram um gemido dentro da cabide da rural, se aproximavam com muito cuidado, o rapaz mais jovem pegara uma enxada que estava com eles na carroceria e o mais velho, uma pá. Todas estavam caídas próximo à eles. Quando abriram a cabina, viram uma cena horrível!

O garoto estava no meio da transformação, uma figura híbrida de lobo e humano estava se contorcendo em meio de uma sopa de sangue, pois no acidente, a criatura ficou muito ferida, e com sua perna esta dobrada ao contrário, deixava a cena mais horrenda!

_ Ô Meu! Você está bem? Perguntaram em coro.

_ Argh!!!!!!! Respondeu o garoto.

_ TUM! PLOFT! PUM! PLAFT! PLOING! TUMP! SPLASH! Responderam em coro.

A cena que se seguiu foi terrível, os dois jovens burgueses, tomados pela cólera ircúndia e ódio (ê redundância), começaram a destruir a criatura com golpes de enxadas e pás! O corpo do Lobiboy se tornara uma carne moída! Jatos de sangue espirravam a cada enxadada na barriga da monstro, os rapazes estavam completamente ensopados com o sangue da criatura. Essa carnificina durou alguns minutos. Quando não se podia mais separar o que era corpo, sangue, lama e terra, os dois rapazes pararam de malhar com os equipamentos agrícolas. Ficaram lá, respirando profundamente, com uma repugnante mistura de lama, suor e sangue sobre o corpo inteiro, olhando as duas criaturas mortas no brejo.

Os dois rapazes se olharam, subiram os barranco até a estrada e seguiram caminho para Belo Horizonte sob a luz da lua cheia.

Fonte: Carona maldita.

A Morte bate a Porta

Numa certa noite de interior, em meio a uma roda com fogueira, muito frio e histórias de horror, um certo garoto lança um desafio ao amigo. Faremos uma aposta, eu duvido que o Márcio entre no cemitério a meia noite???? Márcio então respondeu ao amigo:

- Aceito o desafio e não só entro como ainda trago algo para comprovar que estive lá. Então a meia noite ambos foram ao portão do cemitério, o amigo para ver com seus próprios olhos que Márcio entraria. Marcio entra, e o amigo assustado com a escuridão corre de volta para casa e fica lá com os amigos esperando o retorno de Marcio.

Marcio com muito medo, começa a ouvir passos e vozes, olha para traz e nada vê somente uma enorme escuridão, com muito medo, arranca logo uma cruz do cemitério e corre desesperado de volta para casa...... ao sair do cemitério ao longe escuta gritos de desespero.

Chegando em meio ao amigos, entra em casa sorridente e mostrando a todos sua coragem, com aquela cruz na mão, prova ao amigo que não tem medo de mortos. Os dois ficam rindo da aposta... quando adentra em casa um dos amigos dizendo:

- Márcio, o João Alves está ai fora te procurando.... ele veio buscar algo dele que está com você.

Márcio olha desesperado para o amigo e diz: - Mas eu não conheço nenhum João Alves, e no mesmo instante os dois olham para a cruz e para espanto dos dois, na lápide havia o nome... "João Alves".

Fonte: Contos de Terror...

A Morte do Demônio


The Evil Dead (1982) foi lançado em vídeo VHS pela "Look" com o nome de "A Morte do Demônio". Esse mesmo filme foi exibido nos cinemas como "Uma Noite Alucinante - Parte 1 - Onde Tudo Começou". Já Evil Dead II (1987) foi lançado em vídeo VHS pela "Tec Home" com o nome de "Uma Noite Alucinante" e foi exibido nos cinemas em 1988 com esse mesmo nome, seguido do subtítulo "Mortos ao Amanhecer".

Toda essa confusão aconteceu porque o segundo filme estreou por aqui antes do original. E para complicar mais ainda, vale registrar um protesto quanto ao péssimo título nacional escolhido para "The Evil Dead". O filme recebeu o nome equivocado de "A Morte do Demônio" quando o ideal seria manter o título original.

Porém, se ainda assim os responsáveis pela distribuição da fita no país preferissem optar por um nome nacional, o mais correto seria algo como "Os Mortos Malignos", uma tradução literal e mais coerente com a obra.

Ambos os filmes foram escritos e dirigidos pelo jovem e competente cineasta Sam Raimi (que faria mais tarde a mega produção "Homem-Aranha" e suas seqüências), e estrelados pelo hábil Bruce Campbell, que também foi produtor. Como já mencionado, há diferenças entre as duas produções mesmo porque não há uma sequência exata entre elas.

O segundo filme é apenas uma variação da história do primeiro e está mais voltado para o humor negro. Já o primeiro filme é bem mais violento, repleto de cenas repugnantes e assustadoras, tanto é que foi proibida sua exibição na Inglaterra por dois anos, e mesmo assim ganhou vários prêmios em festivais sendo até hoje aclamado pelos fãs como um dos principais filmes de horror já realizados.

Desde 1978, o jovem Sam Raimi com a ajuda do produtor Robert G. Tapert e do ator Bruce Campbell, estavam planejando realizar um filme diferente e de impacto. Então um ano depois eles lançaram o violento e raro "Within the Woods", cuja história acabou dando origem em 1982 ao brutal "The Evil Dead".

Nada melhor que o escritor Stephen King para comentar esse projeto: "Eu gosto desse filme, é diferente dos outros". O apoio de King foi fundamental para o sucesso da produção.

A história é simples e sem novidades, girando em torno da descoberta de um livro antigo amaldiçoado chamado de "O Livro dos Mortos". Esse artefato, confeccionado e escrito há mais de três mil anos atrás, com carne e sangue humanos, era composto de frases e passagens cabalísticas de rituais de sepultamento e feitiços funerários, que uma vez recitadas tinham o poder de ressuscitar demônios até então adormecidos, e forças malignas que vagam pelas florestas e pela escuridão da civilização, as quais uma vez despertadas, podiam se apossar dos vivos. "O Livro dos Mortos" nada mais é do que uma versão do famoso e obscuro "Necronomicon", mito largamente explorado na literatura macabra do escritor Howard Phillips Lovecraft.

Um grupo formado por cinco jovens estão em passeio nas montanhas do Tenessee e se hospedam numa velha cabana abandonada. Ashley (Bruce Campbell), sua namorada Linda (Betsy Baker) e sua irmã Cheryl (Ellen Sandweiss), além do casal de amigos Scott (Hal Delrich) e Shelly (Sarah York), procuram apenas bons momentos de diversão e descanso, não imaginando o inferno que os aguardava.

Eles encontram no porão um estranho livro acompanhado de um gravador com uma fita, material pertencente a um arqueólogo que trabalhava em misteriosas escavações nas Ruínas de Kandar. Os jovens resolvem ouvir a fita, que reproduz a narração do arqueólogo falando de suas descobertas e explicando que involuntariamente invocou entidades demoníacas que tinham o poder de se apossar dos vivos. A única forma de livrar o corpo do espírito maligno era através do esquartejamento. E acidentalmente a fita recita um encantamento diabólico:

"Tatra amistrobin azarta, tatis manor manziz hounaz, ansobar saman darobza dahir saika danz deroza, kandar, kandar, kandar". (Nota do Autor 1: Não me responsabilizo pela citação dessas palavras e a possibilidade hostil de suas consequências...).

Dessa forma, os jovens inadvertidamente permitiram ressuscitar ferozes demônios "kandarianos" que estavam inativos. Os espíritos malignos estavam apenas aguardando a oportunidade de se manifestarem e se apossar dos humanos um a um, sobrando apenas o herói Ashley para combatê-los e lutar bravamente por sua vida.

São várias as sequências de destaque como a cena perturbadora em que Cheryl sai à noite sozinha pelo bosque e é estuprada violentamente por árvores vivas, possuídas por demônios. Ou ainda quando a mesma garota torna-se a primeira vítima de possessão, gritando com uma voz gutural aos seus amigos: "Por que vocês perturbaram nosso sono? Acordando-nos de nossa duradoura inatividade? Vocês morrerão! Como os outros antes de vocês! Um por um, nós vamos tomá-los!". Essa sequência já é clássica e define apenas o início da carnificina sangrenta que estava por vir.

O desfile de atrocidades continua quando Shelly é a próxima possuída e num momento de insanidade total, ela arranca a própria mão direita vagarosamente com os dentes numa cena grotesca. Após muito sangue, gosmas coaguladas, vísceras expostas, líquidos putrefatos, carne destroçada, ossos partidos, desmembramentos e cabeças decepadas, a noite infernal termina e o início da manhã reservaria um desfecho digno para o herói Ashley, permitindo várias interpretações e certamente fugindo do convencional clichê de final feliz. Sem dúvida nenhuma, uma obra prima do horror com algumas das cenas mais repugnantes e violentas já filmadas, tudo de forma avassaladora. (por Renato Rosatti)

Ficha Técnica:

A Morte do Demônio (The Evil Dead - EUA/1981)
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi
Elenco: Bruce Campbell (Ashley J. Williams/Ash), Ellen Sandweiss (Cheryl), Richard DeManincor (Scott), Betsy Baker (Linda), Theresa Tilly (Shelly)
Duração: 85 min.
Gênero: Fantasia/Terror

Sinopse:

Cinco estudantes vão passar um fim de semana numa cabana isolada nos bosques de Tennessee. Os jovens têm estranhas experiências, obviamente causadas pela presença do Livro dos Mortos (o Necronomicon Ex Mortis, encadernado em papel humano e escrito em sangue), que encontram.

Logo depois encontram um gravador que contém uma fita gravada. A fita foi gravada pelo dono da cabana (um arqueólogo), com a tradução de algumas passagens do livro. Ao ser reproduzida pelos estudantes, desperta os espíritos que estavam adormecidos e que habitam o bosque. Os espíritos começam a possuir os jovens um por um, até que o protagonista e único sobrevivente Ash acaba com eles.

Fontes: Morte do Demônio, A; A Noite dos Mortos Vivos - Evil Dead; Evil Dead.